Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

19 dezembro 2009

MEGALOMANIA DE QUEM, CARA PÁLIDA?

Enviei a seguinte mensagem para o Painel do Leitor da Folha hoje. Pouco provável que publiquem, e menos provável ainda que inteira. Por essas e outras compartilho também por outros canais.

Lemos na própria Folha de hoje (19.12.2009): "Lula ... recebeu em seu hotel Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) e Gordon Brown (Reino Unido), além do premiê chinês, Wen Jiabao. Os europeus, segundo o Itamaraty, procuraram Lula em busca de mediação com o G-77, dos países em desenvolvimento. Depois, o brasileiro faria a ponte entre Obama e Wen, na busca de uma linguagem adequada para atender aos dois antagonistas no texto final."
 
Incontáveis outras fontes confirmam os fatos e reforçam a imagem.
 
E aí Clóvis Rossi me sai com essa: "Quando Lula abandona a megalomania de acreditar que o que diz será seguido pelo mundo todo, quando fica claro que não funcionam suas seguidas ameaças de telefonar para Obama e Hu Jintao para enquadrá-los, aí sim o Brasil sai bem na foto."
 
O mundo inteiro 'babando' pelas habilidades do nosso presidente já demonstradas na prática... mas é a Folha quem detém o critério para avaliá-lo. Megalomania de quem, cara pálida?
 
Ralf Rickli

papel de Lula em Copenhague, na própria Folha

Destaco para os amigos algumas coisas em vermelho na matéria abaixo. (Consuelito, cuando escribí Três raízes, dez mil flores, en 1992, dijiste que lo único que no te gustó fué cuando yo dije que, si Brasil tiene una misión histórica, esa sólo puede tener que ver con la forma adecuada de encontrar el otro, el diferente; 'com a descoberta do que é o comum entre nós, [...] não pela destruição das diferenças, mas pelo aprofundamento da nossa visão até para além delas". Eso te pareció tontería en aquel momento...) Ralf
 

 
Reprodução da versão na Folha impressa (restrita):
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1912200903.htm
 
São Paulo, sábado, 19 de dezembro de 2009

COPENHAGUE 2009

Lula faz ponte entre EUA e China

Brasileiro foi procurado por líderes de países ricos que tentavam dialogar melhor com emergentes

Discurso do presidente indicou frustração e foi o mais aplaudido na plenária; "Todos poderíamos oferecer um pouco mais", afirmou


DOS ENVIADOS A COPENHAGUE

Nenhum dos líderes que subiu ontem ao púlpito do Bella Center, o centro que abrigou a malfadada conferência do clima da ONU, foi tão aplaudido como Luiz Inácio Lula da Silva.

Por cerca de dez minutos, 119 chefes de Estado e de governo, reunidos para tentar salvar um acordo no último minuto, ouviram um Lula tão frustrado quanto eloquente. Falando de improviso, chamou a atenção dos países desenvolvidos por falharem no que poderia ser o acordo do século e lamentou as consequências do fracasso para os países mais vulneráveis.

Quatro longas salvas de palmas pontuaram o momento, que em nada lembrou a morna fala da véspera, quando o brasileiro elencara boas intenções sem surpreender nem cativar.

E, diferentemente da quinta-feira, Lula pôs um trunfo na mesa para tentar destravar o impasse fermentado nos últimos 12 dias: uma oferta de contribuição em dinheiro para um fundo global do clima, como a Folha havia adiantado já na quarta-feira que o Brasil faria.

"Se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para ajudar os outros países", disse, sem detalhar. "Estamos dispostos a participar do financiamento se nós nos colocarmos de acordo numa proposta final, aqui."

Mas, após uma reunião com outros líderes que adentrou a madrugada e que continuaria horas depois, o presidente se mostrava sem esperança. "Se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e colocará na nossa cabeça a inteligência que faltou até agora."

A fala catalisou os ânimos no evento. Minutos depois Barack Obama assumiria o púlpito com um discurso cheio de senões, em que repassou aos chineses a responsabilidade pelo fracasso que, para a maioria das delegações, cabia a ele.

Mediação
A performance de Lula contrastou não só com a do presidente americano, mas com a de sua chefe de delegação, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que sumiu de cena quando o presidente chegou.

Desde suas primeiras horas em Copenhague, Lula encarnou o papel de articulador entre ricos e emergentes.
Recebeu em seu hotel Nicolas Sarkozy (França), Angela Merkel (Alemanha) e Gordon Brown (Reino Unido), além do premiê chinês, Wen Jiabao. Os europeus, segundo o Itamaraty, procuraram Lula em busca de mediação com o G-77, dos países em desenvolvimento.

Depois, o brasileiro faria a ponte entre Obama e Wen, na busca de uma linguagem adequada para atender aos dois antagonistas no texto final.

Mas os resultados do esforço não satisfizeram o presidente, que saiu do Bella Center, sem falar à imprensa, direto para o aeroporto. As pistas de seu estado de espírito transpiraram da plenária: "Todos poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos".

Lula cedeu na questão financeira e, sobretudo, propôs reduções ambiciosas nas emissões de gases-estufa pelo país.

Só não recuou no que o Brasil sempre pôs como inegociável: assinar um acordo que desmontasse o Protocolo de Kyoto, único documento legal contra o aquecimento global, que fixa diferenças nas responsabilidades de países desenvolvidos e em desenvolvimento. Ele expira em 2012.
(LC, CA, MS)


O DISCURSO REFERIDO ESTÁ AQUI, NA ÍNTEGRA:
 

O discurso de Lula em Copenhague

Atualizado e Publicado em 18 de dezembro de 2009 às 18:13

Senhor presidente, senhor secretário geral, senhores e senhoras chefes de Estado, senhores e senhoras chefes de governo, amigos e amigas.

Confesso a todos vocês que estou um pouco frustrado. Porque há muito tempo discutimos a questão do clima e cada vez mais constatamos que o problema é mais grave do que nós possamos imaginar. Pensando em contribuir para a discussão nesta conferência, o  Brasil teve uma posição muito ousada. Apresentamos as nossas metas até 2020.

Assumimos um compromisso e aprovamos no Congresso Nacional, transformando em lei, que o Brasil, até 2020, reduzirá as emissões de gases de efeito estufa de 36,1% a 38,9%, baseado em algumas coisas que nós consideramos importantes: mudança no sistema da  agricultura brasileira; mudança no sistema siderúrgico brasileiro; mudança e aprimoramento da nossa matriz energética, que já é uma das mais limpas do mundo, e assumimos o compromisso de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020.

E fizemos isso construindo uma engenharia econômica que obrigará um país em desenvolvimento, com muitas dificuldades econômicas, a gastar até 2020 US$ 166 bilhões, o equivalente a US$ 16 bilhões por ano. Não é uma tarefa fácil, mas foi necessário tomar  essas medidas para mostrar ao mundo que, com meias palavras e com barganhas, a gente não encontraria uma solução nesta Conferência de Copenhague.

Tive o prazer de participar ontem à noite, até às duas e meia da manhã, de uma reunião que, sinceramente, eu não esperava participar, porque era uma reunião onde tinha muitos chefes de Estado, figuras das mais proeminentes do mundo político e,  sinceramente, submeter chefes de Estado a determinadas discussões como nós fizemos antes (ontem), há muito tempo eu não assistia.

Eu, ontem, estava na reunião e me lembrava do meu tempo de dirigente sindical, quando estávamos negociando com os empresários. E por que é que tivemos essas dificuldades? Porque nós não cuidamos antes de trabalhar com a responsabilidade com que era  necessário trabalhar. A questão não é apenas dinheiro. Algumas pessoas pensam que apenas o dinheiro resolve o problema. Não resolveu no passado, não resolverá no presente e, muito menos, vai resolver no futuro. O dinheiro é importante e os países pobres precisam de dinheiro para manter o seu desenvolvimento, para preservar o meio ambiente, para cuidar das suas florestas. É verdade.

Mas é importante que nós, os países em desenvolvimento e os países ricos, quando pensarmos no dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, não pensemos que estamos dando uma esmola, porque o dinheiro que vai ser colocado na mesa é o pagamento  pela emissão de gases de efeito estufa feita durante dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro.

Não é uma barganha de quem tem dinheiro ou quem não tem dinheiro. É um compromisso mais sério, é um compromisso para saber se é verdadeiro ou não o que os cientistas estão dizendo, que o aquecimento global é irreversível. E, portanto, quem tem mais  recursos e mais possibilidades precisa garantir a contribuição para proteger os mais necessitados.

Todo mundo se colocou de acordo que precisamos garantir os 2% de aquecimento global até 2050. Até aí, todos estamos de acordo. Todo mundo está consciente de que só é possível construirmos esse acordo se os países assumirem, com muita responsabilidade, as suas metas. E mesmo as metas, que deveriam ser uma coisa mais simples, tem muita gente querendo barganhar as metas. Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade nos últimos períodos.

Todos nós sabemos que é preciso, para manter o compromisso das metas e para manter o compromisso do financiamento, a gente, em qualquer documento que for aprovado aqui, a gente tem que manter os princípios adotados no Protocolo de Kyoto e os princípios  adotados na Convenção-Quadro. Porque é verdade que nós temos responsabilidades comuns, mas é verdade que elas são diferenciadas.

Eu não me esqueço nunca que quando tomei posse, em 2003, o meu compromisso era tentar garantir que cada brasileiro ou brasileira pudesse tomar café de manhã, almoçar e jantar. Para o mundo desenvolvido, isso era coisa do passado. Para a África, para a América Latina e para muitos países asiáticos, ainda é coisa do futuro. E isso está ligado à discussão que estamos fazendo aqui, porque não é discutir apenas a questão do clima.

É discutir desenvolvimento e oportunidades para todos os países. Eu tive conversas com líderes importantes e cheguei à conclusão de que era possível construir uma base política que pudesse explicar ao mundo que nós, presidentes, primeiros-ministros e especialistas, somos muito responsáveis e que iríamos encontrar uma solução. Ainda acredito, porque eu sou excessivamente otimista. Mas é preciso que a gente faça um jogo, não pensando em ganhar ou perder. É verdade que os países que derem dinheiro têm o direito de exigir a transparência, têm direito até de exigir o cumprimento da política que foi financiada. Mas é verdade que nós precisamos tomar muito cuidado com essa intrusão nos países em desenvolvimento e nos países mais pobres. A experiência que  nós temos, seja do Fundo Monetário Internacional ou seja do Banco Mundial nos nossos países, não é recomendável que continue a acontecer no século XXI.

O que nós precisamos... e vou dizer, de público, uma coisa que eu não disse ainda no meu país, não disse à minha bancada e não disse ao meu Congresso: se for necessário fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a colocar dinheiro também para  ajudar os outros países. Estamos dispostos a participar do financiamento se nós nos colocarmos de acordo numa proposta final, aqui neste encontro.

Agora, o que nós não estamos de acordo é que as figuras mais importantes do planeta Terra assinem qualquer documento, para dizer que nós assinamos documento. Eu adoraria sair daqui com o documento mais perfeito do mundo assinado. Mas se não tivemos condições de fazer até agora - eu não sei, meu querido companheiro Rasmussen, meu companheiro Ban Ki-moon - se a gente não conseguiu fazer até agora esse documento, eu não sei se algum anjo ou algum sábio descerá neste plenário e irá colocar na nossa cabeça a inteligência que nos faltou até a hora de agora. Não sei.

Eu acredito, como eu acredito em Deus, eu acredito em milagre, ele pode acontecer, e quero fazer parte dele. Mas, para que esse milagre aconteça, nós precisamos levar em conta que teve dois grupos trabalhando os documentos aqui, que nós não podemos  esquecer. Portanto, o documento é muito importante, dos grupos aqui.

Segundo, que a gente possa fazer um documento político para servir de base de guarda-chuva, também é possível fazer, se a gente entender três coisas: primeiro, Kyoto, Convenção-Quadro, MRV, não podem adentrar a soberania dos países - cada país tem que  ter a competência de se autofiscalizar - e, ao mesmo tempo, que o dinheiro seja colocado para os países efetivamente mais pobres.

O Brasil não veio barganhar. As nossas metas não precisam de dinheiro externo. Nós iremos fazer com os nossos recursos, mas estamos dispostos a dar um passo a mais se a gente conseguir resolver o problema que vai atender, primeiro, a manutenção do  desenvolvimento dos países em desenvolvimento. Nós passamos um século sem crescer, enquanto outros cresciam muito. Agora que nós começamos a crescer, não é justo que voltemos a fazer sacrifício.

No Brasil ainda tem muitos pobres. No Brasil tem muitos pobres, na África tem muitos pobres, na Índia e na China tem muitos pobres. E nós também compreendemos o papel dos países mais ricos. Eles, também, não podem ser aqueles que vão nos salvar. O que  nós queremos é apenas, conjuntamente, ricos e pobres, estabelecer um ponto comum que nos permita sair daqui, orgulhosamente, dizendo aos quatro cantos do mundo que nós estamos preocupados em preservar o futuro do planeta Terra sem o sacrifício da sua principal espécie, que são homens, mulheres e crianças que vivem neste mundo.

Muito obrigado

18 dezembro 2009

Lula e Obama: um FATO e um FACTÓIDE da História

Primeiro a notícia, que já está circulando velozmente por aí, e depois o meu comentário:
 

Críticos elogiam Lula e falam em "decepção" sobre Obama
18 de dezembro de 2009 • 13h09 • atualizado às 15h25

Lúcia Müzell
Direto de Copenhague

Um discursou logo após o outro no plenário da Conferência do Clima de Copenhague, na Dinamarca, mas os resultados das falas dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama foram diametralmente opostos nos corredores do Bella Center, onde acontece o evento. Enquanto Lula entusiasmou os poucos otimistas que ainda restam no centro de conferências, Obama foi alvo de críticas e decepcionou os que esperavam que ele pudesse mudar o rumo das negociações na reta final.

As diferenças já puderam ser vistas durante os pronunciamentos: Lula teve quatro vezes o discurso interrompido por aplausos, enquanto Obama nenhuma vez - apesar de as palavras do americano serem as mais aguardado de todo o evento. Ao final dos discursos, mais uma vez as palmas enfáticas para o brasileiro se distanciaram dos aplausos meramente protocolares dispensados ao americano.

"O Lula mandou muito bem e abriu a porta para quem sabe as negociações tomarem outro rumo", disse Paulo Adário, um dos coordenadores do Greenpeace Brasil. Adário elogiou a postura de vanguarda que o Brasil assumiu, ao oferecer contribuição financeira para o Fundo Global de Mudanças Climáticas para os países pobres. "A gente sabe que o Brasil não é mais nenhum Haiti e vínhamos cobrando isso há anos do presidente. Ele fez o que a gente esperava dele."

O coordenador da ONG Vitae Civilis, Rubens Harry Born, destacou que a fala improvisada de Lula fez toda a diferença. "Ele foi ele mesmo, falou com o coração e passou uma mensagem muito legal de comprometimento. Acho que essa postura pode ter efeitos nas negociações", afirmou Born.

O francês Fabrice Bourger, membro da delegação do seu país, achou que o país deu um exemplo "sem precedentes" e que o discurso de Lula o aproxima ainda mais dos europeus. "Foi constrangedor para os outros países. Mas, sinceramente, nós não esperávamos outra coisa de Lula", afirmou Bourger. "Ele se destaca de todos os outros líderes com essa posição aberta ao diálogo, sem perder a firmeza e a determinação."

Obama: "mico da história"
Já as palavras em relação a Obama foram bem diferentes. "Arrogante", "estúpido", "burocrático" e autor de um "mico histórico" são apenas algumas das definições empregadas nos corredores da COP-15.

"Uma parte, foi de palavras da boca para a fora (como a frase de que "não se pode mais perder tempo" para salvar planeta). E a outra, um verdadeiro absurdo. Foi um mico histórico", disse Born. Para o coordenador da Vitae Civilis, Obama só reforçou o discurso intransigente que os Estados Unidos vinham defendendo na Cúpula do Clima e não trouxe nenhuma novidade. E ainda usou como desculpa para a falta de ação um argumento que todos os países democráticos poderiam utilizar, se quisessem: o de que não pode fazer nada sem a aprovação prévia do Congresso de seu país.

Adário, do Greenpeace, foi ainda mais duro. "A postura do Obama naquele púlpito foi socialmente arrogante e politicamente estúpida. Não está nem perto de assumir a posição de liderança que as pessoas esperavam dele", afirmou, destacando que as três condições impostas pelo americano para que assine um acordo - transparência, verificação das ações e metas de redução baixas - devem manter as negociações travadas.

Também a ausência de especificações sobre quanto os Estados Unidos estarão dispostos a contribuir para fundo internacional de financiamento decepcionaram. Obama garantiu apenas que o país vai entrar com recursos, mas não detalhou nem quanto, nem quando. Bourger, negociador francês, preferiu não se estender nos comentários, mas não escondeu a decepção. "Acho que os esforços da Europa não foram suficientes para mudar nem um milímetro da posição americana."

Também o ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou o presidente americano e disse que o seu discurso "foi uma desgraça". "O Obama foi muito frustrante. Parecia até que o Lula tinha mais responsabilidades do que ele no plano climático mundial, de tanto que o Obama falou mal¿.

COP-15
A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, de 7 a 18 de dezembro, que abrange 192 países, vai se reunir em Copenhague, na Dinamarca, para a 15ª Conferência das Partes sobre o Clima, a COP-15. O objetivo é traçar um acordo global para definir o que será feito para reduzir as emissões de gases de efeito estufa após 2012, quando termina o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto.


Valeu, Penha! 
 
Bom, a palavra pra Obama é mesmo decepção, um dos maiores xabus da História... 
 
Briguei aqui na lista nos dias da posse porque achava necessário apreciar a beleza daquele momento... e manter a esperança viva enquanto desse. 
 
E já não deu mais faz tempo. Ao que parece toda a realização histórica desse cara terá sido ganhar aquela eleição, em seguida ele podia sair de cena rapidinho...
 
(Verdade é que a mudança de tom dele foi tão extrema, que muitas vezes chego a desconfiar que ele é literalmente refém dentro da Casa Branca, obrigado a falar as baboseiras que vem falando, sob risco para si e/ou família).
 
" Eu queria poder dizer OBA,MAS... "
 
Quanto ao Lula, bom...  podem me jogar quanta pedra quiserem, não vai mudar meu sentimento: se tivesse como, eu já estava apoiando campanha dele para Presidente do Mundo :-D 
 
(Aliás, esse está sendo efetivamente o sentimento de muita gente mundo afora a respeito dele. O único cara que chegou a uma mobilização comparável da opinião pública mundial, ao longo dos meus 53 anos, foi o Gorbatchov... mas o Lula com certeza o ultrapassou, pq o prestígio do Gorbatchov foi quase só externo, internamente na URSS foi muito pouco).
 
ZéRR
 

17 dezembro 2009

celebração nada formal para uma FORMATURA

Meu Deus, isso foi anteontem: ela recém-chegada da maternidade... 
 
E aí ontem, de repente, lá ela estava ela na Escola de Sociologia e Política de São Paulo,
tirando um 10 na defesa da sua monografia A Imagem do Servidor Público,
saindo bacharel em Sociologia e Política, e de quebra mestranda em Sociologia na PUC...
 
http://ralf.r.tropis.org/fotos/831228-3irmaos2.jpg
 
Minha filhota Ana Estrella... 
será que ela vai ficar braba com este meu abraço público corujíssimo, pra lá de babão??
 
(Obs.: quanto ao filhote que aparece na foto recebendo a irmãzinha - junto com a outra irmã minha enteada - 
ele que não pense que julgo sambas como menos importantes que uma monografia acadêmica!
Afinal, que uma árvore com raízes na Suíça acabe dando samba e do bom,
isso é um dos maiores gostos dessa minha vida!...)
 
Enfim, pessoal: sei que esta forma de celebrar pode parecer meio estranha, mas...
vocês me conhecem: de mim não poderiam esperar que não parecesse, não é? :-D
ABRAÇOS GRANDES EM TODO MUNDO!!
 
ZéRR

SERÁ QUE AINDA NÃO PERCEBEMOS O TAMANHO DO ESCÂNDALO? (ZL de Sampa ainda inundada para proteger o resto)

Coleguinhas, parte considerável da cidade em que moramos continua transfomada numa Veneza fluvial - e infecta -, e isso não por fatalidade natural, e sim por gritante incúria, irresponsabilidade, incompetência no gerenciamento de um sistema já estabelecido há mais de meio século.
 
Mas tem mais uma coisa que me choca: só por sorte nós mesmos não moramos numa várzea dessas... É a nossa cidade, nossa pólis, nossos concidadãos que estão com suas casas com água pela metade... e a maior parte de nós não só não está gritando, como também nem se dando o trabalho de estar sabendo disso!!
 
Terça última (15/12) escrevi no meu Facebook: "... se eu tenho uma mínima noção do sistema, isso não é possível sem que essa água esteja sendo RETIDA lá intencionalmente para não aparecer em lugares onde dá mais na vista". Não deu outra: na reportagem abaixo um engenheiro confessa candidamente que a opção foi essa, e mais: entrega que o sistema de barragens do Tietê é administrado como na idade da pedra, não existe nem comunicação entre as equipes das diferentes barragens!
 
O que acabou com a carreira política do Bush não foram as aberrações da sua atuação no nível internacional (que infelizmente o Obama está mostrando que prefere continuar), e sim sua inércia diante de New Orleans inundada.
 
E nós, será que não estamos enxergando o tamanho da gravidade desta interminável seqüência de barbeiragens na terceira maior cidade do mundo? Isso é caso para impeachment nos primeiros escalões e defenestração em massa na cúpula dos múltiplos órgãos envolvidos. Será que não estamos percebendo o tamanho do escândalo?

17/12/2009 - 07h00

Comportas fechadas na barragem da Penha para proteger a marginal ajudaram a alagar a zona leste de SP

Fabiana Uchinaka
Do UOL Notícias
Em São Paulo

 
As seis comportas da barragem da Penha, na zona leste de São Paulo, foram completamente fechadas às 2h50 do dia 8 de dezembro, dia em que a cidade enfrentou fortes temporais e viu diversos pontos alagarem como há muito tempo não se via. Somente dois dias depois, às 17h20, todas as comportas foram abertas. Os dados, fornecidos pelo engenheiro responsável pela barragem, João Sérgio, indicam que houve uma clara escolha da empresa responsável: alagar os bairros pobres da zona leste para evitar o alagamento das marginais e do Cebolão, conjunto de obras que fica no encontro dos rios Tietê e Pinheiros.

"Mesmo fechando as comportas, encheu o [córrego] Aricanduva. Se eu não tivesse fechado aqui, teria alagado as marginais e toda São Paulo", justificou Sérgio, que explicou que a decisão vem da direção da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia). Ele acrescentou ainda que no dia 9 duas comportas foram abertas às 10h10 e mais duas às 21h.
 
O engenheiro argumenta que cada barragem (são quatro em São Paulo: Móvel, Penha, Mogi das Cruzes, Ponte Nova) é responsável apenas por administrar o fluxo de água do local e não sabe o que acontece nos outros pontos, porque não há comunicação. Mas ele acredita que as comportas foram abertas nas barragens de cima, em Mogi, e isso influenciou no alagamento da região da zona leste.

"Não recebo informações de outras barragens. As de cima são administradas pela Sabesp e as de baixo pela Emae. Eu só respondo por essa barragem e às ordens da Emae", disse. "Também acho estranho o nível da água não baixar aqui e não sei por que está indo para os bairros, mas não precisa ser especialista para ver que está assoreado [o rio]".

Ele trabalha há quase 15 anos no local e conta que desde o governo de Orestes Quércia (1987-1991) não são colocadas dragas para desassorear o rio na parte que fica acima da barragem. "O governo tentou colocar de novo, mas a própria Secretaria de Meio Ambiente não deixou, porque não tinha bota-fora [local para despejar a terra retirada]", afirmou.

O desassoreamento do rio daria mais velocidade ao escoamento da água e aumentaria a área de reserva de água perto da barragem, o que impediria o transbordamento para os bairros adjacentes.

Para Ronaldo Delfino de Souza, coordenador do Movimento de Urbanização e Legalização do Pantanal, o governo fez uma opção. "Ou alagava a marginal ou matava as pessoas no Pantanal. E matou", disse. "E ainda bota a culpa nas moradias. O Estado só se preocupa com o escoamento de mercadorias, só pensa em rodovia. Vida humana não importa".

Moradores e deputados estaduais fizeram nesta quarta-feira (17) uma inspeção no local para saber se a abertura das comportas tinha relação com o alagamento no Jardim Romano e no Jardim Pantanal, que já dura nove dias.

O movimento, formado por moradores de diversos bairros localizado na várzea do rio Tietê, acusa o governo do Estado e a prefeitura de manterem a água represada além do necessário como forma de obrigar as famílias a deixarem a região, onde será construído o Parque Linear da Várzea do Rio Tietê. Há anos, os moradores resistem em sair dali, porque dizem que o governo não apresenta um projeto habitacional concreto e apenas oferece uma bolsa-aluguel.

"Não era para as máquinas estarem trabalhando aqui? Cadê? Não tem um funcionário do governo aqui", reclamou, apontando para as ilhas que aparecem no meio do rio, logo acima da barragem da Penha. As dragas são vistas somente na parte de baixo da construção.
 
"Os córregos do Pantanal já estavam muito cheios três dias antes da chuva. Como não abriram a barragem sabendo que ia chover?", perguntou Souza, indignado. "O que a gente viu aqui é que não houve possibilidade de escoamento, porque a água ultrapassou o nível das comportas e não tinha velocidade para descer, não tinha gravidade", concluiu.

Segundo os registros da barragem, no dia 8 a água ficou acima do nível das comportas por 5 a 6 horas. Sérgio explicou que a queda do rio Tietê é de apenas 4% e por isso a vazão demora cerca de 72 horas desde a barragem de Mogi das Cruzes até o centro da cidade -- isso sem chuva. "É demorado, sempre foi", disse.

"Imagina o que uma hora de comportas fechadas não faz de estrago lá no Pantanal", falou Souza, diante dos dados. "Se fecha aqui, a água para de novo, perde velocidade e vai demorar mais 72 horas para descer", afirmou.
  •  Foto Rogério Cassimiro/UOL, retrabalhada

    Garoto passeia a cavalo pelas águas represadas do Jardim Romano, na zona leste
    Foto de Rogério Casemiro / UOL, retrabalhada


Os deputados estaduais que acompanharam a inspeção concordam con a teoria dos moradores. "Foi feita uma escolha e a corda estourou do lado mais fraco", afirmou o deputado estadual Raul Marcelo (PSOL). "É uma questão grave. A falta de comunicação e de um gerenciamento unificado são prova de uma falta de governância e de um planejamento na administração das barragens, o que levou, em grande parte, ao fato do bairro do Pantanal ter sido alagado".

"Há uma estranha coincidência de que no momento da desocupação há um alagamento desses e ninguém consegue escoar a água. Não havia uma inundação dessas há 15 anos e o nível das águas está subindo mesmo sem chuva. É muito estranho e as autoridades têm que explicar", completou o deputado estadual Adriano Diogo (PT).

Eles farão um relatório sobre a inspeção e pretendem denunciar o caso, junto com a situação da estação de tratamento de esgoto (leia aqui), aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.
 

09 dezembro 2009

Sacada de L.C.Azenha: Serra / Kassab = Maluf / Pitta

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.'
 
Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.
( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

Facebook | Ralf Rickli

'Serra desaparece e joga Kassab no fogo. Como Maluf fazia com o Pitta.' - Brilhante sacada de Luiz Carlos Azenha em seu site VIOMUNDO, hoje.

( http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/vermelho-problemas-serra-foge-e-joga-o-kassab-no-fogo/ )

08 dezembro 2009

TUPI OR NOT TUPI, to me that's not a question anymore

Além da pura questão da beleza, suficiente para compartilhar a foto... sugiro que se repare nos rostos dos jovens índios - e dos 'não-índios' logo atrás... e de seus amigos, parente, você mesmo...  Somos ou não somos? :-D
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-adolescindios1.jpg
 
material selecionado e compartilhado por
......................................................................
Ralf Rickli • arte em idéias, palavas & educação
http://ralf.r.tropis.org • 11 8552-4506 • São Paulo

DILÚVIO POR DILÚVIO...

http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-apugomes.jpg
 
Quando falo que pretendo me mudar pro litoral de novo assim que possível, muitos me perguntam se não tenho medo de 2112...  Costumo responder que já sobrevivi a pelo menos três "apocalipses" prevists e alardeados... e a hora que tiver que ser, será de qualquer jeito.
 
Em cinco dias é a segunda vez que vejo fotos "oceânicas" de São Paulo. Se a questão é medo d'água, quem diz que ficr aqui é mais seguro?
 
http://www.tropis.org/imagext/091208-chuva-luizguarnieri.jpg
Fotos de Luis Guarnieri e de Apu Gomes publicadas em http://noticias.uol.com.br/album/091208chuvasp_album.jhtm

02 dezembro 2009

Sobre o 2.º artigo de César Benjamin na Folha (02.12.2009)

O blog do Luis Nassif reproduz, para não-assinantes ( http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/02/cesar-benjamin-o-ataque-foi-politico/ ), o artigo de hoje em que César Benjamin defende o inacreditável lixo jornalístico-ficcional que publicou na Folha em 27.11 passado, onde acusava Lula de haver confessado leviana e alegremente a tentativa de estupro de um colega de prisão em 1980. O primeiro artigo já foi rechaçado e desmontado por dezenas de outros, até mesmo em redutos de direita como o Estadão. Me limito aqui a reproduzir a espécie de resposta aberta que mandei para o Painel do Leitor da Folha, bem como para a página do Nassif (na própria página e no Google Sidewiki - já conhecem?)
 
Sr Benjamin, sou um sujeito extremamente temeroso de fascismos e fascistismos, seja qual for o sinal ou coloração que se autoatribuem. Ao voltar ao Brasil em 1982 tentei colaborar com o PT numa cidade do interior, e a "O" que havia começado a organizar o PT na cidade começou a fazer reuniões secretas sobre como me neutralizar, porque minhas propostas não estavam de acordo com o catecismo da "O" - sobre o qual eu não podia me posicionar pois nem sabia que existia.
 
Mesmo tendo passado por essas, NADA do que o Sr Lula fez até hoje me deu medo, me fez sentir o menor tremor no meu sensor anti-fascismo. Até mesmo o filme: celebrar valores e superações humanas reais nada tem a ver com endeusamento. Trabalho com jovens de periferia há 15 anos, e com certeza recomendaria o filme como exemplo encorajador (bem diferente, aliás, do modelo Walt Disney que - ai! - já vi usarem em ONGs desta área!).
 
Mas no SEU texto meu sensor anti-fascismo se eriçou de alto a baixo. Não por acaso o senhor apelou à sexualidade, foco da repressão-mãe-de-todas encalacrada na sociedade, forma mais fácil de provocar a projeção no outro, horrorizada, dos nossos próprios desejos recalcados e denegados.
 
Sugiro o estudo de Wilhelm Reich, Sr Benjamin. Seu 'Psicologia de Massas do Fascismo', 'O Assassinato de Cristo' e outros. Ficará patente que o seu artigo - e tantos outros atos da sua vida profissional que vieram à tona nessas dias - foram típicos do que Reich chama de "peste emocional".
 
Pode até ser que as razões para isso em sua biografia sejam fortíssimas e insuperáveis - mas seria MUITO bom que elas permanecessem em privado, não viessem empestar o espaço público. O povo brasileiro - hoje bem mais adulto e amadurecido do que o senhor imagina - ficará grato por isso.
 
Ralf Rickli
pedagogo e escritor

Re: PARADOXO EVANGÉLICO ou (infelizmente) APENAS UMA VARIAÇÃO DA REGRA DE SEMPRE?

Recebi do amigo Chico Lobo (não sei se redigido por ele ou repassado de outro) o texto que transcrevo inteiro abaixo, e depois passo a comentar:
 


PARADOXO EVANGÉLICO

Pastor Deputado ora agradecendo a "propina nossa de cada dia"...


É MUITA CARA DE PAU!!! ao mesmo tempo que confirmamos o brutal equívoco dos pastores evangélicos seguidores da famigerada "Teologia da Prosperidade" e seus estranhos (e nada honestos) conceitos de bençãos.


Assista  o vídeo de deputado distrital do DF, Rubens Brunelli, fazendo uma oração 


http://tvig.ig.com.br/193183/oracao-apos-receber-dinheiro.htm 

 

Eis o texto transcrito de sua oração:


"Somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra. Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares."

 

Nosso parecer:

-Fuja daquele que supostamente "em nome de Deus", venha lhe pedir dinheiro ou voto para eleger-se a cargo político, pois com certeza, quem usa do nome de Deus para angariar riquesas ou poderes, não merece sequer ser lembrados na história da humanidade.

 


 
Antes de mais nada, apesar de não duvidar de que a corrupção grasse solta por aí, quero sugerir certo cuidado com nossos "vereditos": o Lula está certíssimo ao dizer que "imagens não falam por si". Muita gente já foi morta por parecer, visivelmente, estar sacando uma arma quando estava, digamos, ajeitando as calças. Então realmente é preciso que todos os lados tenham sido amplamente ouvidos antes de se afirmar que o que estava acontecendo ali era isto ou era aquilo.
 
Mas depois deste relativo atenuante quero é agravar a acusação:
 
Por quê damos tanta atenção à apropriação indébita explícita dos atos que batizamos de corrupção?
 
O motor central do sistema capitalista é apropriação indébita. A cada salário que é pago, o pagador está descontando significativa parte do que o trabalhador produziu, mais ou menos como prêmio a si mesmo por organizar e manter o sistema.
 
Esse roubo se expressa na imposição unilateral de quanto vale a hora de trabalho de cada um: o patrão define sozinho quanto vale a hora de trabalho de um trabalhador e quanto vale a sua - que, aliás, nem sempre é exatamente de trabalho. (Ou seja: admito que muitas vezes o patrão trabalha pesado sim; mas a hora que bem entende ele pode oferecer um luxuoso dolce far niente [doce fazer nada] à sua familiagem ou a si mesmo).
 
Enfim: sistema capitalista é roubo implícito o tempo todo... e os evangélicos nunca tiveram nenhum problema com esse sistema! Ao contrário, Max Weber mostra que foi o modo de pensar evangélico que permitiu o desenvolvimento do capitalismo.
 
Pois o evangélico investe fortemente num elemento judeu repassado ao cristianismo: a idéia de que o Deus supremo do Universo seja capaz de escolher um grupinho de humanos como seu querido, desprezando o resto da humanidade.
 
Esse Deus agracia especialmente quem mais lhe leve presentes e mais lhe puxe o saco - o que é a tradução popular da palavra "louvor". Ou seja: cultuam precisamente a imagem (mesmo se mental) do Corrupto-Mor.  (Atenção, não estou dizendo que Deus é assim! Estou dizendo que se há alguém que mereça ser chamado de Deus, não será assim).
 
Finalmente, talvez uma das maiores funções da religião até hoje tenha sido produzir legitimações imaginárias para o ilegítimo, propondo ou impondo uma outra ética baseada numa "revelação" que alguns poucos tiveram, no lugar da "ética natural" (se eu posso me expressar assim), que é simplesmente o respeito a qualquer outro como "um outro eu" de igual dignidade e direito.
 
Assim, a religião legitimou que se entegassem milhões de pessoas à espada ou à fogueira, com apropriação dos seus bens, porque se tratava de uma guerra em nome de Deus (cruzadas, inquisição, conquista das Américas). E os que procedem assim sempre se julgam guerreiros, guiados por uma ética de guerra: se uma apropriação é em favor "dos fiéis" ela será por definição considerada legítima, pois "os fiéis" estariam a serviço de uma (suposta) causa maior, cuja grandeza e importância é tamanha que diante dela as leis e razões dos outros viram pó.
 
Não duvidem, então, que o pastor da oração que aparece no vídeo estivesse sendo sincero. Sentindo-se um "combatente do bom combate". Ou seja: não o julguem um monstro de cinismo.
 
Mas sinceridade nunca disse nada sobre legitimidade. Hitler era absolutamente sincero; acreditava mesmo no que dizia. Mas isso não é bastante para legitimar os seus atos. Não era um monstro de cinismo, era um monstro de convicção - um tipo ainda mais perigoso de monstro, porque mais sólido.
 
Recentemente escrevi o seguinte, num trabalho dirigido a pessoas que apostam na expressão Arte da Paz, mas buscam embasar a construção da paz em conhecimentos rotulados de "espirituais": "A paz nunca vai acontecer enquanto seres humanos não assumirem a responsabilidade integral de seus atos uns para com os outros, sem buscar justificações em instâncias a que o outro não tem acesso."
 
Isso não diz nada quanto a "o outro lado" existir ou não: quanto a isso, cada um que acredite no que quiser - mas só até o ponto em que isso não começar a servir como desculpa para ações prejudiciais aos colegas de humanidade.
 
Passou disso, é pretexto - seja da variante cínica, seja da sincera, ou seja: de quem se convenceu a si mesmo da própria mentira para começar.

25 novembro 2009

novas relações Brasil-FMI

manchete escondidinha em 25.11.09:
 
 Brasil aumenta aporte ao FMI e ganha poder de veto.
 
por hoje é só isso,
hora dessas vou escrever a respeito no meu blog.

(em tempo: tô sabendo que esse poder não é sobre a totalidade dos programas do FMI, só sobre o em que o Brasil participa)

20 novembro 2009

17 novembro 2009

lançamento "IMPACTO DOS MEIOS ELETRÔNICOS NA CRIANÇA E NO ADOLESCENTE"

Olhaí, pessoal, tenho diferenças consideráveis com o prof. Setzer, mas já vi uns trechos do Impacto dos meios eletrônicos na criança e no adolescente, e está um trabalho NOTÁVEL, não sei se existe outra compilação de informações semelhante em nível mundial.  Creio que realmente merece ser visto e circular!
 
( Afinal, este é ou não é um espaço de defesa do PLURALISMO ACIMA DE TUDO?  :-D .....  Ralf ) 

----- Original Message -----  From: Livraria Antroposófica 
 
Lançamento

DVD - ENTREVISTAS E PALESTRAS - Valdemar W. Setzer

Divulgamos o lançamento pela Editora Antroposófica do DVD com entrevistas e palestras feitas com o Professor Valdemar Setzer, cujos direitos de reprodução foram cedidos por instituições como o Fórum Permanente da Criança e do Adolescente da Escola da Magistratura do Rio de Janeiro, TV Espiritualista e Jovem Pan Online.

Valdemar Setzer é professor Titular aposentado do Depto. de Ciência da Computação do Instituto de Matemática e Estatística da USP, mas continua a dar aulas e orientar teses. Ele é membro da Sociedade Antroposófica desde 1971 e tem sido convidado por várias instituições para tratar de temas educacionais e filosóficos como, por exemplo, o impacto dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes, ciência e espiritualidade, o que é Antroposofia, etc.

Esperamos assim poder proporcionar ao público em geral mais uma forma de acesso, além dos livros, a questões importantes de nossa época à luz da Antroposofia. Este DVD contém uma extensa palestra sua sobre meios eletrônicos e educação, e entrevista sobre esse assunto, como também o que é a Antroposofia e como desenvolver a criatividade.

     
+ detalhes
por R$35,00
Para mudar a opção de recebimento deste e-mail, por favor, visite nosso site www.antroposofica.com.br/excluir_email.asp

Livraria virtual da Editora Antroposófica
Livros para o Autoconhecimento e a Ampliação Cultural

15 novembro 2009

Belezas peruanas em prol da associação Monte Azul

Pessoalmente não sou muito chegado nem em Natal, nem em shoppings, nem em organizações que usam a palavra "senhoras", mas há pelo menos 2 boas razões para estar passando adiante esta mensagem: 
1) É em prol da Associação MonteAzul, companheiros velhos de guerra, e eles merecem!
2) Como não babar diante da beleza da arte popular peruana? Confiram!    ......................  (Zé Ralf)
 

 
http://www.tropis.org/imagext/091100-natalperuano.jpg
Fonte original da imagem: http://www.monteazul.org.br/montenet/convite_feira_peruana2009.jpg
Versão nesta mensagem ligeiramente editada (margens brancas recortadas), hospedada no site tropis

14 novembro 2009

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias

 

Produtores do Circo Voador testam preconceito em agências bancárias
Enviado por Felipe Sáles - 13.11.2009 | 6h00m

Confira o vídeo que o Núcleo Audiovisual do Circo Voador fez sobre os critérios para lá de subjetivos que os seguranças de agências bancárias adotam na hora de permitir ou barrar clientes. A turma do Circo foi até uma agência do banco Itaú na Glória. Primeiro, entrou o produtor cultural Louzada, que é branco e não teve problemas. Em seguida, foi o MC Shackal, que é negro e... bem, confira você mesmo os procedimentos dos seguranças. Foi criado até um abaixo-assinado (clique aqui) para ser enviado à Federação Nacional de Bancos e ao Congresso.

A seguir a nota inclui o vídeo do youtube linkado abaixo, que mostra inequivocamente que HÁ PRECONCEITO RACIAL no controle da entrada de pessoas em bancos.  Só que quando se vai assinar a petição em http://www.petitiononline.com/porta/petition.html ... o texto dela é o seguinte:
 
To:  Usuários do serviço bancário do Brasil

Se VOCÊ se sentiu alguma vez agredido ou desrespeitado ao tentar entrar na SUA agência bancária para movimentar a SUA conta, ou seja, SEU dinheiro, assine o MANIFESTO PORTA NA CARA pedindo a mudança da porta de segurança das agências para um sistema de RAIO X ou um equipamento de segurança que realmente mostre os pertences que estão sendo conduzidos pelo cliente. As atuais portas são travadas até por uma moeda e você depende da boa vontade do vigilante para destravar a porta e permitir sua entrada no banco. Vamos mudar essa situação e pedir aos bancos que renovem seus equipamentos. Eles podem investir num equipamento de segurança melhor, que implique em menos constrangimento aos seus próprios clientes e usuários.
O Circo Voador acredita que as pessoas devam ser tratadas com dignidade. Agora queremos saber a SUA opinião.

Ou seja: NENHUMA menção à questão racial, que aparece com destaque no vídeo - e um apelo num tom que parece especial para agradar muito mais à classe média branca. Assinei a petição, mas não pude deixar de acrescentar o seguinte comentário:
 
Apesar de, como branco, também já ter passado constrangimento (p.ex. tirar cinto e entrar segurando as calças) não acho certo que este manifesto ignore a questão racial. A diferença que ela faz é estatisticamente significativa sim.
 
E exigir o treinamento/educação adequado dos seguranças é mais pertinente que pedir instalação de equipamentos, que sairão do nosso bolso e gerarão mais desemprego em lugar de educação.
 

12 novembro 2009

ARTE BRASILEIRA: exposição GRÁTIS até 10/12, acho q das imperdíveis

De 1992 a 2000 vi em Sampa grandes exposições organizadas de tal forma que me ajudaram demais a pensar o Brasil. Faz um tempo que não vejo notícias de exposições onde eu "fareje" o mesmo. Desconfio que esta aqui pode ser. 
 
Abraços ....  Zé
 

11/11/2009 - 22h01

Memorial monta exposição com grandes nomes das artes brasileiras

da Folha Online

Divulgação
http://f.i.uol.com.br/guia/exposicoes/images/09313390.jpeg
Tela "Fausto e Margarida", de
Pedro Américo, pode ser vista em SP

Di Cavalcanti, Candido Portinari, Tarsila do Amaral, Flávio Shiró... A lista de nomes que integram a exposição no Memorial da América Latina (região oeste da cidade de São Paulo) é grande.

A eles, se alinham Brecheret --cujas obras já estão em dois espaços culturais na cidade de São Paulo--, Benedito Calixto, Almeida Jr., Ismael Néri, Antonio Dias, Livio Abramo e Sérvulo Esmeraldo.

Ao todo, são 45 artistas de várias gerações, cujas obras surgiram nas últimas décadas do século 19 até a primeira metade do século 20.

O lado pitoresco é que as telas e as peças escolhidas costumam ficar expostas em outros lugares, como a Pinacoteca do Estado, o MAC (Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo) e os palácios do governo.

"São quadros que dificilmente saem dos museus", conta o curador João Spinelli. "Tivemos que insistir bastante."

A exposição, que faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil, fica aberta até 10 de dezembro.

Informações sobre eventos gratuitos e populares podem ser consultadas no site Catraca Livre.

Memorial da América Latina - Galeria Marta Traba - av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3823-4600. Até 10/12. Grátis. Classificação etária: livre.

http://guia.uol.com.br/exposicoes/ult10048u650020.shtml
As informações estão atualizadas até a data acima (11/11). Sugerimos contatar o local para confirmar as informações.

09 novembro 2009

89% querem que governo INTERVENHA MAIS no sentido de DISTRIBUIR :-D

09/11/2009 - 06h48

No Brasil, 64% querem maior controle do governo na economia


A pesquisa feita a pedido da BBC em 27 países e divulgada nesta segunda-feira revelou que 64% dos brasileiros entrevistados defendem mais controle do governo sobre as principais indústrias do país.

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de "impressionante" os resultados do país.

"Não é que as pessoas digam, sem pensar, 'sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas'. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso", disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo "tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico" (35%) foi maior que a média mundial (23%).

Enquanto isso, apenas 8% dos brasileiros opinaram que o sistema "funciona bem e mais regulação o tornaria menos eficiente", contra 11% na média mundial.
 
[ Reparem só: 
 

 

Capitalismo
funciona
bem

 

Precisamos
de outro
sistema

Média outros 26 países

11 %

x

23 %

Brasil

8 %

x

35 %

 
Estão vendo o que isso quer dizer? Se democracia algo fosse levado realmente a sério,
o capitalismo já teria que estar banido!  (Mas não estou dizendo que fazer isso é simples...) Zé Ralf ]
 
Para outros 43% dos entrevistados brasileiros, o livre mercado "tem alguns problemas, que podem ser resolvidos através de mais regulação ou controle". A média mundial foi de 51%.

"É uma expressão de grande insatisfação com o sistema e uma falta de confiança de que possa ser corrigido", disse Kull.

"Ao mesmo tempo, não devemos entender que 35% dos brasileiros querem algum tipo de socialismo, esta pergunta não foi incluída. Mas os brasileiros estão tão insatisfeitos com o capitalismo que estão interessados em procurar alternativas."
A pesquisa ouviu 835 entrevistados entre os dias 2 e 4 de julho, nas ruas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Globalização
O levantamento é divulgado em um momento em que o país discute a questão da presença estatal na economia.

Definir para que caixa vai a receita levantada com a exploração de recursos naturais importantes, como o petróleo da camada pré-sal, divide opiniões entre os que defendem mais e menos presença do governo no setor econômico.

Steven Kull avaliou que esta discussão não é apenas brasileira, mas latino-americana. Para ele, o continente está "mais à esquerda" em relação a outras regiões do mundo.

A pesquisa reflete o "giro para a esquerda" que o continente experimentou no fim da década de 1990, quando o modelo de abertura de mercado que se seguiu à queda do muro de Berlim e à dissolução da antiga União Soviética dava sinais de esgotamento.

Começando com a eleição de líderes como Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998, o continente viu outros presidentes de esquerda chegarem ao poder, como o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).

Mas Kull disse não crer que o ceticismo dos brasileiros na pesquisa "seja necessariamente uma rejeição do processo de abertura dos anos 1990".

"Vimos em pesquisas anteriores que os brasileiros não são os mais entusiasmados com a globalização", disse.

"Eles ainda são bastante negativos em relação à globalização, e o que vemos aqui (nesta pesquisa) é mais o desejo de que o governo faça mais para mitigar os efeitos negativos dela, melhorar a distribuição de renda e colocar mais restrições à atividade das empresas."

Mas ele ressalvou: "Lembre-se de que a resposta dominante aqui é que o capitalismo tem problemas, mas pode ser melhorado com reformas. A rejeição ao atual sistema econômico e à abertura econômica não é dominante, é que há um desejo maior de contrabalancear os efeitos disto".

06 novembro 2009

e há quem duvide de que a sociedade enlouqueceu!

Ao assistir o filme Brazil, de Terry Gilliam (1985 - e que não trata do Brasil...) ou o recente A Idade das Trevas do canadense Denys Arcand (L'Age des Tenebres, 2007; foi distribuído no Brasil sob o absurdo nome A Era da Inocência!!) a gente poderia imaginar que a organização como terror é mero delírio da cabeça de artistas.
 
Infelizmente não é.  Dêem só uma olhada na matéria abaixo. E depois alguns acham que é "romantismo" quando eu falo da importância política e do caráter revolucionário do esforço para manter a humanidade da vida humana!
 
Abraços  . . . . . .   Ralf
 

 
 
06/11/2009 - 07:51

A máquina de suicídios da France Telecom

Por Sérgio Troncoso

Olha as teses de reengenharia total e competição interna sem sentido, levandos trabalhadores a doença e morte. Só na cabeça de empresários sem um pingo de sensibilidade para o que é o ser humano, para achar que essa loucura no trabalho seja uma condição "natural" para alguem.

A fábrica de suicídios

Um edifício antissuicídios, um local de trabalho com janelas fechadas e parapeitos altos, como se bastassem poucos aparatos técnicos para pôr fim a um desastre social com poucos precedentes. À primeira vista, a notícia de que a France Télécom ocupará a partir de janeiro aquele imóvel poderia parecer uma farsa, se não se inserisse em um contexto trágico: 24 suicídios em apenas 18 meses, dezenas de milhares de funcionários em estado de choque, um administrador sob acusação por ter transformado uma empresa gloriosa em uma fábrica de depressivos comandados com mão de ferro. A esquerda pede a demissão do presidente e do administrador delegado, Didier Lombard, mas o Estado, primeiro acionista da sociedade, talvez se limitará a pedir a cabeça do seu vice.

A reportagem é de Giampiero Martinotti, publicada no jornal La Repubblica, 01-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O edifício de Saint-Denis, às portas da capital, onde 200 mil funcionários da operadora telefônica irão trabalhar a partir de janeiro, tornou-se assim um símbolo de uma empresa aterrorizada: janelas fechadas, terraços e passarelas inacessíveis, parapeitos elevados. O medo paralisa um pouco todos: nos últimos tempos, pôde-se ver um dirigente apunhalar-se diante de seus colegas durante uma reunião, uma jovem mulher se jogou da janela do seu escritório do quarto andar. E aqueles que, entre os suicidas, deixou alguma explicação acusou implacavelmente a France Télécom, os seus dirigentes e os seus métodos brutais.

A mensagem enviada por e-mail por Stéphanie, 32 anos, ao pai é terrível: "O meu chefe não sabe, obviamente, mas serei a 23ª funcionária a se suicidar. Não aceito a nova reorganização do serviço. Vou mudar de chefe e, para passar por aquilo que eu vou passar, prefiro morrer. Deixo no escritório a bolsa com as chaves e o celular. Levo comigo a minha carta de doadora de órgãos, nunca se sabe. Não gostaria que tu recebesse uma mensagem desse gênero, mas estou mais do que perdida. Quero-te bem, papai". Poucos minutos depois, a jovem se jogou da janela do seu escritório.

Na segunda-feira, 28, em Annecy, um outro funcionário se jogou de cima de um viaduto. Na carta à mulher, disse-se desesperado por causa das condições de trabalho. Lombard, ao assumir o posto, teve que enfrentar a cólera de 300 funcionários.

A France Télécom decidiu impedir a mobilidade interna dos funcionários, considerada uma das raízes do estresse. Mas trata-se só de um elemento. Um livro recém publicado ("Orange stressé", de Ivan du Roy, que se refere à marca comercial da sociedade e brinca com a sonoridade de laranja espremida) aponta o dedo contra os métodos que têm um só objetivo: amedrontar as pessoas para estimulá-las a ir embora. Nesta quarta-feira, Louis-Pierre Wenes, o número dois do grupo, o homem encarregado de cortar os custos, estava sob fogo cruzado: "Uma vez ele nos disse: submissão ou demissão", conta um sindicalista.

Porém, o mal-estar vai além dos métodos de um homem. A France Télécom passou do mundo protegido de uma sociedade pública monopolista à de uma empresa obrigada a enfrentar um dos setores de maior concorrência hoje. A transição era objetivamente difícil, e nenhum dos dirigentes dos últimos 12 anos soube olhar para além do vermelho e do preto das contas. Os resultados estão debaixo dos olhos de todos, com o medo de que a longa lista dos suicídios possa aumentar ainda mais.

02 novembro 2009

Eu sei do que ele está falando! :-D

Jogando água sobre pedras eu vi brotar o jardim que resgatou a minha inocência. E irradiou uma nova primavera. E o que antes eram feras viraram rosas - com espinhos - capazes de exalar um perfume de revolta, amor, palavras e carinhos que olhando nos meus olhos dizem: não só a literatura é possível, professor. Nóis também.
 
De RODRIGO CIRÍACO, professor na periferia de São Paulo,
no livro de contos Te pego lá fora (S.Paulo: Edições Toró, 2008), p. 87.