Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

06 setembro 2008

maniFesta aniversário Trópis domingo 07/09 + Manifesto do Pluralismo Radical

Trópis: 16 anos de Movimento • 10 anos de Associação
maniFesta de aniversário
neste domingo 7 de setembro

 
16 h     abertura com participação do grupo Zunidos do Monte Azul
          
   convívio • comidinhas • foto-história da Trópis (projeções)

16:30  a proposta e experiência da Trópis
na caminhada revolucionária da re-humanização

            bate-papo aberto com os fundadores do movimento

            • lançamento do Manifesto do Pluralismo Radical (ver adiante)
 
e do livro Liberdade socialmente sustentável -
  uma introdução à Filosofia do Convívio (Ralf Rickli, 68 pp.)
  
...  1.º da nova série Filosofia de Cordel ...

            • re-lançamento do Manifesto do Reencantamento do Mundo (2001)
  e do livro Pedagogia do Convívio: na invenção de um viver humano (2006)

18:30  mais convívio • comidinhas • foto-história

19 h     show da banda Os mamelucO
 Huguêra
e Gunnar Vargas violão e voz; Peu Pereira gaita;
 Jessica Silva flauta; Cláudio Oliveira baixo; Vinícius Mazza percussão

             seguido de possível 'sessão de canjas'
 ( músicos amigos! que tal virem preparados pra participar? )


BIBLIOTECA TRÓPIS • Rua Manoel Bragança 114 • Vila das Belezas / Jd. Monte Azul • 05841-170 São Paulo SP
Aberta no horário dos eventos ou com hora marcada pelo e-mail
tropis@tropis.org ou celular 11 8552-4506

atrás do Colégio Renato Braga • Ônibus do Term. João Dias (metrô Giovanni Gronchi l.lilás): Jardim Capelinha



Manifesto do Pluralismo Radical
Piratininga, 07.09.2008 •
Ralf Rickli escreveu

Quem espera que união e entendimento mútuo tragam a felicidade ao mundo,
esse pode desesperar sentado.

Mas a felicidade está sim ao nosso alcance: através do respeito mútuo incondicional,
independente de entendimento e de união.

Só a multiplicidade nos une,
e é só por sermos todos diferentes que somos todos iguais.

As Ciências da Vida já nos mostraram
que a principal condição para a saúde dos sistemas vivos
é o convívio entre diferentes sem a eliminação de suas diferenças,
e a Física vem mostrando que essa é a condição primeira para a própria existência:
monocultura é desastre ecológico, indiferenciação entre células é câncer,
a supressão das diferenças entre partículas e forças
levaria apenas à impotência do Nada.

Por que seria de outro modo justamente na humanidade, constituída pelos seres
com maior potencial de inovação e diferenciação no universo conhecido?
As variações possíveis no jeito de ser boi são bem poucas. Ser humano é, justamente,
ter o potencial de ser imprevisível no seu jeito-de-ser, esteja-se fazendo uso disso ou não.

Cada um poder pensar e fazer as coisas do seu jeito – se e quando quiser.
Cada um construir seu caminho decidindo individualmente cada passo que vai dar –
inclusive quando escolhe dar o passo junto com outros e construir um caminho coletivo.

Coletividade: só um coletivo de indivíduos autônomos faz jus ao potencial do ser humano!
Cultura homogênea é desastre em qualquer campo!
Biodiversidade - noodiversidade -  ideodiversidade - pluralidade irrestrita:
eis a marca das situações biológicas, sociais, culturais e políticas saudáveis!

Só a multiplicidade nos une!
Só por sermos todos diferentes é que somos todos iguais!

Atenção: qualquer ser humano que se encontre, por forças humanas externas a si,
impedido de escolher seu rumo e de dar seus passos no rumo que escolheu,
encontra-se em estado de opressão.

Ter que ser de um jeito que não se é
para conseguir respeito – isso é sofrer opressão.

Ser excluído a contragosto, seja lá do que for,
é estar sendo oprimido.

Ser incluído a contragosto, seja lá no que for,
também
é estar sendo oprimido.

Ter que entregar a bolsa ou a vida a contragosto
é sofrer opressão.

Ter que entregar sua força de trabalho sob condições insatisfatórias
para não entregar os seus à penúria também é sofrer opressão.

Não poder decidir ou nem participar das decisões
quanto à destinação dos valores que se criou com seu trabalho –
isso é sofrer a mãe das opressões.

Oprimir é expropriar de outro ser humano sua própria condição de humano:
o poder de decidir por si.
Oprimir é sempre tentativa de desumanizar.
Fazer o outro de animal ou de coisa
para poder atuar sobre ele com a superioridade de um deus –
quando na verdade um e outro têm a mesma natureza:
a natureza do escolhedor.

Por sua natureza, todo ser humano é capaz
de escolher fazer qualquer coisa, inclusive oprimir.

Acontece, porém, que o ato de oprimir deflagra inevitavelmente
uma reação-em-cadeia de infelicidades em todas as direções –
desgraças que assumem depressa mil faces tão diferentes
que logo ninguém mais percebe de onde vêm.

Fora uma pequena parcela
decorrente de causas puramente naturais ou acidentais,
a infelicidade humana decorre toda de atos de opressão perpetrados
por seres humanos, e portanto evitáveis já no nascedouro –
pois seres humanos podem escolher não oprimir.

Que a capacidade de oprimir é parte da liberdade humana, isso não há como negar –
mas só haverá chance de felicidade em nosso horizonte quando a humanidade decidir
que respeitará todas as liberdades de todos os seus membros –
exceto a liberdade de oprimir.

Quando a humanidade combinar que vale tudo, menos oprimir –
em qualquer das formas já mencionadas ou em qualquer outra imaginável.

Combinar que nada pode ser imposto...
a não ser isso mesmo: que não seja imposto nada além de que nada seja imposto.

Que não seja imposto por ninguém a ninguém
nada além de que não seja imposto nada
por ninguém a ninguém
:
eis o anel virtuoso capaz de garantir
a dignidade e a liberdade de todo ser humano (que são uma coisa só).

Respeito. Respeito de todos por todos.
O mais radical e absoluto respeito pela pluralidade e diversidade
das vontades e jeitos-de-ser humanos:
sem isso não há chance nenhuma de que a infelicidade humana diminua,
ou de que a felicidade cresça. 
Outras condições também podem ajudar – mas a única sine qua non é esta.

Todas as leis e demais instituições da humanidade podem
e devem ser repensadas a partir desse núcleo gerador único,
e substituídas por leis e instituições derivadas dele.
Todo o direito, toda a política, todas as relações humanas,
quer dois a dois, quer bilhões a bilhões.

Essa é a mais completa e definitiva das revoluções possíveis para a humanidade –
fato que depende tanto das nossas opiniões quanto o de 3x4 ser o mesmo que 4x3.
Quer dizer: não se trata de ideologia, mas está implícito
na própria lógica fundamental da existência.

Mas não precisamos temer nos sentirmos oprimidos por essa única imposição:
sendo precisamente a supressão da opressão,
representará o estado de maior liberdade possível à humanidade de modo duradouro:
CONVÍVIO – o estado em que os diferentes vivem lado a lado e em paz
sem jamais tentarem suprimir as diferenças um do outro.

Só a multiplicidade nos une,
e só por sermos todos diferentes é que somos todos iguais.

Revolução da idéia de Revolução até o seu limite,
caminho mais curto para a maior felicidade possível para todos –
eis o PLURALISMO RADICAL. É só pegar e usar.
 

Pluralismo Radical: a revolução da revolução

Um comentário:

  1. Liberdade de oprimir

    Estava pensando, acho que se negarmos a liberdade de oprimir estamos oprimindo em nome de algo que "para nós" é certo, mas que fere a liberdade do outro.

    Não importa se o que estamos oprimindo seja e opressão.

    Não é radicalmente livre agir assim.

    Porém, se TODOS não se deixarem oprimir em NENHUMA situação, os opressores não terão o que fazer.

    Acho que essa é a coisa. Não a sujeito sem objeto. Não há opressor sem oprimido.

    Nós é que temos de nos vender à opressão.

    Pensei alto.
    Até.

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