Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

06 maio 2009

Imprensa como manipulação I: mais denúncias sobre a fabricação do pânico com a Gripe Suína

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O amigo Angelmar Roman, médico, repassa uma informação interessante de outro médico sobre a dimensão publicitário-comercial dessa fabricação de pânico, seguida de um artigo saído na imprensa mexicana sobre a dimensão política no quadro mexicano.  (Ralf)
 
----- Mensagem encaminhada ---- De: Paulo Roberto Volkmann <volkpr@terra.com.br>

Meus Caros Amigos,

por detrás desta tortura psicológica está a ROCHE com seu TAMIFLU, um medicamento anti-viral específico para gripe, mas que só tem alguma ação se for usado logo aos primeiros sinais e/ou sintomas de uma gripe. (estou eu aqui como propagandista da Roche)

Um abração a todos, do
Paulo R Volkman

O que não te contaram sobre a gripe do México
Os causadores da praga do México
Atualizado em 04 de maio de 2009 às 23:20 | Publicado em 04 de maio de 2009 às 23:19

Nomeiem os mortos!

por JAIME AVILÉS*, no jornal mexicano La Jornada (via Counterpunch)


Acima de tudo, a gripe que mudou a vida (e morte) de nosso país é um grito de denúncia da pilhagem sistemática que nós, milhões de mexicanos, sofremos nos últimos 27 anos -- anos que nos tornaram hoje fonte de infecção para toda a humanidade. O que aconteceu foi a consequência lógica e catastrófica de políticas irresponsáveis que dia a dia empurraram à pobreza cem milhões de nós, deixando a maioria faminta sem outra opção que a imigração ou o narcotráfico.

Durante o regime de Vicente Fox, o México teve o maior ganho de sua história com a exploração de petróleo, mas para nós nada sobrou da bonança. A maior parte do dinheiro foi usada para cortar impostos dos mais ricos entre os ricos e o resto -- um trocado -- está hoje em cercas e montes de estrume de um rancho em Guanajuato [rancho presidencial de Fox em San Cristóbal, de grandes dimensões; a esposa de Fox é acusada de ter usado o poder dela para criar e enriquecer múltiplos negócios através dos filhos], nas companhias dos filhos de Marta Sahagún e nas contas bancárias de homens e mulheres do regime.

Enquanto isso, não há um único laboratório, nem mesmo no maior centro de conhecimento da nossa universidade nacional, a UNAM, capaz de detectar a mutação de um vírus ultimamente chamado de A/H1N1. Como Enrique Galván Ochoa e Luis Linares Zapata documentaram bem nas páginas do La Jornada ao longo desta semana excepcional, no México tínhamos uma companhia estatal chamada Birmex, que era capaz de fornecer "vacinas, imunoglobulinas e reagentes de diagnóstico para instituições de saúde pública dos estados da República mexicana". Fox desmantelou a Birmex.

Antes de Fox, o ex-presidente Ernesto Zedillo [agora na universidade de Yale] fechou tanto o Instituto Nacional de Higiene quanto o Instituto Nacional de Virologia, que se dedicavam a estudar vírus e a desenvolver vacinas para combatê-los. Nada sobrou.

Os primeiros casos da atual gripe na Cidade do México não foram detectados, entre outras razões, porque o Ministério da Saúde não tinha as ferramentas para identificá-los. Demorou alguns dias, depois de múltiplos contágios e algumas mortes, para que o médico governamental -- o limitado e sempre hesitante José Angel Córdova Villalobos -- mandasse algumas amostras para laboratórios canadenses pedindo a eles, por favor, que nos dissessem o que estava causando aquela gripe incomum.

O planeta está em choque porque, mesmo 10 dias depois daquela mensagem noturna terrorista de Córdova Villalobos na quinta-feira da semana passada, o "governo" (ou o que quer que seja) de Felipe Calderón ainda não revelou os nomes de qualquer uma das vítimas fatais do vírus, que mais cedo ou mais tarde entrará para a história como o vírus da gripe do México. Depois de acidentes aéreos, rodoviários, terremotos, enchentes e incêndios as autoridades divulgam os nomes dos mortos. Mas agora não -- e ninguém sabe explicar o motivo.

Não é preciso ser muito inteligente para entender que Calderón e o seu médico governamental se negam a dar os nomes dos mortos deve ser para esconder informações que poderiam destruir a lógica do governo de gerenciar a crise usando ferramentas de pânico social.

É fundamental que a gente saiba: Quem foram os mortos? Que idade tinham? Onde moravam? Qual seu status socioeconômico? Qual a ocupação deles?

Em outras palavras: eles viviam em domicílios com água corrente, banheiro, chuveiro, piso de cimento, eletricidade? Quantas pessoas havia na família, quantos dormiam no mesmo quarto, quantos banhos tomavam? Eram obesos? Subnutridos? Quantas vezes por dia comiam e o que comiam? Quando andavam em seus bairros e vilas, passavam por perto das fazendas de criação de porcos? O ambiente cotidiano deles estava saturado com fezes de aves ou porcos? Eles tiveram contato com os animais?

Muitos no México suspeitam que os mortos nessa epidemia pertencem à mais desprotegida camada de nossa sociedade, que testemunhamos mais uma vez uma doença da miséria e que o real objetivo das medidas aplicadas até agora em um país com mais de 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza extrema é isolar os mais pobres de nós, menos pobres, e com certeza dos ricos. Isso poderia explicar o fechamento total de escolas, restaurantes, bares, escritórios, cinemas, teatros, ginásios, piscinas, etc. Mais cedo ou mais tarde isso vai se tornar claro.

Em mais um ato de impulso totalitarista, Calderón impôs por conta própria o segredo funerário. Isso é uma violação do direito à informação não apenas dos mexicanos, mas de toda a humanidade. Enquanto ele esconder informação-chave, como os nomes dos mortos, o aparato de terror eletrônico vai permitir ao governo continuar a nos manipular à vontade.

Não é hora de pedir a nossos amigos em todo o mundo para levantar uma onda de solidariedade internacional contra essa forma de censura? Vamos pedir uma autópsia do grupo social que está morrendo dessa gripe. Teremos que marchar de novo até o Zócalo, fazer greve de fome, bloquear rodovias, antes que eles nos dêem os nomes dos mortos?

O México é um dos países mais ricos do continente americano mas uma peste voraz, mais destrutiva e mortal que a gripe suína, nos transformou em um país mais fraco, mais faminto e com menos esperança que o Haiti e mesmo que a pobre Honduras, uma República da Banana sem bananas. Essa peste são os políticos neoliberais do PRI e do PAN, a praga dos Salinas e Zedillos, dos de-la-Madrids e Foxes, todos a serviço de um punhado de milionários insaciáveis.

Por que permitimos que isso acontecesse? Por que permitimos que nos desprezassem? Estávamos enganados quando fomos às ruas com as bandeiras brancas para por fim à rebelião indígena de Chiapas?

Por que outras vítimas desse vírus, que vivem com boa higiene, se recuperam? Por que vivemos sob a psicose de que o A/H1N1 supostamente prefere gente entre 20 e 45 anos de idade? Como é que fomos convencidos disso sem nem mesmo saber os nomes dos mortos?

No México testemunhamos uma campanha descarada contra López Obrador nas últimas eleições, quando ele foi chamado de "um perigo para o México"; vimos Calderón assumir o poder depois de uma eleição maciçamente contestada, alegando que usaria "quaisquer meios" para isso; vimos Calderón renegar as promessas de campanha, começando pela criação de empregos; e vimos quando embarcou em uma guerra "contra" os narcos que apenas militarizou o país e permitiu a Calderón um controle maior do país; vimos nessas ações que ele arriscou a segurança nacional de nosso país e dos Estados Unidos.

Assim, nós mexicanos temos clareza e maturidade suficientes para saber que Calderón não está acima de tudo: se um dia ele se vestiu de soldado para lançar as forças armadas em uma trágica aventura, ele agora veste o avental branco para nos manter sob prisão domiciliar, suando de pânico.

Há dois objetivos que surgem dessa epidemia na agenda dos cidadãos: exigir que o "governo" (ou o que quer que seja)  nos dê os nomes dos mortos e pedir mudanças radicais na agenda de pesquisas científicas. Da mesma forma que forçamos esse presidente espúrio a construir uma refinaria nova, nacionalizada, para aumentar nosso controle sobre a riqueza do petróleo, agora precisamos lutar por novos laboratórios e pela restauração do ensino de filosofia, ética e estética [referência à tentativa de remover essas disciplinas do currículo obrigatório].

Basta! Já deu! Não vamos sofrer nem mais um dia sob a tirania desse regime da ignorância!

*Jaime Avilés é colunista do La Jornada


--
Maurício Assunção Pereira

 
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Ralf Rickli • arte em idéias, palavras & educação
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