Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

25 dezembro 2009

um pequeno Apocalipse custom-made de presente de Natal

Agora a imprensa vem publicar "o que os especialistas dizem" sobre os riscos psicológicos ao menino Sean Goldman. Por que ninguém perguntou e publicou antes?

E quando nós, especialistas brasileiros (de uma forma ou de outra, porém sim especialistas), tentamos dizer precisamente o mesmo que os especialistas estadunidenses estão dizendo agora, pelo menos aqui na "imprensa aberta internética" (já que na grande imprensa e/ou na justiça ninguém nos ouviria), fomos quando muito ridicularizados, se não sumariamente ignorados.

"O senhor é pedagogo e não psicólogo", me respondeu um cidadão que da sua parte não apresentou sua qualificação profissional, nem disse uma só palavra que sugira que tenha conhecimentos quer de Pedagogia, quer de Psicologia (como se fossem coisas tão separadas assim, especialmente no que se refere a crianças!)

Vejam as opiniões dos especialistas estadunidenses que o UOL publicou nesta linda manhã de Natal..., depois das quais vai o que eu já achava antes de ler uma linha que fosse da opinião de qualquer outro profissional.

-----------------------------------

25/12/2009 - 09h11
Sean sofreu 'apocalipse psicológico' e adaptação será difícil, diz especialista
http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/12/25/ult5017u453.jhtm

Sites de emissoras de TV nos Estados Unidos, como a ABC News e a CBS, publicaram textos sobre os possíveis problemas psicológicos que o garoto poderá enfrentar no seu retorno aos Estados Unidos após cinco anos.

Especialistas em desenvolvimento de crianças receiam que a longa batalha internacional pela guarda do menino terá fortes consequências.

De acordo com a psicóloga Jenn Berman, o garoto terá inúmeras dificuldades de adaptação.

"No curto prazo, ele deverá se adaptar a uma cultura completamente diferente e a um mundo que não é nada familiar para ele", afirmou Berman.

A médio e a longo prazos, de acordo com a psicóloga, as dificuldades serão ainda maiores.

"Ele teve um trauma depois de outro trauma", disse, referindo-se a situações como o divórcio dos pais e a morte da mãe. Além disso, é possível que Sean não esteja ciente da batalha travada pelo pai para recuperar sua guarda e tenha interpretado a distância como abandono.

"As crianças se recuperam rapidamente, mas esse garoto tem muitos desafios pela frente." "Emocionalmente falando, trata-se de um apocalipse psicológico", resumiu.

Harold Koplewick, diretor do Nathan S. Kline Institute for Psychiatric Research, diz que vai demorar um pouco até que o garoto se sinta adaptado à nova vida, e seu pai deverá ter muita paciência para ajudá-lo.

Famílias Os especialistas, no entanto, são unânimes em afirmar que o melhor para o menino é manter o relacionamento com ambos os lados de sua família.

"É importante compreender que esse garoto está ligado a ambas famílias, no Brasil e nos EUA", afirmou Judith Myers-Walls, especialista em desenvolvimento de crianças.

De acordo com ela, não importa como o caso foi finalizado, já que o trauma no processo é inevitável.

Judith diz que, além de estar separado do pai por cinco anos, ele também enfrentou a morte da mãe e o constante conflito da batalha por sua guarda, que durou a maior parte de sua vida.

Para ela, o impacto final de todos esses traumas só será conhecido em anos, mas a atitude dos adultos envolvidos no caso será fundamental para amenizar os problemas.

Denise Carter, diretora da Reunite, uma organização que oferece ajuda a famílias em situação semelhante à de Sean, há "várias histórias de sucesso", inclusive de casais que viveram situações altamente conflitantes mas conseguiram, após mediação, conviver de forma a prover o melhor ambiente familiar para a criança.

Para ela, o ideal é que Sean tenha acesso aos dois países e às duas culturas.

"Nós temos de nos concentrar naquilo que realmente é o melhor interesse da criança, não necessariamente no que é o desejo dos pais", disse Carter à BBC Brasil.

Durante o voo que o levava com o filho de volta aos Estados Unidos, David Goldman disse que irá permitir visitas da família brasileira a Sean, ainda que isso "leve tempo" para acontecer.

-----------------------------------

Agora falo eu...
 
Provavelmente a única chance de escapar de um desastre absoluto é que o pai passe agora a dizer ao garoto todos os dias que adora a família brasileira, que foi pena que alguma coisa tenha obrigado a que o processo de volta aos EUA tenha tido que ser assim, sem culpar jamais a família brasileira e sim, ao contrário, facilitando seu contato virtual freqüentíssimo - e também o reencontro físico dentro de não tanto tempo assim".

Se o pai não fizer isso, as principais alternativas do que pode acontecer são:

(1) O pai não consegue seduzir o menino, que...
(1a) passa a atacá-lo e/ou atacar a nova sociedade - sem absolutamente nada que impeça de isso chegar ao nível dos maiores crimes; só não uso aqui a palavra 'psicopatia' porque para sê-lo de modo característico a separação traumática deveria ter ocorrido mais cedo (até quê idade, admito que preciso voltar à literatura sobre isso);
(1b) pode se fechar em si mesmo numa atitude de aparência similar a um autismo.

(2) O pai consegue seduzir o menino, acarretando com isso, porém, inevitavelmente, uma sensação de culpa tão grave e insuportável que conduz à cisão da personalidade (uma parte fiel ao pai, outra à família brasileira). Isto é: esquizofrenia e/ou quadros correlatos. De novo, sem nenhuma garantia de que não haja violência contra o pai, contra outras pessoas e coisas, ou contra si mesmo.

Aliás, nos dois casos o risco de comportamento suicida está presente. No segundo isso talvez seja mais grave porque a própria capacidade de racionalidade nas ações estará comprometida pela cisão.

Ou seja: esse pai chamou para si um concentração monumental de riscos. Se conseguir se sair bem dessa, eu no fim até terminarei tirando meu chapéu para ele.
 
Mas exclusivamente para ele, e não para as autoridades (ir)responsáveis dos dois países, que não pararam para ouvir o menino nem chamaram consultoria psicológica antes de decidir. Irresponsabilidade criminosa, não menos.

(Inclusive daquela mãe desnaturada que, em tudo que faz e diz, andaria sendo Hilária se as conseqüências não fossem trágicas).
 
Ainda uma palavra sobre a substância e natureza da (ir)responsabilidade das autoridades
 
Está envolvida nesse caso uma questão de método importantíssima mas pouquíssimo reconhecida, que incide sobre qualquer análise e qualquer planejamento de ações: saber distinguir as dimensões diacrônica (como a questão vem se desenrolando no tempo, como chegou aqui) e sincrônica (qual é a dinâmica de uma questão num dado momento, independente de como veio até aqui). 
 
Creio que quem introduziu essas palavras foi o antropólogo-lingüista Saussurre, e ignoro se alguém antes trabalhou sistematicamente com essa mesma distinção sob outras palavras - mas isso na verdade não faz diferença, as ideias valem pela verdade e eficiência que mostram na prática, não faz a menor diferença quem disse.
 
Enfim: no caso do menino Sean, a dimensão diacrônica é como a história se desenrolou no tempo, e como chegou onde chegou. Não há dúvida que houve inúmeros erros (se não, nem teria chegado onde chegou), pessoalmente duvido que os erros tenham sido só da família brasileira - mas na verdade meu interesse sobre essa dimensão é mínimo.
 
Na hora de implementar uma ação, é preciso saber abstrair totalmente o "como se chegou aqui", "como as coisas deviam ter sido feitas antes e não foram", e concentrar no "como se sai daqui com menos dano e/ou mais benefícios". 
 
Não separar essas dimensões é irresponsabilidade. Não saber separar essas dimensões é despreparo para a ação no campo que estiver em questão (para não usar a palavra "incompetência", tão feia e de sabor tão burguês).
 
Estava ao alcance das autoridades ordenar os procedimentos de modo a minimizar os danos - de modo que não tê-lo feito é crime. Ainda se não for sob a legislação, moralmente é.
 
É óbvio que esse princípio vale para todos os casos, e não só para esse onde o padrasto é da elite e o caso apareceu na imprensa. Há milhões de injustiças iguais ou maiores acontecendo no país sem visibilidade nenhuma? Óbvio que há. Mas se temos este caso diante dos olhos no momento, seria bobeira não aproveitar para extrair dele todos os aprendizados possíveis, inclusive tendo em vista os casos que continuam à espera na invisibilidade, mas espero que não para sempre!

24 dezembro 2009

O NATAL MÁGICO DO JUDICIÁRIO BRASILEIRO / à espera de um milagre!

Antes da parte triste, quero mandar um verdadeiro presente precioso, a frase que "estalou" na amiga NaT, do Portal Luis Nassif, ao fazer um comentário hoje:
 
" LAÇOS VÁLIDOS SÃO OS DO AMOR, OS BIOLÓGICOS SÃO OCASIONAIS "
 
E agora, coragem:
 
Na Véspera do Natal de 2009, por ordem do excelentíssimo senhor doutor Gilmar Mendes,
  • um abastado médico acusado de 56 crimes sexuais foi posto em liberdade
  • um menino de 9 anos foi obrigado a deixar o seu grupo afetivo de referência e seguir viagem com pessoas que para ele são estranhos, sem que sua voz pudesse ser ouvida publicamente a respeito do assunto nem uma única vez
 Nos poucos dias anteriores, o judiciário brasileiro ainda
  • proibiu 3 pacatos cidadãos franceses, ao que parece pessoas simples, de voltarem para seus lares até pelo menos 7 de janeiro: foram presos porque protestaram e quiseram desembarcar de uma aeronave da TAM onde já estavam retidos há quatro horas sem receber nenhuma informação em francês, apesar de haver cem franceses à bordo; elementos perigosíssimos, como se vê
  • proibiu pelo menos até fevereiro a continuidade das investigações sobre os fartamente evidenciados crimes do Sr. Daniel Dantas e do grupo Opportunity
Diante disso, suspeito que não nos reste senão reativar a fé em milagres, a que o próprio Presidente apelou dias atrás, no sentido de que...
  • uma copiosa chuva de sensibilidade, bom senso e honestidade efetue uma metánoia, uma conversão profunda nas cabeças dos togados e demais detentores de poderes no país
  • que essa mesma chuva caia aliás sobre os cidadãos brasileiros em geral, cuja maioria foi capaz de apoiar o crime legalizado perpetrado contra o menino Sean, mostrando que os valores do patriarcalismo, ovo de serpente do fascismo, continuam bastante bem preservados entre nós
  • que, de resto, o Outro Mundo se digne a resgatar logo para si diversas múmias que esqueceu no Brasil em posições privilegiadas...
Taí: não teve sininhos nem renas nem manjedouras, mas estão aí meus votos EFETIVAMENTE SINCEROS de um mundo melhor a partir deste Natal!
 
PS: PARA QUEM QUISER UM NATAL MAIS METAFÍSICO, re-ofereço (pois não perdeu nada da validade)
o texto que distribuí no ano passado, MINHA CONVERSA NATALINA COM O MONGE JOSEFUS
http://pluralf.blogspot.com/2008/12/minha-conversa-natalina-catablica-e_26.html  :-D
 
......................................................................
Ralf Rickli • arte em idéias, palavas & educação
http://ralf.r.tropis.org • 11 8552-4506 • São Paulo

23 dezembro 2009

Uma criança e seu destino VENDIDOS pelo bem do nosso comércio exterior & o Judiciário como bastião da opressão

Primeiro vai a notícia, em seguida os comentários
 
Da BBC Brasil - 23/12/2009 - 07h22
Cai represália contra Brasil nos EUA após decisão do STF sobre Sean
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u670390.shtml

O Senado americano aprovou por unanimidade a extensão do programa de isenção tarifária que beneficia as exportações brasileiras e de mais 131 países, depois que o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou a entrega do menino Sean ao seu pai, o americano David Goldman, na terça-feira (22).

Na semana passada, o senador do Partido Democrata Frank Lautenberg, de Nova Jersey (mesmo Estado do pai de Sean), havia apresentado uma moção suspendendo a votação em retaliação ao Brasil, por conta da disputa pela guarda do menino.

Na última quinta-feira (17), depois de a Justiça brasileira ter determinado a devolução de Sean para o pai, o ministro do STF Marco Aurélio de Mello aceitou o pedido de habeas corpus impetrado pela família brasileira do menino, e determinou que o menor deveria ser ouvido antes de a decisão final.

A medida adiava a volta de Sean para os Estados Unidos, já que ele só poderia ser ouvido pelo Tribunal em fevereiro, depois do fim do recesso.

Mas na terça-feira, o presidente do STF, Gilmar Mendes, analisou dois mandados apresentados --um pela AGU (Advocacia Geral da União) e outro pelo pai do menino --e cassou a liminar de Mello, permitindo a volta imediata de Sean para os Estados Unidos.

Depois de anunciada a última decisão do STF, o senador americano retirou sua oposição ao projeto.
O programa de isenção de impostos --conhecido como SGP (Sistema Geral de Preferências)-- estende por um ano os benefícios tarifários ao comércio exterior dos Estados Unidos com 132 países, permitindo que eles exportem cerca de 3.400 produtos livres de impostos para os Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias "Associated Press", o Brasil é o quinto maior beneficiário do programa e teria economizado cerca de US$ 2,75 bilhões em isenções, no ano passado, segundo um porta-voz de Lautenberg. Com a aprovação no Senado, agora cabe ao presidente Barack Obama assinar a medida.

Sean Goldman nasceu nos Estados Unidos, filho de mãe brasileira --Bruna Bianchi-- e do americano David Goldman. Em 2004, ele foi ao Brasil de férias com a mãe e de lá, Bruna comunicou ao marido que estava se separando e pretendia ficar no Brasil. Desde então, o pai vem disputando a guarda do filho. No ano passado, no entanto, a mãe de Sean morreu no parto de sua segunda filha.

O menino passou a ficar sob os cuidados dos avós maternos que agora, junto com o segundo marido de Bruna, João Paulo Lins e Silva, disputam a guarda de Sean com o pai.

Mais notícias de hoje sobre o caso:
STF determina entrega imediata de Sean ao pai americano
CNN interrompe programação para anunciar decisão sobre Sean


Claro que quero que o comércio exterior brasileiro se dê bem, mas... às custas de fazer calar um menino sobre o seu próprio destino?!

O que estava em questão não era nem ele ficar com a família brasileira, e sim apenas que ninguém decida seu destino sem ouvi-lo pessoalmente!! Nem esse mínimo respeito as crianças merecem?
 
Se Sean for infeliz nos Estados Unidos, pelo menos um dia o Brasil poderá homenageá-lo como um mártir do seu desenvolvimento, já que ele está sendo vendido por isso!!
 
Mas o que isso mais faz pensar é sobre certos aspectos do sistema judiciário!
 
Que a decisão anterior de entregar a criança tenha sido tomada pelo STJ às vésperas do recesso, isso já é suspeito, por isso não se pode acusar a família brasileira de haver jogado com a data para conseguir mantê-lo no Brasil pelo menos até fevereiro: ela estava apenas se defendendo do golpe do STJ que, esse sim, evidentemente estava jogando com a data.
 
Aliás, quê setor vital da sociedade pode ter direito de entrar em 'férias' coletivamente durante mais de um mês e deixar a sociedade inteira esperando?
 
Lula não pode decidir sobre Battisti porque tem que esperar meses até que os doutos dignos se dignem a apenas pôr no papel o que já decidiram: não tem a menor importância se meio ano da vida de alguém é passado em liberdade ou da prisão, os digníssimos trabalharão quando lhes aprouver.
 
Agora o destino inteiro - a sanidade mental de um futuro adulto - está em questão. Se não for feito um processo de transição adequado e Sean entrar em angústia intensa por se ver separado daqueles que ele considera os seus e em poder de alguém que ele sente como um estranho (não importa o que a lei diga a respeito), algumas horas dessa angústia são suficientes para deixa seqüelas psíquicas e físicas para sempre. Stress intenso mata neurônios e com grande freqüência faz de suas vítimas depressivos irreversíveis. Verifiquem as pesquisas recentes sobre isso, senhores, antes de pretender decidir sobre a vida de quem quer que seja!
 
Ou seja: foi autorizado um processo que em algumas horas pode deixar seqüelas graves para uma vida inteira - mas fiquem tranqüilos: daqui a quarenta dias os juízes voltam para julgar o caso em definitivo.  Felizes férias, meritíssimos...
 
Até quando seremos reféns da combinação de prepotência & preguiça togadas? Isso é apenas mais uma ditadura do arbítrio (como todas as ditaduras, aliás) covardemente escondida atrás do discurso da competência, da necessidade de saber técnico. O saber, se é que há, somente lhes CAPACITA A SERVIR, senhores, não lhes autoriza a fazer o que bem querem de vidas humanas, somente porque é o que querem, e ainda por cima quando querem.
 
Se a lei-como-está lhes autoriza, ela é moralmente ilegítima, e os senhores SABEM disso.
 
Sabem disso, e no entanto continuam se esbaldando no prazer ilegítimo do mandar-pelo-mero-gosto-de-mandar (isso se é que não há outro tipo de intere$$es em alguns casos).
 
Em lugar de Casa da Justiça, o que os senhores vêm mostrando ser é o Último Bastião da Opressão, num mundo que, ainda que com falhas, vem pouco a pouco conseguindo democratizar e tornar menos opressivas as demais estruturas.
 
Até quando, senhores?
 
---------------------------------
P.S: Diferente de Luis Nassif, que em seu blog vem sendo talvez a voz de maior destaque contra a manipulação arbitrária da vida de uma criança pelo judiciário sem consideração de seus sentimentos, o também excelente jornalista Luiz Carlos Azenha considerou a decisão "dolorida mas necessária", pois "os direitos do pai haviam sido desrespeitados".
 
Dolorida para quem? Só para a criança e seus familiares brasileiros, mas sobretudo para a criança.
 
E o ganho é de quem? Sobretudo da imagem do poderio estadunidense, que vinha sendo arranhada. Em segundo lugar, da vaidade gratuita de um macho, que chamam de "pátrio poder" ou "direitos de pai".
 
Pois se esse pai de fato amasse o seu filho, não acredito que tivesse posto em prática o artifício proposto pelos seus advogados. A avó materna diz ter provas de que nunca proibiram o pai de ver o menino, e que o convidaram várias vezes à sua casa, inclusive oferecendo-se a pagar a passagem - mas que os advogados o haviam orientado a não ver o menino para não descaracterizar o caso como seqüestro diante da Convenção de Haia. E ele fez isso, durante anos. Amor ao filho ou amor ao poder - ou ainda a sabe-se lá que vantagem mais?
 
Enfim: a vida é da criança, mas os direitos sobre essa vida são do pai...  sem ao menos ouvi-la!
 
Deixei no site do Azenha a observação de que esse caso está me fazendo levar a sério teorias antropológicas, sociológicas e psicológicas que eu antes desprezava: as que veem todas as formas de opressão como ramificações de uma mesma raiz chamada PATRIARCALISMO.
VÁRIOS OUTROS TEXTOS MEUS SOBRE ESTE TEMA ESTÃO POSTADOS NO MEU BLOG NO PROTAL LUIS NASSIF, em:

22 dezembro 2009

A espantosa história da reunião de Obama com o grupo BASIC, segundo o Financial Times

O relato sobre Copenhague 2009 publicado hoje no Financial Times conclui com o que me parece a história mais espantosa dessa conferência já não pouco surpreendente.

Conta como teria começado a famosa reunião de Obama com os líderes de um certo grupo BASIC (Brasil, África do Sul, Índia e China), surgido de repente no lugar do já bem conhecido BRIC - reunião cuja foto foi distribuída pelo New York Times e reproduzida entre nós pelo Azenha (tentarei inserir também aqui), e que, a crer em diversos relatos, teria sido um dos momentos mais decisivos de toda a conferência...
 
Justo porque teria sido tão importante a história fica sendo tão espantosa - e, pelo menos para o meu gosto, saborosa - que resolvi traduzir e compartilhar:

O encontro de Barack Obama com os líderes das maiores economias em desenvolvimento, na sexta à noite, talvez tenha sido o acontecimento mais cômico [farcical: farsesco, burlesco] dessas duas semanas de confusão. Às 7 da noite o líder da maior economia do mundo deveria se reunir com Wen Jiabao, o primeiro ministro chinês, numa sala nos fundos, isolada do resto da conferência por forte segurança.

O Sr. Obama adentrou a sala e - de acordo com fontes dos EUA - descobriu que o interlocutor pretendido já se encontrava lá - profundamente entretido em conversações com Manmohan Singh, o primeiro ministro indiano que, segundo havia sido dito aos americanos, já teria ido embora da conferência, juntamente com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o da África do Sul, Jacob Zuma.

O líder dos Estados Unidos chamou alto: "vocês já estão prontos para falar comigo?"
[called out: "Are you ready for me?"]. Não havia lugar à mesa, mas o Sr. Lula deu uma espremida na roda, dando lugar para que o Sr. Obama puxasse uma cadeira e sentasse.

Fonte: Financial Times - 21.12.2009, 02h00 (parágrafos finais)
http://www.ft.com/cms/s/0/a1da3524-edcf-11de-ba12-00144feab49a.html
 
Do NYT, http://graphics8.nytimes.com/images/2009/12/18/world/18cnd-climate-2/articleLarge.jpg

19 dezembro 2009

MEGALOMANIA DE QUEM, CARA PÁLIDA?

Enviei a seguinte mensagem para o Painel do Leitor da Folha hoje. Pouco provável que publiquem, e menos provável ainda que inteira. Por essas e outras compartilho também por outros canais.

Lemos na própria Folha de hoje (19.12.2009): "Lula ... recebeu em seu hotel Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) e Gordon Brown (Reino Unido), além do premiê chinês, Wen Jiabao. Os europeus, segundo o Itamaraty, procuraram Lula em busca de mediação com o G-77, dos países em desenvolvimento. Depois, o brasileiro faria a ponte entre Obama e Wen, na busca de uma linguagem adequada para atender aos dois antagonistas no texto final."
 
Incontáveis outras fontes confirmam os fatos e reforçam a imagem.
 
E aí Clóvis Rossi me sai com essa: "Quando Lula abandona a megalomania de acreditar que o que diz será seguido pelo mundo todo, quando fica claro que não funcionam suas seguidas ameaças de telefonar para Obama e Hu Jintao para enquadrá-los, aí sim o Brasil sai bem na foto."
 
O mundo inteiro 'babando' pelas habilidades do nosso presidente já demonstradas na prática... mas é a Folha quem detém o critério para avaliá-lo. Megalomania de quem, cara pálida?
 
Ralf Rickli

papel de Lula em Copenhague, na própria Folha

Destaco para os amigos algumas coisas em vermelho na matéria abaixo. (Consuelito, cuando escribí Três raízes, dez mil flores, en 1992, dijiste que lo único que no te gustó fué cuando yo dije que, si Brasil tiene una misión histórica, esa sólo puede tener que ver con la forma adecuada de encontrar el otro, el diferente; 'com a descoberta do que é o comum entre nós, [...] não pela destruição das diferenças, mas pelo aprofundamento da nossa visão até para além delas". Eso te pareció tontería en aquel momento...) Ralf
 

 
Reprodução da versão na Folha impressa (restrita):
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1912200903.htm
 
São Paulo, sábado, 19 de dezembro de 2009

COPENHAGUE 2009

Lula faz ponte entre EUA e China

Brasileiro foi procurado por líderes de países ricos que tentavam dialogar melhor com emergentes

Discurso do presidente indicou frustração e foi o mais aplaudido na plenária; "Todos poderíamos oferecer um pouco mais", afirmou


DOS ENVIADOS A COPENHAGUE

Nenhum dos líderes que subiu ontem ao púlpito do Bella Center, o centro que abrigou a malfadada conferência do clima da ONU, foi tão aplaudido como Luiz Inácio Lula da Silva.

Por cerca de dez minutos, 119 chefes de Estado e de governo, reunidos para tentar salvar um acordo no último minuto, ouviram um Lula tão frustrado quanto eloquente. Falando de improviso, chamou a atenção dos países desenvolvidos por falharem no que poderia ser o acordo do século e lamentou as consequências do fracasso para os países mais vulneráveis.

Quatro longas salvas de palmas pontuaram o momento, que em nada lembrou a morna fala da véspera, quando o brasileiro elencara boas intenções sem surpreender nem cativar.

E, diferentemente da quinta-feira, Lula pôs um trunfo na mesa para tentar destravar o impasse fermentado nos últimos 12 dias: uma oferta de contribuição em dinheiro para um fundo global do clima, como a Folha havia adiantado já na quarta-feira que o Brasil faria.

"Se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para ajudar os outros países", disse, sem detalhar. "Estamos dispostos a participar do financiamento se nós nos colocarmos de acordo numa proposta final, aqui."

Mas, após uma reunião com outros líderes que adentrou a madrugada e que continuaria horas depois, o presidente se mostrava sem esperança. "Se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e colocará na nossa cabeça a inteligência que faltou até agora."

A fala catalisou os ânimos no evento. Minutos depois Barack Obama assumiria o púlpito com um discurso cheio de senões, em que repassou aos chineses a responsabilidade pelo fracasso que, para a maioria das delegações, cabia a ele.

Mediação
A performance de Lula contrastou não só com a do presidente americano, mas com a de sua chefe de delegação, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que sumiu de cena quando o presidente chegou.

Desde suas primeiras horas em Copenhague, Lula encarnou o papel de articulador entre ricos e emergentes.
Recebeu em seu hotel Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) e Gordon Brown (Reino Unido), além do premiê chinês, Wen Jiabao. Os europeus, segundo o Itamaraty, procuraram Lula em busca de mediação com o G-77, dos países em desenvolvimento.

Depois, o brasileiro faria a ponte entre Obama e Wen, na busca de uma linguagem adequada para atender aos dois antagonistas no texto final.

Mas os resultados do esforço não satisfizeram o presidente, que saiu do Bella Center, sem falar à imprensa, direto para o aeroporto. As pistas de seu estado de espírito transpiraram da plenária: "Todos poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos".

Lula cedeu na questão financeira e, sobretudo, propôs reduções ambiciosas nas emissões de gases-estufa pelo país.

Só não recuou no que o Brasil sempre pôs como inegociável: assinar um acordo que desmontasse o Protocolo de Kyoto, único documento legal contra o aquecimento global, que fixa diferenças nas responsabilidades de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ele expira em 2012.
(LC, CA, MS)


O DISCURSO REFERIDO ESTÁ AQUI, NA ÍNTEGRA:
 

O discurso de Lula em Copenhague

Atualizado e Publicado em 18 de dezembro de 2009 às 18:13

Senhor presidente, senhor secretário geral, senhores e senhoras chefes de Estado, senhores e senhoras chefes de governo, amigos e amigas.

Confesso a todos vocês que estou um pouco frustrado. Porque há muito tempo discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar. Pensando em contribuir para a discussão nesta conferência, o  Brasil teve uma posição muito ousada. Apresentamos as nossas metas até 2020.

Assumimos um compromisso e aprovamos no Congresso Nacional, transformando em lei, que o Brasil, até 2020, reduzirá as emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, baseado em algumas coisas que nós consideramos importantes: mudança no sistema da  agricultura brasileira; mudança no sistema siderúrgico brasileiro; mudança e aprimoramento da nossa matriz energética, que já é uma das mais limpas do mundo, e assumimos o compromisso de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020.

E fizemos isso construindo uma engenharia econômica que obrigará um país em desenvolvimento, com muitas dificuldades econômicas, a gastar até 2020 US$ 166 bilhões, o equivalente a US$ 16 bilhões por ano. Não é uma tarefa fácil, mas foi necessário tomar  essas medidas para mostrar ao mundo que, com meias palavras e com barganhas, a gente não encontraria uma solução nesta Conferência de Copenhague.

Tive o prazer de participar ontem à noite, até às duas e meia da manhã, de uma reunião que, sinceramente, eu não esperava participar, porque era uma reunião onde tinha muitos chefes de Estado, figuras das mais proeminentes do mundo político e,  sinceramente, submeter chefes de Estado a determinadas discussões como nós fizemos antes (ontem), há muito tempo eu não assistia.

Eu, ontem, estava na reunião e me lembrava do meu tempo de dirigente sindical, quando estávamos negociando com os empresários. E por que é que tivemos essas dificuldades? Porque nós não cuidamos antes de trabalhar com a responsabilidade com que era  necessário trabalhar. A questão não é apenas dinheiro. Algumas pessoas pensam que apenas o dinheiro resolve o problema. Não resolveu no passado, não resolverá no presente e, muito menos, vai resolver no futuro. O dinheiro é importante e os países pobres precisam de dinheiro para manter o seu desenvolvimento, para preservar o meio ambiente, para cuidar das suas florestas. É verdade.

Mas é importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos no dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, não pensemos que estamos dando uma esmola, porque o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento  pela emissão de gases de efeito estufa feita durante dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro.

Não é uma barganha de quem tem dinheiro ou quem não tem dinheiro. É um compromisso mais sério, é um compromisso para saber se é verdadeiro ou não o que os cientistas estão dizendo, que o aquecimento global é irreversível. E, portanto, quem tem mais  recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.

Todo mundo se colocou de acordo que precisamos garantir os 2% de aquecimento global até 2050. Até aí, todos estamos de acordo. Todo mundo está consciente de que só é possível construirmos esse acordo se os países assumirem, com muita responsabilidade, as suas metas. E mesmo as metas, que deveriam ser uma coisa mais simples, tem muita gente querendo barganhar as metas. Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos.

Todos nós sabemos que é preciso, para manter o compromisso das metas e para manter o compromisso do financiamento, a gente, em qualquer documento que for aprovado aqui, a gente tem que manter os princípios adotados no Protocolo de Kyoto e os princípios  adotados na Convenção-Quadro. Porque é verdade que nós temos responsabilidades comuns, mas é verdade que elas são diferenciadas.

Eu não me esqueço nunca que quando tomei posse, em 2003, o meu compromisso era tentar garantir que cada brasileiro ou brasileira pudesse tomar café de manhã, almoçar e jantar. Para o mundo desenvolvido, isso era coisa do passado. Para a África, para a América Latina e para muitos países asiáticos, ainda é coisa do futuro. E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima.

É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países. Eu tive conversas com líderes importantes e cheguei à conclusão de que era possível construir uma base política que pudesse explicar ao mundo que nós, presidentes, primeiros-ministros e especialistas, somos muito responsáveis e que iríamos encontrar uma solução. Ainda acredito, porque eu sou excessivamente otimista. Mas é preciso que a gente faça um jogo, não pensando em ganhar ou perder. É verdade que os países que derem dinheiro têm o direito de exigir a transparência, têm direito até de exigir o cumprimento da política que foi financiada. Mas é verdade que nós precisamos tomar muito cuidado com essa intrusão nos países em desenvolvimento e nos países mais pobres. A experiência que  nós temos, seja do Fundo Monetário Internacional ou seja do Banco Mundial nos nossos países, não é recomendável que continue a acontecer no século XXI.

O que nós precisamos... e vou dizer, de público, uma coisa que eu não disse ainda no meu país, não disse à minha bancada e não disse ao meu Congresso: se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para  ajudar os outros países. Estamos dispostos a participar do financiamento se nós nos colocarmos de acordo numa proposta final, aqui neste encontro.

Agora, o que nós não estamos de acordo é que as figuras mais importantes do planeta Terra assinem qualquer documento, para dizer que nós assinamos documento. Eu adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do mundo assinado. Mas se não tivemos condições de fazer até agora - eu não sei, meu querido companheiro Rasmussen, meu companheiro Ban Ki-moon - se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei.

Eu acredito, como eu acredito em Deus, eu acredito em milagre, ele pode acontecer, e quero fazer parte dele. Mas, para que esse milagre aconteça, nós precisamos levar em conta que teve dois grupos trabalhando os documentos aqui, que nós não podemos  esquecer. Portanto, o documento é muito importante, dos grupos aqui.

Segundo, que a gente possa fazer um documento político para servir de base de guarda-chuva, também é possível fazer, se a gente entender três coisas: primeiro, Kyoto, Convenção-Quadro, MRV, não podem adentrar a soberania dos países - cada país tem que  ter a competência de se autofiscalizar - e, ao mesmo tempo, que o dinheiro seja colocado para os países efetivamente mais pobres.

O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do  desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.

No Brasil ainda tem muitos pobres. No Brasil tem muitos pobres, na África tem muitos pobres, na Índia e na China tem muitos pobres. E nós também compreendemos o papel dos países mais ricos. Eles, também, não podem ser aqueles que vão nos salvar. O que  nós queremos é apenas, conjuntamente, ricos e pobres, estabelecer um ponto comum que nos permita sair daqui, orgulhosamente, dizendo aos quatro cantos do mundo que nós estamos preocupados em preservar o futuro do planeta Terra sem o sacrifício da sua principal espécie, que são homens, mulheres e crianças que vivem neste mundo.

Muito obrigado

18 dezembro 2009

Lula e Obama: um FATO e um FACTÓIDE da História

Primeiro a notícia, que já está circulando velozmente por aí, e depois o meu comentário:
 

Críticos elogiam Lula e falam em "decepção" sobre Obama
18 de dezembro de 2009 13h09 atualizado às 15h25

Lúcia Müzell
Direto de Copenhague

Um discursou logo após o outro no plenário da Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca, mas os resultados das falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama foram diametralmente opostos nos corredores do Bella Center, onde acontece o evento. Enquanto Lula entusiasmou os poucos otimistas que ainda restam no centro de conferências, Obama foi alvo de críticas e decepcionou os que esperavam que ele pudesse mudar o rumo das negociações na reta final.

As diferenças já puderam ser vistas durante os pronunciamentos: Lula teve quatro vezes o discurso interrompido por aplausos, enquanto Obama nenhuma vez - apesar de as palavras do americano serem as mais aguardado de todo o evento. Ao final dos discursos, mais uma vez as palmas enfáticas para o brasileiro se distanciaram dos aplausos meramente protocolares dispensados ao americano.

"O Lula mandou muito bem e abriu a porta para quem sabe as negociações tomarem outro rumo", disse Paulo Adário, um dos coordenadores do Greenpeace Brasil. Adário elogiou a postura de vanguarda que o Brasil assumiu, ao oferecer contribuição financeira para o Fundo Global de Mudanças Climáticas para os países pobres. "A gente sabe que o Brasil não é mais nenhum Haiti e vínhamos cobrando isso há anos do presidente. Ele fez o que a gente esperava dele."

O coordenador da ONG Vitae Civilis, Rubens Harry Born, destacou que a fala improvisada de Lula fez toda a diferença. "Ele foi ele mesmo, falou com o coração e passou uma mensagem muito legal de comprometimento. Acho que essa postura pode ter efeitos nas negociações", afirmou Born.

O francês Fabrice Bourger, membro da delegação do seu país, achou que o país deu um exemplo "sem precedentes" e que o discurso de Lula o aproxima ainda mais dos europeus. "Foi constrangedor para os outros países. Mas, sinceramente, nós não esperávamos outra coisa de Lula", afirmou Bourger. "Ele se destaca de todos os outros líderes com essa posição aberta ao diálogo, sem perder a firmeza e a determinação."

Obama: "mico da história"
Já as palavras em relação a Obama foram bem diferentes. "Arrogante", "estúpido", "burocrático" e autor de um "mico histórico" são apenas algumas das definições empregadas nos corredores da COP-15.

"Uma parte, foi de palavras da boca para a fora (como a frase de que "não se pode mais perder tempo" para salvar planeta). E a outra, um verdadeiro absurdo. Foi um mico histórico", disse Born. Para o coordenador da Vitae Civilis, Obama só reforçou o discurso intransigente que os Estados Unidos vinham defendendo na Cúpula do Clima e não trouxe nenhuma novidade. E ainda usou como desculpa para a falta de ação um argumento que todos os países democráticos poderiam utilizar, se quisessem: o de que não pode fazer nada sem a aprovação prévia do Congresso de seu país.

Adário, do Greenpeace, foi ainda mais duro. "A postura do Obama naquele púlpito foi socialmente arrogante e politicamente estúpida. Não está nem perto de assumir a posição de liderança que as pessoas esperavam dele", afirmou, destacando que as três condições impostas pelo americano para que assine um acordo - transparência, verificação das ações e metas de redução baixas - devem manter as negociações travadas.

Também a ausência de especificações sobre quanto os Estados Unidos estarão dispostos a contribuir para fundo internacional de financiamento decepcionaram. Obama garantiu apenas que o país vai entrar com recursos, mas não detalhou nem quanto, nem quando. Bourger, negociador francês, preferiu não se estender nos comentários, mas não escondeu a decepção. "Acho que os esforços da Europa não foram suficientes para mudar nem um milímetro da posição americana."

Também o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o presidente americano e disse que o seu discurso "foi uma desgraça". "O Obama foi muito frustrante. Parecia até que o Lula tinha mais responsabilidades do que ele no plano climático mundial, de tanto que o Obama falou mal¿.

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.


Valeu, Penha! 
 
Bom, a palavra pra Obama é mesmo decepção, um dos maiores xabus da História... 
 
Briguei aqui na lista nos dias da posse porque achava necessário apreciar a beleza daquele momento... e manter a esperança viva enquanto desse
 
E já não deu mais faz tempo. Ao que parece toda a realização histórica desse cara terá sido ganhar aquela eleição, em seguida ele podia sair de cena rapidinho...
 
(Verdade é que a mudança de tom dele foi tão extrema, que muitas vezes chego a desconfiar que ele é literalmente refém dentro da Casa Branca, obrigado a falar as baboseiras que vem falando, sob risco para si e/ou família).
 
" Eu queria poder dizer OBA,MAS... "
 
Quanto ao Lula, bom...  podem me jogar quanta pedra quiserem, não vai mudar meu sentimento: se tivesse como, eu já estava apoiando campanha dele para Presidente do Mundo :-D 
 
(Aliás, esse está sendo efetivamente o sentimento de muita gente mundo afora a respeito dele. O único cara que chegou a uma mobilização comparável da opinião pública mundial, ao longo dos meus 53 anos, foi o Gorbatchov... mas o Lula com certeza o ultrapassou, pq o prestígio do Gorbatchov foi quase só externo, internamente na URSS foi muito pouco).
 
ZéRR
 

17 dezembro 2009

celebração nada formal para uma FORMATURA

Meu Deus, isso foi anteontem: ela recém-chegada da maternidade... 
 
E aí ontem, de repente, lá ela estava ela na Escola de Sociologia e Política de São Paulo,
tirando um 10 na defesa da sua monografia A Imagem do Servidor Público,
saindo bacharel em Sociologia e Política, e de quebra mestranda em Sociologia na PUC...
 
http://ralf.r.tropis.org/fotos/831228-3irmaos2.jpg
 
Minha filhota Ana Estrella... 
será que ela vai ficar braba com este meu abraço público corujíssimo, pra lá de babão??
 
(Obs.: quanto ao filhote que aparece na foto recebendo a irmãzinha - junto com a outra irmã minha enteada - 
ele que não pense que julgo sambas como menos importantes que uma monografia acadêmica!
Afinal, que uma árvore com raízes na Suíça acabe dando samba e do bom,
isso é um dos maiores gostos dessa minha vida!...)
 
Enfim, pessoal: sei que esta forma de celebrar pode parecer meio estranha, mas...
vocês me conhecem: de mim não poderiam esperar que não parecesse, não é? :-D
ABRAÇOS GRANDES EM TODO MUNDO!!
 
ZéRR

SERÁ QUE AINDA NÃO PERCEBEMOS O TAMANHO DO ESCÂNDALO? (ZL de Sampa ainda inundada para proteger o resto)

Coleguinhas, parte considerável da cidade em que moramos continua transfomada numa Veneza fluvial - e infecta -, e isso não por fatalidade natural, e sim por gritante incúria, irresponsabilidade, incompetência no gerenciamento de um sistema já estabelecido há mais de meio século.
 
Mas tem mais uma coisa que me choca: só por sorte nós mesmos não moramos numa várzea dessas... É a nossa cidade, nossa pólis, nossos concidadãos que estão com suas casas com água pela metade... e a maior parte de nós não só não está gritando, como também nem se dando o trabalho de estar sabendo disso!!
 
Terça última (15/12) escrevi no meu Facebook: "... se eu tenho uma mínima noção do sistema, isso não é possível sem que essa água esteja sendo RETIDA lá intencionalmente para não aparecer em lugares onde dá mais na vista". Não deu outra: na reportagem abaixo um engenheiro confessa candidamente que a opção foi essa, e mais: entrega que o sistema de barragens do Tietê é administrado como na idade da pedra, não existe nem comunicação entre as equipes das diferentes barragens!
 
O que acabou com a carreira política do Bush não foram as aberrações da sua atuação no nível internacional (que infelizmente o Obama está mostrando que prefere continuar), e sim sua inércia diante de New Orleans inundada.
 
E nós, será que não estamos enxergando o tamanho da gravidade desta interminável seqüência de barbeiragens na terceira maior cidade do mundo? Isso é caso para impeachment nos primeiros escalões e defenestração em massa na cúpula dos múltiplos órgãos envolvidos. Será que não estamos percebendo o tamanho do escândalo?

17/12/2009 - 07h00

Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

 
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

"Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo", justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
 
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.

"Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae", disse. "Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]".

Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. "O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]", afirmou.

O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.

Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. "Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou", disse. "E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa".

Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.

O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.

"Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui", reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
 
"Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?", perguntou Souza, indignado. "O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade", concluiu.

Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade -- isso sem chuva. "É demorado, sempre foi", disse.

"Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal", falou Souza, diante dos dados. "Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer", afirmou.
  •  Foto Rogério Cassimiro/UOL, retrabalhada

    Garoto passeia a cavalo pelas águas represadas do Jardim Romano, na zona leste
    Foto de Rogério Casemiro / UOL, retrabalhada


Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. "Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco", afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). "É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado".

"Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar", completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).

Eles farão um relatório sobre a inspeção e pretendem denunciar o caso, junto com a situação da estação de tratamento de esgoto (leia aqui), aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
 

09 dezembro 2009

Sacada de L.C.Azenha: Serra / Kassab = Maluf / Pitta

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.'
 
Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.
( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

Facebook | Ralf Rickli

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.' - Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.

( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

08 dezembro 2009

TUPI OR NOT TUPI, to me that's not a question anymore

Além da pura questão da beleza, suficiente para compartilhar a foto... sugiro que se repare nos rostos dos jovens índios - e dos 'não-índios' logo atrás... e de seus amigos, parente, você mesmo...  Somos ou não somos? :-D
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-adolescindios1.jpg
 
material selecionado e compartilhado por
......................................................................
Ralf Rickli • arte em idéias, palavas & educação
http://ralf.r.tropis.org • 11 8552-4506 • São Paulo

DILÚVIO POR DILÚVIO...

http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-apugomes.jpg
 
Quando falo que pretendo me mudar pro litoral de novo assim que possível, muitos me perguntam se não tenho medo de 2112...  Costumo responder que já sobrevivi a pelo menos três "apocalipses" prevists e alardeados... e a hora que tiver que ser, será de qualquer jeito.
 
Em cinco dias é a segunda vez que vejo fotos "oceânicas" de São Paulo. Se a questão é medo d'água, quem diz que ficr aqui é mais seguro?
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-luizguarnieri.jpg
Fotos de Luis Guarnieri e de Apu Gomes publicadas em http://noticias.uol.com.br/album/091208chuvasp_album.jhtm

02 dezembro 2009

Sobre o 2.º artigo de César Benjamin na Folha (02.12.2009)

O blog do Luis Nassif reproduz, para não-assinantes ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/02/cesar-benjamin-o-ataque-foi-politico/ ), o artigo de hoje em que César Benjamin defende o inacreditável lixo jornalístico-ficcional que publicou na Folha em 27.11 passado, onde acusava Lula de haver confessado leviana e alegremente a tentativa de estupro de um colega de prisão em 1980. O primeiro artigo já foi rechaçado e desmontado por dezenas de outros, até mesmo em redutos de direita como o Estadão. Me limito aqui a reproduzir a espécie de resposta aberta que mandei para o Painel do Leitor da Folha, bem como para a página do Nassif (na própria página e no Google Sidewiki - já conhecem?)
 
Sr Benjamin, sou um sujeito extremamente temeroso de fascismos e fascistismos, seja qual for o sinal ou coloração que se autoatribuem. Ao voltar ao Brasil em 1982 tentei colaborar com o PT numa cidade do interior, e a "O" que havia começado a organizar o PT na cidade começou a fazer reuniões secretas sobre como me neutralizar, porque minhas propostas não estavam de acordo com o catecismo da "O" - sobre o qual eu não podia me posicionar pois nem sabia que existia.
 
Mesmo tendo passado por essas, NADA do que o Sr Lula fez até hoje me deu medo, me fez sentir o menor tremor no meu sensor anti-fascismo. Até mesmo o filme: celebrar valores e superações humanas reais nada tem a ver com endeusamento. Trabalho com jovens de periferia há 15 anos, e com certeza recomendaria o filme como exemplo encorajador (bem diferente, aliás, do modelo Walt Disney que - ai! - já vi usarem em ONGs desta área!).
 
Mas no SEU texto meu sensor anti-fascismo se eriçou de alto a baixo. Não por acaso o senhor apelou à sexualidade, foco da repressão-mãe-de-todas encalacrada na sociedade, forma mais fácil de provocar a projeção no outro, horrorizada, dos nossos próprios desejos recalcados e denegados.
 
Sugiro o estudo de Wilhelm Reich, Sr Benjamin. Seu 'Psicologia de Massas do Fascismo', 'O Assassinato de Cristo' e outros. Ficará patente que o seu artigo - e tantos outros atos da sua vida profissional que vieram à tona nessas dias - foram típicos do que Reich chama de "peste emocional".
 
Pode até ser que as razões para isso em sua biografia sejam fortíssimas e insuperáveis - mas seria MUITO bom que elas permanecessem em privado, não viessem empestar o espaço público. O povo brasileiro - hoje bem mais adulto e amadurecido do que o senhor imagina - ficará grato por isso.
 
Ralf Rickli
pedagogo e escritor

Re: PARADOXO EVANGÉLICO ou (infelizmente) APENAS UMA VARIAÇÃO DA REGRA DE SEMPRE?

Recebi do amigo Chico Lobo (não sei se redigido por ele ou repassado de outro) o texto que transcrevo inteiro abaixo, e depois passo a comentar:
 


PARADOXO EVANGÉLICO

Pastor Deputado ora agradecendo a "propina nossa de cada dia"...


É MUITA CARA DE PAU!!! ao mesmo tempo que confirmamos o brutal equívoco dos pastores evangélicos seguidores da famigerada "Teologia da Prosperidade" e seus estranhos (e nada honestos) conceitos de bençãos.


Assista  o vídeo de deputado distrital do DF, Rubens Brunelli, fazendo uma oração 


http://tvig.ig.com.br/193183/oracao-apos-receber-dinheiro.htm 

 

Eis o texto transcrito de sua oração:


"Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra. Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares."

 

Nosso parecer:

-Fuja daquele que supostamente "em nome de Deus", venha lhe pedir dinheiro ou voto para eleger-se a cargo político, pois com certeza, quem usa do nome de Deus para angariar riquesas ou poderes, não merece sequer ser lembrados na história da humanidade.

 


 
Antes de mais nada, apesar de não duvidar de que a corrupção grasse solta por aí, quero sugerir certo cuidado com nossos "vereditos": o Lula está certíssimo ao dizer que "imagens não falam por si". Muita gente já foi morta por parecer, visivelmente, estar sacando uma arma quando estava, digamos, ajeitando as calças. Então realmente é preciso que todos os lados tenham sido amplamente ouvidos antes de se afirmar que o que estava acontecendo ali era isto ou era aquilo.
 
Mas depois deste relativo atenuante quero é agravar a acusação:
 
Por quê damos tanta atenção à apropriação indébita explícita dos atos que batizamos de corrupção?
 
O motor central do sistema capitalista é apropriação indébita. A cada salário que é pago, o pagador está descontando significativa parte do que o trabalhador produziu, mais ou menos como prêmio a si mesmo por organizar e manter o sistema.
 
Esse roubo se expressa na imposição unilateral de quanto vale a hora de trabalho de cada um: o patrão define sozinho quanto vale a hora de trabalho de um trabalhador e quanto vale a sua - que, aliás, nem sempre é exatamente de trabalho. (Ou seja: admito que muitas vezes o patrão trabalha pesado sim; mas a hora que bem entende ele pode oferecer um luxuoso dolce far niente [doce fazer nada] à sua familiagem ou a si mesmo).
 
Enfim: sistema capitalista é roubo implícito o tempo todo... e os evangélicos nunca tiveram nenhum problema com esse sistema! Ao contrário, Max Weber mostra que foi o modo de pensar evangélico que permitiu o desenvolvimento do capitalismo.
 
Pois o evangélico investe fortemente num elemento judeu repassado ao cristianismo: a idéia de que o Deus supremo do Universo seja capaz de escolher um grupinho de humanos como seu querido, desprezando o resto da humanidade.
 
Esse Deus agracia especialmente quem mais lhe leve presentes e mais lhe puxe o saco - o que é a tradução popular da palavra "louvor". Ou seja: cultuam precisamente a imagem (mesmo se mental) do Corrupto-Mor.  (Atenção, não estou dizendo que Deus é assim! Estou dizendo que se há alguém que mereça ser chamado de Deus, não será assim).
 
Finalmente, talvez uma das maiores funções da religião até hoje tenha sido produzir legitimações imaginárias para o ilegítimo, propondo ou impondo uma outra ética baseada numa "revelação" que alguns poucos tiveram, no lugar da "ética natural" (se eu posso me expressar assim), que é simplesmente o respeito a qualquer outro como "um outro eu" de igual dignidade e direito.
 
Assim, a religião legitimou que se entegassem milhões de pessoas à espada ou à fogueira, com apropriação dos seus bens, porque se tratava de uma guerra em nome de Deus (cruzadas, inquisição, conquista das Américas). E os que procedem assim sempre se julgam guerreiros, guiados por uma ética de guerra: se uma apropriação é em favor "dos fiéis" ela será por definição considerada legítima, pois "os fiéis" estariam a serviço de uma (suposta) causa maior, cuja grandeza e importância é tamanha que diante dela as leis e razões dos outros viram pó.
 
Não duvidem, então, que o pastor da oração que aparece no vídeo estivesse sendo sincero. Sentindo-se um "combatente do bom combate". Ou seja: não o julguem um monstro de cinismo.
 
Mas sinceridade nunca disse nada sobre legitimidade. Hitler era absolutamente sincero; acreditava mesmo no que dizia. Mas isso não é bastante para legitimar os seus atos. Não era um monstro de cinismo, era um monstro de convicção - um tipo ainda mais perigoso de monstro, porque mais sólido.
 
Recentemente escrevi o seguinte, num trabalho dirigido a pessoas que apostam na expressão Arte da Paz, mas buscam embasar a construção da paz em conhecimentos rotulados de "espirituais": "A paz nunca vai acontecer enquanto seres humanos não assumirem a responsabilidade integral de seus atos uns para com os outros, sem buscar justificações em instâncias a que o outro não tem acesso."
 
Isso não diz nada quanto a "o outro lado" existir ou não: quanto a isso, cada um que acredite no que quiser - mas só até o ponto em que isso não começar a servir como desculpa para ações prejudiciais aos colegas de humanidade.
 
Passou disso, é pretexto - seja da variante cínica, seja da sincera, ou seja: de quem se convenceu a si mesmo da própria mentira para começar.

25 novembro 2009

novas relações Brasil-FMI

manchete escondidinha em 25.11.09:
 
 Brasil aumenta aporte ao FMI e ganha poder de veto.
 
por hoje é só isso,
hora dessas vou escrever a respeito no meu blog.

(em tempo: tô sabendo que esse poder não é sobre a totalidade dos programas do FMI, só sobre o em que o Brasil participa)

17 novembro 2009

lançamento "IMPACTO DOS MEIOS ELETRÔNICOS NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE"

Olhaí, pessoal, tenho diferenças consideráveis com o prof. Setzer, mas já vi uns trechos do Impacto dos meios eletrônicos na criança e no adolescente, e está um trabalho NOTÁVEL, não sei se existe outra compilação de informações semelhante em nível mundial.  Creio que realmente merece ser visto e circular!
 
( Afinal, este é ou não é um espaço de defesa do PLURALISMO ACIMA DE TUDO?  :-D .....  Ralf ) 

----- Original Message -----  From: Livraria Antroposófica 
 
Lançamento

DVD - ENTREVISTAS E PALESTRAS - Valdemar W. Setzer

Divulgamos o lançamento pela Editora Antroposófica do DVD com entrevistas e palestras feitas com o Professor Valdemar Setzer, cujos direitos de reprodução foram cedidos por instituições como o Fórum Permanente da Criança e do Adolescente da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro, TV Espiritualista e Jovem Pan Online.

Valdemar Setzer é professor Titular aposentado do Depto. de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, mas continua a dar aulas e orientar teses. Ele é membro da Sociedade Antroposófica desde 1971 e tem sido convidado por várias instituições para tratar de temas educacionais e filosóficos como, por exemplo, o impacto dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes, ciência e espiritualidade, o que é Antroposofia, etc.

Esperamos assim poder proporcionar ao público em geral mais uma forma de acesso, além dos livros, a questões importantes de nossa época à luz da Antroposofia. Este DVD contém uma extensa palestra sua sobre meios eletrônicos e educação, e entrevista sobre esse assunto, como também o que é a Antroposofia e como desenvolver a criatividade.

     
+ detalhes
por R$35,00
Para mudar a opção de recebimento deste e-mail, por favor, visite nosso site www.antroposofica.com.br/excluir_email.asp

Livraria virtual da Editora Antroposófica
Livros para o Autoconhecimento e a Ampliação Cultural

15 novembro 2009

Belezas peruanas em prol da associação Monte Azul

Pessoalmente não sou muito chegado nem em Natal, nem em shoppings, nem em organizações que usam a palavra "senhoras", mas há pelo menos 2 boas razões para estar passando adiante esta mensagem: 
1) É em prol da Associação MonteAzul, companheiros velhos de guerra, e eles merecem!
2) Como não babar diante da beleza da arte popular peruana? Confiram!    ......................  (Zé Ralf)
 

 
http://www.tropis.org/imagext/091100-natalperuano.jpg
Fonte original da imagem: http://www.monteazul.org.br/montenet/convite_feira_peruana2009.jpg
Versão nesta mensagem ligeiramente editada (margens brancas recortadas), hospedada no site tropis

14 novembro 2009

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias

 

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias
Enviado por Felipe Sáles - 13.11.2009 | 6h00m

Confira o vídeo que o Núcleo Audiovisual do Circo Voador fez sobre os critérios para lá de subjetivos que os seguranças de agências bancárias adotam na hora de permitir ou barrar clientes. A turma do Circo foi até uma agência do banco Itaú na Glória. Primeiro, entrou o produtor cultural Louzada, que é branco e não teve problemas. Em seguida, foi o MC Shackal, que é negro e... bem, confira você mesmo os procedimentos dos seguranças. Foi criado até um abaixo-assinado (clique aqui) para ser enviado à Federação Nacional de Bancos e ao Congresso.

A seguir a nota inclui o vídeo do youtube linkado abaixo, que mostra inequivocamente que HÁ PRECONCEITO RACIAL no controle da entrada de pessoas em bancos.  Só que quando se vai assinar a petição em http://www.petitiononline.com/porta/petition.html ... o texto dela é o seguinte:
 
To:  Usuários do serviço bancário do Brasil

Se VOCÊ se sentiu alguma vez agredido ou desrespeitado ao tentar entrar na SUA agência bancária para movimentar a SUA conta, ou seja, SEU dinheiro, assine o MANIFESTO PORTA NA CARA pedindo a mudança da porta de segurança das agências para um sistema de RAIO X ou um equipamento de segurança que realmente mostre os pertences que estão sendo conduzidos pelo cliente. As atuais portas são travadas até por uma moeda e você depende da boa vontade do vigilante para destravar a porta e permitir sua entrada no banco. Vamos mudar essa situação e pedir aos bancos que renovem seus equipamentos. Eles podem investir num equipamento de segurança melhor, que implique em menos constrangimento aos seus próprios clientes e usuários.
O Circo Voador acredita que as pessoas devam ser tratadas com dignidade. Agora queremos saber a SUA opinião.

Ou seja: NENHUMA menção à questão racial, que aparece com destaque no vídeo - e um apelo num tom que parece especial para agradar muito mais à classe média branca. Assinei a petição, mas não pude deixar de acrescentar o seguinte comentário:
 
Apesar de, como branco, também já ter passado constrangimento (p.ex. tirar cinto e entrar segurando as calças) não acho certo que este manifesto ignore a questão racial. A diferença que ela faz é estatisticamente significativa sim.
 
E exigir o treinamento/educação adequado dos seguranças é mais pertinente que pedir instalação de equipamentos, que sairão do nosso bolso e gerarão mais desemprego em lugar de educação.