Importa mais o CONCRETO ou o CONVÍVIO? (& outras breves)
São Paulo: Nobel, 1999



![]() São Paulo, quarta-feira, 11 de junho de 2008 |
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| Texto Anterior | Próximo Texto | Índice Quem te viu e quem te vê, Itamaraty DANIEL MACK e DENIS MIZNE O MINISTÉRIO das Relações Exteriores brasileiro definitivamente teve uma semana para esquecer. Reconhecido internacionalmente por seus pares como um dos quadros diplomáticos mais profissionais do mundo, o Itamaraty, por duas vezes nos últimos dias, fez o Brasil passar vergonha em temas ligados a armamentos. No dia 30/5, sexta-feira, a diplomacia brasileira esteve ausente -como tem sido praxe no processo- no desfecho histórico do que foi considerado o "mais importante tratado de desarmamento" dos últimos dez anos. Na sua ausência, o Brasil escolheu ficar ao lado de Estados Unidos, Rússia, China, Israel e Paquistão, em vez de apoiar seus tradicionais aliados regionais, como Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e México. O Brasil produz, exporta e estoca bombas "cluster", que, além de atingirem áreas de até quatro campos de futebol quando arremessadas, muitas vezes falham ao tocar o solo e tornam-se pequenas minas terrestres à espera de uma criança que as detone sem intenção e sofra morte ou mutilação. Apenas dois dias depois, lemos reportagem no "Estado de S. Paulo" afirmando que o Itamaraty e o Ministério da Defesa teriam permitido a exportação de uma aeronave Super Tucano da Embraer para uma subsidiária da empresa norte-americana Blackwater, conhecida como o maior exército mercenário do mundo e sob investigação do Congresso dos Estados Unidos por supostas graves violações cometidas nas suas atividades na Guerra do Iraque. A notícia foi confirmada por executivos da Embraer e da Blackwater, mas não mereceu nenhum comentário oficial do Itamaraty e da Defesa -instâncias responsáveis por liberar as exportações bélicas do país-, após meses de negativas sobre o negócio. É especialmente incompreensível que o Brasil viesse a armar uma empresa que participa ativamente de uma guerra que nosso governo repudiou fortemente, usando de posições diplomáticas e retóricas das mais contundentes para reiterar sua oposição à ação dos EUA no Iraque. Onde fica o princípio de não-intervenção, tão caro à nossa diplomacia? Vende-se a liderança moral do país na região -suposto pilar da política externa brasileira- pela bagatela de US$ 4,5 milhões, valor do contrato com a Blackwater? Se confirmada, tal exportação é imoral e irresponsável, mesmo que venha a ser tecnicamente legal (sobre o que há dúvidas). É exatamente esse tipo de exportação que a sociedade civil organizada ao redor do mundo tem lutado para evitar quando apóia na ONU o Tratado de Controle do Comércio de Armas (ATT, na sigla em inglês), que não permite exportações bélicas que serão usadas contra civis ou em conflitos deflagrados. O ATT é um mecanismo imprescindível para impedir que transferências irresponsáveis de armas alimentem os conflitos, a pobreza e as violações graves dos direitos humanos em todo o mundo. No caso das bombas "cluster", ao Brasil resta fazer um mea-culpa e concluir que o mercado de exportação internacional para o armamento está em via de extinção, que o argumento diplomático do "fórum inadequado" caducou com a aceitação quase universal de processo alternativo (como foi no caso das minas terrestres) e abandonar o frágil argumento militar de "dissuasão estratégica" (será que o Paraguai vai invadir o Brasil se o país não tiver bombas "cluster"?). O Brasil pode assinar o tratado em dezembro, em Oslo (Noruega). Quanto à exportação da aeronave da Embraer, esperamos urgentemente algum tipo de explicação para tão controvertida decisão, mesmo temendo que não exista uma que seja minimamente razoável. Que a proteção e a venda de armamento sejam as prioridades do Ministério da Defesa (e das indústrias bélicas brasileiras), vá lá. Mas o Itamaraty, a cara do Brasil frente ao mundo, não pode ficar completamente prostrado, permitindo que interesses comerciais e militares determinem as posições de nossa renomada diplomacia em temas de tal importância. DENIS MIZNE, 32, advogado e "world fellow" da Universidade Yale (EUA), é diretor-executivo do Instituto Sou da Paz. DANIEL MACK, 33, mestre em relações internacionais pela Universidade Georgetown (EUA), é coordenador da área de controle de armas do Instituto Sou da Paz. |
São Paulo, sexta-feira, 06 de junho de 2008 ![]() |
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| Elite brasileira é ecologicamente inviável Impacto de classes A e B sobre o ambiente no país é comparável ao dos EUA, mostra estudo de ONG LUCAS FERRAZ |
HOMOFOBIA NO EXÉRCITO
Alípio de Sousa Filho
Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFRN
Editor da Revista Bagoas: estudos gays - gêneros e sexualidades
A matéria de capa da revista Época do domingo 1 de junho, com a história do casal Laci Araújo Marinho e Fernando Alcântara de Figueiredo, sargentos do Exército nacional – o primeiro é norteriograndense e o segundo é pernambucano –, relata o que é sabido: nas forças armadas de nossos diversos países, existem gays e lésbicas e estes podem ser tão bons e importantes profissionais como aqueles que se declaram heterossexuais (sim, os heterossexuais se declaram como tais a todo momento. Ninguém estranha, tornou-se natural: contam suas histórias de amor, beijam-se e andam de mãos dadas em público, aparecem em cenas de afeto e sexo em filmes, novelas etc. Toda a esfera pública é dominada por sua heterossexualizaçã
Matérias que circulam na imprensa de Brasília dão conta que o sargento Laci Araújo é perseguido em razão de sua atividade como artista, pois, além de sargento do Exército nacional, ele fazia cover da cantora Cássia Eller em shows na capital federal. Seus shows tornaram-se sucesso. O fato irritou comandos que não aceitam ter no Exército um militar gay que se assume como tal e que desenvolve atividade artística imitando ícone da cultura gay. Os comandos do Exército (como, de resto, toda a sociedade) preferem a invisibilidade dos homossexuais. De fato, o que socialmente incomoda é a visibilidade da existência gay, a conquista e a afirmação de direitos, o reconhecimento social e político. Enquanto permanece no silêncio e na invisibilidade, a homossexualidade é admitida, embora cercada de preconceito.
O Ministério Público recebeu denúncia, oferecida pela mãe do sargento, que acusa o Exército de preconceito e discriminação. Conforme a imprensa, entre as provas apresentadas pela mãe, estão conversas gravadas em que um general homofóbico acusa o sargento Laci Araújo de ser um traidor, pois, segundo acredita o general, o Exército não pode ter em suas fileiras quem põe em dúvida a suposta masculinidade verde-oliva. Na mesma gravação, o general expressa seu desejo de castigar o sargento com sua prisão e transferi-lo para o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que exprime seu desejo de separá-lo de seu companheiro, o sargento Fernando, transferindo-
Toda a pressão psicológica sofrida pelo sargento Laci Araújo o adoeceu. Hoje, ele é portador de síndromes que certamente não deixam de ter relação com o sofrimento que experimenta. À repressão a que foi submetido no Exército some-se a angústia que guardou por muito tempo, produzida pela violência do silêncio a que gays e lésbicas são submetidos. O que, todavia, é mais perverso é a tentativa do preconceito de tornar controvertido um caso que nada tem de controverso. Temos aí um caso de perseguição por homossexualidade e todo o resto é pura desculpa homofóbica. O caso é claro: ódio contra aqueles que não se deixam tornar reféns do preconceito. Ódio contra aqueles que, felizes, não vivem sua sexualidade com culpa, vergonha, medo e alienação.
Não vamos deixar que nosso Laci Araújo torne-se um novo Genildo Ferreira de França, também soldado do Exército, que, em 1997, sob a pressão do preconceito por ser gay, matou 15 pessoas em São Gonçalo do Amarante, matando-se em seguida. Não vamos deixar que nosso bravo sargento Laci Araújo torne-se um novo Oscar Wilde, poeta e escritor, que, em 25 de maio de 1895, na Inglaterra, foi condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados pelo crime de amar um rapaz. Todos nós, homossexuais ou não, devemos combater o preconceito e suas atrocidades. Não há mais desculpas para ninguém ficar de fora desse combate. O Brasil não pode mais continuar admitindo violências como as que agora são submetidos os sargentos Laci Araújo e Fernando Alcântara. Condenações por homossexualidade nunca mais! O preconceito ignorante e a homofobia é que merecem condenação!
LIBERDADE SOCIALMENTE SUSTENTÁVEL
uma introdução à Filosofia do Convívio
e a algumas de suas aplicações
Seção 1. A QUESTÃO E A ABORDAGEM
1.1. O pós-moderno e o pós-pós-moderno:
um primeiro olhar para o âmago da questão
1.2. Quem inventou o Pluralismo Absoluto? (E isso importa?)
1.2.1. Uma digressão oportuna: confiança em autoridade intelectual
e simulacro de conhecimento
1.3. Pluralismo Radical e Convivialismo - breve histórico e "parentes"
1.3.1. A importância filosófica e política do vínculo com a "Vertente do Pacífico"
1.4. Minimalismo: o método "menos é mais"
1.5. O zôon politikón e seu inferno
Seção 2. O CERNE DA PROPOSTA
2.1. Uma rara concordância humana universal
2.1.1. Duas proposições da voz geral...
2.1.2 - ... e duas constatações fundamentais sobre essas duas proposições
2.1.2. O possível e o impossível (lições de uma oração)
2.1.3. O problema que é a solução
2.2. O conceito de Convívio e seus campos de aplicação
2.3. Introdução à idéia de um Estatuto Fundamental da Humanidade
2.3.1. Uma multiplicidade só: a das regras e a das transgressões
2.3.2. A mãe de todas as violências
2.3.3. Liberdade como dignidade
2.3.4. Cedendo um pouco para ganhar muito
2.3.5. O problema da fiscalização dos fiscais
2.3.6. Complexificante I: NATUREZA
2.3.7. Complexificante II: CRIANÇAS
2.4. Minuta para um Estatuto Fundamental da Humanidade em 4 seções
Seção 3. GRUPOCENTRISMO E DISCRIMINAÇÕES:
o pensamento convivial aplicado a algumas questões práticas
(sobretudo de interesse pedagógico)
3.0. Motivos de discriminação: resultados de uma pesquisa informal
3.1. O retorno do reprimido: violência reativa, perversão sexual etc.
3.2. Etnocentrismo, grupocentrismo
3.3. Religião, fé e propaganda
3.4. Diversidade sexual
3.4.1. Um pouco de terminologia
3.4.2. A homofobia como questão pedagógica
3.4.3. A presença estatística além das primeiras aparências
3.4.4. A possibilidade real de uma sociedade não discriminadora
3.4.5. Duas palavras sobre diversidade sexual e religião
3.5. Quantos preconceitos se pode tolerar?
Seção 4. O NÍVEL COSMOLÓGICO:
O CONVÍVIO COMO CONSTITUINTE DA REALIDADE