Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

27 junho 2009

sobre a diferença entre AJUDAR e PARTICIPAR (daquelas coisas BEM fundamentais da vida!)

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Uma amiga do orkut que estuda enfermagem escreveu "quando me formar quero ir pra África ajudar, ou pro Nordeste também..."
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Acredito na verdade desse sentimento, mas não posso deixar de apontar que vejo perigo e armadilha no verbo que foi usado aí: AJUDAR. 
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Melhor que tentar explicar é contar uma história real. Uma antropóloga estadunidense, a Janice Pearlman, quis conhecer uma líder das mulheres do interior das Filipinas (acho que era Filipinas, mas não tenho certeza), cuja atuação estava fazendo grande diferença na vida da região. Fez toda a viagem até lá só para conhecê-la. Quando chegou, essa senhora olhou na cara dela e disse: "se você veio aqui pra me ajudar, pode ir voltando; agora, se você vê a minha luta como parte da sua, aí então nós podemos conversar".
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Duas palavrinhas para complementar: às vezes sou tentado pela idéia, e aí penso "Mas quem sou eu pra ajudar alguém? Isso significaria que eu estou em situação melhor, ou que eu sou superior, e será que sou mesmo?".
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Junto com isso lembro da crítica que um pensador oriental fez à noção ocidental de "caridade". Ele disse algo mais ou menos assim: "a 'virtude' da caridade é a de aliviar a consciência de quem 'ajuda' ao mesmo tempo em que humilha o 'ajudado'" - ou seja: em última análise seria uma forma de dominação! E ele disse ainda: "em lugar de caridade, nós preferimos acreditar em justiça".
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Desconfio que a fala da mulher das Filipinas apontava justo para isso: participarmos uns nas lutas dos outros por justiça. O que me faz lembrar a fala de um certo mestre de uns 2000 anos atrás: "bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça", quer dizer: aqueles que sentem a justiça como uma das necessidades vitais fundamentais do ser humano, sem a qual nem dá pra viver, sem a qual a humanidade do ser humano definha e morre...
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Mas desconfio também que também aqui as coisas podem ser mal entendidas: não pode se tratar de fome e sede de justiça só para si. Se não for para todos nem faz sentido; é um contra-senso. Pois se fosse só para si já não seria justiça! Estaríamos falando de uma fome não de justiça e sim de privilégio... O QUE É A ORIGEM DE TODA INJUSTIÇA!
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Bom, quem sabe é isso aí...  Abraços!
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Um comentário:

  1. Falar de Justiça, em um país que prima pela falta dela, é mera Utopia, mas nós seres humanos sencíveis temos que crer que um dia, quem sabe um dia, ela vencerá todas as barreiras e prevalecerá.
    Beijos a todos os justos.
    Silvia Pertusi.

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