Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

29 março 2008

ESSAS HORAS EM QUE NÃO SE AGÜENTA MAIS PALAVREAR

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                   PAROLE
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estou farto de café e de palavras.
quero passear na beira de um rio
mas tenho que ganhar a vida.
      parole,  parole,  parole!
olhos curtos e uma bunda quadrada.
Botucatu, 1989 - diante da tela do micro
do Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural
P.S.: 
Costumo dizer que as duas coisas que mais gosto de fazer na vida são ensinar e escrever. Que eu respondo afirmativamente e sem hesitação à pergunta que Rilke recomendou que o jovem poeta que lhe escrevia se fizesse com honestidade: "eu morreria se me impedissem de escrever?"
Apesar disso, tem horas em que as palavras saturam. Ontem terminei a tradução de um livro com que me batia há mais de um ano. Pensei que hoje iria responder a todos os comentários que têm sido feitos neste blog, e a outros também por e-mail, todos altamente estimulantes. Não consegui...
Em lugar disso, sonhei esta noite que caminhava no mato. Que tinha me mudado pra um lugar onde podia andar no mato sempre, e escapar mais fácil com meu carro (no sonho eu ainda tinha carro...) da gravidade jupiteriana da Grande São Paulo pra qualquer outro lugar. E à tarde, mesmo acordado, me peguei sonhando de novo: caminhava descalço pelas praias de uma ilha com um amigo de longe, sem pressa de chegar em lugar nenhum...
Vou tentar de novo amanhã. Mas se ainda demorar um pouco... desculpem, amigos: é que no momento estou mesmo "farto de café e de palavras". Isso sempre termina passando, eu sei - mas, afinal, é preciso dar ao momento o que é do momento, não é mesmo?  
(A propósito: alguém teria aí uma manga bem cheirosa e suculenta para trocar por esta xícara de café?)
P.S. do P.S.: será que todo mundo entendeu o poema? Afinal, não sei se ainda há quem conheça essa música tão famosa nos anos 60, daquela cantora estranha, a Dalidá: Parole, parole, parole...
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23 março 2008

Filosofia do Convívio como o PÓS PÓS-MODERNO necessário...



Já é de novo o "fim-de-semana teórico" deste blog... e eu nada de achar tempo de escrever as respostas a vários questionamentos que foram levantados quanto a postagens anteriores...

Mas alguma coisa eu prometi que ia postar todo fim-de-semana, não é? Então vai aí, sem muita explicação, o primeiro capítulo de uma nova apresentação introdutória da Filosofia do Convívio (ou Pluralismo Radical)... sobre a qual explico mais durante a semana. Vai lá:


No final do século XX tornou-se comum dizer que havíamos entrado numa "condição pós-moderna", em que não existe mais nenhum esquema explicativo absoluto, de modo que de certa forma "vale tudo".
De modo bem simplificado, é essa a tese central do livro de 1979 do francês Jean-François Lyotard (1924-1998), chamado O pós-moderno na primeira edição e A condição pós-moderna nas seguintes.
Naturalmente muitos contestaram até que exista alguma coisa que possa ser chamada pós-modernidade, enquanto outros autores propunham também outros traços para caracterizá-la – por exemplo Jean Baudrillard (1929-2007), que apontava a vida pós-moderna como dominada por simulacros.
Olhada com seriedade, a idéia de Lyotard não é porém nenhuma bobagem. Sobretudo, apresenta uma característica interessante: quando mais for contestada, mais estará comprovada – pois afirma justamente que não existem verdades seguras e fora de contestação!
Lá por 1995 tive a oportunidade de ouvir um professor doutor da PUC-SP falando com entusiasmo dessas concepções, mostrando o patamar superior de liberdade que havíamos atingido com isso –
... e aí lhe dirigi a pergunta: "professor, se agora de certa forma vale tudo, com que base poderemos dizer que as propostas do nazismo não valem? Que critério restou para explicar por que elas, ou outras semelhantes, não devem ser aceitas? Ou então elas devem ter lugar como quaisquer outras?"
Para minha surpresa, esse experiente professor – que apesar disso tenho fortes motivos para respeitar e estimar – ficou perturbado e terminou dizendo algo como: "É, de fato, a teoria não prevê isso. É preciso pensar essa questão."
Naquele momento eu achava ­– e continuo achando – que já sabia a resposta, mas teria sido bem deselegante, anti-ético mesmo, pretender "cortar a bola" na palestra de outro professor, ainda mais não tendo nenhum dos seus títulos. E além disso seria imprudente, pois na ocasião eu ainda não tinha nada escrito e muito menos publicado sobre essa resposta, a que dou o nome de Princípio do Pluralismo Absoluto.
Tive porém muitas oportunidades, antes e depois, de apresentar publicamente essa resposta, e observei que isso costuma ter um efeito ambíguo: por um lado a resposta convence; sua lógica é auto-evidente. Por outro lado, porém, parece causar certa perplexidade, e até mesmo irritação, porque é simples demais – e nos acostumamos a só apostar no complicado.
Confesso que eu mesmo me sinto extremamente perplexo de que um ponto tão pequeno possa ter conseqüências tão vastas, mas qualquer um que se dê o trabalho de refletir seriamente sobre essas conseqüências verá que o Princípio do Pluralismo Absoluto realmente dá conta do recado de preservar a liberdade plural conquistada pela pós-modernidade (o estado de maior liberdade que o ser humano já conquistou até hoje) protegendo essa liberdade de si mesma, impedindo que ela se auto-destrua –
... e, além disso, dá conta de uma infinidade de outras questões – pois quase que sem perceber acerta na raiz de onde brotam grande parte dos galhos que afligem a humanidade.
Por isso o chamo também de Pluralismo Radical – no sentido de Marx e de Paulo Freire: porque se dirige à raiz.[1]



[1] Karl Marx (1818-1883) e Paulo Freire (1921-1997) usam a palavra "radical" em sentido positivo, reservando a palavra "sectário" para o sentido negativo que se costuma atribuir a "radical".




[1] Karl Marx (1818-1883) e Paulo Freire (1921-1997) usam a palavra "radical" em sentido positivo, reservando a palavra "sectário" para o sentido negativo que se costuma atribuir a "radical".

16 março 2008

postagem reflexivo-poética de um fim-de-verão gelado

Revendo a poesia de anos passados me vem certa impressão de que existe uma melancolia própria do mês de março, que eu ainda não havia associado claramente com o mês.
Ou será que já? Talvez tenha a ver com o "espírito de quaresma". E nem sei como é que a tal quaresma pode ter "pegado" no Hemisfério Norte, pois me parece uma coisa bem própria do ciclo do ano aqui, no Hemisfério Sul:
... depois de um semestre de escalada crescentemente frenética, lá pelo Natal se havia alcançado um platô, um patamar ao sol - às vezes até à beira d'água - para finalmente desfrutar um pouquinho do que a vida no Planeta Terra também pode ter de bom: o verão!
Isso dura até a época Carnaval, cujo nome não por acaso costuma ser interpretado como "adeus à carne" (mesmo que a verdadeira origem provavelmente seja outra).
Aí a quaresma: quarenta dias (número que no simbolismo antigo se refere sempre à um período de expiação do passado e preparação para outra fase) para ir se conformando com o fato de que o verão não dura mesmo para sempre, e que estamos começando mais um ano de dura batalha...
Para culminar, vem a sexta-feira que a tradição reservou oficialmente para se morrer de paixão - no sentido mineiro e latino (romano) da palavra: padecimento, agonia.
E aí no terceiro dia deve vir a festa da ressureição da vida - mas, estranhamente, isso só parece caber direito nesta época no Hemisfério Norte: afinal lá é começo de primavera, gelo quebrando, flores brotando do chão por entre a neve que derrete...
E aqui, a gente, como fica? Haja força para celebrar ressurreição quando se entende que agora o verão acabou mesmo e que, no mais das vezes, nas nossas vidas não resta mais que baixar a cabeça e trabalhar... pra pagar as contas que o verão deixou!
Como celebrar uma Páscoa por aqui? Pra mim, pelo menos, definitivamente não é terminando de arruinar o fígado com um monte de chocolate, para alegria dos supermercados e das farmácias, e para uma ranzinzice ainda maior no meio do trampo do dia seguinte. Sei lá, acho que por aqui podemos celebrar a Páscoa no máximo como uma festa de esperança... de afirmação de que apostamos que a vida ainda vai ressuscitar, sim, lá mais adiante... mas sem mentirmos pra nós mesmos que já estamos saltitantes de alegria...


*
No fim de março de dois anos atrás eu estava morando sozinho na cidade de Praia Grande - mais à beira do brejo que da praia, é bom esclarecer - em um galpão bastante charmoso que um ano e meio antes os jovens do movimento Trópis haviam erguido com as próprias mãos. Mas todos os nossos projetos por lá haviam dado pra trás. Todo mundo tinha vindo embora pra São Paulo.
As chuvas do fim do verão tinham enxarcado muito daquela construção que desde o início se pretendia provisória; paredes de placa OSB apodreciam com lindas flores de fungos brancos; roupas e livros preciosos apareciam manchados para sempre de um mofo preto que parece ser especialidade do litoral, depois de enxarcados por goteiras discretíssimas que eu nem tinha chegado a perceber; devastadores buracos de cupim apareceram no velho e querido piano Bechstein. Não havia quem ajudasse, e nem adiantava tentar arrumar, pois os proprietários do terreno já haviam avisado que não renovariam o comodato, e que em agosto teríamos que cair fora de lá.
Foi no meio disso tudo que escrevi o que creio ser um dos poemas mais desalentados da minha vida... que resolvo compartilhar aqui, neste março sem goteiras mas em que o mofo parece ter tomado conta dos ossos por conta do verão mais broxa dos meus 51 anos de existência, pródigo em dias chuvosos e frios, cujos dias exuberantes e de calor puderam se contar nos dedos das mãos...
Voltando a 2006, seis meses depois (na boca da primavera...) escrevi um poema bem diferente - que assumia o "ponto zero" com orgulho e como possibilidade do começo de algo novo mais autêntico, sonhado e construído com menos ilusões...  Mas esse outro poema vai ser objeto de outra postagem mais à frente, já um tanto pensada mas ainda não amadurecida.

*
Por agora, antes de passar ao poema e sair, quero mencionar um livro fantástico que descobri há poucos dias, e que no fundo tem a ver com isso tudo. Deixo claro que não concordo com o autor em tudo, principalmente em seus textos mais recentes. Mas ainda assim não posso deixar de tirar o meu chapéu para suas realizações como filósofo: o Rubem Alves. O livro em questão é A Gestação do Futuro, escrito originalmente em inglês e publicado nos EUA em 1971 como Tomorrow's Child (aqui saiu em 1987).
É interessante notar que a partir da época do poema abaixo fui mergulhando numa fase de crescente nitidez na percepção intelectual da realidade... e de crescente paralisia prática.
Me vi num impasse: não estava disposto a abrir mão da clareza conquistada trocando-a por nenhum dos tantos "analgésicos psicológicos e espirituais" que há no mercado - sistemas de ilusão bem-intencionados mas ainda assim indefensáveis - mas ao mesmo tempo não há sinais de que eu esteja pra morrer e portanto não podia continuar na paralisia... (RISOS!)
E aí de repente topei com o livro do Rubem Alves, que consegue recolocar a Esperança num lugar digno e com base intelectualmente sólida - mais sólida e ampla que a de qualquer outro que já tenha visto se dedicar ao assunto. Acho até que não seria exagerado referir-se ao Rubem como "Filósofo da Esperança" - e não só por ter nascido na cidade de Boa Esperança em Minas Gerais.
Com certeza voltaremos a isso aqui, mas... por agora vamos para um pouco de poesia (ah!, "de tudo resta um pouco" é referência a um poema de Carlos Drummond de Andrade; e se você não sabe quem é Godot, é só perguntar! Problema nenhum!)
*
        PRAIA GRANDE 31.03.2006

Parece que está tudo podre e quero dizer "desisto".
Culpa de ninguém, só do tempo.
Melhor deixar tudo e começar do zero?
Mas quem enterrará o decomposto,
porá fogo no seco?
Seguirei por aí
mais um construtor de ruínas?

E quanto a recomeçar... sem escudeiro ou par
é perda de tempo pegar na espada
(ou esquadro, martelo, enxada).
Quê resta?

Se encolher no meio
da ruína em formação
esperando a graça
do desabamento ou incêndio em breve?

(Ou algum galope
desses que escuto ao longe
virá no rumo daqui
que não pra passar ao largo?)

(Como se eu não soubesse
que não restou cavaleiro
que não se chame Godot!)

(Ou valerá apostar
que de tudo mesmo resta um pouco,
até do bem?)

*

15 março 2008

desculpem, amigos vegetarianos, mas não resisti...

Gente, tenho visto na net o seguinte desenho super bem-intencionado como campanha pró-vegetarianismo, mas olhando bem não tive como não ver que a formulação se presta uma leitura um tanto diferente da intenção original... Aí vai (desenho + interpretação):
MORALIDADE: só coma o animal
que você ama... 
:-)
................................................
Ralf Rickli • arte em idéias, palavras & educação
http://ralf.r.tropis.org • (11) 8552-4506

11 março 2008

Meu atraso + um pouco sobre A ÉTICA DE QUE PRECISAMOS HOJE

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O último fim-de-semana era o da teoria... mas eu não consegui postar nada, pois estava tentando recuperar forças em Santos, na beira do mar...
Recuperar forças no fim das férias? - alguns poderiam perguntar ironicamente... ao que eu posso responder: "Como no fim? Esses 3-4 dias foram as minhas férias da virada 2007-2008..."
Enfim: há perguntas e comentários a responder, como os feitos aqui no blog pelos amigos Pedro Martins e Douglas A. Alencar, e outros feitos nos recados do orkut pela amiga que assina Brisa da Noite, residente no Pará... todos interessantíssimos, que rendem muito.
Mas essa vida de autônomo... 4 dias de férias já são seguidos por dias de aperto & correria!! Não posso me permitir redigir esses comentários antes de terminar mais um capítulo de tradução, ou melhor: tradu$$ão... :-)
Mas não quero deixar a semana teórica no vazio... e então resolvi transcrever aqui um trecho do artigo O Fantasma de Aristóteles que (com razão ou não) considero uma das coisas mais significativas que já escrevi, se não a mais. 
Por quê? Leia você mesmo e avalie... Quero dizer apenas que pretendo fazer uma versão de leitura mais simples, que não seja entrecortada por tantos parênteses e notas de rodapé... mas que isso significaria um ou mais dias de trabalho, o que está fora de questão no momento.
E ainda que o artigo inteiro se encontra em www.tropis.org/biblioteca/pc12-aristoteles.doc (ou zip no lugar de doc).  Abraços a tod@s!!!

12.4.2. A ética de que precisamos hoje: resumo

No capítulo 12.3 buscamos confrontar a Ética de Aristóteles com um corpo de idéias pelas quais optamos não por gosto arbitrário, e sim por crermos que fazem parte da ética de que precisamos hoje. Antes de prosseguirmos para considerações mais específicas, cremos que será útil um resumo de suas características principais:
•     Uma ética baseada não na aplicação de regras pré-determinadas, mas no discernimento e opção do indivíduo;
-  no discernimento da (ou pelo menos na aposta [1] na) organicidade universal, e com ela, da teia das conseqüências das ações; [2]
-  na opção primeira de empregar nossa capacidade empática (com‑paixão) para informar nossas demais opções. [3]
•     Uma ética que, a partir disso, não hesite em optar por afirmar a dignidade universal do humano e em se empenhar por todos os meios em fazê-la valer [4] – o que, ao contrário da visão de Aristóteles, deve incluir:
-  uma valorização extra, compensatória, de todo trabalho tradicionalmente desprezado (como por exemplo e talvez emblema, o de faxineiros/as e lixeiros);
-  a educação do trabalhador intelectual para a humildade e responsabilidade social;
-  o poder de desfazer o véu de denegação que encobre dentro de cada um a distinção entre o necessário e o voluptuário,[5] de modo que a capacidade empática seja capaz de revelar a cada um, porém sobretudo ao próprio opressor, a indignidade do bem-estar baseado na opressão.

Cremos que é basicamente uma tal ética que pode viabilizar antes de mais nada um convívio inter-humano digno, e a partir daí o enfrentamento de quaisquer outras questões da humanidade.

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[1] No uso de Paul Ricoeur (segundo Rubem Alves), ou seja: como tradução da palavra "fé": não crença que denega a dúvida, porém ato de aposta existencial justamente quando na presença inexorável da dúvida – o que, embora talvez expresso com mais calor, não nos parece muito diferente do "como se" de Hans Vahinger (optar por agir como se tivéssemos certeza, mesmo sabendo que não temos).
[2] Que é o que nas filosofias da Índia recebe o nome de "lei da ação" ou, em sânscrito, carma. Embora também informe religiões, trata-se antes de tudo de um conceito filosófico e "com vida própria", não necessariamente vinculado a idéias como imortalidade, reencarnação etc.
[3] Escrevemos em 2001 no Manifesto do Reencantamento do Mundo (14, originalmente Rickli 2001): "Ética nascida não de regras, mas da percepção do brilho nos olhos do outro". E, relacionando isto já com o ponto seguinte, em um poema inédito de 1982; "você já olhou a luz que brilha / nos olhos daquelas mãos / que limpam a sua privada? / já? / não morreu de paixão?"
[4] Mais uma vez, isto pode partir de um sentimento de reconhecimento de algo dado, pré-existente como potencial (uma via reativa, possivelmente metafísica ou religiosa), ou não: pode partir simplesmente da decisão humana: "nós queremos que essa dignidade exista (quem sabe porque analisamos e julgamos melhor que seja assim), e se não existe vamos construí-la": via pró-ativa puramente ética – com possível recurso auxiliar à lógica mas sem submissão nem a essa: ato da vontade (opção) humana como soberana (antes de mais nada, ato de vontade inicial de se pôr em acordo pelo menos quanto a um mínimo indispensável ­– o qual porém provavelmente não brotará ou não será autêntico sem o discernimento inicial da organicidade).
[5] Na linguagem jurídica (apropriada aqui por brevidade): entre o que é a necessidade vital e o que é mero desejo. Adiantamos que em certa medida Aristóteles pode voltar a sem bem-vindo neste ponto, pela sua noção de educação das paixões.

02 março 2008

dois poemas ambíguos de um dia bissexto

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Este é o fim-de-semana poético deste blog, que se alterna com o teórico, fora as postagens ocasionais. Uma alternância POE/TEO, poderíamos dizer.

E desta vez, em lugar de buscar alguma coisa já "envelhecida nos barris", resolvo compartilhar duas doses de vinho extra-verde - aliás, talvez um vinho e uma cachacinha... -, brotadas justamente na manhã de 29 de fevereiro, como interrupção a uma pouco frutífera tentativa de produzir algo que pagasse as contas da virada do mês (um capítulo de tradução).

Irresponsabilidade, compartilhar trabalhos ainda por amadurecer? Provavelmente. Mas deu vontade... e lá vai:

MAIS UM ENSAIO (EM OBRAS)
SOBRE UMA LENDA PESSOAL

Trabalhando, deparo com as palavras: "local
de moradia". Tudo pára -
e me torno, inteiro, uma pergunta:
"onde
é a casa da minha alma, enfim?"

O farol da Rural Willys
de repente ilumina um alargamento da estrada;
espaço quase plano, arredondado feito um abraço;
uma terra solta e granulosa, gostosa de brincar.
A estradinha em meio ao mato
vinha sufocada de escuridão.
É aqui! É aqui!
Uma cerca de madeira
sugere casas e vidas por trás.
Uma tábua deitada sobre dois cepos:
lugar de repouso e conversa junto ao largo da estrada,
e duas árvores frondosas,
domésticas, amigas dos humanos,
diferente das que reinam prepotentes
ao longo da estrada sem fim.

É aqui! É aqui!
Aqui minha alma está em casa,
aqui eu quero ficar.
Aqui tem cama fofa que exala a alfazema
colhida ali no jardim.
Aqui tem fogão com chapa sempre quente
e o cheiro do café
nunca abandona ar.
Aqui alguns grandes conversam por perto
enquanto, por entre frutas mordidas,
a gente reina com empenho
sobre uma cidade de areia e pedrinhas brilhantes,
outra de toquinhos de madeira,
e outra, e ainda outras
que pra existir
nem carecem de materiais.
Qualquer coisa,
tem os grandes ali pra dar um jeito,
nossos serviçais.

E no entanto o carro não pára.
Prossegue em solavancos, frio e desalento
cruzando a treva que faz caras monstruosas
até um tope, uma curva, e mais estrada,
outra curva, outro tope, e mais estrada,
uma estrada de nunca, nunca,
nunca chegar.



UMA LETRA DE SAMBA
Pois é, amor...
acabou o café, amor...
samba de Serginho Cachaça
/ Gunnar Vargas, 2007
pois é, amor, eu sei
é o aluguel, é a mãe, o irmão doente,
é a prestação, é o pão, é sei lá o quê
eu sei que quem trabalha
vive sempre no tormento
mas assim já é demais:
você trocou o nosso amor
                por um aumento

pois é, amor, eu sei
você tentou, quem não deixou foi o gerente
de repente tão bonzinho com você
e eu te esperando sempre
paciente feito um jumento -
mas agora foi demais (, meu bem) :
você trocou o nosso amor
                por um aumento
 .

26 fevereiro 2008

uma pequena cosmologia físico-poética
política & amorosa

1.
A física e astronomia falam hoje de dois impulsos principais no Universo:
... o de expansão (que, segundo a teoria predominante, teria vindo do big bang), pelo qual tudo tende a se separar e a se espalhar pelo universo – até quem sabe sumir de tão rarefeito na infinitude do infinito...
... e o gravitacional, pelo qual as coisas tendem a se unir... se apertar umas nas outras... até que fiquem tão apertadas que toda diferenciação seja esmagada, e tão presas umas nas outras que nem a luz escape mais desse lugar: o buraco negro, que, ao contrário do que o nome sugere, é um lugar de excesso e não de falta.
E no entanto existem galáxias, sóis, planetas, vida...
Um pouquinho mais de gravidade, e tudo se acabava numa união tão densa que nenhum ser teria chance de existir.
Um pouquinho mais de expansão e, tudo se afastaria tanto que só restaria um vazio...
E se expansão e gravidade estivessem equilibradas com exatidão?... Então não teríamos um mundo equilibrado: teríamos nada.
2.
Existir é gingar permanentemente entre duas possibilidades de desequilíbrio.
Existimos enquanto dura a dança. Somos a dança.
Mas a dança só existe se houver dois impulsos opostos brincando de acabar um com o outro, e nunca acabando de fato.
Não estou falando "do bem e do mal". Nenhum deles é o bem. De cada um deles sozinho se pode dizer que é mau: um destrói a vida e a existência em vazio e abandono. A outro a sufoca em excesso de união e de substância.
E a união dos dois deixando de lado suas diferenças seria o suicídio universal.
Convívio de diferentes enquanto diferentes – sem se afastarem demais um do outro, sem se unirem ao ponto de anular as diferenças. Convívio inclusive dessas duas possibilidades de mal... pois a supressão de qualquer uma delas seria a efetivação do outro mal. O bem não está nunca em uma parte nem em outra: o bem está no convívio.
http://www.tropis.org/imagens/polaridadefundamental2.jpg
3.
O amor une ou separa? O amor prende ou liberta?
Lá onde se sufocam as diferenças até tudo "se empedrar" e mergulhar em escuridão – pode-se aí falar de amor?
Lá onde tudo se perde no vazio, no frio e no abandono – pode-se aí falar de amor?
Os planetas não são corpos abandonados no vazio: têm um sol em torno do qual dançar, e em condições especiais até vemos um deles fecundado pela energia do sol, dando nascimento à vida... Mas não se unem ao sol. Unir-se seria o fim de toda graça. Fim de jogo. Ir embora cada um pro seu lado também.
Entre o aprisionamento e o abandono irresponsável, entre a dependência excessiva do outro e uma independência unilateral sem coração... lá talvez exista uma faixa em que o impulso de união e o de liberdade dançam juntos, sem se separar e sem se anular. Numa dança que é provavelmente o que mais merece o nome de amor.
Na China: a existência como a dança perpétua do impulso yang e do impulso yin, os dois gestos do Tao (a realidade última além da nossa compreensão);
Na Índia: o Universo como a dança que a divindade faz existir a cada instante com seus dois pés em movimento;
No cristianismo: Deus é amor. Ou "a condição pela qual tudo existe é Amor".
4.
E nós?
A cada momento cada um de nós é tentado a dominar. Mas se de fato ama, não quererá ver o outro destituído da sua dignidade humana, dignidade que vem toda do poder de escolher por si. (A menos que esteja na verdade à procura de um animal de estimação).
A cada momento cada um de nós é tentado a abandonar. Mas enquanto o amor está em nós, está também a responsabilidade voluntária pelo que se fez – marca de todo ser que cresceu e já não só recebe, mas se tornou capaz de gerar.
(Afinal, o amor é ou não é capacidade de gerar?)
A cada momento uma escolha. Para lá do mero impulso espontâneo, animal, que vem e que passa, o amor é a cada instante um ato de decisão.
Não faz sentido falar de amor a não ser quando se exerce a capacidade de escolha: liberdade.
Não se verdadeiramente cria se não por amor, e não se verdadeiramente cria senão por decisão interna livre do nosso ser. Sem liberdade fazem-se coisas. Mas não se cria.
5.
Liberdade e amor são duas capacidades de uma coisa só: daquilo em nós que é capaz de criar.
Daquilo que é capaz de criar.
Daquele que é capaz de criar, seja em nós, seja onde for.
Mas nada existe se não tiver primeiro se feito dois. Dois que dançam um com o outro, sem voltar a ser um, e sem deixar de ser um: um par.
Não existe existir sozinho: só existe existir com.
6.
Com-viver.
Não existe apenas viver, sem "com"; todo viver depende de que também vivam outros, que vivem com. Rede.
Não aceitar o com é investir em que a existência se extinga.
E por que não? Existir é difícil...
Mas... será mais fácil o desistir?
Tentar desistir: Arrastar consigo um mundo moribundo, eras a fio... todas as partes em sofrimento... porque não queremos mais existir – mas, querendo ou não, enquanto ainda existimos, existimos-com.
Por que, afinal, algo veio a existir?
Não, não me responda. Não será verdade. É mais.
E se ficarmos esperando a resposta, não vamos com isso deixar de existir: vamos seguir existindo em sofrimento-com –
... por não estamos nos doando o suficiente pra que existir seja dança. E seja prazer. Dança-com-e-prazer-com.
Aceitar existir, apesar de todas as dificuldades, talvez seja o princípio do fim das dificuldades.
Desde que se entenda que existir é existir-com.
7.
Mesmo com todas as dificuldades, fazer com que algo exista mediante aceitar o "com": esse é o ato do amor.
E sem ele nada do que foi feito se fez. *
 



 * Do Evangelho de João (1:2). "Deus é amor" se encontra em I João 4:16.
   

23 fevereiro 2008

"Parentes" da TEORIA CONVIVIAL - importância do vínculo com a Vertente do Pacífico

Dia desses (18.02) fiz uma apresentação introdutória da Filosofia do Convívio para a equipe da Fábrica de Criatividade, e achei interessante mencionar de passagem o nome de alguns pensadores ou correntes de pensamento com os quais sinto que a Teoria Convivial tem afinidades notáveis, mesmo se geralmente parciais – e mesmo que muitos, muitos outros também pudessem se incluídos:

Dimensão filosófica:  pensamento taoísta e zen; pensamento ameríndio; Heráclito;  Nicolau de Cusa; Goethe; "trimembração social" de Rudolf Steiner; Lupasco; Edgar Morin (pensamento da complexidade).

Dimensão psicológica: Wilhelm Reich; R.D. Laing (anti-psiquiatria); Winnicott; Wallon; Vygotsky; Jung; Carl Rogers.

Dimensão pedagógica: Sócrates; Epicuro; Rudolf Steiner (Pedagogia Waldorf); A.S. Neill (Summerhill); Janusz Korczak; Ivan Illich; Paulo Freire.

Sendo incomum a referência a contribuições de fora da tradição eurocêntrica, achei importante detalhar um pouco mais o que chamo a "vertente de pensamento do Pacífico": o pensamento taoísta e o zen (da China e Japão) e (ainda mais raramente mencionado) o ameríndio - ou seja: dos povos indígenas das Américas.

Não se trata de uma junção disparatada nem arbitrária, como pode parecer à primeira vista. De acordo com a pesquisa genética, a população que se encontrava nas Américas antes de Colombo descende quase integralmente de povos da Sibéria – e é também no pensamento xamânico siberiano que vamos encontrar a raiz do taoísmo, o qual mais tarde se juntou ao budismo procedente da Índia, resultando no zen.[1]

É preciso estar consciente, "para não falar besteira", dos intervalos de tempo envolvidos. Os índios se encontram aqui há pelo menos 15 mil anos, e provavelmente há mais. O taoísmo tem uns 2500 anos de história, mais talvez uns 1000 de pré-história, e o zen tem "apenas" uns 1500 anos.

É preciso mencionar, aliás, que a arqueóloga Niède Guidon provou que os vestígios de presença humana no Piauí têm não menos que 50 mil anos – mas com isso se torna praticamente impossível que esses primeiros habitantes fossem do tipo siberiano de que estamos falando; há, pelo contrário, razões para imaginar que tenham vindo diretamente da África.

Em última análise teriam sido esses os "descobridores da América" – mas para nossa história cultural importa bem mais o estrato (camada) que veio da Ásia – uma gente para a qual esta terra foi o Extremo Oriente, e não o Extremo Ocidente como para os africanos e os europeus – dado em que podemos encontrar ricas implicações simbólicas.

É urgente, portanto, que paremos de pensar que a nossa história, no Brasil, começa com a chegada dos portugueses em 1500 –

... inclusive a história cultural e intelectual. Pois há mais elementos do que pensamos para identificar algo como "uma forma ameríndia de pensar". Há, inclusive, muito mais textos produzidos por índios do que costumamos imaginar.[2]

Outro dado de grande interesse nesse sentido são as teorias que sugerem que a própria democracia moderna deve mais aos índios que aos gregos, a quem a costumamos vincular. Por quê razão, enfim, o impulso democrático grego teria ressurgido na Europa depois de uns dois mil anos de abandono – dois mil anos em que a história e filosofia dos gregos não deixaram de ser conhecidas no Ocidente a não ser por alguns momentos? Por outro lado, foi depois da "descoberta" européia das Américas que esse impulso começou a se fazer sentir entre os próprios europeus.

Há pelo menos duas trajetórias pelas quais essa influência parece ter se dado: por um lado, os ensaios do francês Michel de Montaigne (1533-1592), ainda sob o impacto dos relatos dos navegadores – os quais foram lidos dois séculos mais tarde influenciaram as teorias do suíço Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), uma das principais fontes do impulso democrático na época iluminista. Por outro lado, o estatuto da Liga das Nações Iroquesas teria tido forte influência sobre outra dessas grandes fontes, que foram a Declaração da Independência e a Constituição dos Estados Unidos. [3]

As razões que me levam a vincular a Filosofia do Convívio à Vertente do Pacífico são portanto não só de afinidade metodológica e teórica (como veremos adiante), mas também razões políticas: a intenção de desenvolver um pensamento que se vincule não só à cultura que está nestas terras há 500 anos, mas também, e mais profundamente, àquela que está aqui a 15 mil anos, ou mais – e que, reconheçamos ou não, é a raiz genética e cultural mais profunda do povo brasileiro.
 


[1] Ver Bloise, Paulo V. O Tao e a psicologia. São Paulo: Angra, 2000.

[2] Não cabe aqui uma relação ampla nesse sentido. Sugiro apenas que se preste atenção às publicações recentes, no Brasil, de Daniel Munduruku, Kaká Werá Jekupé e Olívio Jekupé – bem como a qualquer escrito ou entrevista de Aílton Krenak. Também são notáveis os estudos do casal francês Pierre e Hélène Clastres sobre a visão-de-mundo guarani, entre muitos outros. Em relação à América do Norte costumo me referir a McLuhan, T.C. Touch the earth: a self-portrait of Indian existence. Londres: Abacus, 1980.

[3] Sobre este ponto: Johansen, Bruce E. Forgotten founders: Benjamin Franklin, the Iroquois and the rationale for the American revolution. Ipswich MA: Gambit, 1982. Consultado em http://www.ratical.com/many_worlds/6Nations/

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22 fevereiro 2008

Tropeiros acontecem: artigo da Ana Estrella na Viração

Estou circulando uma informação rápida sob o título "TROPEIROS ACONTECEM".

Com esse título ou outro, seria ótimo que os egressos da experiência Trópis, ou ainda participantes de um certo movimento Trópis, auto-documentassem o que fazem acontecer por aí, colocando na lista Teletropis, na comunidade Trópis no orkut, nos seus blogs e no meu, etc etc.

Tropeiros acontecem: artigo da Ana Estrella sobre a Expedición donde miras na Revista Viração
http://www.revistaviracao.org.br/artigo.php?id=1465

17 fevereiro 2008

Relatos Sacros de um Tempo Profano qualquer

Bom...  este é o fim-de-semana da postagem poética - mas vocês já devem ter percebido que nem mesmo poesia eu gosto de apresentar sem um pouco de prosa...
Só que há várias coisas competindo pela minha palavra & presença neste momento - entre elas o planejamento das oficinas
A Arte de Escrever e de Ler Com-Vida, que darei na
Fábrica de Criatividade nos próximos meses (veja a postagem
http://pluralf.blogspot.com/2008/02/oficinas-curso-gratis-na-fbrica-de.html ),
... a preparação de uma Introdução à Filosofia do Convívio a ser dada amanhã no Curso de Formação da equipe da mesma Fábrica...
... e - sem dúvida tão ou mais sério que qualquer trabalho, por sério que seja:
... curtir o Yan,
que já está com 1 ano e eu acabo de conhecer - filhote dos tropeiros Carlinhos Amaro & Thais, que se conheceram nos nossos tempos no galpão de Praia Grande (conheça o galpão e sua história em www.tropis.org/foto-historia4.html - e quanto ao Yan,
acham que porque é pequeno é de pouca importância?
Ele tem até comunidade no orkut, http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=29257847 !),
... e comemorar os 7 anos da minha Flor nheengatu,
Potyra da Paz Rickli... minha neta.
Com tanto a fazer, como escrever pro blog? Quem sabe então o jeito seja combinar as coisas... e mandar uma pequena (e brincalhona) peça de prosa poética.
Qual é a dessa prosa... podemos conversar depois, se vocês quiserem.  - Sugiro que façam comentários aqui mesmo no blog: eu também recebo por e-mail, e a conversa fica mais democrática, menos exclusora!...
Em tempo: um beija-flor verde-metálico dança alucinadamente em frente à minha janela enquanto escrevo isto.
Um colibri como o acima, que o próprio Carlinhos fotografou em 2004 perto de Curitiba, no sítio do Mário Barbariolli - o cérebro e mão inicial da obra em Praia Grande, e que há poucos dias hospedou em seu sítio do último dia da Expedición Donde Miras - http://expediciondondemiras.blogspot.com .
O beija-flor pousa no fio de luz. Estes dias espantou desse mesmo fio uma rolinha bem maior que ele. Deve ter ovos ou filhotes na mata que deixamos se formar na faixa de terra de 70 cm junto ao muro, em plena São Paulo. 
Penso: até seres tão doutro mundo como os colibris vivem os ritos todos do pôr filhotes no mundo, e de cuidá-los.
E um dia, então, também têm netos... Como é extraordinário mesmo, este mais ordinário dos mundos!
(E não é que acabou rolando prosa?... 
Mas por agora fui!)


RELATOS SACROS
DE UM TEMPO PROFANO QUALQUER
(Botucatu, 1991)
Nos dias em que havia uma abelha morta sobre a pia, levantou-se Miau, o Gato, do sítio que ocupava nas bandas do ocidente, e passou a fustigar os Gafanhotos, que desde a última lua haviam penetrado na região da Casa do Pão, assim chamada porque há muito se deixara um pedaço de pão sobre a mesa.
Ora, quando o corpo da abelha já começava a perder suas feições, levantou-se Zé, por ordem do senhor, e a removeu da pia que desde há tempos ocupava, e deu início a um novo tempo. Este, porém, não foi respeitado por Miau, o Gato, pois que os Gafanhotos igualmente ignoravam as ordens do senhor e continuavam a viver segundo a concupiscência de suas verdes carnes.
Então se enfureceu o senhor sobremaneira e ordenou que a Casa do Pão fosse derribada. Ao ser informado disso, terminou Zé de rasgar suas já puídas vestes, lançou-se ao chão e, rastejando entre os vermes, implorou ao senhor que abrandasse o seu coração.
E eis que o senhor se compadeceu e enviou uma aranha, a qual desenrolou sua teia por sobre a porta do banheiro, e uma vez estendida a teia sobre a porta do banheiro, o senhor se pronunciou, e disse: enquanto durar a teia ora estendida sobre a porta do banheiro, se estenderá um Novo Tempo de Caça aos Gafanhotos, e não mais punirei quem lhes der caça, pois eis que Eu declarei este tempo o Segundo Tempo de Caça aos Gafanhotos, e minha palavra será vossa lei.
E enquanto durou a teia, Miau, o Gato, caçou, e toda sua tribo, e juntos caçaram e se refestelaram, e já os Gafanhotos escasseavam quando o senhor enviou o Sabiá, que deu início a um outro tempo, de cujos fatos darei conta porém no Livro Quinto.
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14 fevereiro 2008

Exposição JOÃO BONETTI na Fábrica de Criatividade com coquetel e debate - ENTRADA FRANCA

João Bonetti não só é um amigo de longa data, como também um artista absolutamente incomum que é preciso conhecer!
Estou muito feliz que venha expor na Fábrica de Criatividade, que é em si uma construção capaz de estabelecer diálogo com os trabalhos do João.

Mais uma confirmação, além de tudo, da vitalidade cultural da Periferia Sul de São Paulo... cada vez mais CENTRO, como previmos em meados da década de 90 ao lançar o mote
A PERIFERIA É O CENTRO.

Pega aí meu convite: VENHA E FAÇA PARTE dessa
renovação histórica!"
 
Coquetel na fábrica!
 

11 fevereiro 2008

oficinas-curso GRATIS na Fábrica de Criatividade / repassem

Amig@s - inscrevam-se ou ajudem a divulgar
 
 
Este semestre estou coordenando a nova área de ARTES DA PALAVRA,
na Fábrica de Criatividade - próxima ao metrô Capão Redondo (Linha Lilás, Zona Sul SP)
 
Dentro dessa área, estamos oferecendo as oficinas continuadas
LITERATURA EM AÇÃO   (com Alisson da Paz, aluno-colega na Trópis desde 1999)  e
A ARTE DE ESCREVER E DE LER COM-VIDA  (comigo, Ralf Rickli)
 
 
Há vagas em todas as seguintes áreas e cursos,
com inscrições até 22 de fevereiro:
 
ARTES DA PALAVRA
• literatura em ação
(aparece na ficha "ação literária")
• a arte de escrever e de ler com-vida (aparece na ficha "leitura e elaboração de textos")
 
ARTES DO CORPO
• break
• capoeira
• dança contemporânea
• dança de salão
• teatro adulto
• teatro infantil
 
CRIAÇÃO
• construção e manipulação de bonecos
• robótica
• produção cultural
 
ARTES VISUAIS
• desenho
• pintura a óleo
• história em quadrinhos
• grafite
 
MÚSICA
• bateria
• canto
• cavaquinho
• contrabaixo elétrico
• guitarra
• metais
• percussão
• piano erudito
• piano popular
• saxofone
• teclados
• violão erudito
• violão clássico
• introdução à cultura hip hop
 
INSCRIÇÕES (candidatura às vagas) até 22 de fevereiro
 
Além da Fábrica, você pode pegar a FICHA DE INSCRIÇÃO nos seguintes locais
Bar do Binho - Rua Avelino Lemos Jr 60 - Campo Limpo
Bar do Zé Batidão (Cooperifa) - Rua Bartolomeu dos Santos 797 - Chácara Santana
Condomínio Santo Amaro G - Rua Ilha de Maiorca bloco 12 - Jd. Guarujá
Projeto Vida Nova - Rua Pr. Jerônimo Granero Garcia 7 - Jd. Amália
 
FÁBRICA DE CRIATIVIDADE - Rua Dr Luís da Fonseca Galvão 248 (Pq. Maria Helena, Capão Redondo)
  
contato@fabicadecriatividade.com.br - www.fabricadecriatividade.com.br - 5511-0055