Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)
26 fevereiro 2008
uma pequena cosmologia físico-poética
política & amorosa
23 fevereiro 2008
"Parentes" da TEORIA CONVIVIAL - importância do vínculo com a Vertente do Pacífico
Dia desses (18.02) fiz uma apresentação introdutória da Filosofia do Convívio para a equipe da Fábrica de Criatividade, e achei interessante mencionar de passagem o nome de alguns pensadores ou correntes de pensamento com os quais sinto que a Teoria Convivial tem afinidades notáveis, mesmo se geralmente parciais – e mesmo que muitos, muitos outros também pudessem se incluídos:
Dimensão filosófica: pensamento taoísta e zen; pensamento ameríndio; Heráclito; Nicolau de Cusa; Goethe; "trimembração social" de Rudolf Steiner; Lupasco; Edgar Morin (pensamento da complexidade).
Dimensão psicológica: Wilhelm Reich; R.D. Laing (anti-psiquiatria); Winnicott; Wallon; Vygotsky; Jung; Carl Rogers.
Dimensão pedagógica: Sócrates; Epicuro; Rudolf Steiner (Pedagogia Waldorf); A.S. Neill (Summerhill); Janusz Korczak; Ivan Illich; Paulo Freire.
Sendo incomum a referência a contribuições de fora da tradição eurocêntrica, achei importante detalhar um pouco mais o que chamo a "vertente de pensamento do Pacífico": o pensamento taoísta e o zen (da China e Japão) e (ainda mais raramente mencionado) o ameríndio - ou seja: dos povos indígenas das Américas.
Não se trata de uma junção disparatada nem arbitrária, como pode parecer à primeira vista. De acordo com a pesquisa genética, a população que se encontrava nas Américas antes de Colombo descende quase integralmente de povos da Sibéria – e é também no pensamento xamânico siberiano que vamos encontrar a raiz do taoísmo, o qual mais tarde se juntou ao budismo procedente da Índia, resultando no zen.[1]
É preciso estar consciente, "para não falar besteira", dos intervalos de tempo envolvidos. Os índios se encontram aqui há pelo menos 15 mil anos, e provavelmente há mais. O taoísmo tem uns 2500 anos de história, mais talvez uns 1000 de pré-história, e o zen tem "apenas" uns 1500 anos.
É preciso mencionar, aliás, que a arqueóloga Niède Guidon provou que os vestígios de presença humana no Piauí têm não menos que 50 mil anos – mas com isso se torna praticamente impossível que esses primeiros habitantes fossem do tipo siberiano de que estamos falando; há, pelo contrário, razões para imaginar que tenham vindo diretamente da África.
Em última análise teriam sido esses os "descobridores da América" – mas para nossa história cultural importa bem mais o estrato (camada) que veio da Ásia – uma gente para a qual esta terra foi o Extremo Oriente, e não o Extremo Ocidente como para os africanos e os europeus – dado em que podemos encontrar ricas implicações simbólicas.
É urgente, portanto, que paremos de pensar que a nossa história, no Brasil, começa com a chegada dos portugueses em 1500 –
... inclusive a história cultural e intelectual. Pois há mais elementos do que pensamos para identificar algo como "uma forma ameríndia de pensar". Há, inclusive, muito mais textos produzidos por índios do que costumamos imaginar.[2]
Outro dado de grande interesse nesse sentido são as teorias que sugerem que a própria democracia moderna deve mais aos índios que aos gregos, a quem a costumamos vincular. Por quê razão, enfim, o impulso democrático grego teria ressurgido na Europa depois de uns dois mil anos de abandono – dois mil anos em que a história e filosofia dos gregos não deixaram de ser conhecidas no Ocidente a não ser por alguns momentos? Por outro lado, foi depois da "descoberta" européia das Américas que esse impulso começou a se fazer sentir entre os próprios europeus.
Há pelo menos duas trajetórias pelas quais essa influência parece ter se dado: por um lado, os ensaios do francês Michel de Montaigne (1533-1592), ainda sob o impacto dos relatos dos navegadores – os quais foram lidos dois séculos mais tarde influenciaram as teorias do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), uma das principais fontes do impulso democrático na época iluminista. Por outro lado, o estatuto da Liga das Nações Iroquesas teria tido forte influência sobre outra dessas grandes fontes, que foram a Declaração da Independência e a Constituição dos Estados Unidos. [3]
As razões que me levam a vincular a Filosofia do Convívio à Vertente do Pacífico são portanto não só de afinidade metodológica e teórica (como veremos adiante), mas também razões políticas: a intenção de desenvolver um pensamento que se vincule não só à cultura que está nestas terras há 500 anos, mas também, e mais profundamente, àquela que está aqui a 15 mil anos, ou mais – e que, reconheçamos ou não, é a raiz genética e cultural mais profunda do povo brasileiro.
[1] Ver Bloise, Paulo V. O Tao e a psicologia. São Paulo: Angra, 2000.
[2] Não cabe aqui uma relação ampla nesse sentido. Sugiro apenas que se preste atenção às publicações recentes, no Brasil, de Daniel Munduruku, Kaká Werá Jekupé e Olívio Jekupé – bem como a qualquer escrito ou entrevista de Aílton Krenak. Também são notáveis os estudos do casal francês Pierre e Hélène Clastres sobre a visão-de-mundo guarani, entre muitos outros. Em relação à América do Norte costumo me referir a McLuhan, T.C. Touch the earth: a self-portrait of Indian existence. Londres: Abacus, 1980.
[3] Sobre este ponto: Johansen, Bruce E. Forgotten founders: Benjamin Franklin, the Iroquois and the rationale for the American revolution. Ipswich MA: Gambit, 1982. Consultado em http://www.ratical.com/many_worlds/6Nations/
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22 fevereiro 2008
Tropeiros acontecem: artigo da Ana Estrella na Viração
Com esse título ou outro, seria ótimo que os egressos da experiência Trópis, ou ainda participantes de um certo movimento Trópis, auto-documentassem o que fazem acontecer por aí, colocando na lista Teletropis, na comunidade Trópis no orkut, nos seus blogs e no meu, etc etc.
Tropeiros acontecem: artigo da Ana Estrella sobre a Expedición donde miras na Revista Viração
http://www.revistaviracao.org.br/artigo.php?id=1465
17 fevereiro 2008
Relatos Sacros de um Tempo Profano qualquer
A Arte de Escrever e de Ler Com-Vida, que darei na
Fábrica de Criatividade nos próximos meses (veja a postagem
http://pluralf.blogspot.com/2008/02/oficinas-curso-gratis-na-fbrica-de.html ),
que já está com 1 ano e eu acabo de conhecer - filhote dos tropeiros Carlinhos Amaro & Thais, que se conheceram nos nossos tempos no galpão de Praia Grande (conheça o galpão e sua história em www.tropis.org/foto-historia4.html - e quanto ao Yan,
acham que porque é pequeno é de pouca importância?
Ele tem até comunidade no orkut, http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=29257847 !),
Potyra da Paz Rickli... minha neta.
Mas por agora fui!)
DE UM TEMPO PROFANO QUALQUER
14 fevereiro 2008
Exposição JOÃO BONETTI na Fábrica de Criatividade com coquetel e debate - ENTRADA FRANCA
Estou muito feliz que venha expor na Fábrica de Criatividade, que é em si uma construção capaz de estabelecer diálogo com os trabalhos do João.
Mais uma confirmação, além de tudo, da vitalidade cultural da Periferia Sul de São Paulo... cada vez mais CENTRO, como previmos em meados da década de 90 ao lançar o mote
A PERIFERIA É O CENTRO.
Pega aí meu convite: VENHA E FAÇA PARTE dessa
renovação histórica!"
11 fevereiro 2008
oficinas-curso GRATIS na Fábrica de Criatividade / repassem
na Fábrica de Criatividade - próxima ao metrô Capão Redondo (Linha Lilás, Zona Sul SP)
LITERATURA EM AÇÃO (com Alisson da Paz, aluno-colega na Trópis desde 1999) e
A ARTE DE ESCREVER E DE LER COM-VIDA (comigo, Ralf Rickli)
com inscrições até 22 de fevereiro:
• literatura em ação (aparece na ficha "ação literária")
• break
• construção e manipulação de bonecos
• desenho
• bateria
contato@fabicadecriatividade.com.br - www.fabricadecriatividade.com.br - 5511-0055
10 fevereiro 2008
Liberdade de Imprensa, DEMOCRACIA e Liberdade de Expressão
Amig@s: a realidade mostrou que meu compromisso original de postar todo sábado deve ser atualizado para postar todo DOMINGO. Pode ser que às vezes antecipe ou que faça outras postagens durante a semana, mas a garantia que pretendo dar é de que não chegue 0 h de segunda sem postagem nova.
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O PLURALISMO RADICAL
E DE EXPRESSÃO NUMA DEMOCRACIA VERDADEIRA?
As palavras & idéias contidas aqui podem e devem ser reproduzidas, desde que claramente mencionados o autor e a fonte, com link.
03 fevereiro 2008
20 POEMAS DE 3 POETAS QUE SÃO 1
nos olhos daquelas mãos
que limpam a tua privada?
e não morreu de paixão?
"em parceria com o Valdo"
ERROS QUE SÃO ACERTOS
ou a espernaça?
fustigaram meu rosto
ao passar do trem
Da serie Paulistanas,
iniciada em 1982
- dizia o gato -
* * *
um "haikóide"
XPT1
que não haja
dos Desordenados
em cidades muradas meu coração não se encaixa
e chácaras cercadas não dão campo a seu galope
ébrio de se escancarar
– e quem diz
que é padrão ser prisioneiro?
de seguir o Grande Mandamento
que é ser si mesmo
o seu padrão.
a esses castigarei brutalmente:
lançarei seus arreios na fogueira
condenando-os a chocante liberdade
sem rótulos nas rotas nem roteiros nas mãos.
vinde tentar me tosquiar,
e saireis aturdidos
com vossas próprias lãs!
Assinado: ZÉ. Profissão:
robinhoodismo filosófico-pedagógico
selvageria intelectual
Amostras do VALDO
esse é possivelmente
do CoVALDO
de mim se estenderiam asas
de infinito
contemplar teu peito aberto
eu
te romperia o invólucro
mas
a todos os anseios meus -
que aventura restaria no universo, a perseguir?
ver novos lugares, novas tardes, novos grãos de areia?
é em si um universo inteiro?
cada um com seus pássaros, seus grãos de areia,
seus pores de sol?
depois, cansados e ricos do que vimos e provamos,
cada um na sua expedição,
cairmos rindo nos braços um do outro
e em puro gozo
compartilhar o mais que nos tornamos
como enquanto o um que também somos)
mas volta! pra que eu também possa viver mais
em ti,
e em-ti-em-mim-e-em-mim-em-ti!