Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

19 junho 2008

Importa mais o CONCRETO ou o CONVÍVIO? (& outras breves)

Os amigos mais intelectualizados podem torcer o nariz: "O sujeito descambou de vez... Dando atenção a livros de auto-ajuda, agora..."
 
Eu vos direi no entanto (rsrs - alguém ainda lembra do soneto mais famoso do um dia famoso Bilac?) que, desfeitas as malhas de pompa verbal de que vem recoberta, grande parte da mais 'profunda' Filosofia e Psicologia acadêmicas não chega a um décimo da profundidade e da relevância de muito livro de auto-ajuda...  (Ops, eu não falei que TUDO é assim - nem de um lado, nem do outro!!!)
 
Tá, o texto abaixo é do rabino estadunidense Harold Kushner - o mesmo que escreveu Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas -, e me chamou atenção não apenas por estabelecer contraste entre "realizações profissionais, carreira etc." e "relações humanas pessoais"... mas também pelo desafio que representa à opção atual pelos encontros humanos relâmpago, sem nenhuma formação de vínculo.
 
Bom, deixa o Harold falar:

Num dia de verão eu estava na praia e espiava duas crianças brincando na areia. Trabalhavam muito, construindo um complicado castelo de areia molhada, com torres e passarelas, ameias e passagens internas.
 
Quando estavam perto do final do projeto, veio uma enorme onda e destruiu tudo, reduzindo o castelo a um monte de areia e espuma.
 
Achei que as crianças iam cair no choro, depois de tanto esforço e cuidado - mas tive uma surpresa: em vez de chorar, correram para a praia fugindo da água, de mãos dadas, rindo, e começaram a construir outro castelo.
 
Compreendi que havia recebido uma lição importante. Tudo em nossas vidas, todas as complexas estruturas que gastam tanto do nosso tempo e da nossa energia para serem construídas, é tudo feito de areia. Só o que permanece é o nosso relacionamento com outras pessoas.
 
Mais tarde ou mais cedo, a onda virá e destruirá o que levamos tanto tempo para construir. Quando isto acontecer, somente aquele que tem as mãos de alguém para segurar será capaz de rir.
 
Harold Kushner, Quando tudo não é o bastante, cap. 9
São Paulo: Nobel, 1999
Chamada no UOL para matéria na revista Poder:
 
"Ele trocou o 'hi-society' pelo crime. O nome dele é Lívio"
 
Como "trocou", se é a mesma coisa? Apenas abriu mão dos cenários que resguardam a vista da verdadeira natureza das estruturas de sustentação das 'hi-societies'.
 
Ou, se preferirem, decaiu para uma forma menos refinada e provavelmente menos criminosa de crime.
 
(Se alguém quiser ver a matéria, que eu mesmo não achei que vale muito a pena, está em http://revistapoder.uol.com.br/p4/materia2.html ).

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