Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

17 dezembro 2009

SERÁ QUE AINDA NÃO PERCEBEMOS O TAMANHO DO ESCÂNDALO? (ZL de Sampa ainda inundada para proteger o resto)

Coleguinhas, parte considerável da cidade em que moramos continua transfomada numa Veneza fluvial - e infecta -, e isso não por fatalidade natural, e sim por gritante incúria, irresponsabilidade, incompetência no gerenciamento de um sistema já estabelecido há mais de meio século.
 
Mas tem mais uma coisa que me choca: só por sorte nós mesmos não moramos numa várzea dessas... É a nossa cidade, nossa pólis, nossos concidadãos que estão com suas casas com água pela metade... e a maior parte de nós não só não está gritando, como também nem se dando o trabalho de estar sabendo disso!!
 
Terça última (15/12) escrevi no meu Facebook: "... se eu tenho uma mínima noção do sistema, isso não é possível sem que essa água esteja sendo RETIDA lá intencionalmente para não aparecer em lugares onde dá mais na vista". Não deu outra: na reportagem abaixo um engenheiro confessa candidamente que a opção foi essa, e mais: entrega que o sistema de barragens do Tietê é administrado como na idade da pedra, não existe nem comunicação entre as equipes das diferentes barragens!
 
O que acabou com a carreira política do Bush não foram as aberrações da sua atuação no nível internacional (que infelizmente o Obama está mostrando que prefere continuar), e sim sua inércia diante de New Orleans inundada.
 
E nós, será que não estamos enxergando o tamanho da gravidade desta interminável seqüência de barbeiragens na terceira maior cidade do mundo? Isso é caso para impeachment nos primeiros escalões e defenestração em massa na cúpula dos múltiplos órgãos envolvidos. Será que não estamos percebendo o tamanho do escândalo?

17/12/2009 - 07h00

Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

 
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

"Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo", justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
 
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.

"Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae", disse. "Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]".

Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. "O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]", afirmou.

O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.

Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. "Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou", disse. "E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa".

Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.

O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.

"Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui", reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
 
"Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?", perguntou Souza, indignado. "O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade", concluiu.

Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade -- isso sem chuva. "É demorado, sempre foi", disse.

"Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal", falou Souza, diante dos dados. "Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer", afirmou.
  •  Foto Rogério Cassimiro/UOL, retrabalhada

    Garoto passeia a cavalo pelas águas represadas do Jardim Romano, na zona leste
    Foto de Rogério Casemiro / UOL, retrabalhada


Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. "Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco", afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). "É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado".

"Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar", completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).

Eles farão um relatório sobre a inspeção e pretendem denunciar o caso, junto com a situação da estação de tratamento de esgoto (leia aqui), aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
 

09 dezembro 2009

Sacada de L.C.Azenha: Serra / Kassab = Maluf / Pitta

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.'
 
Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.
( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

Facebook | Ralf Rickli

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.' - Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.

( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

08 dezembro 2009

TUPI OR NOT TUPI, to me that's not a question anymore

Além da pura questão da beleza, suficiente para compartilhar a foto... sugiro que se repare nos rostos dos jovens índios - e dos 'não-índios' logo atrás... e de seus amigos, parente, você mesmo...  Somos ou não somos? :-D
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-adolescindios1.jpg
 
material selecionado e compartilhado por
......................................................................
Ralf Rickli • arte em idéias, palavas & educação
http://ralf.r.tropis.org • 11 8552-4506 • São Paulo

DILÚVIO POR DILÚVIO...

http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-apugomes.jpg
 
Quando falo que pretendo me mudar pro litoral de novo assim que possível, muitos me perguntam se não tenho medo de 2112...  Costumo responder que já sobrevivi a pelo menos três "apocalipses" prevists e alardeados... e a hora que tiver que ser, será de qualquer jeito.
 
Em cinco dias é a segunda vez que vejo fotos "oceânicas" de São Paulo. Se a questão é medo d'água, quem diz que ficr aqui é mais seguro?
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-luizguarnieri.jpg
Fotos de Luis Guarnieri e de Apu Gomes publicadas em http://noticias.uol.com.br/album/091208chuvasp_album.jhtm

02 dezembro 2009

Sobre o 2.º artigo de César Benjamin na Folha (02.12.2009)

O blog do Luis Nassif reproduz, para não-assinantes ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/02/cesar-benjamin-o-ataque-foi-politico/ ), o artigo de hoje em que César Benjamin defende o inacreditável lixo jornalístico-ficcional que publicou na Folha em 27.11 passado, onde acusava Lula de haver confessado leviana e alegremente a tentativa de estupro de um colega de prisão em 1980. O primeiro artigo já foi rechaçado e desmontado por dezenas de outros, até mesmo em redutos de direita como o Estadão. Me limito aqui a reproduzir a espécie de resposta aberta que mandei para o Painel do Leitor da Folha, bem como para a página do Nassif (na própria página e no Google Sidewiki - já conhecem?)
 
Sr Benjamin, sou um sujeito extremamente temeroso de fascismos e fascistismos, seja qual for o sinal ou coloração que se autoatribuem. Ao voltar ao Brasil em 1982 tentei colaborar com o PT numa cidade do interior, e a "O" que havia começado a organizar o PT na cidade começou a fazer reuniões secretas sobre como me neutralizar, porque minhas propostas não estavam de acordo com o catecismo da "O" - sobre o qual eu não podia me posicionar pois nem sabia que existia.
 
Mesmo tendo passado por essas, NADA do que o Sr Lula fez até hoje me deu medo, me fez sentir o menor tremor no meu sensor anti-fascismo. Até mesmo o filme: celebrar valores e superações humanas reais nada tem a ver com endeusamento. Trabalho com jovens de periferia há 15 anos, e com certeza recomendaria o filme como exemplo encorajador (bem diferente, aliás, do modelo Walt Disney que - ai! - já vi usarem em ONGs desta área!).
 
Mas no SEU texto meu sensor anti-fascismo se eriçou de alto a baixo. Não por acaso o senhor apelou à sexualidade, foco da repressão-mãe-de-todas encalacrada na sociedade, forma mais fácil de provocar a projeção no outro, horrorizada, dos nossos próprios desejos recalcados e denegados.
 
Sugiro o estudo de Wilhelm Reich, Sr Benjamin. Seu 'Psicologia de Massas do Fascismo', 'O Assassinato de Cristo' e outros. Ficará patente que o seu artigo - e tantos outros atos da sua vida profissional que vieram à tona nessas dias - foram típicos do que Reich chama de "peste emocional".
 
Pode até ser que as razões para isso em sua biografia sejam fortíssimas e insuperáveis - mas seria MUITO bom que elas permanecessem em privado, não viessem empestar o espaço público. O povo brasileiro - hoje bem mais adulto e amadurecido do que o senhor imagina - ficará grato por isso.
 
Ralf Rickli
pedagogo e escritor

Re: PARADOXO EVANGÉLICO ou (infelizmente) APENAS UMA VARIAÇÃO DA REGRA DE SEMPRE?

Recebi do amigo Chico Lobo (não sei se redigido por ele ou repassado de outro) o texto que transcrevo inteiro abaixo, e depois passo a comentar:
 


PARADOXO EVANGÉLICO

Pastor Deputado ora agradecendo a "propina nossa de cada dia"...


É MUITA CARA DE PAU!!! ao mesmo tempo que confirmamos o brutal equívoco dos pastores evangélicos seguidores da famigerada "Teologia da Prosperidade" e seus estranhos (e nada honestos) conceitos de bençãos.


Assista  o vídeo de deputado distrital do DF, Rubens Brunelli, fazendo uma oração 


http://tvig.ig.com.br/193183/oracao-apos-receber-dinheiro.htm 

 

Eis o texto transcrito de sua oração:


"Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra. Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares."

 

Nosso parecer:

-Fuja daquele que supostamente "em nome de Deus", venha lhe pedir dinheiro ou voto para eleger-se a cargo político, pois com certeza, quem usa do nome de Deus para angariar riquesas ou poderes, não merece sequer ser lembrados na história da humanidade.

 


 
Antes de mais nada, apesar de não duvidar de que a corrupção grasse solta por aí, quero sugerir certo cuidado com nossos "vereditos": o Lula está certíssimo ao dizer que "imagens não falam por si". Muita gente já foi morta por parecer, visivelmente, estar sacando uma arma quando estava, digamos, ajeitando as calças. Então realmente é preciso que todos os lados tenham sido amplamente ouvidos antes de se afirmar que o que estava acontecendo ali era isto ou era aquilo.
 
Mas depois deste relativo atenuante quero é agravar a acusação:
 
Por quê damos tanta atenção à apropriação indébita explícita dos atos que batizamos de corrupção?
 
O motor central do sistema capitalista é apropriação indébita. A cada salário que é pago, o pagador está descontando significativa parte do que o trabalhador produziu, mais ou menos como prêmio a si mesmo por organizar e manter o sistema.
 
Esse roubo se expressa na imposição unilateral de quanto vale a hora de trabalho de cada um: o patrão define sozinho quanto vale a hora de trabalho de um trabalhador e quanto vale a sua - que, aliás, nem sempre é exatamente de trabalho. (Ou seja: admito que muitas vezes o patrão trabalha pesado sim; mas a hora que bem entende ele pode oferecer um luxuoso dolce far niente [doce fazer nada] à sua familiagem ou a si mesmo).
 
Enfim: sistema capitalista é roubo implícito o tempo todo... e os evangélicos nunca tiveram nenhum problema com esse sistema! Ao contrário, Max Weber mostra que foi o modo de pensar evangélico que permitiu o desenvolvimento do capitalismo.
 
Pois o evangélico investe fortemente num elemento judeu repassado ao cristianismo: a idéia de que o Deus supremo do Universo seja capaz de escolher um grupinho de humanos como seu querido, desprezando o resto da humanidade.
 
Esse Deus agracia especialmente quem mais lhe leve presentes e mais lhe puxe o saco - o que é a tradução popular da palavra "louvor". Ou seja: cultuam precisamente a imagem (mesmo se mental) do Corrupto-Mor.  (Atenção, não estou dizendo que Deus é assim! Estou dizendo que se há alguém que mereça ser chamado de Deus, não será assim).
 
Finalmente, talvez uma das maiores funções da religião até hoje tenha sido produzir legitimações imaginárias para o ilegítimo, propondo ou impondo uma outra ética baseada numa "revelação" que alguns poucos tiveram, no lugar da "ética natural" (se eu posso me expressar assim), que é simplesmente o respeito a qualquer outro como "um outro eu" de igual dignidade e direito.
 
Assim, a religião legitimou que se entegassem milhões de pessoas à espada ou à fogueira, com apropriação dos seus bens, porque se tratava de uma guerra em nome de Deus (cruzadas, inquisição, conquista das Américas). E os que procedem assim sempre se julgam guerreiros, guiados por uma ética de guerra: se uma apropriação é em favor "dos fiéis" ela será por definição considerada legítima, pois "os fiéis" estariam a serviço de uma (suposta) causa maior, cuja grandeza e importância é tamanha que diante dela as leis e razões dos outros viram pó.
 
Não duvidem, então, que o pastor da oração que aparece no vídeo estivesse sendo sincero. Sentindo-se um "combatente do bom combate". Ou seja: não o julguem um monstro de cinismo.
 
Mas sinceridade nunca disse nada sobre legitimidade. Hitler era absolutamente sincero; acreditava mesmo no que dizia. Mas isso não é bastante para legitimar os seus atos. Não era um monstro de cinismo, era um monstro de convicção - um tipo ainda mais perigoso de monstro, porque mais sólido.
 
Recentemente escrevi o seguinte, num trabalho dirigido a pessoas que apostam na expressão Arte da Paz, mas buscam embasar a construção da paz em conhecimentos rotulados de "espirituais": "A paz nunca vai acontecer enquanto seres humanos não assumirem a responsabilidade integral de seus atos uns para com os outros, sem buscar justificações em instâncias a que o outro não tem acesso."
 
Isso não diz nada quanto a "o outro lado" existir ou não: quanto a isso, cada um que acredite no que quiser - mas só até o ponto em que isso não começar a servir como desculpa para ações prejudiciais aos colegas de humanidade.
 
Passou disso, é pretexto - seja da variante cínica, seja da sincera, ou seja: de quem se convenceu a si mesmo da própria mentira para começar.

25 novembro 2009

novas relações Brasil-FMI

manchete escondidinha em 25.11.09:
 
 Brasil aumenta aporte ao FMI e ganha poder de veto.
 
por hoje é só isso,
hora dessas vou escrever a respeito no meu blog.

(em tempo: tô sabendo que esse poder não é sobre a totalidade dos programas do FMI, só sobre o em que o Brasil participa)

20 novembro 2009

17 novembro 2009

lançamento "IMPACTO DOS MEIOS ELETRÔNICOS NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE"

Olhaí, pessoal, tenho diferenças consideráveis com o prof. Setzer, mas já vi uns trechos do Impacto dos meios eletrônicos na criança e no adolescente, e está um trabalho NOTÁVEL, não sei se existe outra compilação de informações semelhante em nível mundial.  Creio que realmente merece ser visto e circular!
 
( Afinal, este é ou não é um espaço de defesa do PLURALISMO ACIMA DE TUDO?  :-D .....  Ralf ) 

----- Original Message -----  From: Livraria Antroposófica 
 
Lançamento

DVD - ENTREVISTAS E PALESTRAS - Valdemar W. Setzer

Divulgamos o lançamento pela Editora Antroposófica do DVD com entrevistas e palestras feitas com o Professor Valdemar Setzer, cujos direitos de reprodução foram cedidos por instituições como o Fórum Permanente da Criança e do Adolescente da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro, TV Espiritualista e Jovem Pan Online.

Valdemar Setzer é professor Titular aposentado do Depto. de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, mas continua a dar aulas e orientar teses. Ele é membro da Sociedade Antroposófica desde 1971 e tem sido convidado por várias instituições para tratar de temas educacionais e filosóficos como, por exemplo, o impacto dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes, ciência e espiritualidade, o que é Antroposofia, etc.

Esperamos assim poder proporcionar ao público em geral mais uma forma de acesso, além dos livros, a questões importantes de nossa época à luz da Antroposofia. Este DVD contém uma extensa palestra sua sobre meios eletrônicos e educação, e entrevista sobre esse assunto, como também o que é a Antroposofia e como desenvolver a criatividade.

     
+ detalhes
por R$35,00
Para mudar a opção de recebimento deste e-mail, por favor, visite nosso site www.antroposofica.com.br/excluir_email.asp

Livraria virtual da Editora Antroposófica
Livros para o Autoconhecimento e a Ampliação Cultural

15 novembro 2009

Belezas peruanas em prol da associação Monte Azul

Pessoalmente não sou muito chegado nem em Natal, nem em shoppings, nem em organizações que usam a palavra "senhoras", mas há pelo menos 2 boas razões para estar passando adiante esta mensagem: 
1) É em prol da Associação MonteAzul, companheiros velhos de guerra, e eles merecem!
2) Como não babar diante da beleza da arte popular peruana? Confiram!    ......................  (Zé Ralf)
 

 
http://www.tropis.org/imagext/091100-natalperuano.jpg
Fonte original da imagem: http://www.monteazul.org.br/montenet/convite_feira_peruana2009.jpg
Versão nesta mensagem ligeiramente editada (margens brancas recortadas), hospedada no site tropis

14 novembro 2009

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias

 

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias
Enviado por Felipe Sáles - 13.11.2009 | 6h00m

Confira o vídeo que o Núcleo Audiovisual do Circo Voador fez sobre os critérios para lá de subjetivos que os seguranças de agências bancárias adotam na hora de permitir ou barrar clientes. A turma do Circo foi até uma agência do banco Itaú na Glória. Primeiro, entrou o produtor cultural Louzada, que é branco e não teve problemas. Em seguida, foi o MC Shackal, que é negro e... bem, confira você mesmo os procedimentos dos seguranças. Foi criado até um abaixo-assinado (clique aqui) para ser enviado à Federação Nacional de Bancos e ao Congresso.

A seguir a nota inclui o vídeo do youtube linkado abaixo, que mostra inequivocamente que HÁ PRECONCEITO RACIAL no controle da entrada de pessoas em bancos.  Só que quando se vai assinar a petição em http://www.petitiononline.com/porta/petition.html ... o texto dela é o seguinte:
 
To:  Usuários do serviço bancário do Brasil

Se VOCÊ se sentiu alguma vez agredido ou desrespeitado ao tentar entrar na SUA agência bancária para movimentar a SUA conta, ou seja, SEU dinheiro, assine o MANIFESTO PORTA NA CARA pedindo a mudança da porta de segurança das agências para um sistema de RAIO X ou um equipamento de segurança que realmente mostre os pertences que estão sendo conduzidos pelo cliente. As atuais portas são travadas até por uma moeda e você depende da boa vontade do vigilante para destravar a porta e permitir sua entrada no banco. Vamos mudar essa situação e pedir aos bancos que renovem seus equipamentos. Eles podem investir num equipamento de segurança melhor, que implique em menos constrangimento aos seus próprios clientes e usuários.
O Circo Voador acredita que as pessoas devam ser tratadas com dignidade. Agora queremos saber a SUA opinião.

Ou seja: NENHUMA menção à questão racial, que aparece com destaque no vídeo - e um apelo num tom que parece especial para agradar muito mais à classe média branca. Assinei a petição, mas não pude deixar de acrescentar o seguinte comentário:
 
Apesar de, como branco, também já ter passado constrangimento (p.ex. tirar cinto e entrar segurando as calças) não acho certo que este manifesto ignore a questão racial. A diferença que ela faz é estatisticamente significativa sim.
 
E exigir o treinamento/educação adequado dos seguranças é mais pertinente que pedir instalação de equipamentos, que sairão do nosso bolso e gerarão mais desemprego em lugar de educação.
 

12 novembro 2009

ARTE BRASILEIRA: exposição GRÁTIS até 10/12, acho q das imperdíveis

De 1992 a 2000 vi em Sampa grandes exposições organizadas de tal forma que me ajudaram demais a pensar o Brasil. Faz um tempo que não vejo notícias de exposições onde eu "fareje" o mesmo. Desconfio que esta aqui pode ser. 
 
Abraços ....  Zé
 

11/11/2009 - 22h01

Memorial monta exposição com grandes nomes das artes brasileiras

da Folha Online

Divulgação
http://f.i.uol.com.br/guia/exposicoes/images/09313390.jpeg
Tela "Fausto e Margarida", de
Pedro Américo, pode ser vista em SP

Di Cavalcanti, Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Flávio Shiró... A lista de nomes que integram a exposição no Memorial da América Latina (região oeste da cidade de São Paulo) é grande.

A eles, se alinham Brecheret --cujas obras já estão em dois espaços culturais na cidade de São Paulo--, Benedito Calixto, Almeida Jr., Ismael Néri, Antonio Dias, Livio Abramo e Sérvulo Esmeraldo.

Ao todo, são 45 artistas de várias gerações, cujas obras surgiram nas últimas décadas do século 19 até a primeira metade do século 20.

O lado pitoresco é que as telas e as peças escolhidas costumam ficar expostas em outros lugares, como a Pinacoteca do Estado, o MAC (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) e os palácios do governo.

"São quadros que dificilmente saem dos museus", conta o curador João Spinelli. "Tivemos que insistir bastante."

A exposição, que faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil, fica aberta até 10 de dezembro.

Informações sobre eventos gratuitos e populares podem ser consultadas no site Catraca Livre.

Memorial da América Latina - Galeria Marta Traba - av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3823-4600. Até 10/12. Grátis. Classificação etária: livre.

http://guia.uol.com.br/exposicoes/ult10048u650020.shtml
As informações estão atualizadas até a data acima (11/11). Sugerimos contatar o local para confirmar as informações.

09 novembro 2009

89% querem que governo INTERVENHA MAIS no sentido de DISTRIBUIR :-D

09/11/2009 - 06h48

No Brasil, 64% querem maior controle do governo na economia


A pesquisa feita a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira revelou que 64% dos brasileiros entrevistados defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país.

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de "impressionante" os resultados do país.

"Não é que as pessoas digam, sem pensar, 'sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas'. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso", disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo "tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico" (35%) foi maior que a média mundial (23%).

Enquanto isso, apenas 8% dos brasileiros opinaram que o sistema "funciona bem e mais regulação o tornaria menos eficiente", contra 11% na média mundial.
 
[ Reparem só: 
 

 

Capitalismo
funciona
bem

 

Precisamos
de outro
sistema

Média outros 26 países

11 %

x

23 %

Brasil

8 %

x

35 %

 
Estão vendo o que isso quer dizer? Se democracia algo fosse levado realmente a sério,
o capitalismo já teria que estar banido!  (Mas não estou dizendo que fazer isso é simples...) Zé Ralf ]
 
Para outros 43% dos entrevistados brasileiros, o livre mercado "tem alguns problemas, que podem ser resolvidos através de mais regulação ou controle". A média mundial foi de 51%.

"É uma expressão de grande insatisfação com o sistema e uma falta de confiança de que possa ser corrigido", disse Kull.

"Ao mesmo tempo, não devemos entender que 35% dos brasileiros querem algum tipo de socialismo, esta pergunta não foi incluída. Mas os brasileiros estão tão insatisfeitos com o capitalismo que estão interessados em procurar alternativas."
A pesquisa ouviu 835 entrevistados entre os dias 2 e 4 de julho, nas ruas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Globalização
O levantamento é divulgado em um momento em que o país discute a questão da presença estatal na economia.

Definir para que caixa vai a receita levantada com a exploração de recursos naturais importantes, como o petróleo da camada pré-sal, divide opiniões entre os que defendem mais e menos presença do governo no setor econômico.

Steven Kull avaliou que esta discussão não é apenas brasileira, mas latino-americana. Para ele, o continente está "mais à esquerda" em relação a outras regiões do mundo.

A pesquisa reflete o "giro para a esquerda" que o continente experimentou no fim da década de 1990, quando o modelo de abertura de mercado que se seguiu à queda do muro de Berlim e à dissolução da antiga União Soviética dava sinais de esgotamento.

Começando com a eleição de líderes como Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998, o continente viu outros presidentes de esquerda chegarem ao poder, como o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).

Mas Kull disse não crer que o ceticismo dos brasileiros na pesquisa "seja necessariamente uma rejeição do processo de abertura dos anos 1990".

"Vimos em pesquisas anteriores que os brasileiros não são os mais entusiasmados com a globalização", disse.

"Eles ainda são bastante negativos em relação à globalização, e o que vemos aqui (nesta pesquisa) é mais o desejo de que o governo faça mais para mitigar os efeitos negativos dela, melhorar a distribuição de renda e colocar mais restrições à atividade das empresas."

Mas ele ressalvou: "Lembre-se de que a resposta dominante aqui é que o capitalismo tem problemas, mas pode ser melhorado com reformas. A rejeição ao atual sistema econômico e à abertura econômica não é dominante, é que há um desejo maior de contrabalancear os efeitos disto".

06 novembro 2009

e há quem duvide de que a sociedade enlouqueceu!

Ao assistir o filme Brazil, de Terry Gilliam (1985 - e que não trata do Brasil...) ou o recente A Idade das Trevas do canadense Denys Arcand (L'Age des Tenebres, 2007; foi distribuído no Brasil sob o absurdo nome A Era da Inocência!!) a gente poderia imaginar que a organização como terror é mero delírio da cabeça de artistas.
 
Infelizmente não é.  Dêem só uma olhada na matéria abaixo. E depois alguns acham que é "romantismo" quando eu falo da importância política e do caráter revolucionário do esforço para manter a humanidade da vida humana!
 
Abraços  . . . . . .   Ralf
 

 
 
06/11/2009 - 07:51

A máquina de suicídios da France Telecom

Por Sérgio Troncoso

Olha as teses de reengenharia total e competição interna sem sentido, levandos trabalhadores a doença e morte. Só na cabeça de empresários sem um pingo de sensibilidade para o que é o ser humano, para achar que essa loucura no trabalho seja uma condição "natural" para alguem.

A fábrica de suicídios

Um edifício antissuicídios, um local de trabalho com janelas fechadas e parapeitos altos, como se bastassem poucos aparatos técnicos para pôr fim a um desastre social com poucos precedentes. À primeira vista, a notícia de que a France Télécom ocupará a partir de janeiro aquele imóvel poderia parecer uma farsa, se não se inserisse em um contexto trágico: 24 suicídios em apenas 18 meses, dezenas de milhares de funcionários em estado de choque, um administrador sob acusação por ter transformado uma empresa gloriosa em uma fábrica de depressivos comandados com mão de ferro. A esquerda pede a demissão do presidente e do administrador delegado, Didier Lombard, mas o Estado, primeiro acionista da sociedade, talvez se limitará a pedir a cabeça do seu vice.

A reportagem é de Giampiero Martinotti, publicada no jornal La Repubblica, 01-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O edifício de Saint-Denis, às portas da capital, onde 200 mil funcionários da operadora telefônica irão trabalhar a partir de janeiro, tornou-se assim um símbolo de uma empresa aterrorizada: janelas fechadas, terraços e passarelas inacessíveis, parapeitos elevados. O medo paralisa um pouco todos: nos últimos tempos, pôde-se ver um dirigente apunhalar-se diante de seus colegas durante uma reunião, uma jovem mulher se jogou da janela do seu escritório do quarto andar. E aqueles que, entre os suicidas, deixou alguma explicação acusou implacavelmente a France Télécom, os seus dirigentes e os seus métodos brutais.

A mensagem enviada por e-mail por Stéphanie, 32 anos, ao pai é terrível: "O meu chefe não sabe, obviamente, mas serei a 23ª funcionária a se suicidar. Não aceito a nova reorganização do serviço. Vou mudar de chefe e, para passar por aquilo que eu vou passar, prefiro morrer. Deixo no escritório a bolsa com as chaves e o celular. Levo comigo a minha carta de doadora de órgãos, nunca se sabe. Não gostaria que tu recebesse uma mensagem desse gênero, mas estou mais do que perdida. Quero-te bem, papai". Poucos minutos depois, a jovem se jogou da janela do seu escritório.

Na segunda-feira, 28, em Annecy, um outro funcionário se jogou de cima de um viaduto. Na carta à mulher, disse-se desesperado por causa das condições de trabalho. Lombard, ao assumir o posto, teve que enfrentar a cólera de 300 funcionários.

A France Télécom decidiu impedir a mobilidade interna dos funcionários, considerada uma das raízes do estresse. Mas trata-se só de um elemento. Um livro recém publicado ("Orange stressé", de Ivan du Roy, que se refere à marca comercial da sociedade e brinca com a sonoridade de laranja espremida) aponta o dedo contra os métodos que têm um só objetivo: amedrontar as pessoas para estimulá-las a ir embora. Nesta quarta-feira, Louis-Pierre Wenes, o número dois do grupo, o homem encarregado de cortar os custos, estava sob fogo cruzado: "Uma vez ele nos disse: submissão ou demissão", conta um sindicalista.

Porém, o mal-estar vai além dos métodos de um homem. A France Télécom passou do mundo protegido de uma sociedade pública monopolista à de uma empresa obrigada a enfrentar um dos setores de maior concorrência hoje. A transição era objetivamente difícil, e nenhum dos dirigentes dos últimos 12 anos soube olhar para além do vermelho e do preto das contas. Os resultados estão debaixo dos olhos de todos, com o medo de que a longa lista dos suicídios possa aumentar ainda mais.

02 novembro 2009

Eu sei do que ele está falando! :-D

Jogando água sobre pedras eu vi brotar o jardim que resgatou a minha inocência. E irradiou uma nova primavera. E o que antes eram feras viraram rosas - com espinhos - capazes de exalar um perfume de revolta, amor, palavras e carinhos que olhando nos meus olhos dizem: não só a literatura é possível, professor. Nóis também.
 
De RODRIGO CIRÍACO, professor na periferia de São Paulo,
no livro de contos Te pego lá fora (S.Paulo: Edições Toró, 2008), p. 87.

24 outubro 2009

novidades sérias sobre civilizações perdidas da Amazônia + reflexões sobre a dimensão ideológica

Atenção, tropeiros & dondemirantes & demais amigos que se levam a sério como buscadores de "caminhos tropicais de conhecimento e prática":
 
A matéria de que reproduzo trechos abaixo é muito mais que curiosidade. Ajuda a sintonizar o verdadeiro espírito que inspirou o impulso Trópis desde antes de vocês aparecerem - e se eu capto corretamente o espírito do Binho, também tem profundamente a ver com o impulso que o move no Dondemiras.
 
Depois da transcrição dos fragmentos comento um pouco mais sobre o sentido que vejo em ir atrás deste tipo de conhecimento!  Abraços .................... Ralf
 

 
Cidades perdidas da Amazônia
A floresta tropical amazônica não é tão selvagem quanto parece
 
[trechos selecionados por Ralf para os amigos]
 
Michael J. Heckenberger vem fazendo pesquisas arqueológicas na região do Xingu e em outras partes da Amazônia brasileira desde 1992, mais recentemente como professor da University of Florida
 
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/img/xingu.jpg

Kuhikugu, conhecida pelos arqueólogos como sítio X11, é a maior
cidade pré-colombiana já descoberta na região do Xingu. Abrigava
mil pessoas ou mais e servia como o eixo central de uma rede de aldeias menores.
 
(...) Frequentemente os antropólogos viram o ambiente florestal, em geral, como não propício à agricultura; a pouca fertilidade do solo parecia excluir os grandes assentamentos ou as densas populações regionais.Por esse motivo, a Amazônia do passado parece [= parecia] ter sido muito semelhante à Amazônia dos tempos atuais.

Porém, essa visão começou a cair por terra na década de 70, conforme os acadêmicos revisaram os relatos dos primeiros europeus sobre a região, que falavam não de tribos pequenas, mas de densas populações. Conforme o best seller de Charles Mann "1491" descreve com eloquência, as Américas eram densamente habitadas na véspera do desembarque dos europeus, e a Amazônia não era exceção. Gaspar de Carvajal, o missionário que escreveu as crônicas da primeira expedição espanhola rio abaixo, observou cidades fortificadas, estradas largas com boa manutenção e muitas pessoas. Carvajal escreveu em seu relato de 25 de junho de 1542:

"Passamos entre algumas ilhas que pensávamos ser desabitadas, porém ao chegarmos por lá, tão numerosos eram os povoados que vieram à nossa vista... que nos afligiu... e, quando nos viram, saíram para nos encontrar no rio em mais de duas centenas de pirogas (canoas), carregando 20 a 30 índios em cada uma, e algumas até com 40... estavam enfeitados com cores e vários emblemas, e portavam várias cornetas e tambores... e em terra, uma coisa maravilhosa de ver foram as formações de grupos que ficavam nas aldeias, todos tocando instrumentos e dançando em toda parte, manifestando grande alegria ao nos ver passando pelas suas aldeias. "
 
A pesquisa arqueológica em várias áreas ao longo do rio Amazonas, como a ilha do Marajó na foz do rio e sítios próximos às modernas cidades de Santarém e Manaus, confirma esses relatos. Essas tribos interagiam em sistemas de comércio que se espalhavam até localidades remotas. Sabe se menos das localidades mais próximas dos limites ao sul da Amazônia, mas um trabalho recente em Llanos de Mojos nas várzeas da Bolívia e no estado do Acre sugere que eles também apresentaram sociedades complexas. Em 1720, o guarda de fronteira Antonio Pires de Campos descreveu uma paisagem densamente habitada na cabeceira do rio Tapajós, pouco a oeste de Xingu:

"Esses povos existem em um número tão enorme que não é possível contar seus povoados ou aldeias, [e] muitas vezes em um dia de marcha passa-se por 10 a 12 aldeias, e em cada uma há de 10 a 30 habitações, e dentre essas casas há algumas que medem 30 ou 40 passos de largura... até mesmo suas ruas, que eles fazem bem retas e largas são mantidas tão limpas que não se encontra nenhuma folha caída..."
Uma Antiga Cidade Murada
Robert Carneiro, do American Museum of Natural History, de Nova York, que morou com os cuicuro na década de 50, sugeriu que o estilo de vida organizado e a economia produtiva agrícola e pesqueira poderiam suprir comunidades muito mais substanciais, mil a 2 mil vezes maiores – várias vezes a população contemporânea de algumas centenas. Ele também registrou evidências de que, na realidade, a área já teve um sítio pré-histórico (designado X11 em nossa pesquisa arqueológica) cercado de imensos fossos. Os irmãos Villas Boas – indianistas brasileiros indicados para o Prêmio Nobel da Paz pela sua participação na criação do Parque do Xingu – já tinham relatado esses trabalhos [= esse tipo de obra] no solo perto de muitas aldeias.
 
(...)
 
Em janeiro de 1993, logo após eu ter chegado à aldeia dos cuicuro, o principal chefe hereditário, Afukaka, me levou a uma das valas no sítio (X6) por eles denominada Nokugu, que recebeu o nome do espírito de onça que se pensa lá habitar. Passamos por moradores locais que construíam um enorme açude de peixes ao longo do rio Angahuku, já cheio devido às chuvas sazonais. O fosso, que corre por mais de 2 km, tinha 2 a 3 metros de profundidade e mais de 10 metros de largura. Embora eu tivesse a expectativa de encontrar uma paisagem arqueológica diferente da atual, a escala dessas comunidades antigas e de suas construções me surpreendeu. Os assistentes de pesquisa cuicuro e eu passamos os meses seguintes mapeando esse e outros trabalhos no solo no sítio de 45 hectares.

Desde essa época, nossa equipe estudou vários outros sítios na área, analisando mais de 30 km em linha reta em transectos através da floresta, mapeando, examinando e escavando os sítios. No final de 1993, Afukaka e eu voltamos para Nokugu, para que eu relatasse o que aprendi. Seguimos os contornos do fosso externo do sítio e paramos ao lado de uma ponte de terra, por onde costumava passar uma estrada enorme que tínhamos desenterrado. Apontei para uma antiga estrada de terra, totalmente reta, com largura de 10 a 20 metros, que levava para outro sítio antigo, Heulugihïtï (X13), a cerca de 5 km de distância. Atravessamos a ponte e entramos em Nokugu.

A estrada, margeada por meios-fios baixos de terra, abriu-se até 40 metros – largura das autoestradas modernas de quatro pistas. Percorridas algumas centenas de metros, passamos por cima do fosso interno e paramos para observar o interior da trincheira escavada recentemente, onde tínhamos encontrado uma base em forma de funil, para uma paliçada de tronco de árvore. Afukaka contou-me uma história a respeito de aldeias construídas sobre paliçadas e ataques-surpresa em um passado remoto.

Caminhamos por trechos de floresta, arbustos e áreas desmatadas que agora cobrem o sítio, marcas de atividades variadas no passado. Saímos em meio a uma clareira gramada cercada de enormes palmeiras que marcavam uma antiga praça. Girei devagar e apontei a borda perfeitamente circular da praça, marcada por uma elevação de um metro de altura. Expliquei a Afukaka que as altas palmeiras lá se instalaram séculos atrás, a partir de jardins de compostagem em áreas domésticas.
 
Deixando a praça para explorar as redondezas, nos deparamos com altos sambaquis, depósitos de restos, que muito se assemelhavam aos de trás da casa do próprio Afukaka. Estavam repletos de recipientes quebrados, exatamente iguais, nos mínimos detalhes, aos utilizados pelas esposas da tribo para processar e cozinhar a mandioca. Em uma visita posterior, quando escavávamos uma casa pré-colombiana, o chefe curvou-se dentro da área central da cozinha e retirou um enorme fragmento de cerâmica. Disse que concordava com minha impressão de que o cotidiano da sociedade antiga era muito semelhante ao atual. "Você está certo!", Afukaka exclamou. "Veja, um apoio de panela" – um undagi, como os cuicuro o chamam, usado para o cozimento da mandioca.

Essas ligações fazem dos sítios dos xinguanos locais muito fascinantes, que se encontram entre os poucos assentamentos pré-colombianos na Amazônia onde a evidência arqueológica pode ser conectada diretamente com os costumes atuais. Em outros locais, a cultura indígena foi totalmente dizimada ou o registro arqueológico está disperso. A antiga cidade murada que mostrei a Afukaka era muito parecida com a aldeia atual, com sua praça central e estradas radiais, apenas eram dez vezes maiores.
 
Da Oca à Organização Política
"Suntuosa" não é uma palavra que, em geral, venha à mente para descrever uma casa com um tronco central e sapé. Ocidentais pensam em uma "cabana". Mas a casa que os cuicuro erguiam para o chefe em 1993 era enorme: bem mais de 1 mil m2. É difícil imaginar que uma casa construída como um cesto gigante virado para baixo, sem uso de pedras, cimento ou pregos pudesse ficar tão grande. Mesmo a casa comum de um xinguano com 250 m2 é tão grande quanto uma casa média americana.

O que faz a casa do chefe sobressair não é apenas o tamanho, mas também a sua posição, localizada no ponto mais ao sul da praça central circular. Quando se entra na aldeia pela estrada de acesso formal, as famílias de boa posição moram à direita (sul) e à esquerda (norte). O arranjo reproduz, em escala maior, a planta de uma casa individual, cujo ocupante de posição destacada pendura a sua rede à direita, ao longo do comprido eixo da casa. A estrada de acesso corre aproximadamente de este a oeste; na casa do chefe, sua rede fica posicionada na mesma direção. Quando um chefe morre, ele também é deixado em uma rede com a cabeça voltada para o oeste.
 
Este cálculo corpóreo básico é aplicado em todas as escalas, de ocas a toda a bacia do Alto Xingu. As aldeias antigas são distribuídas pela região e interconectadas por uma rede de estradas alinhadas com precisão. Quando cheguei pela primeira vez à área, levei semanas para mapear valas, praças e estradas usando as técnicas padrões de arqueologia. No início de 2002, começamos a usar o GPS, que nos permitiu mapear a maior parte dos trabalhos no solo em questão de dias. Descobrimos um grau impressionante de integração regional. O planejamento parece quase determinado, com um lugar específi co para tudo. No entanto, fundamentava-se nos mesmos princípios básicos das aldeias atuais. As estradas principais correm do leste para o oeste, as secundárias se irradiam para fora do norte e do sul e as menores proliferam em outras direções.
 
Mapeamos dois agrupamentos hierárquicos de povoados e aldeias em nossa área de estudo. Cada um consistia em um centro principal cerimonial e várias aldeias satélites grandes em posições precisas em relação ao centro. Essas cidades provavelmente tinham mil ou mais habitantes. As aldeias menores estavam localizadas mais longe do centro. O agrupamento do norte está centrado no X13, que não é uma cidade, e sim um centro de rituais, semelhante a um terreno para festividades.
 
(...)
 
A identificação de grandes núcleos populacionais murados, espalhados numa área comparável à de Sergipe, sugere que havia, no mínimo, 15 agrupamentos espalhados pelo Alto Xingu. Entretanto, como a maior parte da região não foi estudada, a quantidade correta pode ter sido muito superior. A datação por radio-carbono dos sítios já escavados sugere que os ancestrais dos xinguanos chegaram à região, vindos do oeste, e começaram a modificar as florestas e a zona úmida a seu critério cerca de 1.500 anos atrás ou até antes disso. Nos séculos que antecederam a descoberta da América pelos europeus, os sítios foram reformados, passando a compor uma estrutura hierárquica.
 
Cidades-Jardins da Amazônia
Há um século, o livro Garden cities of tomorrow (Cidades-jardins do futuro), de Ebenezer Howard, propôs um modelo para um crescimento urbano sustentável de baixa densidade populacional. Um precursor do movimento ecológico atual, Howard idealizou cidades interligadas como uma alternativa para um mundo industrial, repleto de cidades com arranha-céus. Sugeria dez cidades com dezenas de milhares de habitantes, que teriam a mesma capacidade funcional e administrativa que uma só megacidade.

Os antigos xinguanos parecem ter construído esse sistema, um tipo de urbanismo de estilo verde ou protourbanismo – uma incipiente cidade-jardim.
 
[Interpolado de um trecho anterior do artigo:]  A pessoa mais famosa a buscar civilizações perdidas no sul da Amazônia foi Percy Harrison Fawcett. O aventureiro britânico esquadrinhou o que denominou "selvas não mapeadas", buscando uma cidade antiga na Amazônia – a Atlântida – , repleta de pirâmides de pedra, ruas de seixos e escrita alfabética. Suas narrativas inspiraram Conan Doyle em O mundo perdido e talvez os filmes de Indiana Jones. O recente e empolgante livro de David Grann, The lost city of Z (Z, a cidade perdida), refez o trajeto de Fawcett antes de seu desaparecimento no Xingu, em 1925.
 
[Continuação do texto antes da interpolação:] Talvez Percy Fawcett estivesse no lugar certo, mas com o foco equivocado: cidades de pedra. O que faltava aos centros em termos de pequena escala e elaboração estrutural, os xinguanos conseguiam alcançar pela quantidade de cidades e por sua integração. Se Howard tivesse conhecimento de sua existência, poderia ter-lhes devotado um trecho no Garden cities of yesterday (Cidades-jardins do passado). O conceito comum de cidade como uma densa rede de prédios de alvenaria remonta à época das antigas civilizações dos oásis nos desertos, como na Mesopotâmia, mas que não possuíam as mesmas características ambientais. Não só as florestas tropicais amazônicas, como também as paisagens das florestas temperadas da maior parte da Europa medieval, eram pontilhadas por cidades e vilarejos de tamanhos similares a essas no Xingu.
 
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/img/grafico_amazonia2.jpg 
 
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/img/grafico_amazonia1.jpg
 

CONTINUAÇÃO e CONCLUSÃO das palavras de introdução da mensagem (Ralf)
 
Creio que para nós brasileiros descendentes apenas parcialmente de ameríndios e com quase-nada de de cultura ameríndia preservada, o foco central do interesse nas questões indígenas não pode ser a defesa da continuidade da cultura e organização dos grupos indígenas atuais.
 
Reparem que eu disse central. Claro que podemos nos dispor a colaborar com eles nisso, mas antes de mais nada se eles quiserem, e sob a liderança deles - ou então estaremos repetindo mais uma vez o discurso de que eles não são capazes de escolher seus caminhos por si, e dependem da nossa tutoria ou orientação... Bobagem imensa, pois todos os seus principais atos de resistência e sobretudo a atual renascença indígena aconteceram "pelas nossas costas".
 
Já quando tentamos sintonizar o espírito do ser-índio (leia-se "ser" como verbo), isso ajuda a nos transformarmos. E, com isso, nos tornarmos agentes de (1) tentativas de modificação dos cursos da civilização ocidental em que estamos inseridos OU de (2) geração de sementes, esporos, mudas, brotos de contraculturas (sub-culturas que evoluem em direção diferente da cultura principal).
 
Se fizermos isso, também estaremos colaborando com as lutas dos índios, mas de um modo não-invasivo. Pois afinal, para o bem deles, quem tem que se modificar é a civilização ocidental, não eles.
 
Estudarmos a natureza da civilização branda e difusa que os ancestrais deles (e parcialmente nossos) haviam construído nas Américas é um primeiro para a nossa reeducação necessária antes de sermos dignos de dialogar/colaborar com eles, quer diretamente, quer construindo nossos próprios rumos de um modo menos burro.
 
Um último detalhe: é um engano patético pensar que o estudo de concepções-de-mundo desenvolvidas na Europa seja suficiente para nos orientar diante do desafio de encontrar os modos de vida adequados nas Américas e nos trópicos em geral. Seja marxismo, liberalismo burguês, cristianismo histórico ou esotérico - qualquer outra coisa que tenha sido pensada sob aquelas condições, e não diretamente nestas.
 
Também a idéia de adaptar alguma coisa que tenha sido pensada em outras condições dá sempre em desastre.
 
O que temos que fazer é levarmos em conta todos esses pensamentos em conta ao repensarmos as questões a partir da nossa posição. Mas primeiro temos que limpar nossa cabeça da progamação predominantemente européia que ela recebeu - e um dos melhores caminhos para isso é a tentativa de nos sintonizarmos com o espírito antigo das Américas.
 
E a aproximação antropológica a isso pode ser um caminho relativamente mais neutro em termos de ideologia, sobretudo quando juntamos uma pluralidade de visões antropológicas não harmônicas entre si (sendo "ideologia", antes de mais nada, a universalização artificial de um particular, a ênfase na diversidade é o agente de desideologização por excelência).
 
No penúltimo trecho que destaquei em roxo no texto, temos o antropólogo de formação ocidental e o índio descobrindo o passado juntos, cada um contribuindo com os elementos, conhecimentos e técnicas de que dispõe. Dá para imaginar a emoção do índio ao descobrir naquele momento a confirmação de que os autores daquela civilização perdida eram os seus póprios ancestrais - e a emoção do antropólogo ao participar disso. Nesse momento vive um sentimento de humanidade una, por trás de toda a diversidade. Nesse momento esquece-se inclusive a divisão entre oprimidos e opressores, e reluz a percepção do humano-em-comum por baixo desses papéis.
 
Eu aposto todas as minhas fichas, aposto a minha vida, em que é só o fortalecimento cada vez maior dessa percepção do humano-em-comum que pode nos salvar.
 
É a partir dessa percepção que teremos o poder para destruir, aniquilar os papéis de oprimido e opressor (o que não é o mesmo que aniquilar as pessoas que os ocupam... a não ser que elas se agarrem aos papéis e por isso sejam aniquiladas junto com ele - em última análise por escolha sua, não por nossa intenção). Nenhum exacerbamento desse antagonismo de papéis jamais terá o poder de destruí-lo e de libertar a humanidade de sua maldição - libertação essa pela qual não aspiro em abstrato (= idealismo como força de opressão, que Marx denunciou sem porém conseguir deixar de incorrer nele) e sim por cada uma das crianças concretas que se encontram no planeta neste momento, e por todas aquelas que hão de vir.
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23 outubro 2009

poeminha-trocadilho cruel

EX-BAMBA
 
cadê cadência ?

de como Teoria Política virou Teologia - ou: o novo FEBEAPÁ e o Judas que o pariu

De repente o país inteiro está discutindo as relações entre Jesus e Judas, como se isso tivesse alguma relevância para o que o Lula quis dizer na entrevista reproduzida no post anterior. Isso é pura reedição do FEBEAPÁ ("Festival de Besteira que Assola o País", segundo o humorista Stanislau Ponte Preta, nos anos 60).
 
O ÚNICO aspecto relevante da menção de Lula a Jesus e Judas não vem sendo nem mencionado: ele disse "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão."
 
Isso é uma aula sobre a natureza da democracia representativa, senhores - sobre uma coisa que só será superada um dia com alguma forma de democracia (mais) direta: o que ele quis dizer é "não importa se pessoalmente o cara é o teu maior inimigo, se foi votado ele representa algum setor da sociedade, e você não tem o direito de ignorar O SETOR DA SOCIEDADE que o elegeu".
 
Aula de teoria política, ponto. Mas quando o dedo aponta uma estrela, as pessoas ficam dizendo "oh" para o dedo! É ou não é FEBEAPÁ?