Acredite nos que buscam a verdade... Duvide dos que encontraram! (A.Gide)

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15 novembro 2013

Homossexualidade e Negritude

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Publicado originalmente em 08/11/2013 na coluna Espaço LGBT do jornal ES Hoje. Ligeiramente adaptado em relação ao texto do jornal.
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Zumbi dos Palmares, maior líder da resistência negra nos tempos coloniais, foi morto num 20 de novembro, mês que por isso se tornou referência na luta contra a discriminação racial no Brasil. Como isso se cruza com a luta contra outra discriminação, a por orientação sexual?

Há alguns anos muitos receberam como um insulto a sugestão do antropólogo paulista Luis Mott, casado com o historiador negro baiano Marcelo Cerqueira, de que Zumbi fosse gay. Os argumentos de Mott são de fato bem fracos, mas qual seria o problema, se tiver sido mesmo? Baste lembrar que os maiores guerreiros da Grécia antiga, Aquiles e Alexandre, amavam homens!

Infelizmente, a justíssima autoafirmação de valor dos negros da diáspora muitas vezes se equivoca, encarando a homossexualidade como manifestação de fraqueza branca, na qual seria indigno um negro incorrer. Espalhou-se inclusive o mito de que não havia homossexualidade na África, nem entre os índios - o que o jesuíta Pero Correia desmentia já em 1551: “O pecado contra a natureza, que dizem ser lá em África muito comum, o mesmo é nesta terra do Brasil, de maneira que há cá muitas mulheres que, assim nas armas como em todas as outras coisas, seguem ofício de homens e têm outras mulheres com que são casadas”.

Em 1998, Murray e Roscoe publicaram Boy-Wives and Female Husbands, 350 páginas de textos sobre homossexualidade masculina e feminina na África, começando em 1732 e passando por todo o século 20. Entre as centenas de exemplos, me chama atenção o dos trabalhadores de etnia tsongo, em minas na África do Sul e Moçambique: desde o século 19, é usual que um mais velho convide um mais jovem a ser “sua esposa”, tanto no sentido de cuidar da casa quanto no da satisfação sexual; esta, no entanto, é buscada entre as coxas do parceiro, não se vendo nenhuma necessidade de penetração anal (o que tantos desinformados pensam ser a essência obrigatória da homossexualidade masculina).

Não se trata, porém, de uma situação só tolerada devido à falta de mulheres no ambiente das minas: na mesma região, Moshesh, um chefe bosotho do século 19, deixou claro que em sua tradição não havia punição nem restrição ao sexo entre iguais. E me parece especialmente notável a formulação do povo fânti, de Ghana: os homens e mulheres “que têm alma pesada”, desejam mulheres; já os homens e mulheres “que têm alma leve” preferem homens. Que esplêndida e sábia simplicidade!

De onde vem, então, que a África venha sendo apontada como o pior reduto da homofobia violenta no mundo, quase como mais uma prova de seu suposto primitivismo? Embora ainda escondam, está fartamente provado: tanto a humanidade quanto a civilização começaram na África, e lá não havia miséria antes da intervenção branca. Nem homofobia. Um movimento negro inteligente não pode, portanto, engolir a balela de que homossexualidade seja uma fraqueza importada a rejeitar: cabe-lhe rejeitar a homofobia ao mesmo tempo e com o mesmo vigor com que rejeita a discriminação pela cor - pela sabedoria e pela honra dos seus ancestrais.
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17 outubro 2013

LGBT e Literatura Brasileira


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Publicado originalmente em 11/10/2013 na coluna Espaço LGBT do jornal ES Hoje
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Já falamos de amores entre iguais nas remotas literaturas suméria e hebraica. E na brasileira, tem? Há um paradoxo, aqui: dizem que temos “o 1º romance homossexual da literatura ocidental”: Bom Crioulo, de Adolfo Caminha, que já em 1895 tratou dos amores entre um marinheiro negro e um grumete loiro. Mas, esgotada a edição inicial, o livro foi proibido, e só reeditado em 1985. Só a partir de 1970 autores como João Silvério Trevisan e Caio Fernando Abreu passaram a tratar do tema com naturalidade, não mais com meias palavras ou como aberração, como vemos p.ex. em Raul Pompeia e Lúcio Cardoso.

Do que se escreveu no entremeio, tenho apreço especial por Mário de Andrade, sujeito de espantosa universalidade: formado pianista, inaugurou no país a poesia moderna, a prosa experimental, as políticas públicas de cultura, e a pesquisa respeitosa das religiões afrobrasileiras; não bastasse, foi quem revelou ao mundo a arte do Aleijadinho, então abandonada, e contratou Lévi-Strauss para as pesquisas entre os índios do Mato Grosso que revolucionaram a antropologia.

No campo LGBT, Mário costuma ser mencionado por Frederico Paciência, do livro Contos Novos (1943), mas na verdade há referências sutis espalhadas por toda sua poesia, crônicas, cartas e - o que eu mais gosto - nos Contos de Belazarte, escritos em 1923-25. Dos 7, 3 descrevem mulheres que se envolvem com cafajestes, e terminam com a frase “Fulana era muito infeliz”. Um descreve os sofrimentos do filho pequeno de uma dessas, e outro a paixão de uma adolescente por um professor. No 5º conto, o narrador conhece no bonde um jovem negro cujos olhos “adoçavam tudo que nem verso de Rilke”, e o contrata como doméstico. Não conseguindo romper as barreiras, ajuda-o a casar, batiza o filho… mas admite explicitamente que almejava um amor também corporal.

E aí aparece Nízia Figueira, última remanescente de uma família tradicional. O pai morre e deixa Nízia, aos 16, com um sítio nas imediações de São Paulo e uma criada negra uns dez anos mais velha: a prima Rufina. Vigorosa, esta empreende o plantio de frutas e hortas e vai vender na cidade, junto com os trabalhos de Nízia em tricô. Juntam seu dinheiro, aparecem pretendentes, Nízia nem sabe namorar, o tempo passa, pretendentes desistem, dores vêm e vão… e vão ficando só as duas e a cachaça: “Prima Rufina, se encostando em quanta parede achava, puxava Nízia. Nízia se erguia, agarrava o garrafão em meio, e as duas, se encostando uma na outra, iam pro quarto”. Sexo? O conto não dá nome. Mas fala de uma intimidade em que uma “acabava se aconchegando entre as pernas da outra, fazendo daquela barriga estufada um travesseiro cômodo”. Uma adormecia, a outra “ficava piscando devagar, mansamente. Que calma!”… E o livro ousa concluir: “Nízia era muito feliz”.

Noto agora que estes três textos atacam não só a barreira do sexo igual, mas também a racial, e dois deles a de classe social. Talvez por isso eu goste tanto deles: não são LGBT em abstrato: tratam de um lugar chamado BRASIL.
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20 setembro 2013

AMORES DE GUERREIROS ANCESTRAIS nº 2

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Publicado originalmente em 13/09/2013 na coluna Espaço LGBT do jornal ES Hoje
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Contam antigos papiros que Baskã reinava sobre o pequeno mas aguerrido povo de Akã, nos confins da Ásia. Colérico e instável, era menos querido que o filho Hediyê, autor de proezas nas lutas constantes com os vizinhos rakip - mas nenhuma comparável à do desconhecido boieiro Sevgili, que surpreendeu a todos abatendo o maior guerreiro rakip, pelo quê Baskã o convidou ao palácio. Sevgili sentiu-se honrado, mas nada à vontade na presença do rei - até que chegou o príncipe e (dizem os papiros) “a alma de Hediyê se ligou à alma de Sevgili”.

De olho numa junção de talentos guerreiros, Baskã mandou Sevgili ficar no palácio. Mal cabendo em si, Hediyê tirou e lhe deu sua túnica principesca e, sentindo que era pouco, entregou também o cinto, as melhores roupas, o arco, a espada - como querendo que o outro dividisse com ele o seu lugar na roupa e na vida, pois “o amava como à sua própria alma”.

Sevgili acompanhava Baskã nas batalhas, e tudo ia bem até que o rei reparou que o povo gabava mais os feitos de Sevgili que os seus. Alarmado, mandou que o matassem, mas Sevgili foi avisado e escapou para um esconderijo no mato, onde Hediyê o encontrava. O príncipe tentou demover o pai - mas este se enfureceu ainda mais e por pouco não acerta a lança no próprio filho, gritando “pensa que eu não sei que te juntaste ao boieiro, para vergonha tua e da vida-torta que te pôs no mundo?”
 

Assim Sevgili entendeu que precisava partir para outras terras, e se despediram beijando-se, abraçando-se e chorando em abundância, e Hediyê lhe dizia: “Tu vais vencer. Teus inimigos terão até os nomes varridos da Terra - mas meu nome há de ficar porque eu fiquei contigo. Até meu pai já entendeu que tu serás o rei, e eu serei o teu braço direito, e o nosso Deus Supremo unirá a tua descendência e a minha para sempre”. Pois (dizem os papiros) “Hediyê amava Sevgili com todo o amor da sua alma”.

Muito tempo passou, e muitos conflitos sangrentos naquela terra conturbada - até que um dia Baskã e seus filhos foram emboscados e, sem Sevgili para ajudar, trucidados pelos rakip. Ao sabê-lo, Sevgili chorou amargamente a batalha perdida e a morte do rei que, apesar de tudo, ele havia querido como a um pai - culminando seu pranto na declaração “Hediyê, meu irmão, a dor por ti me transpassa! Tu eras minha alegria, e o teu amor mais desejável para mim que o amor das mulheres”. Pouco depois Sevgili se tornou rei de Akã, e mandou buscar o filho de Hediyê para o proteger.

Que tremenda história de amor gay! Ou não? Homens que assumem sua natureza homoafetiva reconhecem de imediato o sentimento de cada frase. Se emocionam que há 3 mil anos alguém tenha descrito com tal precisão sensações que conhecem tão bem! Mas há quem não admita - pois essa história é da Bíblia, apenas mudei os nomes Jônatas, Davi, Saul e Israel por palavras turcas. Ninguém vê razão para negar que heróis bíblicos matassem, tivessem mulheres mil - mas que amassem um ao outro de corpo e alma, isso “não pode estar lá”. Não procure a razão: não há.

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13 setembro 2013

Os tais ex-gays e o caso bi

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Publicado originalmente no jornal ES Hoje, em 09.08.2013
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É uma minoria barulhenta, entre os religiosos, quem insiste em julgar a diversidade natural como anormal e abominação. E essa deu de apregoar que uma meia dúzia de ex-gays ou ex-travestis seriam prova de que o caminho certo para todos os 20 milhões de LGBTs brasileiros é aceitar a religião deles para virarem normais. Ativistas LGBT retrucam com fúria que orientação sexual não muda e os ditos ex só estão mentindo a si mesmos. Não é sem razão - mas parece que travamos nesse -É! -Não é! e não vamos adiante. Que tal tentar enfrentar a questão com um pouco mais de ginga?

Vejam: tem muito homem que nunca sonhou fazer sexo com outro, viveu um casamento convencional por anos ou décadas, até que um dia, por brincadeira ou bebedeira, consentiu em uma aproximação - e aí não quer mais ficar sem o sexo entre iguais. Alguns desses conservam o interesse em mulheres, outros perdem completamente. E aí: houve mudança de orientação sexual, não houve? Acreditem: não!

Kinsey apontou 7 variações do desejo, conforme seus objetos: 0: Só diferentes, nenhum igual. 1: Um igual vez ou outra. 2: Iguais com considerável frequência, mas os diferentes ganham. 3: Diferentes e iguais na mesma medida. 4: Diferentes com considerável frequência, mas os iguais ganham. 5: Diferentes só vez ou outra. 6: Exclusivamente iguais. Como se vê, 5 dos 7 tipos são capazes de prazer com os dois sexos, só 2 não são. A população de gays/lés 100% é relativamente pequena, mas a de 100% héteros também. Em períodos longos sem contato com o sexo oposto, a maior parte se descobre capaz de desejo por iguais. Dos que não chegam a praticar, a maioria se contém com esforço e por medo incutido, bem poucos por nem chegarem a desejar.

Nenhum hétero exclusivo optou por ser assim: simplesmente é. O mesmo vale para gays/lés exclusiv@s. Já o bissexual, tampouco optou por desejar os dois, mas tem sim 3 opções para realizar o desejo: só com iguais, só com diferentes, ou com os dois. Sua história de vida pode ter levado a começar por um dos lados, e esse ter sido satisfatório o bastante para ele nem desconfiar que o outro lhe poderia ser igualmente bom, ou ainda melhor. Supostos ex-gays, se estão felizes, são é bissexuais explorando outra de suas possibilidades. Ex-héteros podem ser a mesma coisa, ou são gays quase-exclusivos que haviam se deixado dominar pela doutrinação social heteronormativa. Alguns destes se libertam sozinhos ou com ajuda de amigos, outros só com ajuda psicológica.


Reconheçamos: também existem héteros quase-exclusivos que a vida levou a viver como homossexuais ou mesmo travestis em situações p.ex. de prostituição forçada por penúria ou escravização. Quando essas condições cessam, tais héteros reencontram sua orientação sem psicólogo nem pastor, pois no rumo hétero a sociedade inteira ajuda. Mas se ser ex-gay te custa esforço, terapia ou oração, meu bem… então seu caso não é esse - e aí só posso dizer: despacha da tua vida esses parasitas, se solta… e (re)começa a ser feliz sendo o gay que Deus te fez!
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08 agosto 2013

O direito e o torto em liberdade e em repressão

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PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL ES HOJE, em 13.07.2013



Em junho prometi seguir detalhando as 1001 Diversidades da sexualidade - e não deixarei de cumprir. Mas, conversando com gente que leu a coluna, ouvi falas como “para mim até tal ponto vai - mas tal outra coisa já passa dos limites” - e percebi que antes de prosseguir é fundamental conversar sobre isso: existem mesmo esses limites? E, se existem, quais são? Existem, p.ex., mulheres trans que anteriormente viviam o papel de homem em um casamento hétero, fizeram operação de transgenitalização, e quiseram continuar vivendo com a esposa de antes num casamento lésbico. E aí? Conheço quem fique indignado dizendo que isso passa dos limites - e quem veja aí uma comovente história de amor.

Há mais de cem anos surgiu a psicanálise. Milhões de pessoas já foram analisadas, e se descobriu que todos têm fantasias sexuais que não dá pra falar, pois vão bem além do que as pessoas dizem umas pras outras que é o normal. Por volta de 1950 Alfred Kinsey pesquisou também as práticas de milhões de pessoas - e se comprovou o dito de Nelson Rodrigues: de perto ninguém é normal!

Então a Ciência diz que pode tudo? Não! A Ciência descreve o que acontece, quem analisa o que se pode é a Ética, filha da Reflexão com a Investigação, mestra de todo Direito digno desse nome (Ética filosófica, não a da tradição, pois esta, religiosa ou não, costuma ser só desculpa para manter a Lei do Mais Forte - que é a própria negação do Direito). E a primeira coisa que a Ética diz é o óbvio que todo mundo pensa que entende - só que não: o limite da liberdade de um é a liberdade do outro. Também na cama: o que dois (ou mais!) fazem por querer, sem um forçar o outro, por que não poderiam? É esse o único limite necessário: quando se força alguém a fazer algo, aí devemos entender que há crime - não por se tratar de sexo, e sim porque, ao tratar um ser humano como objeto, lhe estamos violentando o órgão que o faz ser humano: sua liberdade.

Estuprar, fazer entregar a carteira ou a vida, ou criar situações que obriguem o outro a aceitar condições de trabalho indignas para não ver os filhos na fome, são no fundo a mesma coisa. Forçar o outro devia ser considerado crime sempre, exceto em um caso: reprimir a execução desses crimes, o que não é violentar nenhuma liberdade legítima: é impedir que a liberdade primária de alguém, legítima, seja destruída por uma liberdade nível 2, ilegítima. Já a liberdade nível 3, que reprime a nível 2, é legítima, pois significa proteger a liberdade primária, a qual é a própria humanitude de cada ser humano.

Então está claro: forçar o outro a fazer o que ele não quer é crime. E forçar o outro a não fazer o que ele quer? Se um homem quer beijar outro, e o outro também quer, a liberdade de impedir não é direito de ninguém, é um torto a ser reconhecido como crime - e pregar que dois homens que se beijam livremente devam ser reprimidos, reconhecido como crime de incitação ao crime. Reprimir tais crimes contra a humani/liber/dade é mais que um direito: tem que ser também um dever.
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13 julho 2013

AS 1001 DIVERSIDADES - Capítulo 1

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PUBLICADO ORIGINALMENTE NO JORNAL ES HOJE, em 14.06.2013



Nesta coluna não quero falar só com os de casa (LGBTs), mas também com H (héteros), intersexuais, assexuais e o que mais houver. Por isso, às vezes contarei histórias (como fiz em maio), às vezes serei um tanto explicativo - pois tudo o que espero é ver a gente se entender! E começo com uma questão: Maria viveu como João até os 18, aí assumiu sua diversidade, e depois casou com Renato: que tipo de diversidade temos aqui?

Diversidade! Tem quem pense que isso é invenção dos LGBT como desculpa para sem-vergonhice... Mas em 1845 um milhão de irlandeses morreram de fome por falta de diversidade (outro milhão só não morreu porque emigrou). Os dominadores mantinham o povo só com batata, e de uma variedade só. Deu uma praga... já viu. Isso não aconteceria no Peru, com 3 mil variedades de batata: dá doença em uma, outras resistem. Diversidade é invenção da Vida! Para a Vida, uniformidade é beira da morte, diversidade é saúde - inclusive no sexo.

As próprias diversidades sexuais são diversas: T se refere à identidade de gênero (que veremos adiante). L, G, B e H, à orientação do desejo. Dando nome aos bois: todo corpo humano tem desejo de ter contato intenso com outro corpo, incluindo os órgãos genitais. Não é só para reprodução: as faltas de contato físico e de gozo levam a neurose e a incontáveis problemas de saúde em todo o corpo. Gozo solitário não é errado - também tem suas funções - mas há efeitos de saúde que só o compartilhado alcança. Não se é humano sem interagir!

Homossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente com corpos de genitália igual à sua, o que abrange as mulheres Lésbicas e os homens Gays. Heterossexual é quem sente atração e prazer exclusivamente por corpos com genitália diferente da sua. Nos dois casos o “exclusivamente” pode ter uma ou outra exceção, mas sempre vivida como uma escapada, uma extravagância que não cria raízes. Ficou em dúvida? O comprovante da orientação é o que predomina nos sonhos, ou nas fantasias e imagens que se insinuam na mente quando se está pensando em outra coisa. E aí tem gente que de fato sente desejo e prazer com os dois tipos de corpos, em medida igual ou com pouca diferença: é a Bissexualidade, que poucos assumem, mas é provavelmente mais comum que Heterossexualidade pura. (Vejam o Sr. Bolsonaro: não vive dizendo que “vai sentar a vara” em gays? Hétero puro nem pensa nisso!)

E Maria? Nasceu com genitália masculina mas, desde quando tem lembrança de si, só sentiu: “eu sou mulher”. Maria está enganada? Olhem seu corpo adormecido: a vida básica está ali; órgãos genitais que sugerem um homem estão ali. Mas a pessoa está ali? O corpo adormecido diz “Eu”? Quem diz Eu é a consciência desperta. E se essa consciência afirma que se sente mulher, quê outro Eu tem direito de afirmar que não é possível? Cada um só conhece o sentir que está dentro de si! Ao desejar Renato, Maria não se sente um homem homossexual e sim uma mulher heterossexual. Não é Gay: é Transexual.

Mas isto tudo é só base: em julho esquenta mais!
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25 maio 2013

0 1º CASO DE AMOR DA LITERATURA MUNDIAL

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Este texto foi publicado originalmente na coluna Espaço LGBT do semanário ES HOJE, de Vitória, ES, no Dia Internacional de Combate à Homofobia de 2013 (17 de maio).
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Montagem com 2 fotos do jogador de futebol americano Kevin Grayson,
que assumiu publicamente sua homossexualidade  no mesmo dia da
publicação deste texto. É fácil imaginar que os sumérios
Gilgamesh e Ênkidu não tenham sido muito diferentes disso!
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Sendo a primeira vez que escrevo neste espaço, é inevitável pensar: começar com o quê? E aí, vocês sabem: sempre aparece algum engraçadinho pra dizer “comece pelo começo.” Mas, justamente: o que poderia ser entendido como um começo aqui, no tema LGBT?

Quem sabe a primeira história que foi escrita no mundo, há uns 4 mil anos: a de Gilgamesh, rei de Uruk - nome que com o tempo virou Iraq.


Bem, “rei” é modo dizer: aquele tempo o que tinha era uma espécie de chefe valentão. Dizia que estava lá para proteger o povo, mas o que mais fazia era se prevalecer da posição. Que bom que isso é coisa do passado...


Enfim, Gilgamesh era forte como um touro, e ninguém podia com ele. O povo se queixava de que nenhuma mulher chegava virgem ao seu noivo, pois tinha que passar antes pelos apetites de Gilgamesh. O povo clama aos céus por ajuda - e aí os deuses dizem à diva mãe de Gilgamesh: “é cria sua, o problema é seu”.


E a deusa, o que faz? Pega um pouco de barro, mistura com uma imagem extraída da substância do céu, e larga no campo um homem de cabelos longos, corpo peludo e brutalmente forte: o único capaz de fazer frente a Gilgamesh. De início Ênkidu vaga pelo campo sem nem saber que é gente - e, enquanto isso, o que acontece com nosso fortão?


Começa a ter sonhos estranhos e vai contar a sua mãe: diz que viu um meteoro cair no meio da cidade. Ele, o rei, tenta movê-lo, mas é pesado demais. E aí repara que se sente atraído pelo meteoro “como por amor de mulher”. E a deusa-mãe explica: “Essa estrela, eu a fiz para ti. É o camarada forte que traz auxílio ao seu amigo em necessidade. Quando o vires, o amarás como a uma mulher e ele nunca te rejeitará”. Depois sonha que cai do céu um machado, e a história se repete: “curvei-me, poderosamente atraído por ele, e o amei como a uma mulher, e aí passei a levá-lo sempre preso à cintura”. E a mãe responde: “esse machado é o camarada que eu te dou, que virá em sua força como um das hostes celestiais, bravo companheiro para socorrer seu amigo em necessidade.”


Encurtando: um dia Ênkidu chega à cidade. Gilgamesh vem pomposamente pela rua... e de repente o bicho-do-mato se interpõe. Os dois se atracam bufando. Por um tempo suas forças se equilibram - a cidade treme... - mas Gilgamesh termina derrubando Ênkidu.


Mas aí, de repente, sua raiva passa: levanta-o, abraça-o... e não se separam mais. Com o vigor de um correspondido e compensado pelo do outro, o povo de Uruk finalmente passa a ter defensor - e em dose dupla. O resto do livro são aventuras e desventuras de Ênkidu e Gilgamesh pela vida afora - e até para além dela.


Pois é: vocês com certeza já ouviram que antes não tinha disso, que homem com homem, mulher com mulher é decadência do fim dos tempos... mas a primeira história que a humanidade escreveu já falava disso, e em sentido positivo. Não houve povo nem época em que o amor não tenha florescido em uma farta variedade de formas. E até hoje os frutos do amor - em qualquer de suas formas - foram os únicos bons que a humanidade colheu!

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31 janeiro 2012

AS TRÊS ORDENS DA LIBERDADE - ou: por que não são iguais os direitos reivindicados por gays e por religiosos 'fundamentalistas'

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AS TRÊS ORDENS DA LIBERDADE
 - por que não são iguais os direitos reivindicados por gays e por religiosos 'fundamentalistas' -

Ralf Rickli - 25.06.2011
Versão 2: 31.01.2012

A direita religiosa, tanto evangélica quanto católica, tem se oposto à criminalização da homofobia (PLC 122) dizendo que isso seria uma interferência no princípio democrático da liberdade de religião, e que os gays não podem ter mais direitos do que eles, religiosos conservadores.

Infelizmente, de modo geral o outro lado (não só gays mas defensores da liberdade-de-ser em geral) só tem conseguido gritar "retrógrados! querem reviver a inquisição!", mas não tem sabido responder a esses religiosos com argumentos lógicos.

Na verdade, trata-se apenas de um caso particular de uma questão mais ampla, que se evidencia bem com este exemplo-limite: praticamente todos concordam que não se deve permitir propaganda nazista - mas por quê? Isso não é uma restrição à liberdade de expressão? Dizer que o nazismo incita a ações que vão contra a lei não é resposta suficiente, pois muitas pessoas que se opõem à propaganda nazista defendem que é legítimo se manifestar publicamente pela liberdade de uso de maconha - o que também é contra a lei. E também aqui essas pessoas provavelmente só saberão responder "ah, mas aí é diferente", sem saber dizer por quê é diferente.

Ou seja: a sociedade atual está sem critérios para fazer a mais vital das distinções para sua sobrevivência como sociedade.

É agradável ouvir que na pós-modernidade vale tudo, que deve ser proibido proibir... mas então por que proibir o estudante de Santo André de ter um arsenal em casa e alvejar as crianças do parque com chumbinho de pressão? Tá, então vale quase tudo - mas onde está a linha desse quase? Ela precisa ser clara, ou então ficaremos eternamente à mercê de arbítrios pessoais... que, sejam do guarda da esquina, sejam de um ministro togado, não passam disso: arbítrios pessoais.




LIBERDADES POSITIVA E NEGATIVA (primeira e segunda ordem) - Mas, ora... isso pode ser belamente enfrentado com uma pequena análise dos tipos de ação que a liberdade pode albergar - pois liberdade é sempre liberdade de agir (ir, vir, sorrir, beijar, dizer, pensar, são todos ações, mesmo que a última aconteça no espaço interno do psiquismo).

Porém tem mais: a natureza fundamental da liberdade é cada um poder determinar o seu próprio agir.

Quanto ao agir de outra pessoa... bem, se eu tenho minha liberdade ela também tem a sua própria, não? Então, sempre que tento dispor sobre a ação de outra pessoa eu estou não apenas exercendo a minha liberdade: estou também negando a liberdade de outro.

E aí, se considerarmos que é a minha liberdade que me faz cidadão, estou querendo ser dois cidadãos ao mesmo tempo, às custas de des-cidadanizar um outro, que também tem o direito de decidir sobre as suas próprias ações.

E se considerarmos que é a minha liberdade que me faz humano (para quem gosta da linguagem da religião: é a expressão da semelhança de Deus que existe em mim) estou tentando me fazer sobre-humano, valendo por dois (ou por 10 mil), às custas de desumanizar um outro (ou 9.999 outros) que têm tanto poder de decidir suas próprias ações quanto eu.

Então a liberdade de primeira ordem é positiva (do verbo "pôr") ou afirmativa: eu me ponho no mundo, me coloco com meu próprio modo de ser e agir, afirmo o "um" único que eu sou.

Mas quando quero determinar a vida de outro, estou dando um segundo passo: o primeiro havia sido me autodeterminar, o segundo é usar minha autodeterminação para negar a autodeterminação de outro. Por isso a liberdade de segunda ordem, que pretende ir além do passo de me autodeterminar, é sempre negativa.

Sim, sempre. E é possível extrair disso uma filosofia do direito completa, pois não é difícil demonstrar que todos os crimes - todos - podem ser descritos como imposição da liberdade de um de modo a transgredir a liberdade de outro. Se eu mato alguém, eu o faço morrer quando eu quero: estou transgredindo sua liberdade. Se tiro sua carteira, faço que o resultado das suas atividades pague o que eu quero e não o que ele quer: estou transgredindo sua liberdade. E se crio condições sociais em que ele se vê forçado a aceitar um salário indigno para não ver seus filhos passarem fome, estou fazendo precisamente a mesma coisa que se tomasse a sua carteira.

Bem, então não é difícil perceber que vivemos num mundo em que a liberdade de segunda ordem, ou negativa, predomina quase o tempo todo sobre a liberdade de primeira ordem, positiva, afirmativa. E a ideia de democracia só será realizada de fato quando liberdade significar o direito de afirmar sua própria autodeterminação, e não o de negar a autodeterminação de um outro.


LIBERDADE DE NEGAR A NEGATIVIDADE (terceira ordem) - Mas para parar a ação de um criminoso não é preciso negar sua autodeterminação? Impedir alguém de atirar num gay ou num desafeto qualquer não é uma negação da sua liberdade?

Sim... e não. Pois a liberdade de primeira ordem (positiva) é a de me afirmar; a liberdade de segunda ordem (negativa) é a de suprimir uma liberdade positiva de outro - e o sujeito que atira em outro já está exercendo uma liberdade negativa (de segunda ordem) ao tentando suprimir o direito-de-ser do primeiro. O que vou fazer ao impedi-lo de atirar é um ato de terceira ordem, um ato de negar sua negatividade. Eu, como terceiro a entrar em jogo, vou negar ao segundo apenas o "direito" (torto) de negar ao primeiro o seu direito primário legítimo de existir e ser como é.

E a negação de uma negação significa a restauração da afirmação original, que estava sendo negada (razão pela qual também podemos chamar a liberdade de terceira ordem de reafirmativa). 

Vejamos: Maria tem o direito primário de ser como é. Maurício quer negar esse direito de Maria. Se eu nego a Maurício a liberdade de negar o direito de Maria, o que estou fazendo é reafirmar o direito de Maria - e não é negar o direito primário de Maurício ser como ele é, para si mesmo; é apenas não deixar que ele destrua direitos alheios.

Então temos a Liberdade Positiva, de primeira ordem, direito de todo cidadão. A Liberdade Negativa, de segunda ordem, perversão do sentido da liberdade, e que não pode ser reconhecida como direito de ninguém. E a Liberdade de Negação da Negatividade, de terceira ordem, que encontramos em expressões tais como "restringir a restrição", "reprimir a repressão ou opressão", "excluir a exclusão", "não tolerar a intolerância".

Se quisermos uma sociedade livre, a liberdade de terceira ordem é mais que uma liberdade: é um dever, talvez a única coisa que precise ser considerada um dever, e a única que justifique o uso da força - pois é a Negação da Negatividade que garantirá a todos a condição de cidadãos, de seres propriamente humanos, ou (para quem gosta da linguagem religiosa) de indivíduos que respondem a Deus por si mesmos.

O famoso "monopólio do uso da violência" que, segundo Max Weber, caracteriza o Estado distinguindo-o de todas as outras instituições, só pode se justificar nesse sentido: que o Estado seja uma espécie de agente central de negação da negatividade (o que aponta para o maior de todos os problemas possíveis para uma Filosofia e/ou Ciência Política: como evitar que essa mesma força seja usada para a própria negação da liberdade, e não para o ato afirmativo da liberdade que é a negação da negação).


Voltando ao ponto de partida: a pregação das idéias do nazismo tem que ser contida pois é estímulo à liberdade negativa, a qual destrói não só as liberdades positivas como também toda possibilidade de democracia. A liberdade precisa se autoproteger reconhecendo-se como legítima só quando for de primeira ou de terceira ordem (ou seja: de afirmação ou de negação da negação).

E quanto aos gays, e à liberdade pretendida por alguns religiosos que é a de declará-los seguidores do mal, condenados por definição a tormentos eternos?

Não pode ser diferente: o que os gays pretendem é sua liberdade positiva, de primeira ordem, de apenas poderem ser quem são e como são, sem obrigarem nenhum outro a se modificar por isso. E a liberdade que os religiosos reclamam é tipicamente uma liberdade negativa ou de segunda ordem, que não pode ser reconhecida como um direito, já que é destruidora das demais liberdades.

Só que aqui entra o complicante do elemento "crença", de modo que a questão não se esgota tão simplesmente, mas envereda por outros capítulos que prefiro deixar para explorar em outro momento. Por hoje queria apenas compartilhar essa chave fundamental que é a distinção das três ordens de liberdade.

Em tempo: estes razoamentos fazem parte da Filosofia do Convívio, que venho elaborando lentamente ao longo de quatro décadas, embora só venha usando esse nome desde 2001. Ao lado de vários trabalhos por concluir, somando algumas centenas de páginas, existem alguns trabalhos introdutórios já publicados que posso sugerir a quem se interessar por entrar no baile (links as seguir). Nenhum deles usa esta nomenclatura das três ordens de liberdade, que está sendo introduzida agora, mas ainda que por trás de outras palavras as idéias são precisamente as mesmas.


RICKLI, R. (2007). BENDITO EIXO NO BENDITO CAOS - ou: em busca de um critério para o caos-de-critérios atual. 9 pp. Disponível em http://www.tropis.org/biblioteca/eixo-no-caos.pdf


RICKLI, R. (2008). MANIFESTO DO PLURALISMO RADICAL. 1 p. Disponível em http://www.tropis.org/biblioteca/manifesto-pluralismo-folder.pdf 

RICKLI, R. (2008). LIBERDADE SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL: uma introdução à Filosofia do Convívio e a algumas de suas aplicações. 35 pp. Disponível em http://www.tropis.org/biblioteca/libsocsus.pdf


[Não sei quem criou este aqui, mas é perfeitamente no espírito!]

21 julho 2011

Condição para o combate efetivo à homofobia e similares: entendimento da mecânica psico-bio-social do preconceito e da agressão

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(ANOTAÇÕES SEM SISTEMA NEM PRETENSÃO DE ESGOTAREM O ASSUNTO)
Do artigo "De onde vem o mal", revista Galileu nº 240, julho de 2011, p. 69: 

[Susan] Fiske, Ph.D. em psicologia pela Universidade de Princeton, é uma das primeiras a ver em scanners cerebrais marcas das influências situacionais.

Desde o fim da Segunda Guerra, filósofos e sociólogos afirmam que os absurdos praticados durante o Holocausto só foram possíveis porque os agressores viam nas suas vítimas apenas animais repugnantes ou objetos. 

"As pessoas naturalmente naturalmente inibem a violência contra outros que categorizam como seres humanos. Então é preciso que a outra pessoa seja 'desumanizada' dentro da cabeça para que isso ocorra", explica Fiske. Seus estudos, desde 2006, traçam o caminho disso no cérebro. Num dos mais impressionantes, fotografias de pessoas foram mostradas a voluntários, enquanto os cérebros dos observadores eram analisados com scanners. Quando os voluntários viam indivíduos de baixo status social, como mendigos, viciados em drogas ou até imigrantes, ativavam padrões cerebrais relacionados à visão de objetos e não aqueles ativados ao vermos seres humanos. Ou seja: nesse caso, a empatia não funcionaria para evitar uma agressão.

Para a psicóloga, isso explica o que acontece dentro da cabeça de pessoas que agridem mendigos ou que se deixam levar por um preconceito estimulado pelo Estado para praticar torturas e genocídios. Os discursos e a opinião do grupo dominante podem ser influências importantes nesse caso.

E aqui comento eu: o que nos programa para interpretar a percepção de certos humanos como se fossem coisas ou bichos, ou no mínimo como "essa gente" (isto é, seres supostamente diferentes de "nós") é o que é denominado ideologia na terminologia marxista. Ninguém sozinho é autor ou portador da ideologia inteira: cada um carrega um pedaço, que recebeu nem se lembra de quem; e as pessoas vivem repassando esses pedaços umas às outras, criando uma rede de interpretações deformadas carregada coletivamente. 

Crianças e jovens são ensinados a verem gays como seres nojentos. Gays mesmos são ensinados a verem gays como seres nojentos - o que explica o alto índice de suicídio entre aqueles que ainda não se libertaram dessa programação. Isso vem de tantas fontes diferentes, e há tanto tempo, que é realmente difícil combater, pois não se sabe de onde a coisa vem.

Ora, mas há certos casos em que sabemos de onde vem: há pessoas que assumem publicamente o papel de difusores de uma ideologia de desumanização dos diferentes - o que é precisamente o caso das direitas que se expressam em termos religiosos: contra os que eles elegem como adversários da vez, esses praticam essa desumanização imaginária na variante "demonização", além das meras animalização e coisificação (ou reificação, da palavra latina para coisa: res).

E aí me sinto tentado a dizer: "devemos combater sem trégua esses que sabemos onde estão"... mas a experiência ensina que combater pessoas geralmente fortalece suas posições! Não conseguiremos nos livrar da desumanização imaginária praticada pelos religiosos praticando outra variante de desumanização imaginária contra eles. O que temos é que expor permanentemente ao mundo a inconsistência dos discursos desumanizadores - inclusive porque desconstruindo discursos, em lugar de atacar os discursadores, estaremos combatendo ao mesmo tempo tanto os de origem conhecida quando os de origem difusa, em princípio mais difíceis de combater.

E digo que nada mais poderoso para isso do que expor com realce e celebração a humanidade dos imaginariamente desumanizados, em situações que praticamente forcem a empatia, a identificação.

(Sei que ao dizer isso posso incorrer no deprezo - mais que ira - daqueles que cultuam o torto, o esquisito, o desafiador, como se fossem os agentes principais ou mesmo únicos da transformação... Bom, isso me parece francamente uma crença fantasiosa - mas isso já seria assunto para outra discussão!)


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PODE SER REPRODUZIDO À VONTADE DESDE QUE MENCIONADA E LINKADA PELO MENOS UMA DAS SEGUINTES FONTES ORIGINAIS:
·          http://pluralf.blogspot.com/2011/07/condicao-para-o-combate-efetivo.html
·          http://www.advivo.com.br/blog/pluralf/condicao-para-o-combate-efetivo-a-homofobia-e-similares-entendimento-da-mecanica-psico-bio-social-do-preconceito-e-
·          https://www.facebook.com/note.php?note_id=244534815570211