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Esta matéria de CHRIS HEDGE, publicada nos EUA em 06/02/2012, mostra que, tanto lá como aqui, BLACK BLOCs e P2 são diferentes cepas DO MESMO VÍRUS - inoculados na sociedade por agentes DO MESMO IMPÉRIO, como VACINA ANTI-REVOLUÇÃO.
Título original: THE CANCER IN OCCUPY
http://www.truthdig.com/report/page2/the_cancer_of_occupy_20120206/
Tradução e notas entre colchetes: Ralf R.
Os anarquistas Black Bloc, que estiveram em ação nas ruas de Oakland e de outras cidades, são o câncer do movimento Occupy. A presença de anarquistas Black Bloc - chamados assim porque se vestem de preto, escondem a cara, se movem como massa unificada, buscam confrontos físicos com a polícia e destroem propriedades - é um presente do céu para o Estado da Segurança e Vigilância. Os acampamentos Occupy em várias cidades foram fechados justamente porque eram não violentos. Foram fechados porque o Estado percebeu seu amplo potencial de atração, até mesmo para os de dentro dos sistemas de poder. Foram fechados porque articularam uma verdade, sobre o nosso sistema econômico e político, que cruzava transversalmente as linhas políticas e culturais. E foram fechados porque eram locais onde mães e pais com carrinhos de bebê se sentiam seguros.
Os adeptos do Black Bloc detestam a nós que estamos na esquerda organizada, e procuram, bem conscientemente, nos arrancar nossos instrumentos de empoderamento. Confundem com revolução o que são atos de vandalismo banal e de repugnante cinismo. Os verdadeiros inimigos, eles argumentam, não são os capitalistas corporativos, e sim os seus colaboradores no meio dos sindicatos, dos movimentos de trabalhadores, dos intelectuais radicais, ativistas ambientais e movimentos populares como os zapatistas. Qualquer grupo que busca re-estruturar estruturas sociais, especialmente por meio de atos de desobediência civil não violenta ao invés de destruir fisicamente, se torna o inimigo, aos olhos dos Black Bloc. Anarquistas Black Bloc empregam a maior parte da sua fúria não contra os arquitetos do NAFTA (Acordo Norte-Americano de Livre Comércio) ou da globalização, e sim contra os que reagem contra esse problema, como os zapatistas. É uma inversão de sistemas de valores grotesca.
Por não acreditarem em organização, e na verdade se oporem a todos os movimentos organizados, os anarquistas Black Bloc garantem sua própria impotência. Tudo o que eles conseguem ser é obstrucionistas. E são obstrucionistas principalmente para aqueles que resistem. John Zerzan, um dos principais ideólogos do movimento Black Bloc nos Estados Unidos, defendeu o desconexo manifesto "A sociedade industrial e o seu futuro", de Theodore Kaczynski, conhecido como Unabomber, mesmo se não endossou seus atentados. Zerzan é um feroz crítico de uma longa lista de supostos vendidos, a começar por Noam Chomsky. Anarquistas Black Bloc são um exemplo do que Theodore Roszak, em "The Making of a Counter Culture", chamava de "progressiva adolescentização" da esquerda estadunidense.
Em sua extinta revista Green Anarchy (que sobrevive como website), Zerzan publicou um artigo escrito por alguém chamado "Borboleta Venenosa” (Venomous Butterfly), que execrava o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). O artigo dizia que "os objetivos dos zapatistas não só não são anarquistas, como sequer são revolucionários. Também denunciou o movimento indígena por “linguagem nacionalista", pelo fato de defender que o povo tem direito de “alterar ou modificar sua forma de governo”, e por ter como objetivos “trabalho, terra, moradia, saúde, educação, independência, liberdade, democracia, justiça e paz”. Tal movimento, o artigo afirmava, não seria digno de apoio pois não demandava "nada de concreto que não possa ser fornecido pelo capitalismo. "
"É claro que não se pode esperar", continuava o artigo, "que as lutas sociais dos explorados e oprimidos se adaptem a algum ideal anarquista abstrato. Essas lutas surgem em situações particulares, provocadas por eventos específicos. A questão da solidariedade revolucionária com essas lutas é, portanto, a de como intervir de um modo que sirva aos nossos próprios objetivos, de uma maneira que seja vantajosa para o nosso projeto revolucionário anarquista." [O original usa o eufemismo “one’s”, mas não há falseamento em traduzi-lo por “nosso”].
Solidariedade vem a ser então o sequestro ou destruição de movimentos concorrentes, o que é exatamente o que os contingentes Black Bloc estão tentando fazer com o movimento Occupy.
"Os Black Bloc podem dizer que estão atacando policiais, mas o que eles realmente estão fazendo é destruir o movimento Occupy", me disse o escritor e ativista ambiental Derrick Jensen quando o contatei por telefone na Califórnia. "Se o seu alvo fosse de fato a polícia, e não o movimento Occupy, os Black Bloc separariam completamente suas ações das do Occupy, em vez de efetivamente usar este último como escudo humano. Seus ataques a policiais são meramente um meio para outra finalidade, que é a de destruir um movimento que não se encaixa no seu padrão ideológico."
"Não vejo problemas no emprego de táticas de escalada [aumento gradativo de pressão que pode chegar a atos violento] para algum tipo de resistência militante, se isso for moral, estratégica e taticamente apropriado", prosseguiu Jensen. "Isso vale no caso de você levantar um cartaz, uma pedra ou uma arma. Mas você tem que ter refletido sobre isso. Os Black Bloc passam mais tempo tentando destruir movimentos que atacando quem está no poder. Eles odeiam mais a esquerda que os capitalistas."
"Seu modo de pensar não é apenas não estratégico, mas ativamente contrário à estratégia", disse Jensen, autor de vários livros, incluindo "The Culture of Make Believe" (A cultura do faz-de-conta). "Eles não estão dispostos a pensar criticamente sobre se a pessoa está agindo de forma adequada no momento. Não vejo problemas em alguém violar limites quando essa violação é a coisa mais inteligente ou apropriada a fazer - mas vejo enorme problema em pessoas que violam limites apenas para violar limites. É muito mais fácil pegar uma pedra e jogar na janela mais próxima do que organizar - ou que pelo menos descobrir em qual janela você deve jogar a pedra, se você for jogar uma pedra. Muito disso é preguiça."
Grupos de manifestantes Black Bloc, por exemplo, moeram as janelas de um café de propriedade local e o saquearam, em novembro, em Oakland. Não era, como Jensen aponta, um ato estratégico, moral ou tático. Foi feito por fazer. Atos de violência, saques e vandalismo são justificados, no jargão do movimento, como componentes de insurreição "selvagem" (feral) ou "espontânea." O movimento defende que atos desse tipo nunca podem ser organizados. Organização, no pensamento do movimento, implica hierarquia, que deveria ser combatida sempre. Não poderia haver restrições a atos de insurreição “selvagens” ou "espontâneos". Quem se machucar se machucou. O que for destruído se destruiu, não importa o quê.
Há um adjetivo para isso: "criminoso".
O movimento Black Bloc está infectado com uma hipermasculinidade profundamente perturbadora. Essa hipermasculinidade, tenho a impressão, é o seu apelo básico. Ela cutuca a volúpia de destruir que se esconde dentro de nós - destruir não apenas coisas, mas também seres humanos. Ela oferece o poder como de deuses que vem com a violência da turba. Marchar como massa uniforme, todos vestidos de preto para se tornarem parte de um bloco anônimo com rostos cobertos, isso supera temporariamente a alienação, os sentimentos de inadequação, impotência e solidão. Confere aos participantes da massa um sentimento de camaradagem. Permite que uma raiva indefinida seja descarregada em qualquer alvo. Piedade, compaixão e delicadeza são banidos pela intoxicação do poder. É a mesma doença que alimenta os enxames de policiais que jogam spray de pimenta e espancam manifestantes pacíficos. É a doença dos soldados em guerra. Transforma seres humanos em feras.
Erich Maria Remarque escreveu em "Nada de novo no front ocidental": "nós íamos em frente, sobrepujados por essa onda que nos carrega, que nos enche de ferocidade, nos transforma em bandidos, em assassinos, em só Deus sabe o que diabos: essa onda que multiplica a nossa força pelo medo e loucura e gana de viver, buscando e lutando por nada além de sair dali” [for our deliverance: impossível determinar, fora de contexto, se se trata de “libertação” ou de “dispensa” no sentido militar].
O estado corporativo [corporate state: neste contexto, o estado dirigido por interesses privados associados para seu bem comum] entende e aplaude a linguagem da força. As táticas do Black Bloc de confronto e destruição de propriedades, o estado corporativo as pode usar para justificar formas de controle draconianas e para incutir medo de apoiar o movimento Occupy nas camadas mais amplas da população. Uma vez o movimento Occupy seja pintado como uma multidão que queima bandeiras e joga pedras, estamos acabados. Se ficamos isolados podemos ser esmagados. A prisão de mais de 400 manifestantes em Oakland na semana passada, alguns dos quais haviam jogado pedras, carregado escudos caseiros e feito barricadas, são uma indicação da dimensão da escalada de repressão, e do nosso fracasso em permanecermos uma oposição unificada e não violenta. A polícia atirou gás lacrimogêneo, granadas de efeito moral e disparos "menos letais" para o meio das multidões. Uma vez na prisão, foram negados medicamentos cruciais aos manifestantes, os quais foram mantidos em celas superlotadas e tocados de um lugar para outro. Uma marcha em Nova York, chamada em solidariedade aos manifestantes de Oakland, viu alguns manifestantes imitarem as táticas dos Black Bloc em Oakland, inclusive jogando garrafas contra a polícia e despejando de lixo na rua. Eles gritavam "foda-se a polícia" e “racist, sexist, anti-gay / NYPD go away" (racista, sexista, anti-gay / cai fora, polícia de Nova York).
Esta é uma luta para conquistar os corações e mentes de um público amplo, bem como daqueles que estão dentro das estruturas de poder e são dotados de uma consciência (incluindo a polícia). Não é uma guerra. Movimentos não violentos de certa forma recebem a brutalidade policial com abraços. A tentativa continuada do Estado de esmagar manifestantes pacíficos, que reivindicam meros atos de justiça, deslegitima a elite do poder. Isso incita uma população passiva a reagir, traz alguns de dentro das estruturas de poder para o nosso lado, e cria divisões internas que produzem paralisia na rede dos canais de autoridade. Martin Luther King promoveu marchas em Birmingham repetidamente porque sabia que o Comissário de Segurança Pública "Bull" Connor era um vilão que iria se exceder na reação.
O clichê da "diversidade de táticas", alegado pelos Black Bloc para acabar com a reflexão, termina por abrir caminho para que centenas ou milhares de manifestantes pacíficos sejam desacreditados por um punhado de arruaceiros. O Estado não poderia ficar mais feliz. É aposta segura, que entre os grupos Black Bloc em cidades como Oakland se encontram agentes provocadores instigando-os a fazer mais confusão. Mas, com ou sem infiltração policial, o Black Bloc está servindo aos interesses do um por cento. Esses anarquistas representam a ninguém além de si mesmos. Os que agiram em Oakland, embora em sua maioria fossem brancos, e muitos de fora da cidade, repudiaram arrogantemente as lideranças afroamericanas de Oakland, que, junto com outros organizadores comunitários locais, deveriam ter determinado as formas de resistência.
O crescimento explosivo do movimento Occupy Wall Street se deu quando algumas mulheres que ficaram encurraladas atrás de um isolamento de malha laranja foram atacadas com spray de pimenta pelo vice-inspetor Anthony Bologna, da Polícia de Nova York. A violência e a crueldade do Estado foram expostos. E o movimento Occupy, por meio de sua firme recusa em responder à provocação da polícia, repercutiu em todo o país. Perder essa autoridade moral, esta capacidade de mostrar através de protesto não-violento a corrupção e a decadência do estado corporativo, mutilaria o movimento. Seria reduzir-nos à degradação moral dos nossos opressores. E é isso o que nossos opressores querem.
O movimento Black Bloc tem a rigidez e dogmatismo de todas as seitas absolutistas. Só os seus adeptos possuem a verdade. Só eles entendem. Só eles se arrogam o direito - porque eles são iluminados e não somos - de repudiar e ignorar pontos de vista concorrentes como infantis e irrelevantes. Eles ouvem apenas as suas próprias vozes, dão atenção apenas a seus próprios pensamentos. Acreditam apenas em seus próprios clichês. E isso os faz não só profundamente intolerantes, mas também estúpidos.
"Se você é hostil à organização e ao pensamento estratégico, a única coisa que lhe resta é a pureza do seu estilo de vida", disse Jensen. “O ’estilismo de vida’ suplantou a organização em grande parte do pensamento ambientalista predominante [mainstream]. Em vez de se opor ao estado corporativista, o ‘estilismo de vida’ sustenta que devemos usar menos papel higiênico e fazer compostagem dos detritos. Este tipo de atitude é inefetivo. Se você abre mão de organizar, ou é hostil a organizar, tudo o que lhe resta é essa hiperpureza, que acaba se tornando dogma rígido. Você acaba atacando pessoas por usarem telefone, por exemplo. Isso vale para os vegans e as questões de alimentação. Vale para as atitudes dos ativistas anti-carro em relação a quem usa carro. Acontece o mesmo com os anarquistas. Quando eu liguei para a polícia depois de ter recebido ameaças de morte, para os anarquistas Black Bloc eu virei 'amante dos porcos’."
Jensen prosseguiu:"Se você vive no território Ogoni e você vê que Ken Saro-Wiwa foi assassinado por causa dos seus atos de resistência não violenta, e você vê que a sua terra continua sendo destruída, então você pode pensar em partir para uma escalada. Eu não tenho dificuldades com isso. Mas a gente tem que ter passado pelo processo de tentar atuar junto ao sistema e ter ‘se ferrado’. É só aí que cabe ‘avançar o sinal’. Não podemos dar curto-circuito no processo. Há um processo de maturação que a gente precisa ser atravessar, enquanto indivíduos e enquanto movimento. A gente não pode simplesmente dizer: 'Ei, vou jogar um vaso num policial porque eu acho legal."
29 julho 2013
Reflexões sobre junho-julho 2013: Movimento Occupy denunciou o fascismo dos Black Bloc já no início de 2012
Postado por
Ralf R só-a-consciência-no-ato-salva!
às
23:05
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13 julho 2013
AS 1001 DIVERSIDADES - Capítulo 1
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PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL ES HOJE, em 14.06.2013
Nesta coluna não quero falar só com os de casa (LGBTs), mas também com H (héteros), intersexuais, assexuais e o que mais houver. Por isso, às vezes contarei histórias (como fiz em maio), às vezes serei um tanto explicativo - pois tudo o que espero é ver a gente se entender! E começo com uma questão: Maria viveu como João até os 18, aí assumiu sua diversidade, e depois casou com Renato: que tipo de diversidade temos aqui?
Diversidade! Tem quem pense que isso é invenção dos LGBT como desculpa para sem-vergonhice... Mas em 1845 um milhão de irlandeses morreram de fome por falta de diversidade (outro milhão só não morreu porque emigrou). Os dominadores mantinham o povo só com batata, e de uma variedade só. Deu uma praga... já viu. Isso não aconteceria no Peru, com 3 mil variedades de batata: dá doença em uma, outras resistem. Diversidade é invenção da Vida! Para a Vida, uniformidade é beira da morte, diversidade é saúde - inclusive no sexo.
As próprias diversidades sexuais são diversas: T se refere à identidade de gênero (que veremos adiante). L, G, B e H, à orientação do desejo. Dando nome aos bois: todo corpo humano tem desejo de ter contato intenso com outro corpo, incluindo os órgãos genitais. Não é só para reprodução: as faltas de contato físico e de gozo levam a neurose e a incontáveis problemas de saúde em todo o corpo. Gozo solitário não é errado - também tem suas funções - mas há efeitos de saúde que só o compartilhado alcança. Não se é humano sem interagir!
Homossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente com corpos de genitália igual à sua, o que abrange as mulheres Lésbicas e os homens Gays. Heterossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente por corpos com genitália diferente da sua. Nos dois casos o “exclusivamente” pode ter uma ou outra exceção, mas sempre vivida como uma escapada, uma extravagância que não cria raízes. Ficou em dúvida? O comprovante da orientação é o que predomina nos sonhos, ou nas fantasias e imagens que se insinuam na mente quando se está pensando em outra coisa. E aí tem gente que de fato sente desejo e prazer com os dois tipos de corpos, em medida igual ou com pouca diferença: é a Bissexualidade, que poucos assumem, mas é provavelmente mais comum que Heterossexualidade pura. (Vejam o Sr. Bolsonaro: não vive dizendo que “vai sentar a vara” em gays? Hétero puro nem pensa nisso!)
E Maria? Nasceu com genitália masculina mas, desde quando tem lembrança de si, só sentiu: “eu sou mulher”. Maria está enganada? Olhem seu corpo adormecido: a vida básica está ali; órgãos genitais que sugerem um homem estão ali. Mas a pessoa está ali? O corpo adormecido diz “Eu”? Quem diz Eu é a consciência desperta. E se essa consciência afirma que se sente mulher, quê outro Eu tem direito de afirmar que não é possível? Cada um só conhece o sentir que está dentro de si! Ao desejar Renato, Maria não se sente um homem homossexual e sim uma mulher heterossexual. Não é Gay: é Transexual.
Mas isto tudo é só base: em julho esquenta mais!
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PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL ES HOJE, em 14.06.2013
Nesta coluna não quero falar só com os de casa (LGBTs), mas também com H (héteros), intersexuais, assexuais e o que mais houver. Por isso, às vezes contarei histórias (como fiz em maio), às vezes serei um tanto explicativo - pois tudo o que espero é ver a gente se entender! E começo com uma questão: Maria viveu como João até os 18, aí assumiu sua diversidade, e depois casou com Renato: que tipo de diversidade temos aqui?
Diversidade! Tem quem pense que isso é invenção dos LGBT como desculpa para sem-vergonhice... Mas em 1845 um milhão de irlandeses morreram de fome por falta de diversidade (outro milhão só não morreu porque emigrou). Os dominadores mantinham o povo só com batata, e de uma variedade só. Deu uma praga... já viu. Isso não aconteceria no Peru, com 3 mil variedades de batata: dá doença em uma, outras resistem. Diversidade é invenção da Vida! Para a Vida, uniformidade é beira da morte, diversidade é saúde - inclusive no sexo.
As próprias diversidades sexuais são diversas: T se refere à identidade de gênero (que veremos adiante). L, G, B e H, à orientação do desejo. Dando nome aos bois: todo corpo humano tem desejo de ter contato intenso com outro corpo, incluindo os órgãos genitais. Não é só para reprodução: as faltas de contato físico e de gozo levam a neurose e a incontáveis problemas de saúde em todo o corpo. Gozo solitário não é errado - também tem suas funções - mas há efeitos de saúde que só o compartilhado alcança. Não se é humano sem interagir!
Homossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente com corpos de genitália igual à sua, o que abrange as mulheres Lésbicas e os homens Gays. Heterossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente por corpos com genitália diferente da sua. Nos dois casos o “exclusivamente” pode ter uma ou outra exceção, mas sempre vivida como uma escapada, uma extravagância que não cria raízes. Ficou em dúvida? O comprovante da orientação é o que predomina nos sonhos, ou nas fantasias e imagens que se insinuam na mente quando se está pensando em outra coisa. E aí tem gente que de fato sente desejo e prazer com os dois tipos de corpos, em medida igual ou com pouca diferença: é a Bissexualidade, que poucos assumem, mas é provavelmente mais comum que Heterossexualidade pura. (Vejam o Sr. Bolsonaro: não vive dizendo que “vai sentar a vara” em gays? Hétero puro nem pensa nisso!)
E Maria? Nasceu com genitália masculina mas, desde quando tem lembrança de si, só sentiu: “eu sou mulher”. Maria está enganada? Olhem seu corpo adormecido: a vida básica está ali; órgãos genitais que sugerem um homem estão ali. Mas a pessoa está ali? O corpo adormecido diz “Eu”? Quem diz Eu é a consciência desperta. E se essa consciência afirma que se sente mulher, quê outro Eu tem direito de afirmar que não é possível? Cada um só conhece o sentir que está dentro de si! Ao desejar Renato, Maria não se sente um homem homossexual e sim uma mulher heterossexual. Não é Gay: é Transexual.
Mas isto tudo é só base: em julho esquenta mais!
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29 junho 2013
Aula magistral de Democracia, e de luta por ela, por um soldado da PM
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AULA MAGISTRAL DE DEMOCRACIA, E DE LUTA POR ELA, por um soldado da PM. É com profunda emoção que compartilho, Eduardo Ribeiro Dos Santos. Baita orgulho de ser seu amigo desde dois junhos atrás!
Me permita, amigo: pessoal, nosso amigo já disse que no passado compartilhava do ideário mais corriqueiro entre os PMs, até que as políticas de acesso ao ensino superior introduzidas pelo Lula lhe deram a oportunidade de cursar Direito. E aí enxergou a estrutura.
QUAL governo tem medo mesmo das consequências da educação do povo?
LEIAM O RESUMO DA SITUAÇÃO AQUI, E O RESTANTE APÓS A FOTO
"Sim, a imagem VOLTOU. / Desde a publicação desta foto, milhares de compartilhamentos tiveram como resultado contra minha pessoa um procedimento administrativo onde sou acusado de um sem número de condutas que ferem o Regulamento Disciplinar do Exército, o famoso RDE.
Houve um pedido formal advindo dos patamares superiores da corporação com o intuito nítido e claro de retirar essa imagem de circulação, o qual acatei de imediato, pois iria deixar a situação pública somente com o término do procedimento.
Tenho acompanhado as manifestações Brasil afora. Observei que muitos companheiros de farda romperam com o silêncio. Como eu poderia me calar, quando tantos estão erguendo a voz? Não, em absoluto, NÃO me calarei."
VIVER É TOMAR PARTIDO!
(foto e texto de Eduardo Ribeiro dos Santos)
Estão compartilhando a minha foto em vários lugares, mas com uma tarja, como se eu tivesse MEDO de ser identificado. Que fique claro: NÃO TEMO NADA NEM A NINGUÉM.
A reprodução desta imagem é LIVRE, desde que seja feita sem TARJA, e que reproduza o texto padrão que coloco abaixo que acredito sana muitas dúvidas e deixa clara minha posição:
Sou um policial, não sou um robô. E se há aqui alguém que acredita que somos obrigados a seguir ordens, a primeira ordem que aprendemos a seguir é que ordem absurda NÃO se cumpre. E isso se aplica exatamente a atacar pessoas que não representam ameaça como estudantes, idosos e jornalistas...ou prender pessoas por porte de...vinagre!!!
A manifestação pacífica e sem armas é um direito fundamental garantido pela Constituição. Antes de ser um policial eu sou um cidadão. Antes de fazer valer leis ordinárias meu compromisso é com a Constituição.
Há uma frase que explicita bem o conteúdo de tudo que acredito em relação à situação em si:
"Paz entre nós, guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos IRMÃOS, trabalhadores."
(Da Internacional comunista)
Diante da gravidade dos fatos ocorrendo Brasil e mundo afora há que se tomar partido, já que não existe neutralidade possível quando o assunto é a injustiça. A minha escolha é simples e óbvia: PELO POVO!!
*****************ATUAL IZAÇÃO****************
Desde a publicação desta foto, milhares de compartilhamentos tiveram como resultado contra minha pessoa um procedimento administrativo onde sou acusado de um sem número de condutas que ferem o Regulamento Disciplinar do Exército, o famoso RDE.
Houve um pedido formal advindo dos patamares superiores da corporação com o intuito nítido e claro de retirar essa imagem de circulação, o qual acatei de imediato, pois iria deixar a situação pública somente com o término do procedimento. Tenho acompanhado as manifestações Brasil afora. Observei que muitos companheiros de farda romperam com o silêncio, como eu poderia me calar, quando tantos estão erguendo a voz? Não, em absoluto, NÃO me calarei.
Estamos vivendo um momento ímpar na tímida democracia brasileira. Depois de anos de apatia, eis que finalmente o povo saiu às ruas para manifestar seus sentimentos em relação à situação do país. Não vou adentrar no mérito das questões levantadas. Apesar de este ser um movimento completamente heterogêneo há pautas relevantes e muito bem definidas, cuja luta não é novidade, bem como há questões que estão surgindo no interior do próprio movimento, como sua consequência lógica. Isso é efetivamente a materialização da própria essência da Democracia. Porque o assunto é, e sempre foi, apenas um: A luta dos oprimidos contra a dominação dos opressores.
E como ficar calado diante da marcha inexorável da democracia? Da busca efetiva por uma sociedade mais justa, mais fraterna, menos desigual, e acima de tudo, mais humana. Não, não me calarei.
E não me calarei por um motivo bem simples: Eu sou um soldado. Mas antes de ser um soldado, eu sou um cidadão. E antes de ser um cidadão, eu sou um ser humano. E sendo um ser humano, sou destinatário de direitos humanos.
E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL.
Minha conduta com esse cartaz foi a de demonstrar que mesmo pertencendo a um organismo estatal, severamente criticado, não raras vezes com absoluta precisão, ainda assim sou um trabalhador. E sou solidário a todas as lutas dos trabalhadores que duramente tentam manter intactos seus parcos direitos frente ao desmantelamento histórico promovido pelos efeitos nefastos do fundamentalismo de mercado.
E diante das amplas possibilidades democráticas que se avistam no horizonte, igualmente me sinto obrigado a pensar na democracia dentro da instituição a que sirvo. É pensar na polícia que temos, para construir a polícia que queremos.
Não podemos aceitar calados que uma instituição policial fira sistematicamente direitos humanos. Da mesma forma não podemos aceitar que profissionais da área de segurança pública tenham subtraídos seus mais essenciais direitos humanos. Não se pode aceitar que policiais enfrentem com destemor situações de risco extremo, mas temam profundamente expressar suas ideias livremente. Não, não basta apenas pensar. É necessário também manifestar. Por isso, não me calarei.
Acredito que somente quando todos os envolvidos na segurança pública entenderem que são destinatários de amplos direitos humanos é que verdadeiramente os defenderão.Porque neste dia todos os destinatários dos diretos humanos ainda que estejam em polos opostos, ao cruzar olhares, não mais o será como inimigos, pois somos todos irmãos. Neste dia não lutaremos mais frente a frente, lutaremos ombro a ombro. Na construção dos direitos humanos. Para TODOS.
Neste dia não mais se verá organismos policiais contra o povo, porque ficará claro que povo também são.
Dirão os que me acusam que com tais declarações eu descumpri as normas presentes no RDE. Não, senhores, eu não descumpri as normas do RDE.
Eu realizei a norma máxima: Eu cumpri a Constituição. Tão somente exerci e continuo exercendo meu DIREITO FUNDAMENTAL & CONSTITUCIONAL DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO. Que fique claro que não é a Constituição que gravita em torno do RDE, é o RDE que gravita em torno da Constituição. A Constituição Federal não é apenas um conjunto de palavras doces ou uma carta de boas intenções.
A Constituição não é poesia: A CONSTITUIÇÃO É A LEI MÁXIMA DESTE ORDENAMENTO JURÍDICO.
Em nome de todos os sentimentos que irrompem desde o âmago do meu ser eu conclamo com todas as minhas forças: NÃO, NÃO ME CALARÃO!
************************** ************************** *********
Aos companheiros de farda que sofrem procedimentos similares, deixo abaixo a legislação aplicável a situações como essa. Acredito que possa lhes ser útil:
No âmbito internacional:
Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
(...)
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica):
Artigo 13 - Liberdade de pensamento e de expressão
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.
No âmbito federal:
Constituição Federal
Art. 5º (...)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
Superior Tribunal Federal:
HC 83125 / DF - DISTRITO FEDERAL
LIBERDADE DE EXPRESSÃO - A liberdade de expressão constitui-se em direito fundamental do cidadão, envolvendo o pensamento, a exposição de fatos atuais ou históricos e a crítica.
Superior Tribunal de Justiça:
RMS 11587 SC 2000/0017515-3
I - A Constituição Federal, à luz do princípio da supremacia constitucional, encontra-se no vértice do ordenamento jurídico, e é a Lei Suprema de um País, na qual todas as normas infraconstitucionais buscam o seu fundamento de validade.
II - Da garantia de liberdade de expressão de atividade científica, independente de censura ou licença, constitucionalmente assegurada a todos os brasileiros (art. 5º, IX), não podem ser excluídos os militares em razão de normas aplicáveis especificamente aos membros da Corporação Militar. Regra hierarquicamente inferior não pode restringir onde a Lei Maior não o fez, sob pena de inconstitucionalidade.
Diretrizes nacionais de promoção e defesa dos direitos humanos dos profissionais de segurança pública:
Anexo - Direitos constitucionais e participação cidadã:
3)Assegurar o exercício do direito de opinião e a liberdade de expressão dos profissionais de segurança pública, especialmente por meio da Internet, blogs, sites e fóruns de discussão, à luz da Constituição Federal de 1988.
No âmbito estadual (Paraná):
DECRETO Nº 9192 - 30/12/2010
Art. 1º Por este ato, fica VEDADA a instauração de processos, sindicâncias e quaisquer outros procedimentos análogos, formais ou informais, de natureza disciplinar contra agentes públicos ou empregados da Administração Pública Direta e Indireta do Estado do Paraná em razão do exercício do direito de pensamento, consciência, crença religiosa, convicção filosófica ou política, expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, reunião, associação, protesto, palavra, opinião, voto, crítica, testemunha, representação, denúncia, defesa de direitos, ou contra ilegalidade e abuso de poder, ainda quando eventualmente desfavoráveis a autoridades, sem prejuízo de eventual apuração de responsabilidade na sede judicial.
Estão compartilhando a minha foto em vários lugares, mas com uma tarja, como se eu tivesse MEDO de ser identificado. Que fique claro: NÃO TEMO NADA NEM A NINGUÉM.
A reprodução desta imagem é LIVRE, desde que seja feita sem TARJA, e que reproduza o texto padrão que coloco abaixo que acredito sana muitas dúvidas e deixa clara minha posição:
Sou um policial, não sou um robô. E se há aqui alguém que acredita que somos obrigados a seguir ordens, a primeira ordem que aprendemos a seguir é que ordem absurda NÃO se cumpre. E isso se aplica exatamente a atacar pessoas que não representam ameaça como estudantes, idosos e jornalistas...ou prender pessoas por porte de...vinagre!!!
A manifestação pacífica e sem armas é um direito fundamental garantido pela Constituição. Antes de ser um policial eu sou um cidadão. Antes de fazer valer leis ordinárias meu compromisso é com a Constituição.
Há uma frase que explicita bem o conteúdo de tudo que acredito em relação à situação em si:
"Paz entre nós, guerra aos senhores
Façamos greve de soldados
Somos IRMÃOS, trabalhadores."
(Da Internacional comunista)
Diante da gravidade dos fatos ocorrendo Brasil e mundo afora há que se tomar partido, já que não existe neutralidade possível quando o assunto é a injustiça. A minha escolha é simples e óbvia: PELO POVO!!
*****************ATUAL
Desde a publicação desta foto, milhares de compartilhamentos tiveram como resultado contra minha pessoa um procedimento administrativo onde sou acusado de um sem número de condutas que ferem o Regulamento Disciplinar do Exército, o famoso RDE.
Houve um pedido formal advindo dos patamares superiores da corporação com o intuito nítido e claro de retirar essa imagem de circulação, o qual acatei de imediato, pois iria deixar a situação pública somente com o término do procedimento. Tenho acompanhado as manifestações Brasil afora. Observei que muitos companheiros de farda romperam com o silêncio, como eu poderia me calar, quando tantos estão erguendo a voz? Não, em absoluto, NÃO me calarei.
Estamos vivendo um momento ímpar na tímida democracia brasileira. Depois de anos de apatia, eis que finalmente o povo saiu às ruas para manifestar seus sentimentos em relação à situação do país. Não vou adentrar no mérito das questões levantadas. Apesar de este ser um movimento completamente heterogêneo há pautas relevantes e muito bem definidas, cuja luta não é novidade, bem como há questões que estão surgindo no interior do próprio movimento, como sua consequência lógica. Isso é efetivamente a materialização da própria essência da Democracia. Porque o assunto é, e sempre foi, apenas um: A luta dos oprimidos contra a dominação dos opressores.
E como ficar calado diante da marcha inexorável da democracia? Da busca efetiva por uma sociedade mais justa, mais fraterna, menos desigual, e acima de tudo, mais humana. Não, não me calarei.
E não me calarei por um motivo bem simples: Eu sou um soldado. Mas antes de ser um soldado, eu sou um cidadão. E antes de ser um cidadão, eu sou um ser humano. E sendo um ser humano, sou destinatário de direitos humanos.
E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL.
Minha conduta com esse cartaz foi a de demonstrar que mesmo pertencendo a um organismo estatal, severamente criticado, não raras vezes com absoluta precisão, ainda assim sou um trabalhador. E sou solidário a todas as lutas dos trabalhadores que duramente tentam manter intactos seus parcos direitos frente ao desmantelamento histórico promovido pelos efeitos nefastos do fundamentalismo de mercado.
E diante das amplas possibilidades democráticas que se avistam no horizonte, igualmente me sinto obrigado a pensar na democracia dentro da instituição a que sirvo. É pensar na polícia que temos, para construir a polícia que queremos.
Não podemos aceitar calados que uma instituição policial fira sistematicamente direitos humanos. Da mesma forma não podemos aceitar que profissionais da área de segurança pública tenham subtraídos seus mais essenciais direitos humanos. Não se pode aceitar que policiais enfrentem com destemor situações de risco extremo, mas temam profundamente expressar suas ideias livremente. Não, não basta apenas pensar. É necessário também manifestar. Por isso, não me calarei.
Acredito que somente quando todos os envolvidos na segurança pública entenderem que são destinatários de amplos direitos humanos é que verdadeiramente os defenderão.Porque neste dia todos os destinatários dos diretos humanos ainda que estejam em polos opostos, ao cruzar olhares, não mais o será como inimigos, pois somos todos irmãos. Neste dia não lutaremos mais frente a frente, lutaremos ombro a ombro. Na construção dos direitos humanos. Para TODOS.
Neste dia não mais se verá organismos policiais contra o povo, porque ficará claro que povo também são.
Dirão os que me acusam que com tais declarações eu descumpri as normas presentes no RDE. Não, senhores, eu não descumpri as normas do RDE.
Eu realizei a norma máxima: Eu cumpri a Constituição. Tão somente exerci e continuo exercendo meu DIREITO FUNDAMENTAL & CONSTITUCIONAL DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE LIVRE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO. Que fique claro que não é a Constituição que gravita em torno do RDE, é o RDE que gravita em torno da Constituição. A Constituição Federal não é apenas um conjunto de palavras doces ou uma carta de boas intenções.
A Constituição não é poesia: A CONSTITUIÇÃO É A LEI MÁXIMA DESTE ORDENAMENTO JURÍDICO.
Em nome de todos os sentimentos que irrompem desde o âmago do meu ser eu conclamo com todas as minhas forças: NÃO, NÃO ME CALARÃO!
**************************
Aos companheiros de farda que sofrem procedimentos similares, deixo abaixo a legislação aplicável a situações como essa. Acredito que possa lhes ser útil:
No âmbito internacional:
Declaração Universal dos Direitos Humanos:
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,
(...)
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica):
Artigo 13 - Liberdade de pensamento e de expressão
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha.
No âmbito federal:
Constituição Federal
Art. 5º (...)
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
Superior Tribunal Federal:
HC 83125 / DF - DISTRITO FEDERAL
LIBERDADE DE EXPRESSÃO - A liberdade de expressão constitui-se em direito fundamental do cidadão, envolvendo o pensamento, a exposição de fatos atuais ou históricos e a crítica.
Superior Tribunal de Justiça:
RMS 11587 SC 2000/0017515-3
I - A Constituição Federal, à luz do princípio da supremacia constitucional, encontra-se no vértice do ordenamento jurídico, e é a Lei Suprema de um País, na qual todas as normas infraconstitucionais buscam o seu fundamento de validade.
II - Da garantia de liberdade de expressão de atividade científica, independente de censura ou licença, constitucionalmente assegurada a todos os brasileiros (art. 5º, IX), não podem ser excluídos os militares em razão de normas aplicáveis especificamente aos membros da Corporação Militar. Regra hierarquicamente inferior não pode restringir onde a Lei Maior não o fez, sob pena de inconstitucionalidade.
Diretrizes nacionais de promoção e defesa dos direitos humanos dos profissionais de segurança pública:
Anexo - Direitos constitucionais e participação cidadã:
3)Assegurar o exercício do direito de opinião e a liberdade de expressão dos profissionais de segurança pública, especialmente por meio da Internet, blogs, sites e fóruns de discussão, à luz da Constituição Federal de 1988.
No âmbito estadual (Paraná):
DECRETO Nº 9192 - 30/12/2010
Art. 1º Por este ato, fica VEDADA a instauração de processos, sindicâncias e quaisquer outros procedimentos análogos, formais ou informais, de natureza disciplinar contra agentes públicos ou empregados da Administração Pública Direta e Indireta do Estado do Paraná em razão do exercício do direito de pensamento, consciência, crença religiosa, convicção filosófica ou política, expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, reunião, associação, protesto, palavra, opinião, voto, crítica, testemunha, representação, denúncia, defesa de direitos, ou contra ilegalidade e abuso de poder, ainda quando eventualmente desfavoráveis a autoridades, sem prejuízo de eventual apuração de responsabilidade na sede judicial.
24 junho 2013
Máscara e Anonimato no Brasil de hoje: que sentido podem ter?
.
A condição de saúde da vida pública é a TRANSPARÊNCIA. O segredo deve ser um direito da vida *privada*, não da pública.
Existe UM tipo de situação que justifica a ação em segredo na vida pública: o enfrentamento de situações de tolhimento das liberdades justas, que força pessoas a lutarem em segredo pela recuperação de sua liberdade.
Nesse sentido, a ação ao modo do Anonymous pode ser justificada nos EUA, que, por absurdo que pareça, se tornaram uma das ditaduras mais sufocantes do planeta no momento atual.
No Brasil o anonimato e segredo se justificam em campos como o combate ao crime organizado (p.ex. milícias) e na proteção de testemunhas -
... mas é totalmente descabido no trato das questões políticas gerais: afinal, temos aqui liberdade não só de atuar positivamente, mas inclusive as liberdades excessivas de tentar suprimir liberdades alheias (modelo Feliciano), bem como de caluniar, jogar deslealmente (modelo Veja) - excesso esse que precisa ser repensado.
Enfim: não há necessidade NENHUMA de segredo ou anonimato no trato com os temas em questão nesta temporada de manifestações - de modo que o apelo a esse recurso de exceção na vida pública só pode se dever à intenção de acobertar atos ou planos ilegítimos.
Já não nos bastassem as maçonarias, onde boa parte da vida política do país continua sendo tramada em segredo sem estarmos em tempos de exceção - o que torna essas tramas AUTOMATICAMENTE antidemocráticas...
... agora nos vem mais essa importação totalmente injustificável no contexto onde se mete a atuar. (Ou estará o Anonymous neste momento a, p.ex., combater as milícias que oprimem a população das periferias?)
A proposta de revolta individualista num país que ainda nem dominou a arte da ação coletiva pelo bem comum... e de resistência ao Estado justamente no momento em que ele pela primeira vez assume seu papel de promotor da universalidade do direito do ser humano à dignidade... seria até uma piada de mau gosto se não fosse altamente suspeita.
"Todo Estado é opressor, livrem-se logo do seu, meninos... Aquela gigantesca águia ali, olhando do norte? Não sejam bobos, não tem nada a ver, ela é inofensiva... Jamais faria mal a um clubinho tão simpático de meninos desprotegidos... E OBEDIENTES."
AQUI, Ó, SERES DE OLHOS OCULTOS: eu não só não escondo os meus, como eles estão enxergando MUITO BEM.
A condição de saúde da vida pública é a TRANSPARÊNCIA. O segredo deve ser um direito da vida *privada*, não da pública.
Existe UM tipo de situação que justifica a ação em segredo na vida pública: o enfrentamento de situações de tolhimento das liberdades justas, que força pessoas a lutarem em segredo pela recuperação de sua liberdade.
Nesse sentido, a ação ao modo do Anonymous pode ser justificada nos EUA, que, por absurdo que pareça, se tornaram uma das ditaduras mais sufocantes do planeta no momento atual.
No Brasil o anonimato e segredo se justificam em campos como o combate ao crime organizado (p.ex. milícias) e na proteção de testemunhas -
... mas é totalmente descabido no trato das questões políticas gerais: afinal, temos aqui liberdade não só de atuar positivamente, mas inclusive as liberdades excessivas de tentar suprimir liberdades alheias (modelo Feliciano), bem como de caluniar, jogar deslealmente (modelo Veja) - excesso esse que precisa ser repensado.
Enfim: não há necessidade NENHUMA de segredo ou anonimato no trato com os temas em questão nesta temporada de manifestações - de modo que o apelo a esse recurso de exceção na vida pública só pode se dever à intenção de acobertar atos ou planos ilegítimos.
Já não nos bastassem as maçonarias, onde boa parte da vida política do país continua sendo tramada em segredo sem estarmos em tempos de exceção - o que torna essas tramas AUTOMATICAMENTE antidemocráticas...
... agora nos vem mais essa importação totalmente injustificável no contexto onde se mete a atuar. (Ou estará o Anonymous neste momento a, p.ex., combater as milícias que oprimem a população das periferias?)
A proposta de revolta individualista num país que ainda nem dominou a arte da ação coletiva pelo bem comum... e de resistência ao Estado justamente no momento em que ele pela primeira vez assume seu papel de promotor da universalidade do direito do ser humano à dignidade... seria até uma piada de mau gosto se não fosse altamente suspeita.
"Todo Estado é opressor, livrem-se logo do seu, meninos... Aquela gigantesca águia ali, olhando do norte? Não sejam bobos, não tem nada a ver, ela é inofensiva... Jamais faria mal a um clubinho tão simpático de meninos desprotegidos... E OBEDIENTES."
AQUI, Ó, SERES DE OLHOS OCULTOS: eu não só não escondo os meus, como eles estão enxergando MUITO BEM.
Postado por
Ralf R só-a-consciência-no-ato-salva!
às
22:33
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23 junho 2013
Giovano Iannotti, professor de medicina: Querem pôr um cadáver no colo da presidenta
.
O DONO DO BLOG NÃO É O AUTOR DO TEXTO: ESTÁ APENAS RE-PUBLICANDO!
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23 DE JUNHO DE 2013 - 11h17
Giovano Iannotti: Querem pôr um cadáver no colo da presidenta
http://anisionogueira.wordpress.com/2013/06/23/importantissimo/
ou http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=216830&id_secao=9
Neste sábado (22), minha mulher e eu fomos à manifestação ocorrida em Belo Horizonte na qualidade de médicos. Somos professores e vários de nossos alunos estavam presentes. Como já havíamos testemunhado a violência no ato da segunda-feira anterior, fomos preparados para atender possíveis vítimas, levando na mochila alguns elementos muito básicos para pequenos ferimentos e limpeza dos olhos irritados por gás.
Por Giovano Iannotti*, especial para o Vermelho
A manifestação foi tranquila durante todo o trajeto. Até mesmo a intolerância com militantes de partidos de esquerda foi pouco vista. Uma grande bandeira vermelha era orgulhosamente carregada e, salvo um ou outro, respeitada. Contudo, o clima começou a piorar quando a manifestação encontrou o cordão policial. Como tem ocorrido, a maioria aceitou o limite imposto, mas os provocadores instavam os moderados a enfrentarem a polícia. Parecem colocados estrategicamente entre o povo, porque se repartem em certo padrão e gritam as mesmas frases.
Como é sabido, eventualmente o conflito aconteceu. Retiramo-nos para a pequenina área verde que sobra naquele encontro entre as avenidas Abraão Caran e Antônio Carlos. E ali ficamos tratando sobretudo intoxicações leves e ferimentos superficiais causados por estilhaços e balas de borracha. Em um momento, fui chamado para atender um senhor ferido na cabeça. Fui correndo, mas ele já passara o cordão de isolamento da polícia. Identifiquei-me como médico aos policiais do governo de Minas Gerais e disse que poderia atender o senhor ferido. A resposta foi uma arma apontada contra meu peito. Pedi para falar com algum oficial, mas a PM recomeçou a atirar. Voltei para nosso pronto-socorro improvisado. De dentro do campus da UFMG começaram a atirar bombas de gás sobre nós que atendíamos os feridos e recuamos ainda mais, para o meio da Antônio Carlos.
Minutos depois, chamaram-nos com urgência informando que alguém caíra do viaduto José de Alencar. Quando chegamos, um jovem com o rosto sangrando estava sofrendo uma pequena convulsão. Fizemos a avaliação primária e, na medida em que surgiam problemas, tratávamos da melhor forma possível. Aquele paciente precisava de atendimento avançado urgentemente, em um centro de trauma, mas a polícia não arrefecia. Aproximou-se de mim um sujeito com o rosto tampado por uma camiseta. Ele descobriu parcialmente a face e me disse no ouvido que era policial e que pediria que não atirassem para que pudéssemos evacuar a vítima (penso ter visto esse autodeclarado policial perto de mim, quando eu tentava falar com um oficial, e depois correndo ao meu lado. Se for a mesma pessoa, ele era um dos exaltados que instavam à violência). Chegaram algumas pessoas com camiseta vermelha, na qual se lia “bombeiro civil”. Eles nos ajudaram a improvisar uma maca com um cavalete da empresa de transportes e faixas de manifestantes. Algum tempo depois, por coincidência ou não, os tiros pararam e fomos, com dificuldade, levando a vítima em direção do cordão policial. Minha mulher ficou na barreira.
Quando passamos a barreira, vi uma ambulância parada a uns 20 metros. Gritei para os que ajudavam para que fôssemos para ela. Todavia, para meu horror, a polícia não permitiu. Disse que aquela viatura era somente para policiais feridos. Tentei discutir, mas vi que seria improdutivo. Disse a um oficial, então, que conseguisse outra. Não tínhamos muito tempo. Colocamos a vítima no chão, imobilizando sua coluna cervical e iniciei a avaliação secundária. Na medida do possível, limpamos o rosto ensanguentado do jovem e realinhamos os membros fraturados. Pedi aos policiais que, pelo menos, trouxessem equipamentos da ambulância “deles” para imobilização e infusão. Recusaram-se.
Esperamos um bom tempo até que uma ambulância do resgate do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais chegasse. O veículo praticamente não tinha nenhum equipamento. Somente a prancha, talas, colar cervical e oxigênio para ser usado com máscara. “Soro” não havia. Transferimos e imobilizamos o paciente. Nesse tempo, tentávamos descobrir para onde levar a vítima. Respostas demoravam a chegar. Pensamos no Mineirão, bem próximo de nós, mas primeiro disseram que era para torcedores e depois que não dispunha de centro de trauma. Fomos para o Pronto Socorro de Venda Nova, Risoleta Neves. Lá uma colega assumiu o tratamento do ferido.
Entrei em contato com minha mulher e ela me disse havia se juntado a meu irmão, que dois outros haviam caído do viaduto e que havia vários feridos, mas que eles não estavam conseguindo mais atender.
Mais tarde, quando os reencontrei no metrô de Santa Efigênia eles me contaram uma história de terror. Depois de me deixar com a primeira vítima, minha mulher se identificou aos policiais e disse que queria passar também para me ajudar. A polícia não deixou e ameaçou atirar nela. Como as agressões reiniciaram logo depois, ela ficou presa entre bombas e pedras, até que conseguiu fugir e retomar a antiga posição para socorro, no meio da Antônio Carlos. Foi quando encontrou meu irmão. Logo depois, receberam um chamado, avisando que outro rapaz havia caído. A situação clínica desse paciente era muito pior do que a do anterior. Não interessa escandalizar ou ofender com detalhes médico-cirúrgicos. Relato somente que o quadro que os dois descrevem é gravíssimo. A vítima não reagia, estava em coma, mas respirava e o coração batia. Meu irmão, sabendo da primeira experiência, correu para os policiais, desta vez um outro cordão formado na Antônio Carlos, levantando as mãos, agitando uma camisa branca e gritando que havia um ferido morrendo. Os policiais, vários, apontaram-lhe armas e gritaram para que ele fosse embora. Quando ele tentou avançar um pouco mais, os tiros começaram e ele correu em direção de minha mulher para ajudá-la.
Ali, ao lado da vítima, perceberam que a polícia atirava neles. Relatam que já não havia ninguém próximo. Somente a vítima, ele e minha mulher de jaleco branco. Os tiros e as bombas de efeito moral e de gás vinham com um único endereço. O deles. Ficaram o quanto aguentaram; mais não puderam fazer. Desesperados, tiveram que abandonar o rapaz que morria e buscar refúgio.
Depois, tiveram a notícia de que um terceiro homem caíra do mesmo viaduto. A cavalaria já estava em ação e não havia como atravessar a avenida para socorrer essa terceira vítima. Quando cheguei em casa, alguns alunos relataram que socorreram um homem que caíra do viaduto (perece que foram quatro, no total). Quando a polícia passou, eles conseguiram chegar à vítima e ficar com ela até que o SAMU chegasse.
Algumas ideias ficam em minha cabeça. Quem já conviveu com militares sabe na maioria das vezes reconhecer um por sua forma de agir, andar, cortar o cabelo e de falar. Sem leviandade, acredito que vários dos provocadores eram militares infiltrados. Vi o homem de rosto coberto dizer ser policial e que pediria para que os policiais alinhados dessem uma trégua e nos deixassem passar. Isso aconteceu. Outra imagem simbólica foi ver a tropa de choque da Polícia Militar de Minas Gerais dentro de uma universidade federal (deveria ser um território livre e sagrado da paz, da inteligência e da cultura) fechada para os estudantes. Da universidade vinham bombas que machucavam a juventude. Já ampliando o horizonte, o Itamaraty em chamas, a bandeira de São Paulo queimando, o Congresso quebrado, um governador sitiado em sua casa. Há que se ler nos símbolos e nos fatos. Amplie-se mais esse horizonte. Não se vê que os métodos são os mesmos usados nas “primaveras” árabes, em Honduras, no Paraguai, no Equador, na Venezuela e que começa também a ser usado na Argentina?
Nada há de espontâneo no que está ocorrendo e não é à toa que os meios de comunicação têm promovido e estimulado a agressividade e a multiplicidade de slogans e bandeiras. Não é verdade que não haja líderes nessas manifestações. Os líderes estão nas sombras, colhendo os frutos das últimas tecnologias. São discretos. Quem sabe o que são o Instituto Millenium, o instituto Fernando Henrique Cardoso, o Council on Foreign Relations, a Trilateral Commission, o Carnegie Council? Preparam o Brasil para a guerra global idealizada pelos think tanks? É essa a forma de chegar aos recursos naturais do imenso território brasileiro sem a mínima resistência de governos mais progressistas? Incomoda o acordo com a Rússia para a compra e desenvolvimento de armas?
Uma certeza: querem atacar a democracia. Em vez de atacar partido, tome partido. Você está sendo manipulado. Pelo que vi e vivi é certo que querem jogar um cadáver no colo da presidenta Dilma.
*Professor de Medicina
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23 DE JUNHO DE 2013 - 11h17
Giovano Iannotti: Querem pôr um cadáver no colo da presidenta
http://anisionogueira.wordpress.com/2013/06/23/importantissimo/
ou http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=216830&id_secao=9
Neste sábado (22), minha mulher e eu fomos à manifestação ocorrida em Belo Horizonte na qualidade de médicos. Somos professores e vários de nossos alunos estavam presentes. Como já havíamos testemunhado a violência no ato da segunda-feira anterior, fomos preparados para atender possíveis vítimas, levando na mochila alguns elementos muito básicos para pequenos ferimentos e limpeza dos olhos irritados por gás.
Por Giovano Iannotti*, especial para o Vermelho
A manifestação foi tranquila durante todo o trajeto. Até mesmo a intolerância com militantes de partidos de esquerda foi pouco vista. Uma grande bandeira vermelha era orgulhosamente carregada e, salvo um ou outro, respeitada. Contudo, o clima começou a piorar quando a manifestação encontrou o cordão policial. Como tem ocorrido, a maioria aceitou o limite imposto, mas os provocadores instavam os moderados a enfrentarem a polícia. Parecem colocados estrategicamente entre o povo, porque se repartem em certo padrão e gritam as mesmas frases.
Como é sabido, eventualmente o conflito aconteceu. Retiramo-nos para a pequenina área verde que sobra naquele encontro entre as avenidas Abraão Caran e Antônio Carlos. E ali ficamos tratando sobretudo intoxicações leves e ferimentos superficiais causados por estilhaços e balas de borracha. Em um momento, fui chamado para atender um senhor ferido na cabeça. Fui correndo, mas ele já passara o cordão de isolamento da polícia. Identifiquei-me como médico aos policiais do governo de Minas Gerais e disse que poderia atender o senhor ferido. A resposta foi uma arma apontada contra meu peito. Pedi para falar com algum oficial, mas a PM recomeçou a atirar. Voltei para nosso pronto-socorro improvisado. De dentro do campus da UFMG começaram a atirar bombas de gás sobre nós que atendíamos os feridos e recuamos ainda mais, para o meio da Antônio Carlos.
Minutos depois, chamaram-nos com urgência informando que alguém caíra do viaduto José de Alencar. Quando chegamos, um jovem com o rosto sangrando estava sofrendo uma pequena convulsão. Fizemos a avaliação primária e, na medida em que surgiam problemas, tratávamos da melhor forma possível. Aquele paciente precisava de atendimento avançado urgentemente, em um centro de trauma, mas a polícia não arrefecia. Aproximou-se de mim um sujeito com o rosto tampado por uma camiseta. Ele descobriu parcialmente a face e me disse no ouvido que era policial e que pediria que não atirassem para que pudéssemos evacuar a vítima (penso ter visto esse autodeclarado policial perto de mim, quando eu tentava falar com um oficial, e depois correndo ao meu lado. Se for a mesma pessoa, ele era um dos exaltados que instavam à violência). Chegaram algumas pessoas com camiseta vermelha, na qual se lia “bombeiro civil”. Eles nos ajudaram a improvisar uma maca com um cavalete da empresa de transportes e faixas de manifestantes. Algum tempo depois, por coincidência ou não, os tiros pararam e fomos, com dificuldade, levando a vítima em direção do cordão policial. Minha mulher ficou na barreira.
Quando passamos a barreira, vi uma ambulância parada a uns 20 metros. Gritei para os que ajudavam para que fôssemos para ela. Todavia, para meu horror, a polícia não permitiu. Disse que aquela viatura era somente para policiais feridos. Tentei discutir, mas vi que seria improdutivo. Disse a um oficial, então, que conseguisse outra. Não tínhamos muito tempo. Colocamos a vítima no chão, imobilizando sua coluna cervical e iniciei a avaliação secundária. Na medida do possível, limpamos o rosto ensanguentado do jovem e realinhamos os membros fraturados. Pedi aos policiais que, pelo menos, trouxessem equipamentos da ambulância “deles” para imobilização e infusão. Recusaram-se.
Esperamos um bom tempo até que uma ambulância do resgate do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais chegasse. O veículo praticamente não tinha nenhum equipamento. Somente a prancha, talas, colar cervical e oxigênio para ser usado com máscara. “Soro” não havia. Transferimos e imobilizamos o paciente. Nesse tempo, tentávamos descobrir para onde levar a vítima. Respostas demoravam a chegar. Pensamos no Mineirão, bem próximo de nós, mas primeiro disseram que era para torcedores e depois que não dispunha de centro de trauma. Fomos para o Pronto Socorro de Venda Nova, Risoleta Neves. Lá uma colega assumiu o tratamento do ferido.
Entrei em contato com minha mulher e ela me disse havia se juntado a meu irmão, que dois outros haviam caído do viaduto e que havia vários feridos, mas que eles não estavam conseguindo mais atender.
Mais tarde, quando os reencontrei no metrô de Santa Efigênia eles me contaram uma história de terror. Depois de me deixar com a primeira vítima, minha mulher se identificou aos policiais e disse que queria passar também para me ajudar. A polícia não deixou e ameaçou atirar nela. Como as agressões reiniciaram logo depois, ela ficou presa entre bombas e pedras, até que conseguiu fugir e retomar a antiga posição para socorro, no meio da Antônio Carlos. Foi quando encontrou meu irmão. Logo depois, receberam um chamado, avisando que outro rapaz havia caído. A situação clínica desse paciente era muito pior do que a do anterior. Não interessa escandalizar ou ofender com detalhes médico-cirúrgicos. Relato somente que o quadro que os dois descrevem é gravíssimo. A vítima não reagia, estava em coma, mas respirava e o coração batia. Meu irmão, sabendo da primeira experiência, correu para os policiais, desta vez um outro cordão formado na Antônio Carlos, levantando as mãos, agitando uma camisa branca e gritando que havia um ferido morrendo. Os policiais, vários, apontaram-lhe armas e gritaram para que ele fosse embora. Quando ele tentou avançar um pouco mais, os tiros começaram e ele correu em direção de minha mulher para ajudá-la.
Ali, ao lado da vítima, perceberam que a polícia atirava neles. Relatam que já não havia ninguém próximo. Somente a vítima, ele e minha mulher de jaleco branco. Os tiros e as bombas de efeito moral e de gás vinham com um único endereço. O deles. Ficaram o quanto aguentaram; mais não puderam fazer. Desesperados, tiveram que abandonar o rapaz que morria e buscar refúgio.
Depois, tiveram a notícia de que um terceiro homem caíra do mesmo viaduto. A cavalaria já estava em ação e não havia como atravessar a avenida para socorrer essa terceira vítima. Quando cheguei em casa, alguns alunos relataram que socorreram um homem que caíra do viaduto (perece que foram quatro, no total). Quando a polícia passou, eles conseguiram chegar à vítima e ficar com ela até que o SAMU chegasse.
Algumas ideias ficam em minha cabeça. Quem já conviveu com militares sabe na maioria das vezes reconhecer um por sua forma de agir, andar, cortar o cabelo e de falar. Sem leviandade, acredito que vários dos provocadores eram militares infiltrados. Vi o homem de rosto coberto dizer ser policial e que pediria para que os policiais alinhados dessem uma trégua e nos deixassem passar. Isso aconteceu. Outra imagem simbólica foi ver a tropa de choque da Polícia Militar de Minas Gerais dentro de uma universidade federal (deveria ser um território livre e sagrado da paz, da inteligência e da cultura) fechada para os estudantes. Da universidade vinham bombas que machucavam a juventude. Já ampliando o horizonte, o Itamaraty em chamas, a bandeira de São Paulo queimando, o Congresso quebrado, um governador sitiado em sua casa. Há que se ler nos símbolos e nos fatos. Amplie-se mais esse horizonte. Não se vê que os métodos são os mesmos usados nas “primaveras” árabes, em Honduras, no Paraguai, no Equador, na Venezuela e que começa também a ser usado na Argentina?
Nada há de espontâneo no que está ocorrendo e não é à toa que os meios de comunicação têm promovido e estimulado a agressividade e a multiplicidade de slogans e bandeiras. Não é verdade que não haja líderes nessas manifestações. Os líderes estão nas sombras, colhendo os frutos das últimas tecnologias. São discretos. Quem sabe o que são o Instituto Millenium, o instituto Fernando Henrique Cardoso, o Council on Foreign Relations, a Trilateral Commission, o Carnegie Council? Preparam o Brasil para a guerra global idealizada pelos think tanks? É essa a forma de chegar aos recursos naturais do imenso território brasileiro sem a mínima resistência de governos mais progressistas? Incomoda o acordo com a Rússia para a compra e desenvolvimento de armas?
Uma certeza: querem atacar a democracia. Em vez de atacar partido, tome partido. Você está sendo manipulado. Pelo que vi e vivi é certo que querem jogar um cadáver no colo da presidenta Dilma.
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O DONO DO BLOG NÃO É O AUTOR DO TEXTO: ESTÁ APENAS RE-PUBLICANDO!
20 junho 2013
Tentativa de GOLPE em curso? - Leia até o fim
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REPRODUZINDO. De
Marília Moschkovich
.
REPRODUZINDO. De
Marília Moschkovich
socióloga, militante feminista, escritora, vez em quando jornalista.
Também publico no “Mulher Alternativa” e no “Outras Palavras”.
Em https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a
Também publico no “Mulher Alternativa” e no “Outras Palavras”.
Em https://medium.com/primavera-brasileira/dfa6bc73bd8a
Está tudo tão estranho, e não é à toa.
Um relato do quebra-cabeças que fui montando nos últimos dias. Aviso que o post é longo, mas prometo fazer valer cada palavra.
Começo explicando que não ia postar este texto na internet. Com medo. Pode parecer bobagem, mas um pressentimento me dizia que o papel impresso seria melhor. O papel impresso garantiria maiores chances de as pessoas lerem tudo, menores chances e copiarem trechos isolados destruindo todo o raciocínio necessário.
Enquanto forma de comunicação, o texto exige uma linearidade que é difícil. Difícil transformar os fatos, as coisas que vi e vivi nos últimos dias em texto. Estou falando aqui das ruas de São Paulo e da diferença entre o que vejo acontecer e o que está sendo propagandeado nos meios de comunicação e até mesmo em alguns blogs.
Talvez essa dimensão da coisa me seja possível porque conheço realmente muita gente, de vários círculos; talvez porque sempre tenha sido ligada à militância política, desde adolescente; talvez porque tenha tido a oportunidade de ir às ruas; talvez porque pude estar conectada na maior parte do tempo. Não sei. Mas gostaria de compartilhar com vocês.
E gostaria que, ao fim, me dissessem se estou louca. Eu espero verdadeiramente que sim, pois a minha impressão é a de que tudo é muito mais grave do que está parecendo.
Tentei escrever este texto mais ou menos em ordem cronológica. Se não foi uma boa estratégia, por favor me avisem e eu busco uma maneira melhor de contar. Peço paciência. O texto é longo.
1. Contexto é bom e mantém a pauta no lugar
Hoje é dia 18 de junho de 2013. Há uma semana, no dia 10, cerca de 5 mil pessoas foram violentamente reprimidas pela Policia Militar paulista na Avenida Paulista, símbolo da cidade de São Paulo. Com a transmissão dos horrores provocados pela PM pela internet, muitas pessoas se mobilizaram para participar do ato seguinte, que seria realizado no dia 13. A pauta era a revogação no aumento das tarifas de ônibus, que já são caras e já excluem diversos cidadãos se seu direito de ir e vir, frequentando a própria cidade onde moram.
No dia 13, então, aconteceu a primeira coisa estranha, que acendeu uma luzinha amarela (quase vermelha de tão laranja) na minha cabeça: os editoriais da folha e do estadão aprovavam o que a PM tinha feito no dia 10 de junho e, mais do que isso, incentivavam ações violentas da pm“em nome do trânsito” [aliás, alguém me faz um documentário sensacional com esse título, faz favor? ]. Guardem essa informação.
Logo após esses editoriais, no fim do dia, a PM reprimiu cerca de 20milpessoas. Acompanhei tudo de casa, em outra cidade. Na primeira hora de concentração para a manifestação foram presas 70 pessoas, por sua intenção de participar do protesto. Essa intenção era identificada pela PM com o agora famoso “porte de vinagre” (já que vinagre atenua efeitos do gás lacrimogêneo). Muitas pessoas saíram feridas nesse dia e, com os horrores novamente transmitidos - mas dessa vez também pelos grandes meios de comunicação, inclusive esses dos editoriais da manhã, que tiveram suas equipes de reportagem gravemente feridas -, muita gente se mobilizou para o próximo ato.
2. Desonestidade pouca é bobagem
No próprio dia 13, à noite, aconteceu a segunda “coisa estranha”. Logo no final da pancadaria na região da Paulista, sabíamos que o próximo ato seria na segunda-feira, dia 17 de junho. Me incluíram num evento no Facebook, com exatamente o mesmo nome dos eventos do MPL, as mesmas imagens, bandeiras, etc. Só que marcado para sexta-feira, o dia seguinte. Eu dei “ok”, entrei no evento, e comecei a reparar em posts muito, mas muito esquisitos. Bandeiras que não eram as do MPL (que conheço desde adolescente), discursos muito voltados à direita, entre outros. O que estava ali não era o projeto de cidade e de país que eu defendo, ou que o MPL defende.
Dei uma olhada melhor: eram três pessoas que haviam criado o evento. Fucei o pouco que fica público no perfil de cada um. Não encontrei nenhuma postagem sobre nenhuma causa política. Apenas postagens sobre outros assuntos. Lá no fim de um dos perfis, porém, encontrei uma postagem com um grupo de pessoas em alguma das tais marchas contra a corrupção. Alguma coisa com a palavra “Juventude”, não me lembro bem. Ficou claro que não tinha nada a ver com o MPL e, pior que isso, estavam tentando se passar pelo MPL.
Alguém me deu um toque e observei que a descrição dizia o trajeto da manifestação (coisa que o MPL nunca fez, até hoje, sabiamente). Além disso, na descrição havia propostas como “ir ao prédio da rede globo” e “cantar o hino nacional”, “todos vestidos de branco”. O alerta vermelho novamente acendeu na minha cabeça. Hino nacional é coisa de integralista, de fascista. Vestir branco é coisa de movimentos em geral muito ou totalmente despolitizados. Basta um mínimo de perspectiva histórica pra sacar. Pois bem.
Ajudei a alertar sobre a desonestidade de quem quer que estivesse organizando aquilo e meu alerta chegou a uma das pessoas que, parece, estavam envolvidas nessa organização (ou conhecia quem estava). O discurso dela, que conhece alguém que eu conheço, era totalmente despolitizado. Ela falava em “paz”, “corrupção” e outras palavras de ordem vazias que não representam reivindicação concreta alguma, e muito menos um projeto de qualquer tipo para a sociedade, a cidade de São Paulo, etc. Mais um pouco de perspectiva histórica e a gente entende no que é que palavras de ordem e reivindicações vazias aleatórias acabam. Depois de fazer essa breve mobilização na internet com várias outras pessoas, acabaram mudando o nome e a foto do evento, no próprio dia 13 de noitão. No dia seguinte transferiram o evento para a segunda-feira, “para unir as forças”, diziam.
3. E o juiz apita! Começa a partida!
Seguiu-se um final de semana extremamente violento em diversos lugares do país. Era o início da Copa das Confederações e muitos manifestantes foram protestar pelo direito de protestarem. O que houve em sp mostrou que esse direito estava ameaçado. Além disso, com a tal “lei da copa”, uma legislação provisória que vale durante os eventos da FIFA, em algumas áreas publicas se tornam proibidas quaisquer tipos de manifestações políticas. Quer dizer, mais uma ameaça a esse direito tão fundamental numa [suposta] democracia.
No final de semana as manifestações não foram tão grandes, mas significativas em ao menos três cidades: Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. No DF e no RJ as polícias militares seguiram a receita paulista e foram extremamente violentas. A polícia mineira, porém, parecia um exemplo de atuação cidadã, que repassamos, compartilhamos e apoiamos em redes sociais do lado de cá do sudeste.
Não me lembro bem, mas acho que foi no intervalo entre uma coisa e outra que percebi a terceira “coisa estranha”. Um pouco depois do massacre na região da Paulista, e um pouco antes do final de semana de horrores, mais um sinal: ficamos sabendo que uma conhecida distante, depois do dia 13, pegou um ônibus para ir ao Rio de Janeiro. Essa pessoa contou que a PM paulista parou o ônibus na estrada, antes de sair do Estado de São Paulo. Mandaram os passageiros descerem e policiais entraram no veículo. Quando os passageiros subiram novamente, todas as coisas, bolsas, malas e mochilas estavam reviradas. A policial perguntou a essa pessoa se ela tinha participado de algum dos protestos. Pediu pra ver o celular e checou se havia vídeos, fotografias, etc.
Não à toa e no mesmo “clima”, conto pra vocês a quarta “coisa estranha”: descobrimos que, após o ato em BH, um rapaz identificado como uma das lideranças políticas de lá foi preso, em sua casa. Parece que a nossa polícia exemplar não era tão exemplar assim, mas agora ninguém compartilhava mais. Coisas semelhantes aconteceram em Brasília, antes mesmo das manifestações começarem.
4. Sequestraram a pauta?
Então veio a segunda-feira. Dia 17 de junho de 2013. Ontem. Havia muita gente se prontificando a participar dos protestos, guias de segurança compartilhados nas redes, gente montando pontos de apoio, etc. Uma verdadeira mobilização para que muita gente se mobilizasse. Estávamos otimistas.
Curiosamente, os mesmos meios de comunicação conservadores que incentivaram as ações violentas da PM na quinta-feira anterior (13) de manhã, em seus editoriais, agora diziam que de fato as pessoas deveriam ir às ruas. Só que com outras bandeiras. Isso não seria um problema, se as pessoas não tivessem, de fato, ido à rua com as bandeiras pautadas por esses grupos políticos (representados por esses meios de comunicação). O clima, na segunda-feira, era outro. Era como se a manifestação não fosse política e como se não estivesse acontecendo no mesmo planeta em que eu vivo. Meu otimismo começou a decair.
A pauta foi sequestrada por pessoas que estavam, havia alguns dias, condenando os manifestantes por terem parado o trânsito, e que são parte dos grupos sociais que sempre criminalizaram os movimentos sociais no Brasil (representados por um pedaço da classe política, estatisticamente o mais corrupto - não, não está nem perto de ser o PT -, e pelos meios de comunicações que se beneficiam de uma política de concessões da época da ditadura). De repente se falava em impeachment da presidenta. As pessoas usavam a bandeira nacional e se pintavam de verde e amarelo como ordenado por grandes figurões da mídia de massas, colunistas de opinião extremamente populares e conservadores.
As reações de militantes variavam. Houve quem achasse lindo, afinal de contas, era o povo nas ruas. Houve quem desconfiasse. Houve quem se revoltasse. Houve quem, entre todos os sentimentos possíveis, ficasse absolutamente confuso. Qualquer levante popular em que a pauta não eh muito definida cria uma situação de instabilidade política que pode virar qualquer coisa. Vimos isso no início do Estado Novo e no golpe de 1964, ambos extremamente fascistas. Não quer dizer que desta vez seria igual, mas a história me dizia pra ficar atenta.
5. Não, sequestraram o ato!
A passeata do dia 17, segunda-feira, estava marcada para sair do Largo da Batata, que fica numa das pontas da avenida Faria Lima. Não se sabia, não havia decisão ainda, do que se faria depois. Aos que não entendem, a falta de um trajeto pré-definido se justifica muito bem por duas percepções: (i) a de que é fácil armar emboscadas para repressão quando divulga-se o trajeto; e, (ii) mais importante do que isso, a percepção de que são as pessoas se manifestando, na rua, que devem definir na hora o que fazer. [e aqui, se vocês forem espertos, verão exatamente onde está a minha contradição - que não nego, também me confunde]
A passeata parecia uma comemoração de final de copa do mundo. Irônico, não? Começamos a teorizar (sem muita teoria) que talvez essa fosse a única referência de manifestações públicas que as pessoas tivessem, em massa:o futebol. Os gritos eram do futebol, as palavras de ordem eram do futebol. Muitas camisetas também eram do futebol.Havia inclusive uns imbecis soltando rojões, o que não é muito esperto pois pode gerar muito pânico considerando que havia poucos dias muita gente ali tinha sido bombardeada com gás lacrimogêneo. Havia pessoas brincando com fogo. [guardem essa informação do fogo também]
Agora uma pausa: vocês se lembram do fato estranho número dois? O evento falso no facebook? Bom, o trajeto desse evento falso incluía a Berrini, a ponte Estaiada e o palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado. Reparem só.
Quando a passeata chegou ao cruzamento da Faria Lima com a Juscelino, fomos praticamente empurrados para o lado direito. Nessa hora achamos aquilo muito esquisito. Em nossas cabeças, só fazia sentido ir à Paulista, onde havíamos sido proibidos de entrar havia alguns dias. Era uma questão de honra, de simbologia, de tudo. Resolvemos parar para descobrir se havia gente indo para o lado oposto e subindo a Brigadeiro até a Paulista. Umas amigas disseram que estavam na boca do túnel. Avisei pra não irem pelo túnel que era roubada. Elas disseram então que estavam seguindo a passeata pela ponte, atravessando a Marginal Pinheiros.
Demoramos um tanto pra descobrirmos, já prontos pra ir para casa broxados, que havia gente subindo para o outro lado. Gente indo à esquerda. Era lá que preferíamos estar. Encontramos um outro grupo de pessoas conhecidas e amigas e seguimos juntos. As palavras de ordem não mudaram. Eram as mesmas em todos os lugares. As pessoas reproduziam qualquer frase de efeito tosca de manira acrítica, sem pensar no que estavam dizendo. Efeito “multidão”, deve ser.
As frases me incomodaram muito. Nem uma só palavra sobre o governador que ordenara à PM descer bala, cassetete e gás na galera havia poucos dias. Que promove o genocídio da juventude negra nessa cidade todos os dias, há 20 anos. Nem mesmo uma. Os culpados de todos os problemas do mundo, para os verde-amarelos-bandeira-hino eram o prefeito e a presidenta. Ou essas pessoas são ignorantes, ou são extremamente desonestas.
Nem chegamos à Paulista, incomodados com aquilo. Fomos para casa nos sentindo muito esquisitos. Aí então conseguimos entender que aquelas pessoas do evento falso no facebook tinham conseguido de alguma maneira manobrar uma parte muito grande de pessoas que queria ir se manifestar em outro lugar. A falta de informação foi o que deu poder para esse grupo naquele momento específico. Mas quem era esse grupo? Não sei exatamente. Mas fiquei incomodada.
6. O centro em chamas.
Quem diria que essa sensação bizarra e sem nome da segunda-feira faria todo sentido no dia seguinte? Fez. Infelizmente fez. O dia seguinte, “hoje”, dia 18 de junho de 2013, seria decisivo. Veríamos se as pessoas se desmobilizariam, se a pauta da revogação do aumento se fortaleceria. Essa era minha esperança que, infelizmente, não se confirmou. A partir daqui são todos fatos recentes, enquanto escrevo e vou tentar explica-los em ordem cronológica. Aviso que foram fazendo sentido aos poucos, conforme falávamos com pessoas, ouvíamos relatos, descobríamos novas informações. Essa é minha tentativa de relatar o que eu vi, vivi, experienciei.
No fim da tarde, pegamos o metrô Faria Lima lotadíssimo um pouco depois do horário marcado para a manifestação. Perguntei na internet, em redes sociais, se o ato ainda estava na concentração ou se estava andando, e para onde. Minha intenção era saber em qual estação descer. Me disseram, tomando a televisão como referencia (que é a referencia possível, já que não havia um único comunicado oficial do MPL em lugar algum) que o ato estava na prefeitura. Guardem essa informação.
Fomos então até o metrô República. Helicópteros diversos sobrevoavam a praça e reparei na quinta “coisa estranha”: quase não havia polícia. Acho que vimos uns três ou quatro controlando curiosamente aENTRADA do metrô e não a saída… Quer dizer, quem entrasse no metro tinha mais chance de ser abordado do que quem estava saindo, ao contrário do dia 13.
A manifestação estava passando ali e fomos seguindo, até que percebemos que a prefeitura era outro lado. Para onde estavam indo essas pessoas? Não sabíamos, mas pelos gritos, pelo clima de torcida de futebol, sabíamos que não queríamos estar ali, endossando algo em que não acreditávamos nem um pouco e que já estávamos julgando sermeio perigoso. Quando passamos em frente à câmara de vereadores, a manifestação começou a vaiar e xingar em massa. Oras, não foram eles também que encheram aquela câmara com vereadores? O discurso de ser “apolítico” ou “contra” a classe política serve a um único interesse, a história e a sociologia nos mostram: o dos grupos conservadores para continuarem tocando a estrutura social injusta como ela é, sem grandes mudanças. Pois era esse o discurso repetido ali.
Resolvemos então descer pela rua Jandaia e tentar voltar à Sé, poisdisseram nas redes sociais que o ato real, do MPL, estava no Parque Dom Pedro. Como aquilo fazia mais sentido do que um monte de pessoas bem esquisitas, com cartazes bem bizarros, subindo para a Paulista, lá fomos nós.
Outro fato estranho, número seis: no meio da Rua Jandaia, num local bem visível para qualquer passante nos viadutos do centro, um colchão em chamas. A manifestação sequer tinha passado ali. Uma rua deserta e um colchão em chamas. Para quê? Que tipo de sinal era aquele? Quem estava mandando e quem estava recebendo? Guardamos as mascaras de proteção com medo de sermos culpados por algo que não sabíamos sequer de onde tinha vindo e passamos rápido pela rua.
Cruzamos com a mesma passeata, mais para cima, que vinha lá da região que fica mais abaixo da Sé, mas não sabíamos ainda de onde. Atrás da catedral, esperamos amigos. Uma amiga disse que o marido estava chateado porque não conseguiu pegar trem na Vila Olímpia. Achamos normal, às vezes a CPTM trava mesmo, daí essa porcaria de transporte e os protestos, etc. pois bem. Guardem a informação.
Uma amiga ligou dizendo que estava perto do teatro municipal e do Vale do Anhangabaú, que estava “pegando fogo”. Imbecil que me sinto agora, na hora achei que ela estava falando que estava cheio de gente, bacana, legal. [que tonta!] Perguntei se era o ato do MPL, se tinha as faixas do MPL. Ela disse que sim mas não confiei muito.Resolvemos ir ver.
[A partir daqui todos os fatos são “estranhos”. Bem estranhos.]
O clima no centro era muito tenso quando chegamos lá. Em nenhum dos outros lugares estava tão tenso. Tudo muito esquisito sem sabermos bem o quê. Os moradores de rua não estavam como quem está em suas casas. Os moradores de rua estavam atentos, em cantos, em grupos. Poucos dormiam. Parecia noite de operação especial da PM (quem frequenta de verdade a cidade de São Paulo, e não apenas o próprio bairro, sabe bem o que é isso entre os moradores de rua).
Só que era ainda mais estranho: não havia polícia. Não havia polícia no centro de São Paulo à noite. No meio de toda essa onda. Não havia polícia alguma. Nadinha de nada, em lugar nenhum.
Na Sé, descobrimos mais ou menos o caminho e fomos mais ou menos andando perto de outras pessoas. Um grupo de franciscanos estava andando perto de nós, também. Vimos uma fumaça preta. Fogo. MUITO fogo. Muito alto. O centro em chamas.
Tentamos chegar mais perto e ver. Havia pessoas trepadas em construções com latas de spray enquanto outros bradavam em volta daquela coisa queimando que não conseguíamos identificar. Outro colchão? Os mesmos que deixaram o colchão queimando na Jandaia? Mas quem eram eles?
De repente algumas pessoas gritaram e nós,mais outros e os franciscanos, corremos achando que talvez o choque estaria avançando. Afinal de contas, era óbvio que a polícia iria descer o cacete em quem tinha levantado aquele fogaréu (aliás, será q ela só tinha visto agora, que estava daquele tamanho todo?). Só que não.
Na corrida descobrimos que era a equipe da TV Record. Estavam fugindo do local - a multidão indo pra cima deles - depois de terem o carro da reportagem queimado. Não, não era um colchão. Era o carro de reportagem de uma rede de televisão. O olhar no rosto da repórter me comoveu. Ela, como nós, não conseguia encontrar muito sentido em tudo que estava acontecendo. Ao lado de onde conversávamos, uns quatro policiais militares. Parados. Assistindo o fogo, a equipe sendo perseguida… Resolvemos dar no pé que bobos nós não somos. Tinha algo muito, mas muito errado (e estranho) ali.
Voltamos andando bem rápido para a Sé, onde os moradores de rua continuavam alertas, e os franciscanos tentavam recolher pertences caídos pelo chão na fuga e se organizarem novamente para dar continuidade a sua missão. Nós não fomos tão bravos e decidimos voltar para nossas casas.
7. Prelúdio de um… golpe?
No metrô um aviso: as estações de trem estavam fechadas. É, pois é, aquela coisa que havíamos falado antes e tal. Mal havíamos chegado em casa, porém, uma conhecida posta no facebook que um amigo não conseguiu chegar em lugar nenhum porque algumas pessoas invadiram os trilhos da CPTM e várias estações ficaram paradas, fechadas. Não era caos “normal” da CPTM, nem problemas “técnicos” como a moça anunciava. Era de propósito. Seriam os mesmos do colchão, do carro da Record?
Lemos, em seguida, em redes sociais, que havia pessoas saqueando lojas e destruindo bancos no centro. Sabíamos que eram o mesmos. Recebi um relato de que uma ocupação de sem-teto foi alvo de tentativa (?) de incêndio. Naquele momento sabíamos que, quem quer que estivesse por trás do “caos” no centro, da depredação de ônibus na frente do Palácio dos Bandeirantes no dia anterior, de tentativas de criar caos na prefeitura, etc. não era o MPL. Também sabíamos que não era nenhum grupo de esquerda: gente de esquerda não quer exterminar sem-teto. Esse plano é de outro grupo político, esse que manteve a PM funcionando nos últimos 20 anos com a mesma estrutura da época da ditadura militar.
Algum tempo depois, mais uma notícia: em Belo Horizonte, onde já se fala de chamar a Força Nacional e onde os protestos foram violentíssimos na segunda-feira (culminando inclusive em morte), havia ocorrido a mesma coisa. Depredação total do centro da cidade, sem nenhum policial por perto. Nenhunzinho. Muito estranho.
Nessa hora eu já estava convencida de que estamos diante de uma tentativa muito séria de golpe, instauração de estado de exceção, ou algod do tipo. Muito séria. Muito, muito, muito séria. Postei algumas coisas no facebook, vi que havia pessoas compartilhando da minha sensação. Sobretudo quem havia ido às ruas no dia de hoje.
Um pouquinho depois, outra notícia: a nova embaixadora dos EUA no Brasil é a mesma embaixadora que estava trabalhando no Paraguai quando deram um golpe de estado em Fernando Lugo.
Me perguntaram e eu não sei responder qual golpe, nem por que. Mas se o debate pela desmilitarização da polícia e pelo fim da PM parece que finalmente havia irrompido pelos portões da USP, esse seria um ótimo motivo. Nem sempre um golpe é um golpe de Estado. Em 1989 vivemos um golpe midiático de opinião pública, por exemplo. Pode ser que estejamos diante de outro. Essa é a impressão que, ligando esses pontos, eu tenho.
Já vieram me falar que supor golpe “desmobiliza” as pessoas, que ficam em casa com medo. De forma alguma. Um “golpe” não são exércitos adentrando a cidade. Não necessariamente. Um “golpe” pode estar baseado na ideia errônea de que devemos apoiar todo e qualquer tipo de indignação, apenas porque “o povo na rua é tão bonito!”.
Curiosamente, quando falei sobre a manifestação do dia 13 com meus alunos, no dia 14, vários deles me perguntaram se havia chances de golpes militares, tomadas de poder, novas ditaduras. A minha resposta foi apenas uma, que ainda sustento sobre este possível golpe de opinião pública/mídia: em toda e qualquer tentativa de golpe, o que faz com que ela seja ou não bem-sucedida é a resposta popular ao ataque. Em 1964, a resposta popular foi o apoio e passamos a viver numa ditadura. Nos anos 2000, a reposta do povo venezuelano à tentativa de golpe em Chávez foi a de rechaço, e a democracia foi restabelecida.
O ponto é que depende de nós. Depende de estarmos nas ruas apoiando as bandeiras certas (e há pessoas se mobilizando para divulgar em tempo real, de maneira eficaz, onde está o ato contra o aumento da passagem, porque já não podemos dizer que é apenas “um” movimento, como fez Haddad em sua entrevista coletiva). Depende de nos recusarmos a comprar toda e qualquer informação. Depende de levantarmos e irmos ver com nossos próprios olhos o que está acontecendo.
Se essa sequencia de fatos faz sentido pra você, por favor leia e repasse o papel. Faça uma cópia. Guarde. Compartilhe. Só peço o cuidado de compartilharem sempre integralmente. Qualquer pessoa mal-intencionada pode usar coisas que eu disse para outros fins. Não quero isso.
Quero apenas que vocês sigam minha linha de raciocínio e me digam: estamos mesmo diante da possibilidade iminente de um golpe?
Estou louca?
Espero sinceramente que sim. Mas acho que não.
06 junho 2013
O "ESCÂNDALO" DO CENTRO DE DIFUSÃO DO COMUNISMO EM UNIVERSIDADE PÚBLICA BRASILEIRA - você já recebeu?
.
Esses dias recebi uma "denúncia" de que haveria uma iniciativa chamada Centro de Difusão do Comunismo numa universidade pública brasileira. "Vejam as provas!!", dizia o email em tom de escândalo, ao apresentar uma série de fotos.
Mas como "denunciar" o que não está escondido, o que é publicamente assumido com toda transparência?
Fiz busca no Google e de fato encontrei algum material do programa - inclusive aqui no face. Não me aprofundei na leitura, então não sei dizer em que medida compartilho (ou não) das perspectivas desse grupo específico - mas mesmo que não compartilhe, não vejo razão para escândalo nenhum.
Na "denúncia" encontro as palavras: "o que o governo do PT ensina, usando nossos impostos: IDEOLOGIA PURA!" Kkkkkkkkkkkk - SE FOSSE o governo do PT quem responde por isso - justo ele que as esquerdas mais puristas não param de acusar de vendido ao capital! Parece que ser PT é levar pedra de todos os lados, não tem jeito!
Talvez esse pessoal nem saiba o que é um projeto de extensão - coisa que pode ser bastante autônoma em relação à orientação predominante em uma universidade. Temos aí um raro projeto de extensão de "esquerda explícita" - mas quem pensa que, por outro lado, uma universidade pública iria negar aprovação e verba para um projeto de extensão de difusão do empreendedorismo, p.ex.? Ou de tantas outras perspectivas em Direito, Filosofia, Economia, etc., que podem ser chamadas de BURGUESAS?
E principalmente: será que esses escandalizados nem sabem que acabou, há muito, o tempo de proibição da palavra e do tema "comunismo" no Brasil?
Proibição, aliás, que era um baita mico... Na cidade em que morei na Alemanha - parte de uma região industrial capitalista que ficou sob supervisão militar estadunidense, depois da segunda guerra - uma das principais avenidas se chamava Karl Marx. Pareceu absolutamente justificado, àquela municipalidade, homenagear esse pensador que ficou em primeiro lugar numa enquete que perguntava "Quem você considera o maior filósofo da história?", realizada nessa mesma Alemanha capitalista - sem que isso (feliz ou infelizmente) representasse nenhuma instabilidade social.
O que realmente me parece preocupante: minha busca com o termo exato (entre aspas) encontrou 22.900 resultados - e até onde tive paciência de ver, apenas as 2 páginas oficiais do grupo eram favoráveis, todas as outras compartilhavam o tom de denúncia.
Verdade que não dá pra ter certeza que esses números são reais, pois as denúncias todas reproduzem claramente uma mesma fonte - e isso costuma ser sinal que existe central de trolls por trás, muitas vezes com produção artificial de altos números para o Google.
Mas mais notável é que esses denunciadores todos mostram ser da mesma horda que ultimamente vive clamando por... LIBERDADE DE EXPRESSÃO! Mas que liberdade de expressão será essa, que proíbe expor uma das principais correntes políticas e intelectuais da História?
Sim, eu já sei: vão gritar que "sob o comunismo não havia liberdade de expressão", invocando os tempos de Stálin, e outros momentos em que governos opressivos alegaram ser comunistas.
Mas por esse mesmíssimo critério teríamos que denunciar e pedir a proibição da divulgação *do cristianismo*, justamente!
Pois os tempos em que o cristianismo cerceou as liberdades de opinião e de expressão, inclusive punindo-as com a fogueira alguns milhões de vezes - correspondem a muitas vezes os tempo em que o comunismo cerceou.
Lembrem-se, só para ter uma sensação, que uma das acusações que levaram o dramaturgo brasileiro António José da Silva à fogueira, em Lisboa, foi a de que ele teria sido ouvido "rezando salmos de Davi sem acrescentar 'glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo' no final", *provando* com isso que havia só fingido se converter ao cristianismo, mas secretamente permanecia judeu. E, portanto, merecia morrer.
Mas o cristianismo é digno de todo respeito e tolerância apesar dessas coisas - e o comunismo, faça o que fizer, será sempre digno de HORROR, por toda a eternidade. Talvez - pasmem! - quase quase tanto quanto os gays!
Esses dias recebi uma "denúncia" de que haveria uma iniciativa chamada Centro de Difusão do Comunismo numa universidade pública brasileira. "Vejam as provas!!", dizia o email em tom de escândalo, ao apresentar uma série de fotos.
Mas como "denunciar" o que não está escondido, o que é publicamente assumido com toda transparência?
Fiz busca no Google e de fato encontrei algum material do programa - inclusive aqui no face. Não me aprofundei na leitura, então não sei dizer em que medida compartilho (ou não) das perspectivas desse grupo específico - mas mesmo que não compartilhe, não vejo razão para escândalo nenhum.
Na "denúncia" encontro as palavras: "o que o governo do PT ensina, usando nossos impostos: IDEOLOGIA PURA!" Kkkkkkkkkkkk - SE FOSSE o governo do PT quem responde por isso - justo ele que as esquerdas mais puristas não param de acusar de vendido ao capital! Parece que ser PT é levar pedra de todos os lados, não tem jeito!
Talvez esse pessoal nem saiba o que é um projeto de extensão - coisa que pode ser bastante autônoma em relação à orientação predominante em uma universidade. Temos aí um raro projeto de extensão de "esquerda explícita" - mas quem pensa que, por outro lado, uma universidade pública iria negar aprovação e verba para um projeto de extensão de difusão do empreendedorismo, p.ex.? Ou de tantas outras perspectivas em Direito, Filosofia, Economia, etc., que podem ser chamadas de BURGUESAS?
E principalmente: será que esses escandalizados nem sabem que acabou, há muito, o tempo de proibição da palavra e do tema "comunismo" no Brasil?
Proibição, aliás, que era um baita mico... Na cidade em que morei na Alemanha - parte de uma região industrial capitalista que ficou sob supervisão militar estadunidense, depois da segunda guerra - uma das principais avenidas se chamava Karl Marx. Pareceu absolutamente justificado, àquela municipalidade, homenagear esse pensador que ficou em primeiro lugar numa enquete que perguntava "Quem você considera o maior filósofo da história?", realizada nessa mesma Alemanha capitalista - sem que isso (feliz ou infelizmente) representasse nenhuma instabilidade social.
O que realmente me parece preocupante: minha busca com o termo exato (entre aspas) encontrou 22.900 resultados - e até onde tive paciência de ver, apenas as 2 páginas oficiais do grupo eram favoráveis, todas as outras compartilhavam o tom de denúncia.
Verdade que não dá pra ter certeza que esses números são reais, pois as denúncias todas reproduzem claramente uma mesma fonte - e isso costuma ser sinal que existe central de trolls por trás, muitas vezes com produção artificial de altos números para o Google.
Mas mais notável é que esses denunciadores todos mostram ser da mesma horda que ultimamente vive clamando por... LIBERDADE DE EXPRESSÃO! Mas que liberdade de expressão será essa, que proíbe expor uma das principais correntes políticas e intelectuais da História?
Sim, eu já sei: vão gritar que "sob o comunismo não havia liberdade de expressão", invocando os tempos de Stálin, e outros momentos em que governos opressivos alegaram ser comunistas.
Mas por esse mesmíssimo critério teríamos que denunciar e pedir a proibição da divulgação *do cristianismo*, justamente!
Pois os tempos em que o cristianismo cerceou as liberdades de opinião e de expressão, inclusive punindo-as com a fogueira alguns milhões de vezes - correspondem a muitas vezes os tempo em que o comunismo cerceou.
Lembrem-se, só para ter uma sensação, que uma das acusações que levaram o dramaturgo brasileiro António José da Silva à fogueira, em Lisboa, foi a de que ele teria sido ouvido "rezando salmos de Davi sem acrescentar 'glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo' no final", *provando* com isso que havia só fingido se converter ao cristianismo, mas secretamente permanecia judeu. E, portanto, merecia morrer.
Mas o cristianismo é digno de todo respeito e tolerância apesar dessas coisas - e o comunismo, faça o que fizer, será sempre digno de HORROR, por toda a eternidade. Talvez - pasmem! - quase quase tanto quanto os gays!
02 junho 2013
AS VIDA POR TRÁS DE UM ACARAJÉ
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AS VIDAS POR TRÁS DE UM ACARAJÉ
Dia 31 fui participar de um ato público no centro de Guarapari, e quis aproveitar pra conhecer mais dos seus arredores, começando por Setiba.
Logo ao entrar, reparei num pequeno grupo de mulheres com camisetas iguais, que levavam caixas com alguma coisa pra vender.
Pouco depois paramos na beira da praia para aquele de-sempre que nunca é demais: subir nas pedras, reconhecer a paisagem, comentar a temperatura e a cor da água... Perambulamos por ali até que, numa curva, topamos com... a Lea. Uma daquelas mulheres.
A Lea nos ofereceu salgados: empadas, quibes, e acarajé. “Acarajé baiano”, avisou: “nós somos da Bahia, vendemos o acarajé ao estilo de lá”. Comentei qualquer coisa sobre as diferenças entre a comida baiana e a capixaba, e ela perguntou: “vocês são todos daqui, capixabas?” Expliquei que o Edimar e o Willian sim, mas que eu sou do Paraná. “Só que vivi muitos anos em São Paulo, antes de vir pra cá”.
“Também já morei em São Paulo”, me diz, levando a conversa naturalmente para o “onde”. “No Morumbi. Eu era pequena, morava na casa dos patrões com a minha mãe que trabalhava de doméstica. Também ficamos um tempo na Barra Funda, e eu estudei na escola tal na Liberdade. Depois voltamos para o interior da Bahia, e acabamos vindo para cá. Gosto muito daqui.”
“Você é a Gracinha?”, pergunto olhando a camiseta que diz “Acarajé da Gracinha” - ou algo parecido. Ela riu: “Todo mundo pergunta isso. Gracinha é a minha mãe, eu sou Lea”.
Em seguida Lea me conta que, morando aqui no Espírito Santo, se graduou em Pedagogia - “prazer, então somos colegas!”. Que deu aulas como temporária na rede municipal, mas este ano, com a mudança de gestão, não foi chamada. Diz que sente falta da sala de aula (conheço bem isso!), mas não está mal porque está estagiando no Fórum, já que conseguiu uma bolsa e está no segundo período de Direito.
Penso na dona Gracinha, que não conheci, lutando com as panelas e a faxina numa mansão ou apartamento de luxo no Morumbi, com a filha a tiracolo. Levando a filha para Salvador a tratamento de saúde. Inventando sua produção de salgados e acarajés numa cidade praiana do Espírito Santo. A filha, em seu segundo curso superior, esbaldando simpatia na venda dos salgados da mãe na praia, no feriado.
Esse povo da Bahia é folgado mesmo, não tem jeito, né?
Cuidado: eu, paranaense mas antes de tudo brasileiro, jogo praga pesada em quem não perceber de cara que é ironia.
25 maio 2013
0 1º CASO DE AMOR DA LITERATURA MUNDIAL
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Este texto foi publicado originalmente na coluna Espaço LGBT do semanário ES HOJE, de Vitória, ES, no Dia Internacional de Combate à Homofobia de 2013 (17 de maio).
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Sendo a primeira vez que escrevo neste espaço, é inevitável pensar: começar com o quê? E aí, vocês sabem: sempre aparece algum engraçadinho pra dizer “comece pelo começo.” Mas, justamente: o que poderia ser entendido como um começo aqui, no tema LGBT?
Quem sabe a primeira história que foi escrita no mundo, há uns 4 mil anos: a de Gilgamesh, rei de Uruk - nome que com o tempo virou Iraq.
Bem, “rei” é modo dizer: aquele tempo o que tinha era uma espécie de chefe valentão. Dizia que estava lá para proteger o povo, mas o que mais fazia era se prevalecer da posição. Que bom que isso é coisa do passado...
Enfim, Gilgamesh era forte como um touro, e ninguém podia com ele. O povo se queixava de que nenhuma mulher chegava virgem ao seu noivo, pois tinha que passar antes pelos apetites de Gilgamesh. O povo clama aos céus por ajuda - e aí os deuses dizem à diva mãe de Gilgamesh: “é cria sua, o problema é seu”.
E a deusa, o que faz? Pega um pouco de barro, mistura com uma imagem extraída da substância do céu, e larga no campo um homem de cabelos longos, corpo peludo e brutalmente forte: o único capaz de fazer frente a Gilgamesh. De início Ênkidu vaga pelo campo sem nem saber que é gente - e, enquanto isso, o que acontece com nosso fortão?
Começa a ter sonhos estranhos e vai contar a sua mãe: diz que viu um meteoro cair no meio da cidade. Ele, o rei, tenta movê-lo, mas é pesado demais. E aí repara que se sente atraído pelo meteoro “como por amor de mulher”. E a deusa-mãe explica: “Essa estrela, eu a fiz para ti. É o camarada forte que traz auxílio ao seu amigo em necessidade. Quando o vires, o amarás como a uma mulher e ele nunca te rejeitará”. Depois sonha que cai do céu um machado, e a história se repete: “curvei-me, poderosamente atraído por ele, e o amei como a uma mulher, e aí passei a levá-lo sempre preso à cintura”. E a mãe responde: “esse machado é o camarada que eu te dou, que virá em sua força como um das hostes celestiais, bravo companheiro para socorrer seu amigo em necessidade.”
Encurtando: um dia Ênkidu chega à cidade. Gilgamesh vem pomposamente pela rua... e de repente o bicho-do-mato se interpõe. Os dois se atracam bufando. Por um tempo suas forças se equilibram - a cidade treme... - mas Gilgamesh termina derrubando Ênkidu.
Mas aí, de repente, sua raiva passa: levanta-o, abraça-o... e não se separam mais. Com o vigor de um correspondido e compensado pelo do outro, o povo de Uruk finalmente passa a ter defensor - e em dose dupla. O resto do livro são aventuras e desventuras de Ênkidu e Gilgamesh pela vida afora - e até para além dela.
Pois é: vocês com certeza já ouviram que antes não tinha disso, que homem com homem, mulher com mulher é decadência do fim dos tempos... mas a primeira história que a humanidade escreveu já falava disso, e em sentido positivo. Não houve povo nem época em que o amor não tenha florescido em uma farta variedade de formas. E até hoje os frutos do amor - em qualquer de suas formas - foram os únicos bons que a humanidade colheu!
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Este texto foi publicado originalmente na coluna Espaço LGBT do semanário ES HOJE, de Vitória, ES, no Dia Internacional de Combate à Homofobia de 2013 (17 de maio).
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Sendo a primeira vez que escrevo neste espaço, é inevitável pensar: começar com o quê? E aí, vocês sabem: sempre aparece algum engraçadinho pra dizer “comece pelo começo.” Mas, justamente: o que poderia ser entendido como um começo aqui, no tema LGBT?
Quem sabe a primeira história que foi escrita no mundo, há uns 4 mil anos: a de Gilgamesh, rei de Uruk - nome que com o tempo virou Iraq.
Bem, “rei” é modo dizer: aquele tempo o que tinha era uma espécie de chefe valentão. Dizia que estava lá para proteger o povo, mas o que mais fazia era se prevalecer da posição. Que bom que isso é coisa do passado...
Enfim, Gilgamesh era forte como um touro, e ninguém podia com ele. O povo se queixava de que nenhuma mulher chegava virgem ao seu noivo, pois tinha que passar antes pelos apetites de Gilgamesh. O povo clama aos céus por ajuda - e aí os deuses dizem à diva mãe de Gilgamesh: “é cria sua, o problema é seu”.
E a deusa, o que faz? Pega um pouco de barro, mistura com uma imagem extraída da substância do céu, e larga no campo um homem de cabelos longos, corpo peludo e brutalmente forte: o único capaz de fazer frente a Gilgamesh. De início Ênkidu vaga pelo campo sem nem saber que é gente - e, enquanto isso, o que acontece com nosso fortão?
Começa a ter sonhos estranhos e vai contar a sua mãe: diz que viu um meteoro cair no meio da cidade. Ele, o rei, tenta movê-lo, mas é pesado demais. E aí repara que se sente atraído pelo meteoro “como por amor de mulher”. E a deusa-mãe explica: “Essa estrela, eu a fiz para ti. É o camarada forte que traz auxílio ao seu amigo em necessidade. Quando o vires, o amarás como a uma mulher e ele nunca te rejeitará”. Depois sonha que cai do céu um machado, e a história se repete: “curvei-me, poderosamente atraído por ele, e o amei como a uma mulher, e aí passei a levá-lo sempre preso à cintura”. E a mãe responde: “esse machado é o camarada que eu te dou, que virá em sua força como um das hostes celestiais, bravo companheiro para socorrer seu amigo em necessidade.”
Encurtando: um dia Ênkidu chega à cidade. Gilgamesh vem pomposamente pela rua... e de repente o bicho-do-mato se interpõe. Os dois se atracam bufando. Por um tempo suas forças se equilibram - a cidade treme... - mas Gilgamesh termina derrubando Ênkidu.
Mas aí, de repente, sua raiva passa: levanta-o, abraça-o... e não se separam mais. Com o vigor de um correspondido e compensado pelo do outro, o povo de Uruk finalmente passa a ter defensor - e em dose dupla. O resto do livro são aventuras e desventuras de Ênkidu e Gilgamesh pela vida afora - e até para além dela.
Pois é: vocês com certeza já ouviram que antes não tinha disso, que homem com homem, mulher com mulher é decadência do fim dos tempos... mas a primeira história que a humanidade escreveu já falava disso, e em sentido positivo. Não houve povo nem época em que o amor não tenha florescido em uma farta variedade de formas. E até hoje os frutos do amor - em qualquer de suas formas - foram os únicos bons que a humanidade colheu!
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11 maio 2013
O que está por trás da ofensiva evangélica contra direitos de minorias, em qualquer lugar
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.Não se enganem, amigos: não são desconexos os crescentes ataques de evangélicos à causa dos direitos humanos das pessoas homo, bi e transexuais: eles seguem um PROGRAMA, o programa que está implícito no livro “A Estratégia” (The Agenda) do pastor presbiteriano-conservador estadunidense Louis P. Sheldon, editado no Brasil por Silas Malafaia.
A ironia do livro é que ele é uma inversão: acusa “os homossexuais” de terem um programa conspiratório para a dominação do mundo e opressão dos evangélicos - programa de cuja existência não existe evidência nenhuma, a não ser as interpretações absolutamente fantasiosas de fatos e de textos bíblicos apresentadas no livro - quando O LIVRO, ele sim, é parte de um programa conspiratório, esse fartamente documentado.
Existe um movimento registrado oficialmente cujo objetivo é promover a dominação militar e econômica dos Estados Unidos SOBRE O MUNDO TODO durante o século 21. O movimento tem inclusive site na internet, embora obviamente mostre pouco no site. Sabe-se que ele e possivelmente outros congêneres são quem realmente detêm o poder nos EUA desde pelo menos 1980, não importa o presidente nem seu partido.
Esse movimento insufla o fundamentalismo protestante para garantir verbas para seus planos de dominação militar no Oriente Médio, fazendo acreditar que a guerra entre Israel e seus vizinhos é necessária para que depois ocorra a segunda vinda de Jesus.
Esse movimento também insufla a população civil a se rebelar contra o Estado democrático, caluniando-o de pretender destruir A FAMÍLIA.
Isso já ocorreu no Brasil em 1964, quando religiosos a serviço dos EUA, tanto católicos quanto protestantes, ajudaram a organizar a tal Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que serviu de pretexto para a intervenção de militares também comprados, que perseguiram mais de sete mil militares fiéis ao Brasil e impuseram por 21 anos o governo mais brutal e corrupto que já tivemos.
As forças do plano de dominação estadunidense não gostam nem um pouco do grau de independência que a América Latina e países “do Sul” conquistaram com a vigorosa participação do Brasil nos últimos 10 anos, e estão jogando todas as fichas para derrubar e/ou descaracterizar os governos do PT - recorrendo mais uma vez ao velho chavão de que “a família” está sendo ameaçada.
Hitler precisou perseguir uma suposta conspiração de judeus para conseguir o apoio das massas alemãs (em grande parte evangélicas) para seus planos de dominação. Os perseguidos eram caluniados de serem os perseguidores - e livros com “evidências” não faltavam.
Qualquer semelhança com o insuflamento das massas evangélicas contra os “planos de destruição da família” pelos “gayzistas” NÃO É NENHUMA COINCIDÊNCIA.
O Brasil vive seu momento mais perigoso desde 1964 - e VOCÊ, evangélico que acredita em tudo que um pastor fala ou escreve, está sendo mais uma vez UM INOCENTE ÚTIL NUMA TRAMA DIABÓLICA.
28 abril 2013
O que São Cristóvão tem a ver com Boston e com o World Trade Center?
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Diante das bombas de Boston, até mesmo nos EUA uma parcela considerável da opinião pública avaliou de imediato: “isso é operação de bandeira falsa”. Esse conceito não é estranho nem novo no pensamento militar: trata-se de ação realizada por agentes do próprio país, pondo a culpa em algum outro que se deseja atacar ou pelo menos complicar.
Verdade que não é fácil aceitar que mortes e mutilações de cidadãos possam ser causadas por forças de segurança de seu próprio país: a razão se arrepia com essa ideia, e prefere desqualificar como mera teoria de conspiração.
Em Boston morreram 3 pessoas. Na derrubada do World Trade Center, naquele 11 de setembro de 2001, morreram 3 mil. Ainda assim, quem se dá o trabalho de ler ou assistir relatórios de investigações independentes se convence para sempre, sem retorno, de que também foi operação de bandeira falsa.
E aí a questão ressurge agravada: SERÁ POSSÍVEL MESMO que alguém seja capaz de fazer isso com 3 mil de seus próprios concidadãos?
Há poucos dias fui a um bate-papo com o jornalista capixaba José Caldas da Costa, autor de vasta pesquisa contextualizada sobre a Guerrilha do Caparaó, o primeiro movimento de resistência armada ao regime de 1964, encetado por militares das três armas que haviam sido expulsos pelo golpe. Conversa vai, conversa vem, tocou-se no caso Para-Sar, uma OPERAÇÃO DE BANDEIRA FALSA que teria sido executada no Brasil em junho de 1968 - se não tivesse sido frustrada pela heroica insubordinação do capitão Sérgio de Carvalho.
Essa operação, que serviria de pretexto para a eliminação de 40 das maiores lideranças políticas do país e para o endurecimento do regime a um extremo quase inimaginável, se iniciaria com explosões esparsas em diversos pontos do Rio de Janeiro, seguindo-se: a destruição do seu sistema de abastecimento de água (!) e, finalmente, a explosão do centro de armazenamento de gás combustível conhecido como Gasômetro de São Cristóvão (que se vê na foto), planejada para o momento de movimento mais intenso na região, e que provavelmente provocaria uma miríade de explosões secundárias ao longo da rede de gás encanado abastecida por ele.
COM TODA PROBABILIDADE, OS MORTOS PELA OPERAÇÃO PARA-SAR ULTRAPASSARIAM OS DO 11 DE SETEMBRO.
Nada do que relatei até aqui era novidade para mim - mas ali, no meio desse bate-papo de 25/04/2013, de repente vi esses dados todos se ligarem de um modo com que eu ainda não havia atinado - e se ergueram, diante dos meus olhos mentais estarrecidos, os seguintes dois pensamentos:
1) Se aqui no Brasil foi por um fio que não aconteceu uma operação de bandeira falsa mais mortífera que o 11 de Setembro, perpetrada pela próprias “forças de segurança” do país, que estupidez é essa, nossa, a de resistir à ideia de que isso possa ter acontecido nos EUA, desqualificando qualquer conversa nesse sentido como “teoria da conspiração”? Conspirações existem. A do caso Para-Sar, integralmente documentada. Por que não nos EUA?
2) AINDA MAIS QUE está fartamente comprovada a participação de forças estadunidenses no planejamento e execução do golpe de 1964, com destaque para a doutrinação e treinamento de pessoal nas formas mais bárbaras de violação da dignidade da pessoa humana. Hoje todos sabemos que as técnicas de tortura ainda usadas nas delegacias brasileiras foram ensinadas às nossas forças de “segurança” naquela época, metodicamente, diretamente por agentes dos EUA.
EM RESUMO: o frustrado Atentado ao Gasômetro do Rio e o 11 de Setembro são farinha do mesmo saco; procedem de uma mesma realidade tenebrosa que em nenhum momento teve solução de continuidade desde então.
Hoje reconquistamos uma dose considerável de autonomia frente ao poderio dos EUA - a maior autonomia que já tivemos desde o momento de nossa entrada na 2.ª Guerra Mundial. Não é total, é claro, pois hoje em dia isso simplesmente não existe em nenhum ponto do planeta, mas ainda assim podemos dizer que nossa posição é privilegiada - e torço para que nunca deixe de ser, só vá daqui para melhor.
Mesmo assim não podemos perder de vista um minuto o quanto a tal realidade tenebrosa está ativa no mundo no momento; o quanto a democracia está destroçada nos próprios EUA, com fatos totalmente comparáveis aos dos nossos anos de chumbo; e que a intenção das forças por trás dessa realidade tenebrosa é declaradamente o domínio do mundo todo no presente século.
Seria tão bom que isso tudo não passasse de um pesadelo - mas é o que há de mais concreto na realidade social, política e econômica internacional. Oxalá um dia nossos descendentes estejam em condições de duvidar que isso tudo tenha sido possível! Pois a nós, hoje, não resta sequer direito de duvidar.
Diante das bombas de Boston, até mesmo nos EUA uma parcela considerável da opinião pública avaliou de imediato: “isso é operação de bandeira falsa”. Esse conceito não é estranho nem novo no pensamento militar: trata-se de ação realizada por agentes do próprio país, pondo a culpa em algum outro que se deseja atacar ou pelo menos complicar.
Verdade que não é fácil aceitar que mortes e mutilações de cidadãos possam ser causadas por forças de segurança de seu próprio país: a razão se arrepia com essa ideia, e prefere desqualificar como mera teoria de conspiração.
Em Boston morreram 3 pessoas. Na derrubada do World Trade Center, naquele 11 de setembro de 2001, morreram 3 mil. Ainda assim, quem se dá o trabalho de ler ou assistir relatórios de investigações independentes se convence para sempre, sem retorno, de que também foi operação de bandeira falsa.
E aí a questão ressurge agravada: SERÁ POSSÍVEL MESMO que alguém seja capaz de fazer isso com 3 mil de seus próprios concidadãos?
Há poucos dias fui a um bate-papo com o jornalista capixaba José Caldas da Costa, autor de vasta pesquisa contextualizada sobre a Guerrilha do Caparaó, o primeiro movimento de resistência armada ao regime de 1964, encetado por militares das três armas que haviam sido expulsos pelo golpe. Conversa vai, conversa vem, tocou-se no caso Para-Sar, uma OPERAÇÃO DE BANDEIRA FALSA que teria sido executada no Brasil em junho de 1968 - se não tivesse sido frustrada pela heroica insubordinação do capitão Sérgio de Carvalho.
Essa operação, que serviria de pretexto para a eliminação de 40 das maiores lideranças políticas do país e para o endurecimento do regime a um extremo quase inimaginável, se iniciaria com explosões esparsas em diversos pontos do Rio de Janeiro, seguindo-se: a destruição do seu sistema de abastecimento de água (!) e, finalmente, a explosão do centro de armazenamento de gás combustível conhecido como Gasômetro de São Cristóvão (que se vê na foto), planejada para o momento de movimento mais intenso na região, e que provavelmente provocaria uma miríade de explosões secundárias ao longo da rede de gás encanado abastecida por ele.
COM TODA PROBABILIDADE, OS MORTOS PELA OPERAÇÃO PARA-SAR ULTRAPASSARIAM OS DO 11 DE SETEMBRO.
Nada do que relatei até aqui era novidade para mim - mas ali, no meio desse bate-papo de 25/04/2013, de repente vi esses dados todos se ligarem de um modo com que eu ainda não havia atinado - e se ergueram, diante dos meus olhos mentais estarrecidos, os seguintes dois pensamentos:
1) Se aqui no Brasil foi por um fio que não aconteceu uma operação de bandeira falsa mais mortífera que o 11 de Setembro, perpetrada pela próprias “forças de segurança” do país, que estupidez é essa, nossa, a de resistir à ideia de que isso possa ter acontecido nos EUA, desqualificando qualquer conversa nesse sentido como “teoria da conspiração”? Conspirações existem. A do caso Para-Sar, integralmente documentada. Por que não nos EUA?
2) AINDA MAIS QUE está fartamente comprovada a participação de forças estadunidenses no planejamento e execução do golpe de 1964, com destaque para a doutrinação e treinamento de pessoal nas formas mais bárbaras de violação da dignidade da pessoa humana. Hoje todos sabemos que as técnicas de tortura ainda usadas nas delegacias brasileiras foram ensinadas às nossas forças de “segurança” naquela época, metodicamente, diretamente por agentes dos EUA.
EM RESUMO: o frustrado Atentado ao Gasômetro do Rio e o 11 de Setembro são farinha do mesmo saco; procedem de uma mesma realidade tenebrosa que em nenhum momento teve solução de continuidade desde então.
Hoje reconquistamos uma dose considerável de autonomia frente ao poderio dos EUA - a maior autonomia que já tivemos desde o momento de nossa entrada na 2.ª Guerra Mundial. Não é total, é claro, pois hoje em dia isso simplesmente não existe em nenhum ponto do planeta, mas ainda assim podemos dizer que nossa posição é privilegiada - e torço para que nunca deixe de ser, só vá daqui para melhor.
Mesmo assim não podemos perder de vista um minuto o quanto a tal realidade tenebrosa está ativa no mundo no momento; o quanto a democracia está destroçada nos próprios EUA, com fatos totalmente comparáveis aos dos nossos anos de chumbo; e que a intenção das forças por trás dessa realidade tenebrosa é declaradamente o domínio do mundo todo no presente século.
Seria tão bom que isso tudo não passasse de um pesadelo - mas é o que há de mais concreto na realidade social, política e econômica internacional. Oxalá um dia nossos descendentes estejam em condições de duvidar que isso tudo tenha sido possível! Pois a nós, hoje, não resta sequer direito de duvidar.
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