Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

02 dezembro 2009

Sobre o 2.º artigo de César Benjamin na Folha (02.12.2009)

O blog do Luis Nassif reproduz, para não-assinantes ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/02/cesar-benjamin-o-ataque-foi-politico/ ), o artigo de hoje em que César Benjamin defende o inacreditável lixo jornalístico-ficcional que publicou na Folha em 27.11 passado, onde acusava Lula de haver confessado leviana e alegremente a tentativa de estupro de um colega de prisão em 1980. O primeiro artigo já foi rechaçado e desmontado por dezenas de outros, até mesmo em redutos de direita como o Estadão. Me limito aqui a reproduzir a espécie de resposta aberta que mandei para o Painel do Leitor da Folha, bem como para a página do Nassif (na própria página e no Google Sidewiki - já conhecem?)
 
Sr Benjamin, sou um sujeito extremamente temeroso de fascismos e fascistismos, seja qual for o sinal ou coloração que se autoatribuem. Ao voltar ao Brasil em 1982 tentei colaborar com o PT numa cidade do interior, e a "O" que havia começado a organizar o PT na cidade começou a fazer reuniões secretas sobre como me neutralizar, porque minhas propostas não estavam de acordo com o catecismo da "O" - sobre o qual eu não podia me posicionar pois nem sabia que existia.
 
Mesmo tendo passado por essas, NADA do que o Sr Lula fez até hoje me deu medo, me fez sentir o menor tremor no meu sensor anti-fascismo. Até mesmo o filme: celebrar valores e superações humanas reais nada tem a ver com endeusamento. Trabalho com jovens de periferia há 15 anos, e com certeza recomendaria o filme como exemplo encorajador (bem diferente, aliás, do modelo Walt Disney que - ai! - já vi usarem em ONGs desta área!).
 
Mas no SEU texto meu sensor anti-fascismo se eriçou de alto a baixo. Não por acaso o senhor apelou à sexualidade, foco da repressão-mãe-de-todas encalacrada na sociedade, forma mais fácil de provocar a projeção no outro, horrorizada, dos nossos próprios desejos recalcados e denegados.
 
Sugiro o estudo de Wilhelm Reich, Sr Benjamin. Seu 'Psicologia de Massas do Fascismo', 'O Assassinato de Cristo' e outros. Ficará patente que o seu artigo - e tantos outros atos da sua vida profissional que vieram à tona nessas dias - foram típicos do que Reich chama de "peste emocional".
 
Pode até ser que as razões para isso em sua biografia sejam fortíssimas e insuperáveis - mas seria MUITO bom que elas permanecessem em privado, não viessem empestar o espaço público. O povo brasileiro - hoje bem mais adulto e amadurecido do que o senhor imagina - ficará grato por isso.
 
Ralf Rickli
pedagogo e escritor

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