Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

17 fevereiro 2008

Relatos Sacros de um Tempo Profano qualquer

Bom...  este é o fim-de-semana da postagem poética - mas vocês já devem ter percebido que nem mesmo poesia eu gosto de apresentar sem um pouco de prosa...
Só que há várias coisas competindo pela minha palavra & presença neste momento - entre elas o planejamento das oficinas
A Arte de Escrever e de Ler Com-Vida, que darei na
Fábrica de Criatividade nos próximos meses (veja a postagem
http://pluralf.blogspot.com/2008/02/oficinas-curso-gratis-na-fbrica-de.html ),
... a preparação de uma Introdução à Filosofia do Convívio a ser dada amanhã no Curso de Formação da equipe da mesma Fábrica...
... e - sem dúvida tão ou mais sério que qualquer trabalho, por sério que seja:
... curtir o Yan,
que já está com 1 ano e eu acabo de conhecer - filhote dos tropeiros Carlinhos Amaro & Thais, que se conheceram nos nossos tempos no galpão de Praia Grande (conheça o galpão e sua história em www.tropis.org/foto-historia4.html - e quanto ao Yan,
acham que porque é pequeno é de pouca importância?
Ele tem até comunidade no orkut, http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=29257847 !),
... e comemorar os 7 anos da minha Flor nheengatu,
Potyra da Paz Rickli... minha neta.
Com tanto a fazer, como escrever pro blog? Quem sabe então o jeito seja combinar as coisas... e mandar uma pequena (e brincalhona) peça de prosa poética.
Qual é a dessa prosa... podemos conversar depois, se vocês quiserem.  - Sugiro que façam comentários aqui mesmo no blog: eu também recebo por e-mail, e a conversa fica mais democrática, menos exclusora!...
Em tempo: um beija-flor verde-metálico dança alucinadamente em frente à minha janela enquanto escrevo isto.
Um colibri como o acima, que o próprio Carlinhos fotografou em 2004 perto de Curitiba, no sítio do Mário Barbariolli - o cérebro e mão inicial da obra em Praia Grande, e que há poucos dias hospedou em seu sítio do último dia da Expedición Donde Miras - http://expediciondondemiras.blogspot.com .
O beija-flor pousa no fio de luz. Estes dias espantou desse mesmo fio uma rolinha bem maior que ele. Deve ter ovos ou filhotes na mata que deixamos se formar na faixa de terra de 70 cm junto ao muro, em plena São Paulo. 
Penso: até seres tão doutro mundo como os colibris vivem os ritos todos do pôr filhotes no mundo, e de cuidá-los.
E um dia, então, também têm netos... Como é extraordinário mesmo, este mais ordinário dos mundos!
(E não é que acabou rolando prosa?... 
Mas por agora fui!)


RELATOS SACROS
DE UM TEMPO PROFANO QUALQUER
(Botucatu, 1991)
Nos dias em que havia uma abelha morta sobre a pia, levantou-se Miau, o Gato, do sítio que ocupava nas bandas do ocidente, e passou a fustigar os Gafanhotos, que desde a última lua haviam penetrado na região da Casa do Pão, assim chamada porque há muito se deixara um pedaço de pão sobre a mesa.
Ora, quando o corpo da abelha já começava a perder suas feições, levantou-se Zé, por ordem do senhor, e a removeu da pia que desde há tempos ocupava, e deu início a um novo tempo. Este, porém, não foi respeitado por Miau, o Gato, pois que os Gafanhotos igualmente ignoravam as ordens do senhor e continuavam a viver segundo a concupiscência de suas verdes carnes.
Então se enfureceu o senhor sobremaneira e ordenou que a Casa do Pão fosse derribada. Ao ser informado disso, terminou Zé de rasgar suas já puídas vestes, lançou-se ao chão e, rastejando entre os vermes, implorou ao senhor que abrandasse o seu coração.
E eis que o senhor se compadeceu e enviou uma aranha, a qual desenrolou sua teia por sobre a porta do banheiro, e uma vez estendida a teia sobre a porta do banheiro, o senhor se pronunciou, e disse: enquanto durar a teia ora estendida sobre a porta do banheiro, se estenderá um Novo Tempo de Caça aos Gafanhotos, e não mais punirei quem lhes der caça, pois eis que Eu declarei este tempo o Segundo Tempo de Caça aos Gafanhotos, e minha palavra será vossa lei.
E enquanto durou a teia, Miau, o Gato, caçou, e toda sua tribo, e juntos caçaram e se refestelaram, e já os Gafanhotos escasseavam quando o senhor enviou o Sabiá, que deu início a um outro tempo, de cujos fatos darei conta porém no Livro Quinto.
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