Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

22 agosto 2010

Carta aos colegas educadores, de um pedagogo que o é porque fugiu da escola


Este post pode ser visto como um complemento ao anterior:
"PALESTRAS, CURSOS E GRUPOS DE CONVERSAÇÃO NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO CONVIVIAL" -
http://bit.ly/cizbue

Caros colegas: haverá professores felizes com o que vivem na escola hoje? Deve haver mas... sejamos sinceros: creio que ninguém de nós pensa que sejam muitos! E se considerarmos que a maioria dos alunos também preferia estar em outro lugar, será que não é hora de nos perguntarmos: ainda existe sentido no que estamos fazendo?
  
Alguns podem argumentar que alguém tem que fazer o sacrifício para não deixar os jovens sem educação, mas... será que os efeitos educacionais que temos conseguido correspondem de fato ao tamanho dos custos - não só em verbas mas principalmente em alegria de vida, deles e nossa? Ou alguém dirá que essa dimensão não tem importância?
 
Permitam relatar algumas coisas da minha trajetória de aprendizado - que, antes de mais nada, não espero ver encerrada enquanto eu tiver alguma consciência - pois me parece ter prefigurado um tanto, desde há meio século, o que cada vez mais crianças e jovens vivem hoje.

Eu tinha uns cinco anos quando meus pais se surpreenderam ao me ver alfabetizado. Eles apenas haviam deixado um pequeno quadro-negro e giz à disposição, havia impressos abundantes pelo ambiente, e haviam respondido minhas perguntas.
 
Me disseram que logo eu iria pra escola, e que lá sim eu ia aprender bastante - mas não foi verdade: em meio a imobilidade e incomunicabilidade forçadas, alguém com evidente cara de má-vontade tentava impor aos gritos alguma atenção a atividades que não interessavam nem ensinavam. Socialização? As relações entre os alunos eram praticamente um bullying generalizado e constante, ignorado pelos professores como ‘coisa de criança’ até que surgisse algum ferimento físico.

Continuei aprendendo mais em casa, onde dois pais ex-professores respondiam perguntas, chamavam atenção para fatos interessantes e deixavam livros e discos à disposição.

Capital cultural, privilégio de poucos - diria Pierre Bourdieu.
 
Perfeito. Só que nos últimos anos a sociedade toda se vê cada dia mais imersa numa espécie de ‘caldo de informação’ propiciado pelas tecnologias de comunicação - primeiro em massa mas agora, muito melhor, em rede de mão dupla. Para mais e mais crianças e jovens, permanecer ignorante começa a ser mais custoso que aprender algo. Ao se comunicarem no MSN, por exemplo, adolescentes das periferias estão atingindo uma velocidade de expressão escrita que jamais teríamos sonhado solicitar deles!

E a escola, estará sabendo se relacionar com isso? Vejo colegas se manifestarem sarcasticamente sobre o quanto es-ses adolescentes ‘escrevem errado’ - quando se deixados só aos nossos cuidados sequer estariam escrevendo!

Comecei a lecionar um ano depois de entrar numa primeira faculdade - e logo percebi que, tanto quanto aos conteúdos quanto às formas do trabalho docente, eu continuava encontrando mais ajuda fora do que dentro da instituição. E nesse momento um jovem europeu de postura entre hippie tardio e punk precoce, porém muito lido, me desafiou: ‘Professores são seres insuportáveis, e o são porque não têm idéia de como é a vida fora da escola: cresceram nela, nela se formaram, nela passaram a trabalhar de imediato. Como vão ser úteis a um mundo que nem conhecem?’

Ainda estávamos no embalo de 1968 e parecia garantido que as instituições vigentes pudessem ser substituídas relativamente rápido por alternativas de um ou de outro tipo - e no nosso mundo novo valeria o saber demonstrado na prática, não os títulos de papel. Foi com essa confiança que abandonei a busca do diploma e saí catando conhecimentos que julgava relevantes para a construção desse novo mundo, onde quer que os encontrasse.

Assim, entre trabalhos e aprendizados os mais diversos, aos 40 eu havia cursado seis anos em nível superior em três países - porém sem grau, pois haviam sido semestres avulsos e ‘cursos livres’. Tinha investido ainda milhares de horas em cursos de extensão e em leituras em cinco idiomas, escrito centenas de páginas, dado palestras e cursos em nove estados... 
 
... quando de repente ficou claro que, em lugar de desabar, as velhas instituições haviam se tornado mais fortes que nunca, e imposto uma ‘nova ordem’ sua: uma na qual eu - que já havia palestrado, assumidamente sem título, em faculdades do prestígio de uma ESALQ e um IP-USP - estava restituído ao meu valor dos 17 anos: ‘Ensino Médio’.

Foi aí que decidi que, se tinha que me graduar e especializar, seria justamente em Estudos da Educação – entre outras coisas porque vinha ensinando a jovens em espaço não-formal, e a honestidade vinha me forçando a dizer-lhes: ‘NÃO tomem minha história como modelo: por mais que lhes doa, cumpram a carreira escolar até o fim - mesmo se em pleno século 21 a maior parte das escolas sequer realizou as conquistas pedagógicas de 1920, e é fato que lá vocês perdem tempo e ainda vão ter que conquistar por fora talvez o mais importante dos seus aprendizados.’

Mas... não é melancólico ter que dizer isso a jovens - para não dizer trágico? Quanto desperdício de vida humana - sem nem falar no de recursos públicos! Por que nós - professores, orientadores, administradores - não encaramos o DESAFIO MORAL de fazer da escola um espaço de educação realmente significativo - entendida a realidade do século 21?

É óbvio que isso não pode ser meramente mais um remendo no modelo escolar histórico! Precisamos entender de vez que estamos atravessando a revolução cultural mais radical da história da humanidade e, de modo condizente, ousarmos repensar tudo.

Pois nosso esgotamento vem justamente de passarmos os dias tentando empurrar um ancião moribundo - se não já um cadáver - na velocidade dos jovens!

É nesse sentido que tenho convidado colegas educadores de todos os tipos a sentar, trocar experiências e perplexidades e sonhar juntos - na qualidade de um educador que, quando jovem, se viu compelido a fugir da escola de tanta vontade de aprender - inclusive de aprender a conseguir compartilhar eficazmente o que aprendia.
São Paulo, agosto de 2010
Ralf Rickli

19 agosto 2010

Novas palestras, cursos, grupos de conversação pelo prisma da Pedagogia do Convívio: formação de Pais ; de Jovens ; de educadores formais & não-formais - e mais


 
PALESTRAS, CURSOS e GRUPOS DE CONVERSAÇÃO
NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO CONVIVIAL
focos temáticos 2010-2011
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Todos os temas são oferecidos em duas formas
• palestra ou apresentação única, ou introdutória - sempre incluindo diálogo (tempo mínimo 2 horas)
• cursos ou grupos de conversação com duração e características projetadas para as peculiaridades de cada caso 
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Destinam-se a:  educadores na ativa ou em formação • planejadores, políticos, administradores • pais & mães e outras pessoas que convivem com crianças • adolescentes e jovens • outros interessados 
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Onde? por solicitação de grupos ou instituições que se responsabilizem pelo espaço e demais aspectos operacionais 
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• em português, espanhol ou inglês

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Uma chave: O BOM, o BELO e o VERDADEIRO
Como apontado por uma de nossas fontes de inspiração - a Pedagogia Waldorf - estes 3 valores fundamentais na existência humana só podem ser apreendidos e desenvolvidos a partir de amostras convincentes da sua existência recebidas nas seguintes idades: 
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Zero a sete anos: o mundo pode ser bom 
Sete anos à puberdade: o mundo pode ser belo 
Puberdade a início da idade adulta: o mundo pode ser verdadeiro
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Campo 1 - A CHAVE INVISÍVEL: o trato com as crianças pequenas e suas consequências no mundo
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Não aprendemos a fazer o que nos dizem: aprendemos a fazer o que nos fazem.
Prof.Dr. Marcos Ferreira Santos
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A hora da Bondade em Educação
alvo principal: profissionais em Educação Infantil 
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A chave invisível dos problemas do mundo: conexões sociais, políticas e ecológicas da educação infantil e parental
alvo principal: administradores e planejadores, educadores sociais, políticos, ativistas - sem excluir demais interessados 
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• Para quem não quer filhos-problema
Conversações com familiares, sobretudo pais e/ou mães 
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Campo 2 - A HORA DA VERDADE: adolescentes e jovens e educação
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Você espera alguma coisa da sua vida? Falando de chaves e de pistas falsas com sinceridade - ATIVIDADES DIRETAS COM JOVENS
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Fundamentos realistas para a comunicação pedagógica com adolescentes & jovens - com referências à experiência Trópis em Educação Convivial - grupos de conversação com educadores formais e/ou extra-escolares e outros profissionais correlatos 
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Campo 3 - A HORA DA FÊNIX: reencontrando sentidos & relevância no conceito ‘Arte de Ensinar’ 
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Em busca da integridade perdida
Por que sem a integração das vias analítica e estética da cognição não acontece aprendizado - nem ética 
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Professor: uma profissão esgotada?
Conversações sobre a epidemia mundial de burn-out, seu caráter histórico, e possíveis rumos de superação
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Mestres humanos ou crias de Frankenstein?
Identificando as condições indispensáveis para uma formação eficaz de profissionais de educação
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A Palavra, a Galinha e a Idéia - ou: ‘onde a educação enrosca entre a letra e a realidade’ - Por que saber nomes não é saber & ensinar nomes não é ensinar - e outras questões correlatas 
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Pedagogia Waldorf, saber acadêmico & Educação Pública:
perspectivas para a viabilização de um diálogo frutificante 
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O caminho único e múltiplo para paz real
O fenômeno do Convívio, das dimensões psicológica e cosmológica à social e à ecológica - e a Pedagogia que propomos (não única!) onde ele é método e meta
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Campo 4 - VIAGENS NA HISTÓRIA:
aventura estético-intelectual & aprendizado eficaz
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ÁFRICA - continente selvagem ou Mãe da Civilização?
Apresentações audiovisuais e conversas com para professores, alunos, interessados em geral
Com base no livro e peça O dia em que Túlio descobriu a África, inspirado na obra do historiador e cientista senegalês Cheikh Anta Diop -
No sentido das leis 10.639/2003 e 11.645/2008
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Mil anos de Música: paisagens e picos
Uma familiarização com estilos, compositores e peças marcantes de 1000 a 2000 d.C., com mais música que palavras 
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MAIS SOBRE OS CAMPOS LOGO ADIANTE
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Currículo resumido
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Ralf Rickli, pedagogo e escritor, ministrou até 2009 palestras e cursos em 48 cidades de 9 estados brasileiros, Venezuela, Inglaterra e Alemanha.
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Sua atuação, embora sempre diversificada, teve em cada década uma ênfase principal: 
.70 - formação humana através do aprendizado musical
.80 - conscientização ecológica geral e na agricultura
.90 - identidade cultural brasileira, mirando sobretudo a auto-estima e cidadania em grupos marginalizados
.00 - renovação das formas da educação e da formação de educadores, incluindo a conscientização parental
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Foi co-fundador, docente, editor e membro do conselho executivo do então Instituto Biodinâmico (Botucatu, 82-90); colaborador da Associação Monte Azul (São Paulo, 93-94); fundador e coordenador da Trópis iniciativas sócio-culturais (S.Paulo e Baixada Santista, 92-98-07), dentro de cujas atividades desenvolveu a Pedagogia e Filosofia do Convívio. Entre suas experiências complementares, gosta de destacar as de administrador de sítio, redator de publicidade, instrutor de idiomas in company, aprendiz em fábrica de pianos, tradutor e editor.
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A graduação em Pedagogia quando já ensinava há 31 anos (USP, 2006 - v. Rickli 2010b) foi antecedida de, entre outros, estudos de Piano e Educação Musical na Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Desenvolvimento Rural e Agricultura Biodinâmica no Emerson College (Inglaterra, 79-81); Ano de Estudos em Língua Alemã no Institut Annener Berg (Alemanha, 90-91) e Artes Cênicas na Educação (ECA-USP, 94). Em 08-09 cursou a especialização ‘Pedagogia da Arte da Paz’ (Educação Infantil pelo prisma Waldorf - UNISA/Institu­to Sophia). Atualmente prepara um projeto de comparação, por um olhar contemporâneo, entre as concepções, propostas e práticas Waldorf e as de Henri Wallon.
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Sua produção escrita abrange ensaios e artigos jornalísticos impressos e na internet, traduções de diversos idio­mas (inclusive seis volumes integrais de Rudolf Steiner), poesia, teatro e ficção juvenil, inclusive o primeiro livro paradidático brasileiro sobre História das Civilizações Africanas (O dia em Túlio descobriu a África, 232 pp., 1997, teatralizado em 2009).
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Currículo acadêmico Lattes:
Curriculum Vitae e bibliografia completos: <http://ralf.r.tropis.org
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CUSTOS: abordagem sócio-pedagógica
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Temos que SER a mudança que queremos ver no mundo. Gandhi
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Sociedade saudável não trata trabalho como mercadoria. Pretendendo ser ações de construção de uma sociedade saudável, nossos serviços não podem ter preço: trabalhamos exclusivamente com acordos de viabilização conforme as possibilidades de todas as partes envolvidas.
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Da nossa parte, damos sempre nosso máximo em conteúdo e qualidade. Como contrapartida, pedimos que cada instituição ou grupo interessado ofereça o máximo de que seu orçamento permite dispor para fins desta natureza, com base no que já pagaram ou se disporiam a pagar a qualquer outro profissional por serviços comparáveis. Não há limites mínimos nem máximos. Havendo real interesse, nenhuma proposta é desconsiderada, desde que honestamente compatível com as possibilidades orçamentárias dos solicitantes.
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Algumas palavras sobre a abordagem
e os campos temáticos
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A perspectiva convivial
O Convívio como método e como meta
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As expressões Educação Convivial e Pedagogia do Convívio foram cunhadas por Ralf Rickli ao longo do caminho de pensamento-ação realizado junto com jovens das periferias de São Paulo e Baixada Santista na Associação Trópis, de 1993 a 2006.
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Trata-se de repensar os caminhos da educação partindo da sua forma mais básica e espontânea: o compartilhar de saberes no convívio cotidiano natural dos seres humanos. Reconhecendo ao mesmo tempo que a maior parte dos problemas da humanidade está ligado às dificuldades do convívio, formula-se então como educação no convívio, através do convívio e para o convívio. Embora desenvolvida inicialmente no trabalho extra-escolar com jovens, suas concepções têm a contribuir também para o trabalho em espaço escolar e com todas as faixas de idade.
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A Educação Convivial é ainda face prática de uma perspectiva filosófica desenvolvida ao longo de quatro décadas, centrada em um pluralismo absoluto que identifica o convívio na diferença como única forma possível de unidade, condição da própria existência no sentido da física, e da saúde ou bem nas dimensões ecológica, social e psicológica.
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Tomamos a palavra ‘convivial’ emprestada, em 1996, de Ivan Illich, que a introduziu em 1973. Não sabíamos, então, que um ano antes os Profs. Hoefel e Stahel também falavam de ‘Educação Convivial’, partindo de Illich, na Universidade S. Francisco (Bragança Paulista). Posteriormente diversos grupos usaram palavras idênticas ou aparentadas, como ‘convivencialidade’. São caminhos com histórias diferentes e com maior ou menor medida de métodos e de objetivos em comum – e que, coerentemente, podem e devem conviver.
Bibliografia específica: Rickli 2008, _ 2010a, 2.
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Campo 1
A chave invisível: o trato com as crianças pequenas e suas consequências no mundo
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Não aprendemos a fazer o que nos dizem: aprendemos a fazer o que nos fazem.
Prof.Dr. Marcos Ferreira Santos (FE-USP) 
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Seja em psicanalistas como Winnicott e Ferenczi, seja na pedagogia e psicologia inspiradas por Rudolf Steiner, seja em Vygotsky e Luria ou na Neurociência recente, está mais que demonstrado que a qualidade da atuação de um ser humano por toda a sua vida é determinada pelos sentimentos e modelos inspirados na primeira infância pela forma de agir dos pais e outros cuidadores e educadores (ou seja: não pelo conteúdo de suas palavras). 
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Isso é especialmente sério no período de formação das estruturas psíquicas fundamentais: da concepção aos três anos. É aí que, sem percebê-lo, cada geração tem depositado na seguinte o que pode ser chamado, sem exagero, de a semente do mal: feridas psíquicas que dão origem às tendências antissociais presentes em todo ser humano, inclusive a compulsão de repassar a mesma ferida à próxima geração – mais uma vez sem percebê-lo.
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Justiça, fraternidade e paz jamais serão construídas, portanto, sem enfrentarmos coletivamente esta que surge como a questão mais decisiva para a humanidade: como conscientizar e mobilizar os pais, educadores e outros ‘mais velhos’ no sentido de reverem seu modo de lidar com a criança pequena. Mas como começar? Bibliografia específica: Rickli 2010a. 
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Campo 2
A hora da Verdade: a atividade educativa com adolescentes e jovens
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A juventude está sozinha: não tem ninguém para ajudar / a entender por que é que o mundo é esse desastre que aí está. Renato Russo
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Nós demos a vocês 20 anos para nos fazerem fortes – fortes no amor, fortes em querer o bem - mas vocês nos fizeram fortes no mal. Porque são fracos no bem. Vocês não nos mostraram nenhum caminho que tivesse sentido, porque vocês mesmos não conhecem um tal caminho – e nem trataram de procurar. Porque são fracos.   
De um jovem sentenciado alemão, 1950-60
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A maior dificuldade atual da educação pós-puberdade (final do Ensino Fundamental, Ensino Médio, EJA e inclusive a Graduação superior) é provavelmente a impressão de falta de verdade nas palavras e atuação dos professores. Pedimos que se dediquem a temas aos quais nós mesmos não dedicamos interesse, que usem linguagens e posturas que nós mesmos não nos usamos na vida real, que almejem metas nas quais nós mesmos não pomos fé – sem falar que se espera que ministremos ‘educação sexual’ sem ninguém ter nos ajudado a resolver nossos próprios desconfortos com o assunto. Não é à toa que a maior parte do nosso discurso não cola, que os jovens via de regra não só não reconhecem em nós os modelos de que ainda precisam (segundo a Neurociência até os 25 anos!) como falam de nós com franco desprezo quando conversam entre si. 
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E no entanto esse é o nosso ofício... Existe saída desse impasse? E, afinal, sabemos o que é que os jovens realmente precisam receber de nós? – V. Rickli 2006, 1, 3, 4, 8, 11.3-4.  _ 2010, 1.6-10; 1.12
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Campo 3
A hora da fênix: reencontrando sentidos & relevância no conceito ‘Arte de Ensinar’
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Dona Didática já foi rainha e senhora na formação de educadores. Disseram que tinha ficado chata e mandona, e pior: pré-científica em seu generalismo. Que tinha mais é que morrer junto com a velha Escola Normal. Dona Didática deixou uma sósia no lugar que lhe tinham reservado a contragosto na faculdade... e se suicidou.
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Mas agora alguns começam a suspeitar que ninguém sabe fazer certas coisas que, bem ou mal, era ela quem fazia. Que talvez fosse preciso restaurar o lugar de uma Didática Geral. 
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Mas... Dona Didática está morta! Uma Inês de Castro na cátedra só traria mais problemas, não soluções!
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Ou seria Dona Didática uma fênix, capaz de surgir vigorosa, flexível, bela e cheia de novos poderes, justamente por ter tido coragem de destruir sua forma velha? 
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E, se for esse o caso, como saberemos que é ela mesma, e não outra qualquer de olho no seu lugar?
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Nossa aposta: pela definição que ela gostava de usar para si em sua juventude anterior: Arte de Ensinar.Este campo reúne questões variadas, porém todas com esse grande tema ao fundo. 
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Um pouco mais sobre a perspectiva na Carta aos colegas educadores em www.tropis.org/biblioteca (Rickli 2010b). Outras referências: Rickli 2006, 8; 10; 11.  _ 2010a.  _ 2010c.
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Campo 4
Viagens na História:
aventura estético-intelectual & aprendizado eficaz
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Poucas coisas estimulam tanto um jovem a assumir responsabilidade por si mesmo e sua coletividade quanto a percepção de que sua própria vida faz parte do tecido dos eventos históricos. Isso, porém, sequer é possível quando não se dispõe de uma representação interior da história suficientemente ampla e vívida – para o que não bastam nomes e datas e tampouco análises exclusivamente no sentido das relações econômicas. 
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Assim como só enxergamos a corporeidade das coisas usando dois olhos, nosso conhecimento só tem consistência suficiente para ser útil quando é convergência das vias analítica e estética da cognição (Rickli 2006,8). Trabalhar com isso requer, no entanto, uma mobilidade transdisciplinar que só obtemos indo bem além das exigências oficiais da nossa formação.
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Dos roteiros aqui propostos, o de familiarização com a música na história foi desenvolvido e aplicado por Ralf Rickli já em 1978. 
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O referente às civilizações da África e suas realizações culturais vem de 1992 – 11 anos antes da primeira lei federal a respeito. Sua aplicação desde então tem mostrado que, para jovens afrodescendentes e mesmo de outras etnias não-dominantes, o impacto motivador desta abordagem afirmativa é incomparavelmente superior ao de mera repetição da denúncia dos processos de opressão. (Rickli 1997; _ 1998; _ 2006, 4, 8)
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Bibliografia dos temas disponível na net
Em www.tropis.org/biblioteca encontram-se disponíveis, entre outros, os seguintes trabalhos relacionados com os temas oferecidos e a abordagem empregada : 
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RICKLI, R. (2010a). AOS QUE PODEM SALVAR O MUNDO: a Filosofia e Pedagogia do Convívio e seu apelo por uma nova consciência & arte dos Pais. 239 pp

._ (2010b). Carta aos colegas educadores, de um pedagogo que o é porque fugiu da escola. 2 pp.

_ (2010c). O desafio do relacionamento acadêmico com a obra de Rudolf Steiner (para a discussão da Pedagogia Waldorf). 10 pp.

_ (2008). LIBERDADE SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL: uma intro­dução à Filosofia do Convívio e a algumas das suas aplicações. 35 pp.

_ (2006). PEDAGOGIA DO CONVÍVIO: na invenção de um viver humano. Coletânea de ensaios, 248 pp., dis­po­níveis também em separado. No caso especialmente: 

A proposta de uma Educação Convivial e a nossa Oficina de Conhecimento & Artes. 6 pp.  
4  Insuficiências da Educação, violência e juventude no Brasil. 13 pp.  
8  Em busca da integridade perdida. 20 pp.
10 Uma aula para Lili (sobre a perspectiva Waldorf em alfabetização). 2 pp. 
11 Mestres humanos ou crias de Frankenstein? - para a criação holográfica do par interdependente ‘democracia viável’ e ‘formação profissional conseqüente em educação’. 63 pp.

_ (2003). Relacionando-se com a Antroposofia como discurso religioso ou discurso científico. 8 pp. Em ‘Trópis e antroposofia em diálogo’.

_ (1998). O Túnel da História e o indivíduo como chave do social. 3 pp.

_ (1997). O DIA EM QUE TÚLIO DESCOBRIU A ÁFRICA. Ficção paradidática, 232 pp. Alguns capítulos disponíveis em www.tropis.org/afro; versão teatral (2009) a publicar em breve. Complementado por: África: um roteiro cultural e histórico, seleção de fotos e mapas em apoio visual ao roteiro do livro e peça, em http://bit.ly/ct0mWd  e  http://bit.ly/bo9aNO
 

05 agosto 2010

GUNNAR VARGAS HOJE NO BAR DO BINHO

 
HOJE, NO
BAR DO BINHO
, ÀS 2O:3O

 
GUNNAR VARGAS
E SEU
VIOLÃO

MÚSICA DE EXCELENTE QUALIDADE: 
... CHICO
BUARQUE,
... ITAMAR
ASSUMPÇÃO
... JOÃO
BOSCO
 
... E O MELHOR:
SUAS PRÓPRIAS MÚSICAS
 
O BAR DO BINHO É NA RUA AVELINO LEMOS JR. 60 • PRÓXIMO À UNIBAN CAMPO LIMPO
SAMPA ZONA SUL • 11 5844-6521

 
Obs: hoje também tem o Sarau da Vila Fundão com participação especial do Grupo Candearte