minha visão sobre a crise mundial, cada vez mais resumida
O que estão escondendo no caso Battisti, e por quê
DEBATE ABERTO
O caso Battisti: uma decisão adequada
Na imprensa conservadora vale o princípio segundo o qual "in dubio" ou "in certeza", pau no governo Lula. Nessa ótica, até certo ponto, Cesare Battisti é irrelevante. O que importa é desqualificar o ministro da Justiça.
Flávio Aguiar
Nunca o que o sentimento conservador, visivelmente irado desde seis anos completos, publicou na sua imprensa sobre o Brasil e o mundo, e o Brasil no mundo, foi tão irrelevante como agora.
O Brasil no mundo de hoje lhe apresenta uma faceta insuportável. Nunca a recepção do Brasil em quase todos os círculos foi tão boa quanto agora. Nunca a política externa brasileira e a sua diplomacia que, diga-se de passagem, sempre foram tidas como competentes e pertinentes pelo mundo afora desde mais ou menos 1850, gozaram de tanto prestígio como agora.
O Brasil vive um "momento virtuoso" de estabilidade democrática, desenvolvimento sustentável e diminuição da pobreza que fez o país mudar de lugar na ordem mundial. Isso é inegável. Para desespero daqueles comentaristas do pensamento conservador, o mundo não lê os jornais em que eles publicam nem vê a televisão e muito menos ouve as rádios em que fermentam e destilam o anacronismo de seu pensamento.
Para esse pensamento é sempre necessário "provar" a desqualificação das atitudes do governo liderado por Lula, devido ao "esquerdismo" deficiente do comportamento petista diante do mundo. Sempre há várias bolas da vez. Recentemente foi o assessor para política internacional, Marco Aurélio Garcia, definido em artigos sempre carregados de odioso ressentimento, como aquele que força o governo Lula a alianças com a "indiada" da América Latina.
Agora é a vez do ministro Tarso Genro, graças à sua decisão de estender o direito de asilo a Cesare Battisti, ex-membro da organização "Proletários Armados pelo Comunismo", na Itália. Battisti é sistematicamente apresentado como um reles terrorista, que caiu nas boas graças do "trapalhão no Ministério da Justiça", que assim gerou um problema diplomático com a Itália.
O caso é bem mais complicado. Os "Proletários Armados..." foram formalmente acusados por quatro crimes de morte, cometido ao final dos anos setenta. Além disso, foram-lhe imputadas diversas outras acusações por crimes "menores", como expropriações, assaltos, coisas assim. Battisti foi preso em 1979, e condenado por estas acusações "menores" a 12 anos de prisão. Em 1981 ele fugiu da prisão, vivendo os anos seguintes no México, na Nicarágua e na França. Na América Central Battisti tornou-se uma figura intelectual de relevância, tendo fundado revistas literárias e organizado atividades para o mundo do livro. Além disso, deu seguidas declarações de que abandonara as atividades de luta armada depois do assassinato de Aldo Moro na Itália.
Mas em 1987 ele voltou a julgamento, "in absentia", devido a declarações de seu ex-correligionário Pietro Mutti, que, no sistema de "delação premiada", denunciou-o por aqueles quatro assassinatos, sendo então condenado à prisão perpétua. Na França, enfrentou um pedido de extradição, feito pelo governo italiano, que foi rejeitado, com base na "doutrina Mitterand", segundo a qual nenhum acusado que rejeitasse a violência seria extraditado se se considerasse que no seu julgamento não houvesse adequadas condições de defesa. Portanto, diga-se de passagem, a decisão do Ministro Tarso Genro tem precedentes, não só na doutrina Mitterand, mas em decisões judiciais nela baseadas.
Ocorre que depois a Itália, a França e a Europa inteira "endireitaram-se". As cortes italianas negaram novo julgamento a Battisti, cujos advogados, inclusive os franceses, sempre alegaram que o segundo, pelo menos, o de 1987, fora viciado, com manipulação da 'delação premiada', além de outras irregularidades, como falhas na produção de provas técnicas. Quanto a Battisti, ele sempre negou ter participado daqueles quatro assassinatos, e sempre concordou a se submeter a novo julgamento.
Com o endurecimento da situação na França e também na Itália, durante o primeiro mandato de Berlusconi, apoiado pela Liga do Norte, sobre que pesam acusações de intolerância beirando o neo-fascismo, e o segundo mandato agora em curso, Battisti buscou o Brasil, onde foi preso em 2007.
O que se pode dizer depois de todo esse percurso é que pairam consistentes dúvidas sobre a lisura de tudo. E que num caso desses, o que se pode pregar, do ponto de vista da justiça, é o princípio do "in dubio pro reo". Mas na imprensa conservadora vale o princípio segundo o qual "in dubio" ou "in certeza", pau no governo Lula. Nessa ótica, até certo ponto, Battisti é irrelevante. O que importa é desqualificar o ministro.
Corrijam-me se eu estiver errado: não me lembro de ter lido nessa imprensa manifestações iradas e veementes quando o Brasil concedeu asilo a Stroessner, sabidamente alguém que devia ser considerado um criminoso de guerra. Tudo bem. Pode ser que a decisão brasileira de então, em nome de um princípio político de abrir caminho para o futuro no continente, e em nome de não permitir um julgamento em clima emocional, fosse pertinente.
Por que não seria também agora no caso de Battisti?
Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior.
O próximo passo
A situação do povo palestino e as consequências do recente ataque de Israel a Gaza fazem parte da pauta de debates do Fórum Social Mundial. Em artigo publicado no jornal Haaretz, o jornalista Gideon Levy apresenta uma proposta da esquerda israelense sobre o tema: "Gaza precisa de uma passagem para o mundo, e essa passagem tem de passar por Israel. As negociações têm de visar ao estabelecimento de um Estado Palestino, nas fronteiras de 1967. E Israel tem que falar com o Hamas. Imediatamente", escreve.
Gideon Levy - Haaretz
A vasta maioria festejou aos gritos, uma minoria muito pequena gritou em silêncio, como um assovio na escuridão. A imensamente dominante maioria só queria mais e mais, a minoria muito pequena só queria que aquilo parasse. A absoluta maioria gargalhou, encomendou pizzas e filmes com cenas dos bombardeios, e muitos subiram aos telhados próximos à fronteira de Gaza, com os filhos, para assistir ao massacre com seus próprios olhos. Uma mínima maioria tentou protestar, encolhida de vergonha e de culpa, a cada nova imagem que chegava de Gaza.
Nunca antes, desde o verão de 1967, viu-se tão eficaz lavagem cerebral, e tal coro tão uniformemente manipulado e voltou então o coro nacionalista bestial, insensível, cego. Mas agora, a poeira baixou nas ruínas, e não há bandagem suficiente para cobrir todas as chagas; os cemitérios cheios, os hospitais lotados; os feridos, os quebrados, os incapacitados, os amputados, os aleijados, os traumatizados, os enlutados, os milhares de feridos e as dezenas de milhares de novos desabrigados e sem-teto tentam reabiitar o que possam. Agora, é tempo de elaborar sobre alguma alternativa à guerra mais brutal e mais cruel de toda a história de Israel, e a mais completamente desnecessária.
Primeiro, há um caminho que Israel jamais quis trilhar. Nem Oslo nem a retirada de 2005 foram suficientes. Sendo a guerra sempre o meio preferido e a violência sem freio, Israel praticamente sempre falou pela força, só a violência, como única linguagem. Pela força e por golpes, Israel fez a guerra, mais uma guerra. A força veio do exército; os golpes, da imprensa. Qualquer via alternativa foi sempre condenada.
Segundo, nunca é possível reconstruir, seja o que for, a partir só do que se ouve num determinado instante. Temos de lembrar o contexto, e o contexto sempre foi distorcido, a ponto de ter-se tornado irreconhecível.
O cessar-fogo com o Hamas foi firmado dia 19/6/2008. Foi recebido com frieza em Israel e com o azedume com que se recebem movimentos políticos. Ehud Olmert disse que seria "frágil e de curto-prazo", como profecia feita para se autocumprir. Nos meses seguintes, Israel foi intoxicada pelos mais aterrorizantes relatórios e análises dos serviços de segurança, sobre o quanto o Hamas se estaria armando, sobre os danos causados pelo cessar-fogo, pelos perigos que ameaçavam os israelenses por causa do cessar-fogo e sobre o quanto o Hamas, só o Hamas, beneficiava-se com o cessar-fogo.
Apagou-se do mundo o fato de que os moradores do sul de Israel viveram tempos de sossego, praticamente sem nenhum Qassam. As centenas de túneis em Rafah, a maiorias dos quais traziam oxigênio para Gaza sitiada à qual, mesmo quando se abriam os postos de fronteira, Israel sempre proibiu a chegada dos bens indispensáveis à vida, cadernos para as crianças, cimento para construir foram descritos em Israel como se existissem exclusivamente para o contrabando de armas: túneis demoníacos, pelos quais teria passado tudo que, de algum modo, se assemelhasse a armas nucleares.
A nua verdade sobre o que estava sendo contrabandeado pelos túneis só foi conhecida na guerra: pouca, parca, fraca munição.
O acordo de cessar-fogo, é preciso lembrar, incluía que Israel abriria os postos de fronteira. Depois de assinado o acordo, Israel decidiu que os postos de fronteira permaneceriam fechados, porque a passagem de Karni seria "inadequada".
Depois, começou o método "zipper": fechavam-se os postos de passagem depois de cada rojão Qassam, o velho método do chicote-e-cenoura. Sim, claro que houve Qassams e morteiros poucos, desnecessários, improdutivos, errados, estéreis que deveriam ter sido relevados com sabedoria. A cada evento, uma nova e maior violação do acordo de cessar-fogo, por Israel, que incluiu invasão por terra, dia 4/11/2008, para explodir uma casa e um túnel e para assassinar seis homens do Hamas e que foi completamente ato de guerra de Israel a Gaza.
Depois disso, tudo se deteriorou muito rapidamente, como Israel previa, como Israel aparentemente quis que acontecesse.
Ainda que não se incluísse na discussão uma única palavra sobre o contexto amplo, histórico os refugiados que vivem em Gaza desde 1948, o que os torna refugiados de guerra e os 40 anos de ocupação em Gaza, desde 1967 o contexto a ser considerado hoje tem de incluir, necessariamente, o sítio e o boicote que Israel e a comunidade internacional impuseram (i) ao Hamas, partido que chegou ao poder mediante eleições perfeitamente democráticas, em janeiro de 2006; e (ii) também contra o governo palestino de unidade nacional estabelecido em março de 2007.
Tudo isso aconteceu antes de o Hamas assumir o controle de Gaza, pela força, por golpe, depois de não conseguir instituir-se como poder democrático, nascido de eleições democráticas, pelo tipo de oposição que lhe fez o partido Fatah. Todo esse curso de eventos teria de ter sido conduzido de outro modo, mas, então, o leite e o sangue já estavam derramados.
Nem o Hamas deveria ter sido boicotado, nem Gaza deveria ter sido sitiada. Israel nada ganhou nem com o boicote nem com o bloqueio. O resultado está aí, a vista de todos: estamos olhando para ele.
Desde a questão com a OLP (Organização de Libertação da Palestina), há anos, o rejeicionismo israelense nada trouxe de bom; só trouxe mais e mais violência, novos ciclos de violência e de radicalização, tanto dos palestinos quanto dos israelenses.
Hoje, o Hamas é mais forte do que era antes da guerra; a guerra sempre fortalece os extremismos, de todos os lados, o deles e o nosso. Depois a OLP converteu-se em Hamas e hoje é Jihad Mundial. Gaza não se tornou "moderada", como interessaria a Israel; está sangrando, devastada, e Israel nada lhe ofereceu, até hoje.
O sítio de Gaza fracassou, o bloqueio só trouxe danos, mesmo que se ignorem todos os seus aspectos ilegais e imorais. Agora, em vez de bloqueio que a legislação internacional define como "castigo coletivo" e considera crime , Israel está obrigada a abrir todas as passagens de fronteira. Abri-las, não fechá-las. Abri-las para a passagem de artigos de primeira necessidade, é claro, sim, e abri-las para a passagem de pessoas. Hoje. Abertura controlada, como em todas as fronteiras do mundo, mas abri-las.
Gaza precisa de uma passagem para o mundo, e essa passagem tem de passar por Israel. Israel não pode continuar a fingir que não ocupa Gaza há 40 anos, como se a ocupação não tivesse jamais existido e, agora, 'entregar' Gaza aos egípcios. O destino de Gaza é responsabilidade de Israel.
Passagens de fronteira desimpedidas e uma via livre de acesso aos territórios ocupados da Cisjordânia e com o mundo é um dos direitos básicos dos habitantes de Gaza.
Hoje, o primeiro-ministro de Israel, qualquer primeiro-ministro, todos os primeiros-ministros, têm de abrir diálogo com a Palestina, com toda a nação palestina. Não apenas mais um diálogo, diálogo por diálogo, como o escritor David Grossman sugeriu essa semana no Haaretz Israel já consumiu sua quota de falsos diálogos mas negociações práticas, com objetivo, determinadas, com o claro e declarado objetivo de pôr fim à ocupação. Assim se demonstraria o "poder de contenção", a mais importante de todas as promessas e de todas as soluções.
As negociações, agora, têm de visar ao estabelecimento de um Estado Palestino, nas fronteiras de 1967, que são as máximas fronteiras legais de Israel e as fronteiras mínimas, legais, da Palestina. Deve parar hoje a construção de qualquer colônia. Devem-se tomar as medidas necessárias para evacuar todas as colônias da face da terra.
Basta de conversas rasas e ocas sobre se Israel estaria "preparada" para a Solução dos Dois Estados. Basta de exibir pesquisas que mostram que isto ou aquilo seria "o que a maioria dos israelenses" deseja ou não deseja. Basta de repetir o que tantos políticos e diplomatas teriam algum dia dito, contra ou a favor do Estado da Palestina. É hora de fazer acontecer o Estado da Palestina.
De nada adianta falar com o presidente Mahmude Abbas (Abu Mazen) e, ao mesmo tempo, prosseguir a construção de mais uma colônia em Modi'in Ilit. É impossível continuar a falar só com Mahmude Abbas, porque ele é ontem, é o homem de ontem para os palestinos e só representa uma pequena parte dos palestinos.
Hoje, Israel tem que falar com o Hamas. Imediatamente. Pelo menos, tem de tentar falar com o Hamas.
Também no Hamas há homens prontos a por de lado sonhos de ontem e visões do futuro, em nome de construir um presente melhor.
É hora de libertar os prisioneiros, as centenas de prisioneiros, uns prisioneiros políticos, outros prisioneiros de guerra. Eles também têm de poder manifestar suas esperanças nacionais, hoje.
E também, imediatamente, Israel tem de dizer "Sim" à Síria, imediatamente, antes de que também esse momento propício seja desperdiçado: a paz, em troca das colinas de Golan. Hoje. É possível fazer a paz com a Síria, mediante negociações.
Ao mundo árabe, Israel tem de dizer: queremos discutir a iniciativa saudita.
À comunidade internacional e aos próprios israelenses, Israel deve declarar: erramos; cometemos o pecado de matar, por arrogância, nessa guerra; e pedimos perdão, do fundo do coração. Mas nem isso adiantará, se Israel não mudar, radicalmente, a direção do seu modo de pensar e de operar no mundo.
Precisamente a partir dessa guerra horrenda, Israel pode começar a mudar. A partir do luto, das ruínas, dos feridos. Basta.
Israel já provou seu prodigioso talvez prodigioso demais poder militar, inúmeras vezes, prodígio sobre prodígio, e o quanto Israel não tem nenhum poder de autocontenção.
Israel já provou que "o meu é maior", mais violento, mais mortífero. É possível mudar de direção agora, depois dessa guerra terrível, horrenda, tanto quanto, depois da Guerra do Yom Kippur foi possível fazer a paz com o Egito (paz que também poderia ter sido alcançada sem guerra).
Mas Israel sempre se repete: concessões, se alguma, só depois de banhos de sangue.
Levantar o sítio de Gaza, pôr fim ao bloqueio, dialogar com o Hamas, paz com a Síria, aceitar a iniciativa árabe esses são passos práticos.
Mas, antes disso, tem de acontecer uma mudança de fundo, em Israel. Depois de décadas de demonização e desumanização dos árabes, é tempo, hoje, de reconhecer que são como nós, exatamente como nós, iguais a nós. Têm sentimentos, sonhos e direitos. Essa consciência humana basal é que foi apagada em Israel. Sem ela, Israel fracassará; com ela, tudo voltará a ser muito mais alcançável.
Por anos, a direita israelense banqueteou-se de palavras ocas e nada respondeu à mais simples das perguntas: Então, o que fazer?
Como estarão as coisas daqui a 20, 30 ou 50 anos? Então, os palestinos já serão maioria "entre o rio e o mar".
E a direita de Israel nada tem a dizer ou fazer. Nada, nenhuma resposta que não seja a guerra.
A esquerda tem resposta que aqui escrevi. E os israelenses da "opinião pública" voltarão a condenar a esquerda ao ostracismo, ridícula esquerda, vão ignorá-la, vão acusá-la de ser "ingênua" ou acusarão a esquerda de "traição".
Que pelo menos ninguém diga que a esquerda de Israel não sabe o que propor, que não vê caminho e que não tenha posto o pé na rua, no caminho que vê o caminho da paz, não da guerra completa e sinceramente.
Gideon Levy é jornalista israelense. Publicado originalmente no jornal Haaretz (23/01/2009)
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Uma borboleta de amarelo intenso mergulhou pra cima e depois para baixo e sumiu do meu campo de visão, nesta manhã de domingo dos 455 anos da monstruocidade de São Paulo. Menos de um segundo - mas iluminou a vida!( Amig@s: lhes desejo hoje uma borboleta amarela para cada um de vocês!!! E fui. )
Escola é a agência publicitária que faz você acreditar
que precisa da sociedade do jeito que ela está.(School is the advertising agency which makes you believe that you need society as it is).










PONTOS DE CHECAGEM PARA NEGAR ÀS PESSOAS
O DIREITO BÁSICO DE IR E VIR








DETENÇÕES E MOLESTAMENTOS








DESTRUIÇÃO DE LARES E DE MEIOS-DE-VIDA















A PROPAGANDA CLÁSSICA EMITIDA PELA MÁQUINA:
vocês podem encontrar a foto em preto & branco em todos os livros de História,
enciclopédias, bibliotecas, museus etc. dos EUA e de alguns outros países.
A foto mostra um menino judeu com mãos ao alto enquanto as tropas nazistas
apontam seus fuzis para ele e seus familiares para expulsá-los de sua casa.
A intenção é provocar empatia com as vítimas e levantar apoio
à sua causa por justiça e pelo direito a uma pátria.
MAS QUAL É A DIFERENÇA ENTRE AS TÁTICAS
DOS NAZISTAS DE ENTÃO E AS DOS ISRAELENSES DE HOJE?


…POR FAVOR PASSE ADIANTE.
Israel deve ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional
- Petição universal -
LINK NO PÉ DA PÁGINA PARA ASSINAR
Por volta de 300 ONG e associações solicitarão que o Fiscal do Tribunal Penal Internacional investigue os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza. O apoio da cidadania é Ao Fiscal do Tribunal Penal Internacional (TPI) O Direito é a marca da civilização humana. Cada progresso da humanidade coincidiu com a consolidação do Direito. O desafio que nos impõe a Crimes de guerra? Apenas os tribunais os podem condenar. Mas todos devemos dar testemunho, pois o ser humano só existe na sua A protecção dos povos, não a dos Estados, é a razão de ser do Tribunal Penal Internacional. Um povo sem Estado é o mais 
Campanha iniciada em 19/01/2008

só coma o animal
que você ama... :-)
- nao entendi muito, eu sou vegetariana, vc quiz dizer no sentido em que as pessoas nao comeriam os animais que amam? tipo, eh obivio que nao comeriam seu cachorro, entao iriam pensar? bom, sei la !
http://pt.mondediplo.com/spip.php?article433
Ao mesmo tempo que decorrem as primeiras conversações diplomáticas, que mais parecem uma cortina de fumo que permitirá ao exército israelita prosseguir a ofensiva em Gaza, sucedem-se as notícias, sinistras e esmagadoras.
«Fora de Gaza, poucas pessoas calculam o horror da situação», declara John Ging, há três anos responsável pelas operações da Agência das Nações Unidas de Ajuda aos Refugiados Palestinianos (UNRWA) em Gaza, numa entrevista ao jornal Le Monde de 7 de Janeiro. É verdade que o governo israelita (democrático, evidentemente) proibiu que a imprensa se deslocasse ao terreno
As Nações Unidas desmentiram a existência de combatentes na escola bombardeada pelo exército israelita a 6 de Janeiro, operação que fez mais de quarenta mortos.
Numa declaração datada de 6 de Janeiro, o alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, António Guterres, afirmou que Gaza é o «o único conflito do mundo em que a população não tem sequer o direito de fugir».
Richard Falk, professor de direito internacional na Universidade de Princeton e relator especial para os territórios palestinianos da ONU, foi expulso de Israel por ter denunciado os crimes contra a humanidade cometidos por Israel na Palestina antes mesmo do ataque de 27 de Dezembro.
Poderíamos ficar impressionados com algumas declarações como estas e ser levados a pensar que a intervenção israelita é desproporcionada, quaisquer que sejam os critérios adoptados. Mas felizmente em França há filósofos que nos esclarecem e nos guiam pelo caminho certo
André Glucksmann andava silencioso desde o início da crise mas, indignado pelo que viu e leu, decidiu falar. Num artigo de opinião publicado a 6 de Janeiro pelo Le Monde com o título «Gaza, une riposte excessive?» (Gaza, uma resposta excessiva?), escreveu o seguinte: «É forçoso destacar a palavra que se destaca e cimenta um terceiro tipo de incondicionalidade, a que condena urbi et orbi a acção de Jerusalém como sendo "desproporcionada". Um consenso universal e imediato legenda as imagens de Gaza sob as bombas: Israel está a ser desproporcionada».
(...)
«Quando se aprofunda os subentendidos da crítica bem-pensante da "reacção desproporcionada", descobre-se o quanto Pascal tem razão e que "quem quer fazer de anjo, faz de besta». Todos os conflitos, adormecidos ou em ebulição, são por natureza "desproporcionados". Se os adversários se entendessem sobre o uso dos meios de que dispõem e sobre os objectivos que reivindicam, deixariam de ser adversários. Quem diz conflito diz desentendimento, e portanto esforço de cada campo para apostar nos seus pontos fortes e explorar as fraquezas do outro. O Tsahal não se abstém de o fazer, "aproveitando" a sua superioridade técnica para atingir os seus objectivos. E o Hamas também não, utilizando a população de Gaza como escudo humano sem subscrever os escrúpulos morais e os imperativos diplomáticos do seu adversário.»
Assim, portanto, segundo o nosso filósofo teríamos dois adversários que disporiam, ambos, de um certo número de trunfos e que jogariam com eles no seu melhor interesse.
Durante a guerra que Israel conduziu contra o Líbano, no Verão de 2006, já um outro filósofo bem-pensante, Bernard-Henri Lévy, tinha escrito na sua crónica de 20 de Julho no jornal Le Point gentilmente posta na Internet pela embaixada de Israel em Paris que, não sendo «grande especialista em questões militares», não compreendia o sentido da palavra «desproporção». E justificava o bombardeamento das estradas, das infra-estruturas e do aeroporto, que serviriam para transportar as armas do Hezbollah.
Não é preciso ser especialista em questões militares para saber que o direito internacional estabeleceu, desde há muito tempo, as regras dos conflitos armados e que esse direito se aplica a todos os protagonistas da guerra, estatais ou não, seja qual for a legitimidade da sua causa. Este é, aliás, o mesmo direito internacional que os dois filósofos não param de invocar quando falam da Tchetchénia, do Tibete ou do Kosovo. Mas, para eles, este direito pára nas fronteiras de Israel.
Recordemos alguns princípios, estabelecidos através da adopção das Convenções de Genebra relativas à protecção das populações, em 12 de Agosto de 1949, e de dois protocolos adicionais, em Junho de 1977. A Convenção de Genebra proíbe qualquer uso «desproporcionado» da força.
Além disso, o artigo 48 do primeiro protocolo adicional explicita uma regra fundamental: «A fim de assegurar o respeito pela população civil e necessidades de carácter civil, as partes em conflito devem distinguir constantemente a população civil dos combatentes, bem como os bens de carácter civil dos objectivos militares».
O artigo 54 do mesmo protocolo explicita o seguinte: «É proibido utilizar contra os civis a fome como método de guerra ( ). É proibido atacar, destruir, subtrair ou impedir o uso dos bens indispensáveis à sobrevivência da população civil».
Mas os nossos dois filósofos não estão completamente enganados. Já o sabemos desde a Grécia Antiga. Os dirigentes atenienses explicaram-no desta forma aos seus homólogos da ilha de Melos, que queriam subjugar: «No mundo dos homens, os argumentos do direito só pesam na medida em que os adversários em presença disponham de meios equivalentes e, se não for esse o caso, os mais fortes tiram todo o partido possível do seu poder, enquanto os mais fracos apenas podem vergar-se».
Estas teses e as de muitos órgãos de comunicação social têm subjacente um outro argumento, o de que o direito internacional não se aplica aos «bárbaros». Num artigo no Le Monde diplomatique deste mês, intitulado «A memória recalcada do Ocidente», cito Heinrich von Treischke, um alemão especialista em ciências políticas, que em 1898 escreveu o seguinte: «O direito internacional transforma-se em meras frases quando também queremos aplicar os seus princípios aos povos bárbaros. Para punir uma tribo de pretos, é preciso queimar as aldeias deles; se não ditarmos o exemplo desta maneira não conseguiremos nada. Em casos semelhantes, se o império alemão aplicasse o direito internacional, isso não seria um caso de humanidade ou de justiça, mas de uma vergonhosa fraqueza». Universalismo dos direitos humanos, sim, mas só para os brancos
Num livro notável, Exterminez toutes ces brutes (Le Serpent à plumes, 1998) Sven Lindqvist recordou que em 1897 a Europa inventou as balas dundum, que provocavam ferimentos particularmente graves. Dois anos mais tarde, estas balas foram proibidas pela Convenção Internacional de Haia, antepassada da Convenção de Genebra. A partir desse momento essas balas deviam estar reservadas «à caça de animais de grande porte e às guerras coloniais».
quinta-feira 8 de Janeiro de 2009
Quase tudo o que levaram você a acreditar sobre Gaza está errado. Abaixo estão alguns poucos pontos essenciais que parecem estar ausentes da conversa, grande parte da qual transcorrendo na imprensa, sobre o ataque de Israel à faixa de Gaza.
GIDEON LEVY
Os que apóiam essa guerra apóiam o horror
Quem justifica essa guerra justifica todos os crimes. Quem prega mais guerra e crê que haja justiça em assassinatos em massa perde o direito de falar de moralidade e humanidade. Esse tipo de atitude é perfeita representação das duas caras de Israel, sempre alertas, ao mesmo tempo: praticar qualquer crime, mas, ao mesmo tempo, auto-absolver-se, sentir-se imaculado aos próprios olhos. O artigo é do jornalista israelense Gideon Levy.
Gideon Levy
Essa guerra, talvez mais que as anteriores, está expondo as veias profundas da sociedade de Israel. Racismo e ódio erguem a cabeça, o vingancismo e a sede de sangue. A "tendência do comando" no exército de Israel hoje é matar, "matar o mais possível", nas palavras dos porta-vozes militares, na televisão. E ainda que falassem dos combatentes do Hamas, ainda assim essa disposição seria sempre horrenda.
A fúria sem rédeas, a brutalidade é chamada de "exercitar a cautela": o apavorante balanço do sangue derramado 100 palestinos mortos a cada israelense morto não levanta questões, como se Israel tivesse decidido que o sangue dos palestinos vale 100 vezes menos que o sangue dos israelenses, o que manifesta o inerente racismo da sociedade de Israel.
Direitistas, nacionalistas, chauvinistas e militaristas são o bom-tom da hora. Ninguém fale de humanidade e compaixão. Só na periferia ouvem-se vozes de protesto desautorizadas, descartadas, em ostracismo e ignoradas pela imprensa , vozes de um pequeno e bravo grupo de judeus e árabes.
Além disso tudo, soa também outra voz, a pior de todas. A voz dos cínicos e dos hipócritas. Meu colega Ari Shavit parece ser o seu mais eloquente porta-voz. Essa semana, Shavit escreveu nesse jornal ("Israel deve dobrar, triplicar, quadruplicar a assistência médica em Gaza", Haaretz, 7/1): "A ofensiva israelense em Gaza é justa (...). Só uma iniciativa imeditata e generosa de socorro humanitário provará que, apesar da guerra brutal que nos foi imposta, nos lembramos de que há seres humanos do outro lado."
Para Shavit, que defendeu a justeza dessa guerra e insistiu que Israel não poderia deixar-se derrotar, o custo moral não conta, como não conta o fato de que não há vitória possível em guerras injustas como essa. E, na mesma frase, atreve-se a falar dos "seres humanos do outro lado".
Shavit pretende que Israel mate e mate e, depois, construa hospitais de campanha e mande remédios para os feridos? Ele sabe que uma guerra contra civis desarmados, talvez os seres mais desamparados do mundo, que não têm para onde fugir, é e sempre será vergonhosa. Mas essa gente sempre quer aparecer bem. Israel bombardeará prédios residenciais e depois tratará os feridos e mutilados em Ichilov; Israel meterá uns poucos refugiados nas escolas da ONU e depois tratará os aleijados em Beit Lewinstein. Israel assassinará e depois chorará no funeral. Israel cortará ao meio mulheres e crianças, como máquinas automáticas de matar e, ao mesmo tempo falará de dignidade.
O problema é que nada disso jamais dará certo. Tudo isso é hipocrisia ultrajante, vergonhoso cinismo. Os que convocam em tom inflamado para mais e mais violência, sem considerar as consequências, são, de fato, os que mais se autoenganam e os que mais traem Israel.
Não se pode ser bom e mau ao mesmo tempo. A única "pureza" de que cogitam é "matar terroristas para purificar Israel", o que significa, apenas, semear tragédias cada vez maiores. O que está sendo feito em Gaza não é desastre natural, terremoto, inundação, calamidades em que Israel teria o dever e o direito de estender a mão aos flagelados, mandar equipes de resgate, como tanto gostamos de fazer. Toda a desgraça, todo o horror que há hoje em Gaza foi feito por mãos humanas as mãos de Israel. Quem tenha mãos sujas de sangue não pode oferecer ajuda. Nenhuma compaixão nasce da brutalidade.
Pois ainda há quem pretenda enganar a todos todo o tempo. Matar e destruir indiscriminadamente e, ao mesmo tempo, fazer-se de bom, de justo, de homem de consciência limpa. Prosseguir na prática de crimes de guerra, sem a culpa que os acompanha sempre. É preciso ter sangue frio.
Quem justifica essa guerra justifica todos os crimes. Quem prega mais guerra e crê que haja justiça em assassinatos em massa perde o direito de falar de moralidade e humanidade. Não existe qualquer possibilidade de, ao mesmo tempo, assassinar e reabilitar aleijados. Esse tipo de atitude é a perfeita representação das duas caras de Israel, sempre alertas, ao mesmo tempo: praticar qualquer crime, mas, ao mesmo tempo, auto-absolver-se, sentir-se imaculado aos próprios olhos. Matar, demolir, espalhar fome e sangue, aprisionar, humilhar e sentir-se bom, sentir-se justo (sem falar em não se sentir cínico). Dessa vez, os senhores-da-guerra não conseguirão dar-se esses luxos.
Quem justifique essa guerra justifica todos os crimes. Quem diga que se trata de guerra de defesa prepare-se para suportar toda a responsabilidade moral pelas consequências do que faz e diz. Quem empurra os políticos e os militares para ainda mais guerra, saiba que carregará a marca de Caim estampada na testa, para sempre. Os que apoiam essa guerra, apóiam o horror.
Texto publicado no jornal Haaretz.
Tradução: Caia Fitipaldi