Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

24 fevereiro 2009

Suicídio moral da Folha de S.Paulo - convite a assinar protesto

Acabo de entrar como n.º 1507 no abaixo-assinado iniciado por ninguém menos que Antonio Candido em protesto contra o cinismo deslavado da Folha de S.Paulo de chamar a ditadura militar brasileira de "ditabranda" no editorial de 17/02, e ainda por cima acusar de cínicos e mentirosos os protestos dos notáveis professores e intelectuais participantes Maria Victoria Benevides - de quem foi enorme honra ter sido aluno - e Fabio Konder Comparato.
 
Em nome daquelas vidas que conheci pessoalmente, entre as tantas que foram destruídas ou aleijadas por essa ditadura - inclusive parentes -, bem como da educação e cultura do povo brasileiro que foram cuspidas e rebaixadas por aquele regime falso e vendido, convido a todos os meus amigos a também se juntarem ao abaixo-assinado:
 
http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html
obs: depois de assinar abre-se um página pedindo doações para manutenção do sistema, 
mas não é obrigatório, é só fechar a página.
 
 
Aproveito e mando mais alguns materiais em apoio:
 
Artigo da Agência Carta Maior que inclui as seguintes revelações sobre o passado da Folha (que durante algum tempo conseguiu fingir ter uma história moral e politicamente digna): "A Folha de São Paulo não só nunca foi censurada, como emprestava a sua C-14 [carro tipo perua, usado para transportar o jornal] para recolher torturados ou pessoas que iriam ser torturadas na Oban [Operação Bandeirante]." (Entrevista com Mino Carta. Por Adriana Souza Silva, da Redação AOL, abril de 2004). "Como demonstrou Beatriz Kushnir (...) a Folha cedia as vans para o Doi-Codi fazer diligências, levar suspeitos para as sessões de tortura e fingir que se tratava de um carro de reportagem em atividade jornalística". (Paulo Henrique Amorim, comentando o livro "Cães de Guarda" – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989", de Beatriz Kushnir, Boitempo Editorial).
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=15717
 
 
Do EDITORIAL DA FOLHA DE S.PAULO de 17.02.2009 contra Chávez
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1702200901.htm
 
Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.
Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985- partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente.
 
CARTAS DE PROTESTO E RESPOSTAS DA REDAÇÃO EM 19 e 20.02.2009
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1902200910.htm

"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, por exemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito.
Li no editorial da Folha de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado.
A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamada de ditadura? O que acontece com este jornal?
É a "novilíngua"?
Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.
É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."
SERGIO PINHEIRO LOPES (São Paulo, SP)

Nota da Redação - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional.

"Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" se comparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecia laços íntimos com a senzala -que horror!"
MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES , professora da Faculdade de Educação da USP (São Paulo, SP)

"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."
FÁBIO KONDER COMPARATO , professor universitário aposentado e advogado (São Paulo, SP)

Nota da Redação - A Folha respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa.


FOLHA: NÃO DÁ MAIS PRA NÃO SE ENOJAR!

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