Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

01 outubro 2010

o porquê dos meus votos, em poucas palavras

Compartilho com os amigos minhas opções para as eleições de 3 de outubro, com algumas poucas palavras explicando por quê.
Os de outros estados me desculpem, mas começo com a escolha mais crítica para os eleitores de São Paulo, como eu atualmente:
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MERCADANTE 13 governador
Moro no estado de SP há 23 anos, 13 deles na capital, frequentando-a intensamente nos outros 10.
Vi pessoas desesperadas tentando chegar ao trabalho sobre o teto dos ônibus ou penduradas nas portas nos tempos de Jânio Quadros, vazio tenebroso na cultura nos tempos de Maluf e Pitta, legiões de cidadãos vivendo nas calçadas sob Serra e Kassab. Mas vi o transporte, a cultura, a educação e a moradia melhorarem inacreditavelmente em prazos de 2 anos nas gestões do PT: Luiza Erundina e Marta Suplicy. O estado de São Paulo como um todo precisa ter a chance de experimentar isso - e para tanto agora só precisamos garantir que o candidato do psdb não ganhe no primeiro turno: depois temos mais um mês para virar o jogo por inteiro.
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DILMA 13 presidente
Admiro Marina Silva, vejo nela uma grandeza pessoal análoga à do Lula, e ainda quero vê-la presidente - mais adiante.
Pois o que tenho de conhecimento & entendimento me força a reconhecer Lula como um dos maiores gênios políticos da história. Sua construção da viabilidade interna do país com movimentos de escala internacional mostra-o como o primeiro líder a entender o alcance da força da globalização e a começar a inventar meios de domá-la.
Óbvio que se pode encontrar imperfeições na sua realização, pois humanos perfeito não existem, mas alguns se queixam de Lula deixar um buraco na estrada sem atentar pra que ele fez a estrada subir um Everest. E, se na reta final dessa imensa realização histórica, ele aponta Dilma como a pessoa ideal para o momento, não é agora que irei duvidar do seu tino.
(Obs.: quanto a Plínio, vejo nele o perfil de um excelente senador, jamais de um presidente).
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SARGENTO FERNANDO 4010 (PSB) deputado federal
Pela bravura de combater a corrupção, o arbítrio e a formação imbecilizante dentro do exército a ponto de pôr em risco a própria vida, e de  dar visibilidade nacional à sua relação estável com outro sargento em defesa da sua causa e da vida do companheiro - mostrando a milhões de jovens como ele que sua orientação sexual não é incompatível com caráter, coragem e responsabilidade social - e naturalmente por seu belo programa de luta pela dignidade humana nas mais diferentes frentes: veja www.sargentofernando.com.br
Obs.: se pudesse dar 2 votos para esse cargo, votaria mais uma vez na brava Luiza Erundina 4021 - curiosamente, também no PSB.
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CARLOS NEDER 13999 deputado estadual
Voto nele confiando no aval do meu representante municipal, vereador Nabil Bonduki - entre outras coisas porque isso irá viabilizar a continuidade de Nabil na câmara, posição de onde já deu contribuições inestimáveis nas questões de habitação e plano diretor, além uma das maiores contribuições já feitas à cultura da cidade de São Paulo (o Programa VAI). Mas confesso que minha ligação com a região de Santos também me tenta a votar mais uma vez em Telma de Souza 13004.
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MARTA 133 e NETINHO 650 senadores
Claro que aqui eu preferia votar em Plínio de Arruda Sampaio, se este tivesse tido a grandeza maior de pôr-se a serviço, mas já que preferiu uma posição de onde pode falar o que quer sem ter que bancar, sejamos pragmáticos: precisamos de PT e aliados com força no legislativo, ou a capacidade de ação do executivo estará inviabilizada.
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EM TEMPO:  na minha terra natal, Paraná, é óbvio que apoio com toda força Osmar Dias 12 pra governador, e quero ver o PT no Senado: Gleise 131. Sobre os outros cargos confesso que não estou suficientemente informado.

LE MONDE sobre o Brasil: a história bonita que os anos Lula contam




Brasil: os anos Lula contam uma história bem bonita


Lula é o porta-estandarte da transformação do Brasil de potência virtual para potência real


O “Financial Times” o retratou como o Cristo Redentor, a estátua que, do alto do Corcovado, domina a baía do Rio de Janeiro. De braços abertos, protetor, zelando para sempre pelos brasileiros. Na premiação do Oscar 2011, o filme que representará as cores do Brasil é um longa-metragem que conta sua vida: “Lula, o filho do Brasil”. Até esse dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já terá deixado o poder – quase santificado, herói nacional, com um índice de popularidade recorde. A eleição presidencial acontecerá neste semestre.


Dilma Rousseff, 62, a candidata consagrada por Lula, está sendo dada como vencedora: levada pelo apoio do “grande homem”, ela poderá ganhar logo no primeiro turno, no dia 3 de outubro. Ela assumirá o cargo em janeiro. Será o fim dos “anos Lula”, os dois mandatos exercidos à frente do Estado pelo líder do Partido dos Trabalhadores, ex-líder do sindicato dos metalúrgicos, oitavo filho de uma família humilde, que deixou a escola aos 12 anos para se tornar engraxate de sapatos, vendedor de amendoins e depois torneiro mecânico na indústria automobilística aos 14 anos. Dessa adolescência passada em fábrica, o presidente Lula guarda a marca: um dedo amputado – não muito frequente na profissão.


Foi tudo isso que criou o mito. Mas não só isso. Se os anos da presidência Lula, 2002-2010, são celebrados desenfreadamente, é porque o homem está encarnando um momento-chave na história do país: o acesso do Brasil ao status de grande potência emergente. Juntamente com a China, a Índia e alguns outros, o Brasil é um dos Estados que estão modificando o mapa da distribuição do poder nesse início de século 21. Lula é o porta-estandarte dessa transformação, a passagem da potência virtual – “o Brasil, esse país do futuro e que continuará o sendo por muito tempo”, diziam no início do século passado – para potência real.


Primeiramente, é um sucesso econômico. O ex-líder do sindicato dos metalúrgicos “teve inteligência para aproveitar a onda da política conduzida por seu antecessor”, explica Alfredo Valladão, professor no Instituto Sciences Po e coordenador do centro de estudos União Europeia-Brasil. Lula aperfeiçoou a obra do presidente Fernando Henrique Cardoso, o homem da estabilização do real, a moeda nacional: ortodoxia monetária, privatizações, estabelecimento do país na globalização. Realista, mas fiel a seus compromissos, Lula somou a isso sua marca social: aumento do salário mínimo, bolsa de auxílio às famílias mais pobres.


Oitava economia mundial, o Brasil – 190 milhões de habitantes – acumula uma lista de trunfos impressionantes: riquezas naturais infinitas, indústria diversificada e, nesse país que tem 15 vezes o tamanho da França, um aproveitamento de terras que faz dele a principal potência agrícola mundial.


Em 16 anos – os mandatos FHC e Lula - , a classe média, já central, ganhou 35 milhões de pessoas. A economia se apoia em uma forte demanda interna e consegue resistir aos choques externos. Ela é levada por uma confiança no futuro apontada por todas as pesquisas de opinião. Os brasileiros estão otimistas em relação ao seu país; ao contrário dos europeus ou até mesmo dos americanos, eles estão certos de que seus filhos viverão melhor do que eles. Essa confiança também tem Lula, falastrão, de sorriso jovial, ombros de lenhador, charme para dar e vender.
Lula prevê: “o Brasil não ficará de fora do século 21, como foi o caso no século 20”. Fortalecido pelo peso de sua economia, o Brasil, assim como seus companheiros do topo das potências emergentes, a China e a Índia, quer sua parte de poder político na arena internacional. Ele briga por uma vaga de membro permanente no Conselho de Segurança da ONU; por mais direitos no Fundo Monetário Internacional (FMI); pelo fim do G8, que reúne as potências mais antigas, as do Norte, em benefício da perpetuação do G20,onde países como o Brasil, a Turquia e a Indonésia exercem um papel à altura de sua importância econômica.


O Brasil quer ter peso sobre as questões do mundo. Mas em que sentido? Aqui, sem ingenuidade: por mais justificada que seja, essa ambição não deve ser interpretada como particularmente altruísta ou generosa. A diplomacia de Lula é a de uma potência que defende primeiramente seus interesses. É o perfeito reflexo do comportamento dos emergentes no cenário internacional. Os emergentes são, na maioria das vezes, adeptos do livre-comércio: na Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil quer uma nova rodada de liberalização do comércio e protesta contra o protecionismo agrícola da Europa. Os emergentes são soberanistas: nada é mais estranho a países como o Brasil ou a China do que a ideia de um direito de ingerência – ainda que humanitário – que passaria por cima do princípio da soberania dos Estados. E dessa posição advém outra: os emergentes não são adeptos dos direitos humanos, no sentido em que a defesa de certos princípios justificaria se não transgredir aquele da soberania dos Estados, pelo menos ser prudente na escolha de suas amizades.


É o lado sombrio dos anos Lula. Em nome de uma solidariedade Sul-Sul, ele mantém com o iraniano Mahmoud Ahmadinejad uma relação de camaradagem além do que uma política real exigiria; no dia seguinte às eleições fraudadas, na verdade transformadas em golpe militar pelo mesmo Ahmadinejad, ele esbravejou, peremptório, que não havia ocorrido fraude em Teerã; em visita a Cuba, de braços dados com outro barbudo, ele fez pouco da greve de fome mantida pelos prisioneiros políticos do regime castrista – ele que, preso por um tempo pela ditadura militar brasileira, também fez greve de fome...


É uma lição. Mesmo presidida por Lula, uma potência emergente continua sendo um Estado; ela não é uma ONG.


(Esta crônica foi inspirada vergonhosamente na série especial do Le Monde, “Brasil, um gigante se impõe” (98 páginas, 7,50 euros), à venda até novembro, e que deve muito a Martine Jacot e a nosso correspondente no Rio de Janeiro, Jean-Pierre Langellier.)


Tradução: Lana Lim

compartilhando com amigos minhas opções p 03/10 (mais tarde EXPLICO)

24 setembro 2010

A vida simulada no capitalismo: formação e trabalho na Arquitetura: LANÇAMENTO QUE SÓ PODE SER QUENTE

Com Rosemary Roggero tive aula 'apenas' de metodologia do trabalho científico num curso de especialização... mas posso afiançar que esteve entre os/as melhores dos não poucos professores que tive. Ainda não vi o livro, mas SÓ PODE ser bom e de alta relevância. Farei tudo pra estar lá. Vamos?


19 setembro 2010

o baita som da ELLEN OLÉRIA finalmente em Sampa!


ELLEN OLÉRIA !
Para mim, essa brasiliense faz o som mais forte & versátil que vi aparecer no Brasil depois de Chico Science e de Cássia Eller


Sexta 24.09 estará em São Paulo pela segunda vez:
às 20 h no SESI Vila das Mercês (Sacomã) Rua Júlio Felipe Guedes 138 - entrada franca
Vamo lá?  (depois, por aqui, só em 29.10 no teatro Sesi de Osasco)




PS: Não sabe o ônibus?  Não seja por isso:
4718-10 Metro Santa Cruz / Jd. Celeste
4734-10 Metro Saude / Vila Moraes
5021-10 Term. Sacoma / Agua Funda
5036-10 Term. Sacoma / Jd. Celeste
4708-10 Metro Vila Mariana / Jd. Climax
4732-41 Metro Saude / Vila Liviero
5030-10 Term. Sacoma / Jd. Maria Estela
4734-21 Metro Saude / Vila Moraes
5034-31 Vila Liviero / Term. Sacoma
5108-10 Term. Pq. D. Pedro Ii / Jd. Celeste
4706-10 Metro Vila Mariana / Jd. Maria Estela Ii
4714-10 Metro Santa Cruz / Jd. Sao Saverio
4709-10 Metro Vila Mariana / Pq. Bristol
4732-10 Metro Saude / Vila Liviero
4727-10 Metro Pca. Da Arvore / Jd. Climax5
038-10 Term. Sacoma / Pq. Bristol
5033-10 Term. Sacoma / Vila Brasilina
5108-21 Metro Alto Ipiranga / Jd. Celeste

16 setembro 2010

Encontros de Refocalização da Educação, Formal ou Não-Formal na perspectiva convivial

Ralf Rickli • arte em educação, palavras & ideias <br>http://ralf.r.tropis.org • (11) 8552-4506 • São Paulo

ERE inFORM  2010-2011 
Encontros de Refocalização da Educação, Formal ou Não-Formal

Palestras, Cursos,  Grupos de Conversação Orientados
na perspectiva da Educação e Filosofia Conviviais

focos temáticos 2010-2011

Todos os temas são oferecidos em duas formas

(1) palestra ou apresentação única, ou introdutória - tempo mínimo 2 horas, sempre incluindo diálogo (2) cursos ou grupos de conversação com duração e características projetadas para as peculiaridades de cada caso

Onde? Onde quer que um grupo ou instituição convide, oferecendo o espaço e responsabilizando-se pela organização local e promoção geral do evento  

PARA APRESENTAÇÃO MAIS DETALHADA,
CLIQUE AQUI 

Uma chave: O BOM, o BELO e o VERDADEIRO

como apontado por uma de nossas fontes de inspiração - a Pedagogia Waldorf - estes 3 valores fundamentais na existência humana só podem ser apreendidos e desenvolvidos a partir de amostras convincentes da sua existência recebidas nas seguintes idades:

Zero a sete anos: o mundo pode ser bom

Sete anos à puberdade: o mundo pode ser belo

Puberdade a início da idade adulta: o mundo pode ser verdadeiro

Campo 1 - A CHAVE INVISÍVEL:
o trato com as crianças pequenas 
e suas consequências no mundo

Não aprendemos a fazer o que nos dizem: aprendemos a fazer o que nos fazem.
Prof.Dr. Marcos Ferreira Santos 

A hora da Bondade em Educação
alvo principal: profissionais em Educação Infantil

A chave invisível dos problemas do mundo:
conexões sociais, políticas e ecológicas 
da educação infantil e parental

alvo principal: administradores e planejadores, educadores sociais, políticos, ativistas - sem excluir demais interessados

Para quem não quer filhos-problema
Conversações com familiares, sobretudo pais e/ou mães  

   
Alunos da Associação Trópis aprendem cuidando de filhos de colegas (2002-03)
Ex-aluna com sua própria filha (2009)

Campo 2 - A HORA DA VERDADE: 
a educação em face dos adolescentes e jovens

A juventude está sozinha: não tem ninguém para ajudar
a entender por que é que o mundo é esse desastre que aí está.
Renato Russo

Você espera alguma coisa da sua vida? Falando de chaves e de pistas falsas com sinceridade - ATIVIDADES DIRETAS COM JOVENS

Fundamentos realistas para a comunicação pedagógica com adolescentes & jovens - com referências à experiência Trópis em Educação Convivial - grupos de conversação com educadores formais e/ou extra-escolares e outros profissionais correlatos  

Associação Trópis: encontro de jovens participantes em 1999 (São Paulo)

Campo 3 - DONA DIDÁTICA EM HORA DE FÊNIX?
Reencontrando sentidos & relevância no conceito 'Arte de Ensinar'

Em busca da integridade perdida

Por que sem a integração das vias analítica e estética da cognição não acontece aprendizado - nem ética

Professor: uma profissão esgotada?

Conversações sobre a epidemia mundial de burn-out, seu caráter histórico, e possíveis rumos de superação

Mestres humanos ou crias de Frankenstein?

Identificando as condições indispensáveis para uma formação eficaz de profissionais de educação

• A Palavra, a Galinha e a Idéia - ou:
'onde a educação enrosca entre a letra e a realidade'

Por que saber nomes não é saber & ensinar nomes não é ensinar - e outras questões correlatas

Pedagogia Waldorf, saber acadêmico & Educação Pública:
perspectivas para a viabilização de um diálogo frutificante

O caminho único e múltiplo para paz real

O fenômeno do Convívio, das dimensões psicológica e cosmológica à social e à ecológica - e a Pedagogia que propomos onde ele é método e meta  

Campo 4 - VIAGENS NA HISTÓRIA:
aventura estético-intelectual & aprendizado eficaz

ÁFRICA - continente selvagem ou Mãe da Civilização?

Apresentações audiovisuais e conversas com para professores, alunos, interessados em geral, com base no livro e peça O dia em que Túlio descobriu a África, inspirado pela obra do historiador e cientista senegalês Cheikh Anta Diop - no sentido das leis 10.639/2003 e 11.645/2008

Mil anos de Música: paisagens e picos

Uma familiarização com estilos, compositores e peças marcantes de 1000 a 2000 d.C., com mais música que palavras  


Alto: divulgação das apresentações sobre África. Claudio Monteverdi, focalizado em Mil Anos de Música
Embaixo: da montagem da peça pela Companhia de Teatro de Heliópolis, 2009, com apoio da Petrobrás

CUSTOS: abordagem sociopedagógica

Temos que SER a mudança que queremos ver no mundo. Gandhi

Sociedade saudável não trata trabalho humano como mercadoria. Pretendendo ser ações de construção de uma sociedade saudável, nossos serviços não podem ter preço: trabalhamos exclusivamente com acordos de viabilização conforme as possibilidades de todas as partes envolvidas.

Da nossa parte, damos sempre nosso máximo em conteúdo e qualidade. Como contrapartida, pedimos que cada instituição ou grupo interessado ofereça o máximo de que seu orçamento permite dispor para fins desta natureza, com base no que já pagaram ou se disporiam a pagar a qualquer outro profissional por serviços comparáveis. Não há limites mínimos nem máximos. Havendo real interesse, nenhuma proposta é desconsiderada, desde que honestamente compatível com as possibilidades orçamentárias dos solicitantes.

PARA APRESENTAÇÃO COM MAIORES DETALHES
CLIQUE AQUI

07 setembro 2010

sobre a nova montagem de Orfeu da Conceição de Vinicius de Moraes


Bom, como diz a matéria transcrita abaixo, a dramaturgia do Vinicius de Moraes não deixa de deixar a desejar... rsrs (como, aliás, a maior parte das peças, musicais etc., criados por gente da MPB).

Ainda assim, é um marco, por várias razões.  Entre outras, porque rendeu o também esquisito mas ainda assim fascinante filme do Marcel Camus (Orfeu Negro, de 1959) que foi Oscar de melhor filme estrangeiro -

... e mais tarde o do Cacá Diegues que é uma espécie de exploração de como o primeiro poderia ficar 40 anos depois (1999) - e além do mais contado com um olhar mais de dentro. Muitos fizeram pouco do Orfeu do Cacá Diegues, eu não: respeitei profundamente esse filme. Contém uma daquelas cenas que não consigo narrar ao vivo porque a comoção o embarga: quando, diante da tragédia, o pai de Orfeu, encarnado pelo Milton Gonçalves, supera sua degradação ao papel de pastor pentecostal e retoma sua identidade identidade cultural.

Além disso, o filme do Marcel Camus talvez tenha sido o maior dos veículos da música brasileira em ascenção na época, a Bossa Nova, na sua efetiva conquista do mundo. Podemos saber que não é a mais importante das manifestações culturais brasileiras, mas permance até hoje a que teve maior impacto mundial.

E não por último, a peça, mais uma vez via filme, parece ser pelo menos em parte responsável por, bem ou mal, haver um afrodescendente na presidência dos EUA agora: o Obama relata que quando ele tinha uns 10 anos sua mãe o levou pra ver um filme que ela adorava desde antes de conhecer o pai dele, e chorou o tempo todo no filme: o Orfeu Negro, rsrs.

Também os afro-sambas de Vinicius e Baden estão numa fase de revalorização (vocês vão ler bastante mais sobre isso aqui em 2011). Quem sabe esteja na hora de o Brasil lembrar do lado Vinicius de Moraes da sua alma, pra não se endurecer demais nesta nova fase de modernização...

Abraços gerais,
Ralf




07/09/2010 - 09h48
"Orfeu" é atualizado em montagem de Aderbal Freire-Filho
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/794945-orfeu-e-atualizado-em-montagem-de-aderbal-freire-filho.shtml


MARCELO BORTOLOTI, DO RIO

Pela primeira vez a peça "Orfeu da Conceição" será exibida no circuito comercial em seis capitais do país.

A nova montagem, que estreia nesta quinta no Rio, custou R$ 2,2 milhões (sendo R$ 1,6 milhão captado via Lei Rouanet), foi idealizada por Gil Lopes e tem direção de Aderbal Freire-Filho.

Pouca gente viu encenado o texto original de Vinicius de Moraes, que transporta para os morros cariocas o mito grego de Orfeu, e esta novidade poderia bastar para atrair o público. Ou não.

Freire-Filho optou por uma versão mais palatável. Inventou um personagem-poeta, referência ao próprio Vinicius, uma espécie de narrador que atravessa o espetáculo ao lado de cinco amigos, ajudando a explicar passagens truncadas e suavizando as mudanças de cena.

"Orfeu" tem reconhecida importância histórica. A peça marcou o início da parceria entre Vinicius e Tom Jobim e ajudou a romper a hegemonia branca nos palcos brasileiros dos anos 1950, ao escalar apenas atores negros.

Além disso, já trazia os traços e curvas que mais tarde notabilizariam o arquiteto Oscar Niemeyer, responsável pelo cenário. Como texto dramático, no entanto, suas qualidades são discutíveis.

Faltam conflitos além da trama central. As passagens entre os atos são bruscas e, por vezes, o destino de determinado personagem carece de melhor explicação.

Freire-Filho não fala a respeito disso com facilidade: "A peça é incrível. Minha interferência foi apenas para transportá-la para os dias de hoje e dar uma maior comunicabilidade", afirma.

Aos poucos, e tão cheio de dedos quanto possível para tratar de algo praticamente sagrado no meio artístico, o diretor vai se abrindo. "Vinicius escreveu um ato na década de 1940 e outro, dez anos depois, o que pode ter contribuído para essas passagens bruscas", disse.

MUDANÇAS NECESSÁRIAS

As mudanças promovidas no texto não foram cosméticas. Era impossível fugir de uma referência às favelas de hoje, e o diretor incluiu três bandidos que assaltam o personagem-poeta, além de um funk em meio à trilha sonora.

Mas o tráfico não aparece e até os ladrões acabam convertidos em personagens da trama original. Ao lado dos diretores musicais Jaques Morelenbaum e Jaime Alem, ele escolheu uma série de canções feitas posteriormente por Tom e Vinicius.

De fato, as músicas compostas para a peça, numa época em que Tom Jobim não passava de um obscuro pianista da noite carioca, não são o que a parceria produziu de melhor, ainda que incluam boas canções como "Se Todos Fossem Iguais a Você".

No novo espetáculo, aparecem outras obras-primas da dupla: "Este Seu Olhar", "A Felicidade" e "Chega de Saudade".

Em cena estarão 16 atores negros ou mulatos, todos na faixa dos 30 anos e sem grande carreira pregressa.

Orfeu é interpretado por Érico Brás, que participou do filme "Quincas Berro D'água". É uma aposta. Também será negro o personagem que simboliza Vinicius de Moraes. Uma caracterização justa para o poeta-diplomata que se dizia o "branco mais preto do Brasil".

ORFEU
AUTOR Vinicius de Moraes
DIREÇÃO Aderbal Freire-Filho
QUANDO estreia 9/9 no Rio de Janeiro e 23/9 em São Paulo
ONDE Canecão e HSBC Brasil (SP)
CLASSIFICAÇÃO 14 anos

22 agosto 2010

Carta aos colegas educadores, de um pedagogo que o é porque fugiu da escola

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Caros colegas: haverá professores felizes com o que vivem na escola hoje? Deve haver mas... sejamos sinceros: creio que ninguém de nós pensa que sejam muitos! E se considerarmos que a maioria dos alunos também preferia estar em outro lugar, será que não é hora de nos perguntarmos: ainda existe sentido no que estamos fazendo?
  
Alguns podem argumentar que alguém tem que fazer o sacrifício para não deixar os jovens sem educação, mas... será que os efeitos educacionais que temos conseguido correspondem de fato ao tamanho dos custos - não só em verbas mas principalmente em alegria de vida, deles e nossa? Ou alguém dirá que essa dimensão não tem importância?
 
Permitam relatar algumas coisas da minha trajetória de aprendizado - que, antes de mais nada, não espero ver encerrada enquanto eu tiver alguma consciência - pois me parece ter prefigurado um tanto, desde há meio século, o que cada vez mais crianças e jovens vivem hoje.

Eu tinha uns cinco anos quando meus pais se surpreenderam ao me ver alfabetizado. Eles apenas haviam deixado um pequeno quadro-negro e giz à disposição, havia impressos abundantes pelo ambiente, e haviam respondido minhas perguntas.
 
Me disseram que logo eu iria pra escola, e que lá sim eu ia aprender bastante - mas não foi verdade: em meio a imobilidade e incomunicabilidade forçadas, alguém com evidente cara de má-vontade tentava impor aos gritos alguma atenção a atividades que não interessavam nem ensinavam. Socialização? As relações entre os alunos eram praticamente um bullying generalizado e constante, ignorado pelos professores como ‘coisa de criança’ até que surgisse algum ferimento físico.

Continuei aprendendo mais em casa, onde dois pais ex-professores respondiam perguntas, chamavam atenção para fatos interessantes e deixavam livros e discos à disposição.

Capital cultural, privilégio de poucos - diria Pierre Bourdieu.
 
Perfeito. Só que nos últimos anos a sociedade toda se vê cada dia mais imersa numa espécie de ‘caldo de informação’ propiciado pelas tecnologias de comunicação - primeiro em massa mas agora, muito melhor, em rede de mão dupla. Para mais e mais crianças e jovens, permanecer ignorante começa a ser mais custoso que aprender algo. Ao se comunicarem no MSN, por exemplo, adolescentes das periferias estão atingindo uma velocidade de expressão escrita que jamais teríamos sonhado solicitar deles!

E a escola, estará sabendo se relacionar com isso? Vejo colegas se manifestarem sarcasticamente sobre o quanto es-ses adolescentes ‘escrevem errado’ - quando se deixados só aos nossos cuidados sequer estariam escrevendo!

Comecei a lecionar um ano depois de entrar numa primeira faculdade - e logo percebi que, tanto quanto aos conteúdos quanto às formas do trabalho docente, eu continuava encontrando mais ajuda fora do que dentro da instituição. E nesse momento um jovem europeu de postura entre hippie tardio e punk precoce, porém muito lido, me desafiou: ‘Professores são seres insuportáveis, e o são porque não têm idéia de como é a vida fora da escola: cresceram nela, nela se formaram, nela passaram a trabalhar de imediato. Como vão ser úteis a um mundo que nem conhecem?’

Ainda estávamos no embalo de 1968 e parecia garantido que as instituições vigentes pudessem ser substituídas relativamente rápido por alternativas de um ou de outro tipo - e no nosso mundo novo valeria o saber demonstrado na prática, não os títulos de papel. Foi com essa confiança que abandonei a busca do diploma e saí catando conhecimentos que julgava relevantes para a construção desse novo mundo, onde quer que os encontrasse.

Assim, entre trabalhos e aprendizados os mais diversos, aos 40 eu havia cursado seis anos em nível superior em três países - porém sem grau, pois haviam sido semestres avulsos e ‘cursos livres’. Tinha investido ainda milhares de horas em cursos de extensão e em leituras em cinco idiomas, escrito centenas de páginas, dado palestras e cursos em nove estados... 
 
... quando de repente ficou claro que, em lugar de desabar, as velhas instituições haviam se tornado mais fortes que nunca, e imposto uma ‘nova ordem’ sua: uma na qual eu - que já havia palestrado, assumidamente sem título, em faculdades do prestígio de uma ESALQ e um IP-USP - estava restituído ao meu valor dos 17 anos: ‘Ensino Médio’.

Foi aí que decidi que, se tinha que me graduar e especializar, seria justamente em Estudos da Educação – entre outras coisas porque vinha ensinando a jovens em espaço não-formal, e a honestidade vinha me forçando a dizer-lhes: ‘NÃO tomem minha história como modelo: por mais que lhes doa, cumpram a carreira escolar até o fim - mesmo se em pleno século 21 a maior parte das escolas sequer realizou as conquistas pedagógicas de 1920, e é fato que lá vocês perdem tempo e ainda vão ter que conquistar por fora talvez o mais importante dos seus aprendizados.’

Mas... não é melancólico ter que dizer isso a jovens - para não dizer trágico? Quanto desperdício de vida humana - sem nem falar no de recursos públicos! Por que nós - professores, orientadores, administradores - não encaramos o DESAFIO MORAL de fazer da escola um espaço de educação realmente significativo - entendida a realidade do século 21?

É óbvio que isso não pode ser meramente mais um remendo no modelo escolar histórico! Precisamos entender de vez que estamos atravessando a revolução cultural mais radical da história da humanidade e, de modo condizente, ousarmos repensar tudo.

Pois nosso esgotamento vem justamente de passarmos os dias tentando empurrar um ancião moribundo - se não já um cadáver - na velocidade dos jovens!

É nesse sentido que tenho convidado colegas educadores de todos os tipos a sentar, trocar experiências e perplexidades e sonhar juntos - na qualidade de um educador que, quando jovem, se viu compelido a fugir da escola de tanta vontade de aprender - inclusive de aprender a conseguir compartilhar eficazmente o que aprendia.
São Paulo, agosto de 2010
Ralf Rickli

19 agosto 2010

Novas palestras, cursos, grupos de conversação pelo prisma da Pedagogia do Convívio: formação de Pais ; de Jovens ; de educadores formais & não-formais - e mais


 
PALESTRAS, CURSOS e GRUPOS DE CONVERSAÇÃO
NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO CONVIVIAL
focos temáticos 2010-2011
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Todos os temas são oferecidos em duas formas
• palestra ou apresentação única, ou introdutória - sempre incluindo diálogo (tempo mínimo 2 horas)
• cursos ou grupos de conversação com duração e características projetadas para as peculiaridades de cada caso 
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Destinam-se a:  educadores na ativa ou em formação • planejadores, políticos, administradores • pais & mães e outras pessoas que convivem com crianças • adolescentes e jovens • outros interessados 
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Onde? por solicitação de grupos ou instituições que se responsabilizem pelo espaço e demais aspectos operacionais 
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• em português, espanhol ou inglês

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Uma chave: O BOM, o BELO e o VERDADEIRO
Como apontado por uma de nossas fontes de inspiração - a Pedagogia Waldorf - estes 3 valores fundamentais na existência humana só podem ser apreendidos e desenvolvidos a partir de amostras convincentes da sua existência recebidas nas seguintes idades: 
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Zero a sete anos: o mundo pode ser bom 
Sete anos à puberdade: o mundo pode ser belo 
Puberdade a início da idade adulta: o mundo pode ser verdadeiro
*  *  *
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Campo 1 - A CHAVE INVISÍVEL: o trato com as crianças pequenas e suas consequências no mundo
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Não aprendemos a fazer o que nos dizem: aprendemos a fazer o que nos fazem.
Prof.Dr. Marcos Ferreira Santos
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A hora da Bondade em Educação
alvo principal: profissionais em Educação Infantil 
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A chave invisível dos problemas do mundo: conexões sociais, políticas e ecológicas da educação infantil e parental
alvo principal: administradores e planejadores, educadores sociais, políticos, ativistas - sem excluir demais interessados 
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• Para quem não quer filhos-problema
Conversações com familiares, sobretudo pais e/ou mães 
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Campo 2 - A HORA DA VERDADE: adolescentes e jovens e educação
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Você espera alguma coisa da sua vida? Falando de chaves e de pistas falsas com sinceridade - ATIVIDADES DIRETAS COM JOVENS
.
Fundamentos realistas para a comunicação pedagógica com adolescentes & jovens - com referências à experiência Trópis em Educação Convivial - grupos de conversação com educadores formais e/ou extra-escolares e outros profissionais correlatos 
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Campo 3 - A HORA DA FÊNIX: reencontrando sentidos & relevância no conceito ‘Arte de Ensinar’ 
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Em busca da integridade perdida
Por que sem a integração das vias analítica e estética da cognição não acontece aprendizado - nem ética 
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Professor: uma profissão esgotada?
Conversações sobre a epidemia mundial de burn-out, seu caráter histórico, e possíveis rumos de superação
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Mestres humanos ou crias de Frankenstein?
Identificando as condições indispensáveis para uma formação eficaz de profissionais de educação
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A Palavra, a Galinha e a Idéia - ou: ‘onde a educação enrosca entre a letra e a realidade’ - Por que saber nomes não é saber & ensinar nomes não é ensinar - e outras questões correlatas 
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Pedagogia Waldorf, saber acadêmico & Educação Pública:
perspectivas para a viabilização de um diálogo frutificante 
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O caminho único e múltiplo para paz real
O fenômeno do Convívio, das dimensões psicológica e cosmológica à social e à ecológica - e a Pedagogia que propomos (não única!) onde ele é método e meta
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Campo 4 - VIAGENS NA HISTÓRIA:
aventura estético-intelectual & aprendizado eficaz
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ÁFRICA - continente selvagem ou Mãe da Civilização?
Apresentações audiovisuais e conversas com para professores, alunos, interessados em geral
Com base no livro e peça O dia em que Túlio descobriu a África, inspirado na obra do historiador e cientista senegalês Cheikh Anta Diop -
No sentido das leis 10.639/2003 e 11.645/2008
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Mil anos de Música: paisagens e picos
Uma familiarização com estilos, compositores e peças marcantes de 1000 a 2000 d.C., com mais música que palavras 
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MAIS SOBRE OS CAMPOS LOGO ADIANTE
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Currículo resumido
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Ralf Rickli, pedagogo e escritor, ministrou até 2009 palestras e cursos em 48 cidades de 9 estados brasileiros, Venezuela, Inglaterra e Alemanha.
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Sua atuação, embora sempre diversificada, teve em cada década uma ênfase principal: 
.70 - formação humana através do aprendizado musical
.80 - conscientização ecológica geral e na agricultura
.90 - identidade cultural brasileira, mirando sobretudo a auto-estima e cidadania em grupos marginalizados
.00 - renovação das formas da educação e da formação de educadores, incluindo a conscientização parental
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Foi co-fundador, docente, editor e membro do conselho executivo do então Instituto Biodinâmico (Botucatu, 82-90); colaborador da Associação Monte Azul (São Paulo, 93-94); fundador e coordenador da Trópis iniciativas sócio-culturais (S.Paulo e Baixada Santista, 92-98-07), dentro de cujas atividades desenvolveu a Pedagogia e Filosofia do Convívio. Entre suas experiências complementares, gosta de destacar as de administrador de sítio, redator de publicidade, instrutor de idiomas in company, aprendiz em fábrica de pianos, tradutor e editor.
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A graduação em Pedagogia quando já ensinava há 31 anos (USP, 2006 - v. Rickli 2010b) foi antecedida de, entre outros, estudos de Piano e Educação Musical na Escola de Música e Belas Artes do Paraná; Desenvolvimento Rural e Agricultura Biodinâmica no Emerson College (Inglaterra, 79-81); Ano de Estudos em Língua Alemã no Institut Annener Berg (Alemanha, 90-91) e Artes Cênicas na Educação (ECA-USP, 94). Em 08-09 cursou a especialização ‘Pedagogia da Arte da Paz’ (Educação Infantil pelo prisma Waldorf - UNISA/Institu­to Sophia). Atualmente prepara um projeto de comparação, por um olhar contemporâneo, entre as concepções, propostas e práticas Waldorf e as de Henri Wallon.
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Sua produção escrita abrange ensaios e artigos jornalísticos impressos e na internet, traduções de diversos idio­mas (inclusive seis volumes integrais de Rudolf Steiner), poesia, teatro e ficção juvenil, inclusive o primeiro livro paradidático brasileiro sobre História das Civilizações Africanas (O dia em Túlio descobriu a África, 232 pp., 1997, teatralizado em 2009).
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Currículo acadêmico Lattes:
Curriculum Vitae e bibliografia completos: <http://ralf.r.tropis.org
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CUSTOS: abordagem sócio-pedagógica
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Temos que SER a mudança que queremos ver no mundo. Gandhi
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Sociedade saudável não trata trabalho como mercadoria. Pretendendo ser ações de construção de uma sociedade saudável, nossos serviços não podem ter preço: trabalhamos exclusivamente com acordos de viabilização conforme as possibilidades de todas as partes envolvidas.
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Da nossa parte, damos sempre nosso máximo em conteúdo e qualidade. Como contrapartida, pedimos que cada instituição ou grupo interessado ofereça o máximo de que seu orçamento permite dispor para fins desta natureza, com base no que já pagaram ou se disporiam a pagar a qualquer outro profissional por serviços comparáveis. Não há limites mínimos nem máximos. Havendo real interesse, nenhuma proposta é desconsiderada, desde que honestamente compatível com as possibilidades orçamentárias dos solicitantes.
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Algumas palavras sobre a abordagem
e os campos temáticos
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A perspectiva convivial
O Convívio como método e como meta
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As expressões Educação Convivial e Pedagogia do Convívio foram cunhadas por Ralf Rickli ao longo do caminho de pensamento-ação realizado junto com jovens das periferias de São Paulo e Baixada Santista na Associação Trópis, de 1993 a 2006.
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Trata-se de repensar os caminhos da educação partindo da sua forma mais básica e espontânea: o compartilhar de saberes no convívio cotidiano natural dos seres humanos. Reconhecendo ao mesmo tempo que a maior parte dos problemas da humanidade está ligado às dificuldades do convívio, formula-se então como educação no convívio, através do convívio e para o convívio. Embora desenvolvida inicialmente no trabalho extra-escolar com jovens, suas concepções têm a contribuir também para o trabalho em espaço escolar e com todas as faixas de idade.
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A Educação Convivial é ainda face prática de uma perspectiva filosófica desenvolvida ao longo de quatro décadas, centrada em um pluralismo absoluto que identifica o convívio na diferença como única forma possível de unidade, condição da própria existência no sentido da física, e da saúde ou bem nas dimensões ecológica, social e psicológica.
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Tomamos a palavra ‘convivial’ emprestada, em 1996, de Ivan Illich, que a introduziu em 1973. Não sabíamos, então, que um ano antes os Profs. Hoefel e Stahel também falavam de ‘Educação Convivial’, partindo de Illich, na Universidade S. Francisco (Bragança Paulista). Posteriormente diversos grupos usaram palavras idênticas ou aparentadas, como ‘convivencialidade’. São caminhos com histórias diferentes e com maior ou menor medida de métodos e de objetivos em comum – e que, coerentemente, podem e devem conviver.
Bibliografia específica: Rickli 2008, _ 2010a, 2.
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Campo 1
A chave invisível: o trato com as crianças pequenas e suas consequências no mundo
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Não aprendemos a fazer o que nos dizem: aprendemos a fazer o que nos fazem.
Prof.Dr. Marcos Ferreira Santos (FE-USP) 
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Seja em psicanalistas como Winnicott e Ferenczi, seja na pedagogia e psicologia inspiradas por Rudolf Steiner, seja em Vygotsky e Luria ou na Neurociência recente, está mais que demonstrado que a qualidade da atuação de um ser humano por toda a sua vida é determinada pelos sentimentos e modelos inspirados na primeira infância pela forma de agir dos pais e outros cuidadores e educadores (ou seja: não pelo conteúdo de suas palavras). 
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Isso é especialmente sério no período de formação das estruturas psíquicas fundamentais: da concepção aos três anos. É aí que, sem percebê-lo, cada geração tem depositado na seguinte o que pode ser chamado, sem exagero, de a semente do mal: feridas psíquicas que dão origem às tendências antissociais presentes em todo ser humano, inclusive a compulsão de repassar a mesma ferida à próxima geração – mais uma vez sem percebê-lo.
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Justiça, fraternidade e paz jamais serão construídas, portanto, sem enfrentarmos coletivamente esta que surge como a questão mais decisiva para a humanidade: como conscientizar e mobilizar os pais, educadores e outros ‘mais velhos’ no sentido de reverem seu modo de lidar com a criança pequena. Mas como começar? Bibliografia específica: Rickli 2010a. 
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Campo 2
A hora da Verdade: a atividade educativa com adolescentes e jovens
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A juventude está sozinha: não tem ninguém para ajudar / a entender por que é que o mundo é esse desastre que aí está. Renato Russo
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Nós demos a vocês 20 anos para nos fazerem fortes – fortes no amor, fortes em querer o bem - mas vocês nos fizeram fortes no mal. Porque são fracos no bem. Vocês não nos mostraram nenhum caminho que tivesse sentido, porque vocês mesmos não conhecem um tal caminho – e nem trataram de procurar. Porque são fracos.   
De um jovem sentenciado alemão, 1950-60
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A maior dificuldade atual da educação pós-puberdade (final do Ensino Fundamental, Ensino Médio, EJA e inclusive a Graduação superior) é provavelmente a impressão de falta de verdade nas palavras e atuação dos professores. Pedimos que se dediquem a temas aos quais nós mesmos não dedicamos interesse, que usem linguagens e posturas que nós mesmos não nos usamos na vida real, que almejem metas nas quais nós mesmos não pomos fé – sem falar que se espera que ministremos ‘educação sexual’ sem ninguém ter nos ajudado a resolver nossos próprios desconfortos com o assunto. Não é à toa que a maior parte do nosso discurso não cola, que os jovens via de regra não só não reconhecem em nós os modelos de que ainda precisam (segundo a Neurociência até os 25 anos!) como falam de nós com franco desprezo quando conversam entre si. 
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E no entanto esse é o nosso ofício... Existe saída desse impasse? E, afinal, sabemos o que é que os jovens realmente precisam receber de nós? – V. Rickli 2006, 1, 3, 4, 8, 11.3-4.  _ 2010, 1.6-10; 1.12
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Campo 3
A hora da fênix: reencontrando sentidos & relevância no conceito ‘Arte de Ensinar’
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Dona Didática já foi rainha e senhora na formação de educadores. Disseram que tinha ficado chata e mandona, e pior: pré-científica em seu generalismo. Que tinha mais é que morrer junto com a velha Escola Normal. Dona Didática deixou uma sósia no lugar que lhe tinham reservado a contragosto na faculdade... e se suicidou.
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Mas agora alguns começam a suspeitar que ninguém sabe fazer certas coisas que, bem ou mal, era ela quem fazia. Que talvez fosse preciso restaurar o lugar de uma Didática Geral. 
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Mas... Dona Didática está morta! Uma Inês de Castro na cátedra só traria mais problemas, não soluções!
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Ou seria Dona Didática uma fênix, capaz de surgir vigorosa, flexível, bela e cheia de novos poderes, justamente por ter tido coragem de destruir sua forma velha? 
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E, se for esse o caso, como saberemos que é ela mesma, e não outra qualquer de olho no seu lugar?
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Nossa aposta: pela definição que ela gostava de usar para si em sua juventude anterior: Arte de Ensinar.Este campo reúne questões variadas, porém todas com esse grande tema ao fundo. 
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Um pouco mais sobre a perspectiva na Carta aos colegas educadores em www.tropis.org/biblioteca (Rickli 2010b). Outras referências: Rickli 2006, 8; 10; 11.  _ 2010a.  _ 2010c.
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Campo 4
Viagens na História:
aventura estético-intelectual & aprendizado eficaz
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Poucas coisas estimulam tanto um jovem a assumir responsabilidade por si mesmo e sua coletividade quanto a percepção de que sua própria vida faz parte do tecido dos eventos históricos. Isso, porém, sequer é possível quando não se dispõe de uma representação interior da história suficientemente ampla e vívida – para o que não bastam nomes e datas e tampouco análises exclusivamente no sentido das relações econômicas. 
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Assim como só enxergamos a corporeidade das coisas usando dois olhos, nosso conhecimento só tem consistência suficiente para ser útil quando é convergência das vias analítica e estética da cognição (Rickli 2006,8). Trabalhar com isso requer, no entanto, uma mobilidade transdisciplinar que só obtemos indo bem além das exigências oficiais da nossa formação.
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Dos roteiros aqui propostos, o de familiarização com a música na história foi desenvolvido e aplicado por Ralf Rickli já em 1978. 
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O referente às civilizações da África e suas realizações culturais vem de 1992 – 11 anos antes da primeira lei federal a respeito. Sua aplicação desde então tem mostrado que, para jovens afrodescendentes e mesmo de outras etnias não-dominantes, o impacto motivador desta abordagem afirmativa é incomparavelmente superior ao de mera repetição da denúncia dos processos de opressão. (Rickli 1997; _ 1998; _ 2006, 4, 8)
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Bibliografia dos temas disponível na net
Em www.tropis.org/biblioteca encontram-se disponíveis, entre outros, os seguintes trabalhos relacionados com os temas oferecidos e a abordagem empregada : 
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RICKLI, R. (2010a). AOS QUE PODEM SALVAR O MUNDO: a Filosofia e Pedagogia do Convívio e seu apelo por uma nova consciência & arte dos Pais. 239 pp

._ (2010b). Carta aos colegas educadores, de um pedagogo que o é porque fugiu da escola. 2 pp.

_ (2010c). O desafio do relacionamento acadêmico com a obra de Rudolf Steiner (para a discussão da Pedagogia Waldorf). 10 pp.

_ (2008). LIBERDADE SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL: uma intro­dução à Filosofia do Convívio e a algumas das suas aplicações. 35 pp.

_ (2006). PEDAGOGIA DO CONVÍVIO: na invenção de um viver humano. Coletânea de ensaios, 248 pp., dis­po­níveis também em separado. No caso especialmente: 

A proposta de uma Educação Convivial e a nossa Oficina de Conhecimento & Artes. 6 pp.  
4  Insuficiências da Educação, violência e juventude no Brasil. 13 pp.  
8  Em busca da integridade perdida. 20 pp.
10 Uma aula para Lili (sobre a perspectiva Waldorf em alfabetização). 2 pp. 
11 Mestres humanos ou crias de Frankenstein? - para a criação holográfica do par interdependente ‘democracia viável’ e ‘formação profissional conseqüente em educação’. 63 pp.

_ (2003). Relacionando-se com a Antroposofia como discurso religioso ou discurso científico. 8 pp. Em ‘Trópis e antroposofia em diálogo’.

_ (1998). O Túnel da História e o indivíduo como chave do social. 3 pp.

_ (1997). O DIA EM QUE TÚLIO DESCOBRIU A ÁFRICA. Ficção paradidática, 232 pp. Alguns capítulos disponíveis em www.tropis.org/afro; versão teatral (2009) a publicar em breve. Complementado por: África: um roteiro cultural e histórico, seleção de fotos e mapas em apoio visual ao roteiro do livro e peça, em http://bit.ly/ct0mWd  e  http://bit.ly/bo9aNO
 

05 agosto 2010

GUNNAR VARGAS HOJE NO BAR DO BINHO

 
HOJE, NO
BAR DO BINHO
, ÀS 2O:3O

 
GUNNAR VARGAS
E SEU
VIOLÃO

MÚSICA DE EXCELENTE QUALIDADE: 
... CHICO
BUARQUE,
... ITAMAR
ASSUMPÇÃO
... JOÃO
BOSCO
 
... E O MELHOR:
SUAS PRÓPRIAS MÚSICAS
 
O BAR DO BINHO É NA RUA AVELINO LEMOS JR. 60 • PRÓXIMO À UNIBAN CAMPO LIMPO
SAMPA ZONA SUL • 11 5844-6521

 
Obs: hoje também tem o Sarau da Vila Fundão com participação especial do Grupo Candearte